Laços Perdidos no Tempo
3 Capítulo 3
Chegaram na sala da Casa de Touro um pouco ofegantes e olhando para todos os lados. Mu ia chamar pelo nome do companheiro quando ouviram barulho de vidro quebrando, vindo de dentro do corredor a direita.
Se entreolharam durante alguns minutos.
- Acho melhor você ir sozinho – Shaka constatou olhando para o Cavaleiro de Aries. Este suspirou e voltou o olhar para Kamus que acenou com a cabeça, confirmando o que o Cavaleiro de Virgem tinha dito.
Mu viu os dois companheiros se retirarem da sala e caminhou com cautela para dentro do corredor rumo a porta que se encontrava entreaberta.
Empurrou-a cuidadosamente e, encontrou, Aldebaran sentado na cama com uma toalha manchada de vermelho na mão e um porta retrato caído no chão um pouco distante do Cavaleiro de Touro.
- Hum…Sabia que mais cedo ou mais tarde você apareceria – Aldebaran disse, sem olhar para o homem na porta, com um pequeno sorriso, fazendo Mu voltar a atenção para sua pessoa.
- O que houve?! – O cavaleiro de Aries se recompôs, enquanto pegava em uma cadeira, que se encontrava em um canto do quarto e, a colocou do lado da cama, perto de Aldebaran, sentando em seguida.
Aldebaran lançou-lhe um olhar triste, ainda segurando a toalha sobre a outra mão.
Mu fitou o lugar onde deveria estar machucado.
- Tudo isso por causa do encontro que você teve com aquela moça?
O moreno baixou os olhos.
Mu suspirou baixo.
Ia falar algo quando ouviu a voz baixa do amigo.
- Faz tantos anos que não me sentia assim – Aldebaran falou baixo fitando o nada – Aquela moça…
- Quem é ela?
Aldebaran levantou e foi até o porta retrato caído no chão. Pagou-o, tirou os vidros que ainda continuavam presos na madeira bem envernizada e entregou para o ariano.
Mu fitou a imagem intrigado.
- Isto foi quando tivemos aquelas ferias…
- Sim…15 anos atrás…
Corria em direção ao mar, na companhia de três rapazes.
Sete anos tinha se passado desde a primeira saída do Brasil rumo a Europa. Agora voltava cheio de energia por estar em sua terra novamente, com vontade de aproveitar aquele mês o máximo que podia.
- Corre!! – Um rapaz loiro, alto, pele bronzeada e olhos azuis, gritou, enquanto corria na frente dos outros três. Era magro, corpo atlético, típico surfista, o mais malandro, como era chamado pela mãe de Aldebaran, havia encontrado uma praia que achava ser deserta.
- Espera, Ricardo — Logo atrás estava um rapaz magro, de meia estatura, pele morena, olhos e cabelos castanhos escuros.
- Espero nada, Rodrigo. Vocês são muito moles – ouviram como resposta.
Era Dezembro e a noite fazia um calor insuportável para estar enfornado em alguma discoteca ou bar.
Então Ricardo juntou os primos e convenceu-os que não havia nada melhor do que tomar banho de mar, nus, de noite.
Aldebaran relutou no princípio, mas com a ajuda do irmão, Ricardo o convenceu.
- Mole, é!? – Aldebaran não se conteve. Começou a correr a sério, ultrapassando facilmente o primeiro e entrando no mar de roupa e tudo.
- Como ele consegue? – Se admirou o terceiro. Era alto e musculoso, pele queimada de sol. Cabelos castanhos e olhos azuis. Plínio era considerado pelas meninas, o mais bonito do grupo.
Os três pararam para admirar aquele que era o maior dentre os quatro. Aldebaran tinha 15 anos, mas já media quase dois metros. Muito musculoso, tinha o corpo proporcional a altura. A pele morena, olhos escuros e cabelos negros, denunciavam sua nacionalidade enquanto estava na Grécia. Mas ali, no Rio de Janeiro, poderia se sentir quase invisível se não fosse seu tamanho.
E era justamente isso que impressionada os amigos e familiares, o tamanho que tinha e sua agilidade. Era rápido. Muito rápido.
- Cara, não é a toa que pegaram ele para ser guarda-costas no estrangeiro – Ricardo disse rindo, enquanto se despia.
Apenas os pais e o irmão mais velho, sabiam que ele foi para fora do país para se tornar um dos guerreiros de uma deusa, na qual nem se quer acreditavam, enquanto os outros pensavam que ele tinha sido chamado para o trabalho de segurança de alguma ricaça grega.
Rodrigo começou a se despir juntamente com os outros.
- Você tem certeza que essa praia é mesmo deserta, né Ricardo!?
- Tenho, medroso – Ricardo respondeu correndo em direção a agua já nu.
- Tudo bem então – Plínio respondeu, já convencido, tirando a ultima peça de roupa e correndo na direção do mar, logo atrás do primo – Anda logo Rodrigo…
- Espera ai!! – Rodrigo se atrapalhava ao tirar a calça. – Quer saber?! Que se dane… — Concluiu correndo de boxer mesmo.
Não demorou muito para a guerra de água começar.
- O Aldebaran ainda está de roupa – Rodrigo lembrou olhando para o rapaz grandalhão.
- É, pode tirando a roupa – Ricardo reivindicou.
- Já to todo molhado…
- Ta amarelando? – Plínio provocou.
- Ok!! – Se convenceu saindo da agua já tirando a camisa.
Parou onde estava a roupa dos outros e começou a desabotoar a calça. Pensava que mais valia ter tirado toda roupa antes de correr para a água. Agora ia ficar com a roupa toda encharcada e, provavelmente ia ouvir muito do Plínio por entrar no carro e molhar o maravilhoso estofamento.
Riu ao imaginar a cena.
Plínio, o mais velho dentre eles, era mesmo exagerado. Bem...mas isso, agora, não importava...
Talvez com sorte e, com o calor que estava, suas roupas secassem antes de ir embora. A final, a noite estava sendo amiga. Muito calor e uma lua cheia, enorme, que iluminava bem a praia.
Só aquela lua presenciava a cena dos quatro garotos nus, “brincando” no mar.
Ou não...
Já estava prestes a tirar os boxers quando ouviu rizadas, vinda do seu lado direito, mais precisamente atrás do rochedo.
Apurou mais a audição e conseguiu identificar os risos femininos. Mas do que rápido voltou a vestir a calça.
- Ei!? – Chamou, estreitando os olhos e franzindo a ftesta, olhando para o rochedo.
Continua…
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