Laços Perdidos no Tempo
5 Capítulo 5
Aquela pergunta fizera seu sangue ferver. Havia realmente algo naquele rapaz que não lhe agradava. Já não conseguia nem ouvir a batucada que recomeçou para a animação geral.
Os dois miravam-se intensamente.
Percebendo que o clima estava tenso, Linda resolveu se manifestar.
- Este é o Aldebaran – Ela se apressou em apresentar o novato. Não queria que fosse mal interpretada – Ele e os primos estavam na praia e a sua irmã os convidou para vir connosco.
O rapaz que agora passava um dos braços à volta da cintura da namorada, estendeu uma mão.
- Maurício!! – Se apresentou com um sorriso que Aldebaran identificou como cínico.
O moreno não conseguia sorrir, estava muito incomodado. Mas apertou a mão de Maurício, amigavelmente.
- Ele trabalha na Grécia, sabia?! – Linda disse animadamente para o namorado.
- É mesmo?! E o que você faz lá?
- Segurança – Foi a resposta do moreno.
- Uau – Maurício fez com um sorriso zombeteiro. Virando-se para a namorada – Vejo que está chique. Arrumou até um segurança.
Linda sorriu sem graça. Mas Aldebaran teve pela primeira vez em toda a sua vida uma vontade enorme de esganar alguém.
Não conseguia entender porque estava se sentindo daquele jeito, nem Afrodite lhe conseguia tirar do sério daquele jeito. A final o que estava acontecendo?
Mais uma vez o clima ficou pesado e Linda decidiu começar um outro assunto.
- Ham…porque não foi se encontrar comigo hoje de tarde? – Disse para o namorado, que pareceu levar um pequeno susto, hesitando um pouco.
“Está procurando uma resposta.” – Aldebaran concluiu ao perceber logo a reação do rapaz.
- Tive que ajudar meu pai na oficina – Foi a resposta do moço ao fim de um minuto. – Bem se o segurança nos der licença… — Disse sorrindo puxando a namorada para fora do quiosque, se dirigindo para a praia.
Aldebaran acompanhou os dois com os olhos, até ser chamado pelo primo mais novo para se juntar ao grupo no balcão.
Sem pressa se aproximou do pequeno grupo que bebia e conversava animadamente.
- Que falta de sorte, Grandão – Plínio começou – A moça tem namorado.
A face de Aldebaran ficou um pouco corada.
- Do que você está falando? – Aldebaran disse sem graça.
- Ah vai Deba – Foi a vez de Ricardo se manifestar – Nós vimos o jeito que você olha para a Linda.
- Bom gosto ele tem – Rodrigo disse fazendo os outros rirem e, deixando Aldebaran ainda mais sem graça.
- Bem – Rosana chamou atenção de todos – Não quero ser má, mas você não tem chance, não. Meu irmão é louco pela Linda e acho que ele mataria quem tentasse, tirar ela deve.
- Ele não me parece muito preocupado – Aldebaran falou sem pensar.
Rosana ficou surpresa. Talvez Linda tivesse deixado escapar alguma coisa para aquele desconhecido.
- Maurício, pode não ser um exemplo de namorado, mas gosta de verdade dela.
- Não é um exemplo, como? – Ricardo perguntou.
- É infiel? – Plínio completou o raciocínio do primo.
- As vezes. Linda é bonita, mas há melhores – Rosana falou incomodada. A final Linda era sua amiga, mas tinha que justificar de algum modo o irmão. – O meu irmão e concorrido…
- Um calhorda, você quer dizer – Aldebaran não se conteve.
- Ele é homem – A moça ficou nervosa – Os homens são assim…
- Opa! Não generaliza, não – Ricardo disse – Nem todos são assim…
- A não?! Vai dizer que se você tivesse muitas meninas lindas atrás de você, você iria se prender em uma só.
- Se eu realmente gostasse dela, não a trocava por nenhuma – Foi Plínio que se manifestou para a surpresa de Rosana e dos primos – E acredita: Eu sei o que é ser concorrido.
“E convencido também” – Ricardo e Rodrigo pensaram.
- Imagino. Na teoria é muito bonito, na prática é que eu queria ver. E linda também é apaixonada pelo Maurício, por isso esquece, GRANDÃO! – A moça disse irritada e, dito isso se retirou sem dizer mais nada e sem dar tempo de uma resposta Deixando os rapazes pasmados.
- Ok – Ricardo disse – Tenho pena daquela menina…
- Uma amiga cobra e um namorado canalha. – Plínio disse pensativo – É, eu também tenho pena.
Os olhos dos quatro voltaram-se para a praia, onde viam o casal discutir algo.
O Cavaleiro de Touro, sem tirar os olhos da discussão, caminhava lentamente para escada, esbarrando nas pessoas que se encontravam no seu caminho. Nem ouvia as agressões verbais que recebia.
Foi quando viu a moça dar um tapa no rosto do rapaz. Este ia revidar mas foi barrado por uma mão forte que lhe segurou pelo pulso.
Aldebaran mal viu-a dar um tapa nele correu para apartar a briga.
Linda tinha os olhos fixos no namorado. Ele iria lhe bater?
- O que você pensa que está fazendo?! – Aldebaran perguntou, ainda, segurando no pulso do rapaz.
Em um gesto brusco o rapaz fez o moreno lhe soltar. Linda observava tudo ainda sem reação.
- Nunca ouviu falar: que em briga de marido e mulher não se mete a colher? – Maurício perguntou ríspido, se afastando do enorme rapaz.
- Até onde eu sei, ela não é sua mulher – Aldebaran disse sério.
- Linda? – Maurício virou para a namorada abismado.
A moça, transtornada virou de costas e começou a caminhar. Maurício, fez menção de segui-la, mas bateu de frente com o enorme rapaz moreno, que se pôs na frente.
Aldebaran tinha um pequeno sorriso no rosto.
- Lembra? Eu sou o segurança dela!
O outro serrou os punhos, mas sabia que não podia com o outro limitando-se a balbuciar injuria e se retirar para o bar, passando pelos três primos de Aldebaran que riam como nunca.
Estes se aproximaram do primo.
- É melhor irmos atrás dela – Plínio disse convicto.
- É melhor… — Os outros concordaram.
Correram um pouco e alcançaram logo a moça que chorava.
- Linda, você está bem? – Ricardo perguntou, levando um tapa na cabeça, do irmão.
- Nós te levamos para casa – Aldebaran disse enquanto caminhava do lado da moça que não falava nada, se limitando a caminhar olhando sempre para o chão.
Não sabia explicar porque mas se sentia segura do lado daqueles estranhos. Especialmente do lado de Aldebaran. Algo lhe dizia que aquele rapaz entrara na sua vida para lhe ajudar de alguma forma, como fizera a pouco.
A caminhada de volta pareceu mais rápida do que a ida, mesmo caminhando em silêncio, com Linda e Aldebaran na frente e Ricardo, Plínio e Rodrigo atrás.
- Meu carro!? – Plínio falou com os olhos arregalados olhando para o local onde estacionou o carro prata, agora vazio.
Continua...
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