Laços Sanguíneos
2 Capítulo Um
Edward POV.
Eu levantei cedo naquele dia; era meu último dia de folga em casa, e eu teria que voltar a trabalhar. Por isso, queria aproveitar todo o tempo do mundo com o meu filho.
Muitos me acharam loucos por adotar um bebê, sem nem ter namorada. Entretanto, eu queria um filho, sempre quis, e já tendo estrutura psicológica e financeira para isso, resolvi adotar. Afinal, eu ainda não encontrara a mulher certa, já tinha vinte e seis anos, então, por que esperar?
Caminhei até o quarto do Anthony, sorrindo. Eu adorei esse nome, mesmo eu não o tendo escolhido, simplesmente pelo fato de eu me chamar Edward Anthony Cullen. Era coincidência, destino. O destino, assim como eu, sabia que Anthony era certo para ser meu filho.
No começo, pensei em pegar alguém mais velho, mas assim que vi Anthony, assim que vi seus olhos castanhos, seu cabelo claro, como o meu era quando eu era um bebê, soube que ele era o escolhido.
Meu filho.
Meu herdeiro.
Meu Cullen.
Meus pais me apoiaram, e minha mãe ficaria com o Anthony quando eu voltasse a trabalhar, até eu achar uma babá. Anthony tinha o quarto completamente decorado pela tia e madrinha Alice; ele seria mimado. O primeiro neto.
Minha irmã é três anos mais nova que eu, e tem um namorado. Ela acha que ainda é cedo para se casar, apesar de amar o Jazz. Ela nem pensa em filhos ainda, também.
Ainda sorrindo, avistei meu filho ali, dormindo. Ele tinha apenas três meses, mas eu já estava louco para vê-lo grande. Enquanto o pegava no colo e me direcionava até a cozinha, onde faria leite para ele, pensava em nós dois jogando futebol, falando sobre garotas, fazendo dever de casa juntos.
Mesmo não sendo meu filho biológico, e só estando com ele há um mês, eu já o amava. E tinha certeza de que esse amor só iria aumentar.
Como médico – pediatra –, um dos chefes no hospital que eu trabalhava, eu tinha conseguido um mês de férias – eu tinha vários meses acumulados, mas decidi retirar só um – e estava acompanhando tudo de longe. Às vezes eu visitava os pacientes, meus pimpolhos, simplesmente porque sentia saudades.
Eu peguei a mamadeira e pressionei o bico na boca de Anthony; imediatamente ele abriu a boca e sugou.
- Com fome, garoto? – sorri, como um bobo, ao tê-lo ali, nos meus braços.
Eu era pai.
E era meio que difícil acreditar nisso.
- Isso – ri –, bom garoto.
Minha mãe apareceu depois do almoço – para visitar o netinho, disse ela. Acontece que todos nós sentíamos como se Anthony tivesse mesmo o sangue da família Cullen. Nós não nos importávamos com o fato de ele ser adotado.
Nós o amávamos.
E era isso o que importava.
_
Nas duas semanas que se seguiram, entrevistei várias babás, mas nenhuma parecia boa o suficiente. Eu queria alguém confiável, alguém que pudesse tomar conta de meu filho durante o dia – eu fazia questão de ficar com ele durante a noite. Queria ser um pai presente, acima de tudo.
Foi só quando Anthony estava comigo há quase dois meses, que eu pareci conhecer a pessoa certa.
Seu nome era Isabella Swan e ela estudava literatura inglesa durante a noite e tinha o dia livre. Não tinha pais nem parentes, então poderia se dedicar somente a uma criança. Seu currículo não era extenso; ela já trabalhara em uma creche, porém. E dizia amar crianças.
Eu fiquei um pouco em dúvida, claro. Tinha medo de que ela não fosse completamente confiável e fizesse mal ao meu filho, mas quando ela o viu e o pegou no colo.
Ela pareceria ter nascido para aquilo.
Tê-lo ali, em seus braços.
Eu disse a ela que ligaria assim que tomasse uma decisão – mesmo que ela já tivesse sido tomada, eu não queria que ela ficasse completamente confiante.
Naquela noite, fui dormir cedo, pensando em Isabella Swan com meu filho, Anthony, nos braços.
Bella POV.
Nos dias que se seguiram, eu fiquei desesperada. A irmã não pôde me fornecer os dados de quem tinha adotado meu filho, então eu teria que descobrir do meu modo. Eu precisava do Anthony, tinha que vê-lo, tinha que estar perto dele.
Só de pensar nele em outra cidade, outro estado e – eu tremia só de pensar – em outro país, eu sentia meu coração tão apertado, tão pequeno...
O Anthony era tão novo, tão depende de mim, do leite materno que constantemente eu enviava para o orfanato...
Durante o dia eu procurava sondar as pessoas do orfanato, mas as poucas pessoas que tinham tempo tinham me dito que não sabiam de nada.
E eu simplesmente passava a noite chorando, acordada, imaginando se o Anthony estava alimentando, se ele estava agasalhado, se sofria com as cólicas que eram comuns entre recém-nascidos... Eu queria tanto vê-lo, poder abraçá-lo, sentir aquele cheirinho bom de neném.
Eu o amava tanto e a ideia de simplesmente perdê-lo era insuportavelmente dolorosa.
- Ai, meu filho – sussurrei, segurando a pulseirinha dele de quando ele nascera, junto de uma foto. – Eu te amo... Perdoa a mamãe, por favor...
Eu já perdera tanto na vida, tanto. Meus pais não estavam mais comigo, eu mal conseguia me concentrar na faculdade, porque eu não sabia onde meu filho estava, eu não estava por perto para protegê-lo... Será que eu iria perder meu Anthony também?
Quando eu conseguia acordar de um cochilo rápido, eu seguia até o orfanato, sempre tentando saber de alguma coisa.
E então, aos poucos fui descobrindo.
Quem o havia adotado era um homem. Era alto, cabelos cor de bronze e olhos verdes. Não era muito, mas eu me peguei procurando por homens com essas características pelas ruas, enquanto trabalhava em uma lanchonete, enquanto ia para casa...
Então, finalmente, consegui descobrir o nome: Edward Cullen. Era solteiro e, de acordo com as irmãs, um pediatra. Senti-me um pouco mais calma depois de saber disso. Ele saberia cuidar de Anthony.
Agora eu teria de descobrir uma maneira de me aproximar, ganhar a confiança desse tal de Edward e poder lhe contar a verdade, torcendo para que ele aceitasse que pelo menos e ficasse perto de meu filho, vendo-o crescer, amando-o...
Busquei uma maneira de me aproximar e achei a perfeita.
Descobri que ele estava procurando por uma babá e de repente, esse era o trabalho perfeito. Eu poderia cuidar de Anthony, conquistar a confiança da família Cullen e torcer para que, quando soubesse da verdade, Edward permitisse que eu ficasse ao lado do meu filho.
E quando eu o peguei nos braços... Ele estava com três meses, logo completaria quatro, e estava lindo... Seu cabelo tinha escurecido um pouco, mas ele ainda tinha meus olhos – os olhos castanhos que eu herdara de meu pai.
Na hora de parti, me senti receosa, mas um pouco melhor. O Anthony estava bem, vivo, lindo, saudável.
Agora, era só torcer para que Edward me chamasse para trabalhar como babá.
_
Ele me ligou dois dias depois, em um sábado, dizendo-me que eu começaria na segunda. Senti-me ótima, louca para poder ver meu bebê novamente. Consegui me alimentar como há muito não comia, estudar e dormir. Edward só precisaria de mim durante o dia, a noite eu poderia ir para a faculdade.
Eu estava no penúltimo semestre, ou seja, meu último ano na faculdade. Eu tinha menos de um ano para me aproximar e contar ao Edward que eu era a mãe verdadeira de Anthony; eu esperava que ele fosse compreender. Eu precisava que ele compreendesse.
Permaneci ansiosa até a segunda e acabei acordando cedo demais. Procurei me arrumar de forma simples, mas bonita. Depois de pronta, segui até a casa de Edward – que era muito bonita e grande demais para alguém que morava sozinho – e toquei a campainha.
- Bom dia – murmurei, ao ver uma mulher baixa, de cabelos espetados e olhos verdes. – Eu sou Isabella Swan e...
- Oh! Entre – sorriu. – Sou Alice Cullen, irmã do Edward. Ele teve que sair um pouco mais cedo por causa de uma emergência e eu vim para cá, já que vou passar esses primeiros dias com você.
- Claro.
O Anthony estava dormindo, então Alice me falou algumas coisas – sobre ele, a família, o namorado, a faculdade – e eu acabei descobrindo que ela tinha a mesma idade que eu, embora não freqüentássemos a mesma faculdade e não fizéssemos o mesmo curso.
Quando o Anthony acordou, eu o alimentei, troquei sua fralda e o coloquei para arrotar. Eu sentia falta de ficar assim com ele, sentir seu cheirinho bom de bebê...
Mais tarde, enquanto eu lhe dava um banho, eu permiti-me pensar em tudo o que tinha acontecido. Não me lembro com quem dormi naquela noite – eu estava bêbada, fazia exatamente um ano que meus pais tinham partido e eu queria me esquecer o quão ruim era ficar sozinha –, a noite que resultou em Anthony. Lembrava-me apenas de acordar em minha casa no dia seguinte, embora os lençóis tivessem estado totalmente revirados... Talvez, o caro tivesse passado uma parte da noite ele e depois tivesse ido embora...
Lembrava-me também que segui em frente com a vida, até que, pouco mais de um mês depois, comecei a ter enjoos, tonturas, fome demais, sono demais... E quando fui a um médico, descobri estar grávida de seis semanas.
Eu fiquei assustada, chorei muito, mas segui em frente. Continuei freqüentando a faculdade, o trabalho... E quando o Anthony nasceu, eu fiquei com ele por uns dias, antes de ter que voltar a pensar no trabalho e na faculdade. Era julho, eu estava de férias, tinha até o início de setembro para dedicar-me a Anthony. Eu já o amava – mesmo tendo que enfrentar tudo sozinha — e precisava dar-lhe um ótimo futuro.
Então, como não tinha dinheiro para contratar uma babá, deixei-o aos cuidados da irmã Clary, explicando-lhe toda a situação. Todos os dias, a noite – aproveitando minhas férias –, eu ia visitar meu Anthony, amamentá-lo e retirar leite para deixar ali; eu queria que ele tivesse o melhor, e estava trabalhando para isso.
E, dois meses depois, consegui dinheiro suficiente para contratar uma pessoa para cuidar de Anthony enquanto eu estivesse trabalhando e na faculdade. Eu trabalhava somente na parte da tarde, então eu poderia passar a manhã com meu filho. O nome da babá era Bree e ela era adolescente, estudava de manhã, e simplesmente amava crianças. Eu gostei dela assim que a vi.
Mas, claro, como se trata de mim, eu perdi o Anthony, sua guarda... E agora simplesmente não podia chegar, contratar um bom advogado – sendo que eu nem tinha dinheiro para isso – e tirar Anthony dessa casa, onde ele tinha o conforto que eu não podia oferecer. Só me restava conquistar a confiança do Sr. Cullen, e rezar para que ele me deixasse ficar perto de Anthony e me deixasse ser a mãe dele, quando descobrisse tudo.
Retirei Anthony da água, sorrindo ao escutar os famosos resmungos que os bebês dão. No dia 28 de novembro, ele completaria quatro meses, ou seja, em vinte dias... E eu mal podia acreditar que iria acompanhar seu crescimento.
Depois que ele voltou a dormir, organizei o banheiro do quarto dele, onde ele tinha tomado banho. Eu precisava retirar leite, mas não podia ser aqui, porque queria continuar alimentando Anthony – nada era mais importante que o leite materno, para um bebê, até seus seis meses. Meu leite não havia secado, porque eu retirava sempre e doava para um hospital. Eu me sentia feliz por saber que era útil em alguma coisa.
Desci as escadas, levando comigo a babá eletrônica, e me sentei no sofá da sala – Alice estava descansando um pouco, no quarto de hóspedes. Peguei algumas coisas da faculdade e comecei a estudar. Olhei o relógio rapidamente – o Sr. Cullen chegaria em uma hora e a faculdade começava em uma hora e meia –, coloquei a babá eletrônica próxima a mim e me pus a ler.
Quando faltavam dez minutos para meu expediente acabar, Anthony acordou. Eu troquei sua fralda, alimentei-o e o coloquei para arrotar. Depois, ajeitei-o em meus braços, e sorri ao ver seus olhos – meus olhos – abertos, me encarando. Conversei um pouco com ele e ele logo voltou a dormir.
Virei-me e me assustei. Edward Cullen estava parado próximo a porta do quarto, sorrindo.
- Ah, oi, senhor Cullen – sorri. – Desculpe-me, não vi o senhor aí.
- Chame-me de Edward – disse. – Como foi o primeiro dia, Srta. Swan?
- Bella – corrigi. – Foi bom. Ele é bem calminho, acabou de dormir de novo.
- Obrigado – sorriu. – Eu vi você cuidando dele, não quis interromper. Você leva jeito.
- Claro – corei e mordi o lábio inferior. Eu era mãe, já havia aprendido bastante coisa; era claro que eu tinha que levar jeito. – Bom, eu vou indo então... Faculdade.
- Ah, sim. Até amanhã, Bella.
- Até.
Eu acariciei o rostinho de Anthony, reprimindo as lágrimas que queriam tomar conta de meus olhos. Eu queria poder ficar com ele a noite toda, abraçá-lo, tratá-lo como meu filho, cuidar dele de um jeito mãe... Eu o veria no dia seguinte, mas a ideia de não poder mostrar a todo mundo que ele era meu e que eu tinha orgulho por ter contribuído para fazê-lo existir...
Afastei-me, antes que o Dr. Cullen percebesse algo errado. Acenei para ele mais uma vez, evitando olhá-lo diretamente.
Eu não queria que ele visse as lágrimas em meus olhos.
Respirei fundo, peguei minhas coisas, despedi-me rapidamente e saí dali, rumo a faculdade.
Amanhã eu o veria novamente, amanhã eu poderia carregá-lo, sentir seu cheiro, cuidar dele.
Mas mesmo assim, mesmo sabendo que eu o veria no dia seguinte, eu sentia meu coração pesado.
E se não desse certo?
E se, no final, Edward me proibisse de ver meu filho?
Eu não suportaria.
Era demais para mim.
Fale com o autor