Laços de Amor
1 I. Primeiro dia de aula.
Notas iniciais
— Eles estão indo embora, meus filhos estão indo embora — disse prestes a chorar e Anthony revirou os olhos.
— Eles estão indo para a escola, Elisa, não é como se fossem para a Antártida. — justificou e meus pequenos me olharam curiosos. Sorri para eles mesmo que meu único pensamento fosse pegá-los um em cada braço e levá-los de volta para casa.
— Mas eles só têm quatro anos — choraminguei e meu marido sorriu.
— Crianças de quatro anos vão para a escola todos os dias.
— Mas não os meus filhos! Será que não poderíamos voltar ano que vem?
— Elisa — Anthony censurou e eu fiz bico.
— Tudo bem, eu só...
— Mamãe? — Analu chamou me olhando curiosa. — Tá doendo em algum lugar? Meu irmãozinho tá nascendo? — ela se pendurou em minha barriga de quase sete meses.
— Ele vai sair agora? — Drew perguntou animado tentando se enfiar debaixo da minha saia. É, talvez eu tenha dito a eles por onde o irmãozinho iria sair de mim. Nós estávamos na frente da escola e passando vergonha, como sempre.
— Drew sai daí! — Anthony alcançou nosso filho e o pegou no colo, eu já tinha cessado a crise de choro e agora sorria com a cena, essa minha família, assim como eu, não poderia ser muito normal, né?
— Mas ele vai sair ou não? — Analu perguntou e eu sorri beijando sua bochecha.
— Não meu amor, ele não vai sair agora.
— Então por que a senhora tava chorando? — Drew me olhou curioso e eu me lembrei do motivo de estarmos aqui. Meus olhos marejaram outra vez. Eu sabia que eles voltariam mais tarde, mas mesmo assim eu não conseguia parar de chorar.
— Não é nada, é tudo culpa do papai.
— Ah — disseram os dois como quem sabe das coisas me fazendo sorrir e Anthony revirar os olhos.
— Agora chega de papo que vocês têm que entrar — meu marido anunciou colocando Drew no chão. — Se comportem, Ok?
— Tá bom — responderam juntos.
— Se quiserem voltar para casa é só pedir a professora para me ligar que eu venho buscá-los na hora — aviso e Anthony me olha feio e depois se vira para encará-los.
— Mas vocês não vão querer, certo? Aposto que vão gostar daqui.
Os pequenos olham de mim para Anthony parecendo confusos.
— É pra gente ligar ou não pra mamãe? — Drew pergunta fazendo uma careta de confusão muito fofa. Sou obrigada a beijar sua bochecha.
— Não meu amor, não precisa ligar — sou eu quem respondo sorrindo e ajeitando seu cabelo rebelde pela milésima vez. — Vocês são corajosos e curiosos de mais para ficarem com medo da escola. Aposto que vão se divertir muito e vão ter o Matt e a Manu com vocês.
— Eles vêm? — os dois perguntam animados e sorrio. Matt era o terceiro integrante do trio parada dura e Manuella, a garotinha ruiva de olhos escuros de Chloe e Mike, era um ano mais nova que os gêmeos e a melhor amiga de Analu.
— Vem sim, o Matt já deve estar chegando e a Manu vai demorar mais um ano, mas ela vem também.
— Tá bom então. Tchau. — Analu me dispensa sem nenhuma cerimônia e a olho divertida.
— Como é?
— A senhora disse que o Matt tá vindo. Pode ir embora com o papai então.
— Você está ouvindo isso, Anthony? — pergunto indignada e o vejo olhar a pequena surpreso, sou obrigada a sorrir. — Não esperaria nada menos da minha princesa guerreira. Amo vocês, se comportem.
— Que bom que ainda estão aqui! — Lena e Miguel surgem vindo em nossa direção, meu irmão está com o filho no colo.
— Achei que já tivessem entrado — digo. — Atrasados?
— Só muito — minha amiga diz olhando feio para o marido. — Nós esquecemos que hoje era o primeiro dia de aula, perdemos a mochila do Matt dentro do quarto dele e finalmente quando conseguimos sair, nos metemos em um engarrafamento horrível por causa de uma obra na avenida principal.
— Se não tivessem aparecido eu não os culparia — Anthony comenta divertido e faça careta.
— Eu sim — digo acariciando o calombo em minha barriga que deve ser o joelho do bebê em minha barriga. — Afinal, acabei de dizer a Analu e Drew que Matt viria. Se ele não viesse eu sairia de mentirosa.
— Dramática, isso sim — Miguel diz divertido e beija minha cabeça.
— Estou grávida, então posso.
— Tia, meu primo já vai nascer? — Matt pergunta se espremendo para descer do colo do pai.
— Hoje ainda não, Matt. Vai demorar um pouquinho ainda — enfio minhas unhas no braço de Anthony quando o pequeno dentro de mim dá um chute particularmente forte. — Só espero que não muito — digo respirando fundo depois de a dor diminuir e sorrio vendo meu marido esfregar o lugar onde eu havia apertado.
— Ah, queria que fosse hoje pra ele ir pra escola com a gente — o pequeno reclama e acho graça.
— Eu também, mamãe! — Drew concorda.
— Ele vai vir? — Analu quer saber e tenho vontade de morder todos eles.
— Vocês ainda vão ter que esperar uns quatro ou cinco anos para trazê-lo para a escola.
— Isso tudo? — Matt parece indignado. — Deixa que eu fico com a Analu e o Drew mesmo. Tchau, tia.
— Dispensada pela segunda vez no dia, quero muito chocolate caro pra me recuperar, Bonitão — digo olhando pra Anthony que está claramente se divertindo com tudo isso.
— Como se você precisasse de desculpa pra comprar chocolate — abro a boca para reclamar e ele me cala com um beijo. — Vai ter tudo o que quiser, Raio de Sol.
— Amo você — é como o respondo.
— Pronto, começaram com a melação — Miguel reclama e reviro os olhos.
— Depois de tanto tempo ainda não superou que sou casada?
— Nunca — ele sorri pra mim. — Sempre vai ser minha irmãzinha.
— Quem tá meloso agora? — pergunto debochada e ele revira os olhos.
— Não dá pra ser carinhoso com você mesmo.
— Gente — Lena chama antes que eu possa responder meu irmão chato. — Vocês não estão esquecendo de nada, não? — ela pergunta apontando em volta onde não há mais ninguém além de nós.
— A escola! — digo e cada um deles pega um dos pequenos e corre para os portões que já estão fechados.
Eu os sigo com a velocidade de uma tartaruga manca. Mas o que mais eu poderia fazer se já estou carregando um na barriga, que parece sempre pesar uma tonelada quando estou com pressa?
— Hei! Esperem por mim! — peço aos gritos os seguindo e eles como a família amorosa que são me ignoram totalmente enquanto entram na escola com os pequenos. Analu que está no colo do pai se vira e me dá tchau animada. Só posso retribuir o gesto sorrindo. Vou dar tchau, outra vez, quando os alcançar, nem que seja na hora de vir buscá-los.
Sorrio com o pensamento, meus pequenos estão crescendo e deixá-los ir nem que seja por algumas horas, faz parte disso.
— Você vai correr com eles e me abandonar daqui a alguns anos, também não é, Noah? — pergunto acariciando minha barriga e sorrio. — Vou estar ansiosa por isso.
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