Laços Imperfeitos
37 Extra: Técnicas de sedução com Abarai Renji - Parte um
Notas iniciais
Dizer que Renji estava subindo pelas paredes não era o suficiente para demonstrar o estado do pobre rapaz. Bem, é normal querer agarrar a pessoa que se ama e... Certo, deu para entender. Mas, a situação dele era ainda pior. Simplesmente porque ele já havia provado do fruto proibido! E, por qualquer coisa, como queria mais!
Entretanto, Byakuya havia enfatizado bem o lance de "só depois que você se formar". Não podia reclamar, o Kuchiki era bom... Em datas especiais. Mas, só alguns beijinhos de vez em quando não eram o suficiente para apaziguar o fogo daquele ruivo. Qual é? O cara tem suas necessidades e, para piorar tudo, ele ainda estava na puberdade! Os hormônios a flor da pele e aquele cheiro maravilhoso do moreno por todo lado. Não era justo!
E, para aumentar sua bad, o mais velho parecia "muito bem, obrigado". Continuava frio como sempre e por mais que o ruivo tentasse o seduzir, ele nem ligava. E o ruivo tentava. Ah, como tentava! Tocava-o sempre que possível, de forma, aparentemente, inocente; passeava pela casa com roupas que favoreciam seu potencial, principalmente as que deixavam suas tatuagens em evidência, o moreno parecia ter algum interesse nelas; deixava os cabelos sempre soltos, ficava mais charmoso assim (ao menos era o que achava); preparava o café da manhã para o mais velho nos domingos, no resto da semana a cozinheira o fazia; falava coisas românticas e legais, mas, o Mister Iceberg não gostava muito, já que Rukia poderia ouvir...
Não sabia mais o que diabos poderia fazer. Nunca havia namorado sério... Se bem que não sabia se o estava agora. Será que o Kuchiki o considerava como um namorado? O ruivo nunca tinha pensado nisso... Como ele faria para saber? Ele teria que pedir, não é? Mas e se o moreno não quisesse? Ele disse "tudo bem" daquela vez, mas era só sobre "dar uma chance"...
Porcaria, o que deveria fazer agora? Esperar não estava sendo muito legal. Poderia pedir alguns conselhos para Rukia... Não, isso não. Kira e Hisagi não entendiam de namoro, ou era isso que o poço de inocência Abarai Renji achava (a frase saiu tão errada...)... Com isso sobrava Ichigo! Rukia o achava o melhor namorado do mundo, um pouco lerdo, mas ainda assim o melhor.
Depois daquela aula insuportável do ainda mais insuportável do Gin-sensei, falaria com o amigo!
...
Rukia já estava de saco cheio daquela relação sem graça de seu nii-sama e Renji. Sério! Eles tinham que apimentar aquilo! Tudo bem que no começo é complicado, com Ichigo também demorou até chegarem aos finalmente. Mas, não era o caso. Seu irmão já havia feito coisas com Renji...
‘Pera, seu irmão que tinha feito as coisas, não é?
Ah, com certeza. Renji era trouxa demais para ser o seme... Ou será que...? Não, de jeito nenhum!
Balançou a cabeça para se livrar do pensamento aterrador. Enfim, precisava ajudar os dois! Mas ficava difícil com o castigo... Se ela estivesse em casa, seu nii-sama não faria nada. Ele a respeitava demais para isso.
Não imaginou que a aproximação de Orihime, com um sorriso bobo e o rosto corado, render-lhe-ia um bom álibi.
...
Ichigo era um gênio! Bem, nem tanto. Mas, naquele caso ele havia achado a solução perfeita!
Um encontro!
Era ge-ni-al! O pequeno e único problema era estar sendo firmemente vigiado, de castigo, sem poder sair de casa ou pegar o celular e o computador para outra coisa além de a) falar com Byakuya ou sua tia e b) trabalho escolares (“se você pegar os aparelhos eletrônicos para outra coisa, eu saberei.” palavras de seu amável senpai para ele e Rukia). Ele não podia sair para nenhum lugar além da escola. Fato esse absurdo, Byakuya não poderia o deixar de castigo. Enfim, não diria isso ao mais velho, obviamente. Não é indicado você aumentar a raiva de alguém que está no seu limite. Fato verídico, desculpe a redundância.
Então, mesmo com esse problema, Ichigo achou mais uma solução. Sério, ele estava estranhamente esperto naquele dia. Bem, se não podia sair, deveriam fazer algo em casa mesmo! Como um piquenique no jardim ou um jantar. Só os dois, claro.
Bom, já sabia o que fazer. Só precisava se livrar de Rukia.
...
A baixinha esqueceu todo o plano de "apimentar as coisas" depois de ouvir as novidades de Orihime. A garota apresentava olheiras e bocejava constantemente, mas, ainda assim nunca pareceu tão feliz.
Bem, era normal ficar radiante com o amor correspondido. E esse era exatamente o caso. O vizinho — supostamente vampiro, mas, que na verdade era um cara bem normal — havia se declarado e pedido à garota em namoro! Bem, não foi um pedido entusiástico já que ele era bem sério, ainda assim, a garota estava toda boba pela sinceridade dos sentimentos dele. Mesmo sendo um homem de poucas palavras, ele havia lhe dito o quanto apreciava sua companhia e como gostava dela.
Rukia ficou eufórica com a novidade, sempre pensou que Orihime havia ficado meio chateada por causa de Ichigo. Mas, finalmente, aquilo era passado. De qualquer forma, a garota queria saber como tinha sido o primeiro beijo. Poxa, isso é bem importante!
– Bem, não nos beijamos... Ainda. – antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a baixinha interrompeu.
– Como assim? Ele te pediu em namoro e não fez mais nada? – perguntou um tanto indignada.
– É que... Ele é muito sério e... Talvez ele ache que pode ser desrespeitoso... Você acha que ele pode não me ver dessa forma? – indagou, um tanto temerosa com o pensamento.
– Claro que não é isso. Se ele não pensasse dessa forma não a pediria em namoro. Olha bem para você! Com todo esses... Essa vantagem natural! Ele deve estar louco para te pegar! – afirmou deixando a amiga vermelha. – Talvez você tenha que dar o primeiro passo, ele pode achar que você ainda não esteja pronta para isso.
– É, pode ser... Tomara que seja. – murmurou insegura. – Ele vai viajar hoje, vai ficar fora o final de semana para uma exposição. Mas, quando o Ulquiorra-san voltar eu vou responder o pedido dele e mostrar que gosto dele da mesma forma... E também dizer que estou pronta para...
– 'Pera, 'pera! Você não respondeu?
– Não... Eu fiquei sem palavras. – murmurou envergonhada. – Ele me disse para responder quando ele voltasse...
O sinal estridente impediu que Rukia reclamasse da lerdeza da amiga. Tinham que voltar para a aula. Ao ver Renji entrando na sala, se lembrou do seu plano. Talvez pudesse ajudar mais gente em um único dia!
A baixinha ficou extremamente satisfeita com sua infinita bondade.
...
– Nii-sama, é só na casa da Orihime! Faz tempo que não fazemos nada de garotas, ela está se sentindo abandonada. – Byakuya continuava com aquela expressão "Não adianta, você está de castigo." – É só uma noite, não vai ter mais ninguém! Eu juro. – ainda a mesma expressão. – Nós só vamos fazer coisas de garotas, conversar e ver televisão. – nenhum progresso. – Por favor? – o Kuchiki estreitou, levemente, os olhos. Rukia o encarou com aqueles grandes olhos pidões. – Por favor, nii-sama... É só dessa vez! Deixa, por favor? – fez bico. E assim, Byakuya revirou os olhos, claramente desistindo.
– Tudo bem! — pronunciou lentamente. – Eu vou te levar até a casa da sua amiga e vou te buscar amanhã. Eu vou te ligar quando estiver lá, é bom que atenda... Não fique tão animada, porque se eu souber que você está mentindo... – não terminou a ameaça, a garota o interrompeu toda beijos e abraços, dizendo que ele era o melhor irmão do mundo, prometendo que atenderia e que nunca mais iria mentir. O pobre moreno nem percebeu que a irmãzinha cruzava os dedos atrás das costas.
...
Renji estava extremamente satisfeito. Todo o plano estava funcionando perfeitamente bem. Perfeitamente até demais para a sorte do ruivo. Ainda assim, estava tão feliz que nem desconfiou.
Byakuya saíra com Rukia, deixá-la-ia na casa de Orihime e compraria um livro que precisava. Enquanto isso, o ruivo terminava o jantar que havia planejado. Um jantar bem romântico com os pratos favoritos do moreno. Já havia arrumado a louça na sala de jantar, estava tudo impecável. Só faltavam as velas para ficar mais romântico. Mas, essas continuariam faltando. Sabe, eram meio traumáticas depois de tudo.
Assim que terminou os preparativos, tomou um banho rápido e vestiu algo no estilo “casual chique”, nada muito exagerado. Anotou mentalmente que deveria agradecer Rukia pela ajuda com a roupa e por dispensar os empregados a “mando do irmão”. Se bem que talvez fosse melhor não falar nada com a baixinha, ela já era convencida o suficiente.
Quando ouviu o leve som do carro de Byakuya, tudo estava perfeito! Correu para entrada, esperando pelo Kuchiki.
...
Inicialmente, Byakuya pareceu estranhar o sorriso bobo que Renji ostentava. Será que tinha se esquecido de alguma data especial?
Não, não era o caso. O mais provável era que o Abarai estivesse aprontando algo. O que seria dessa vez? Será que era tão difícil ter um dia de descanso?
– Algum problema, Renji?
– Não... E-eu só queria saber se você gostaria de jantar. – perguntou esperançoso.
– Ah. Não se preocupe comigo, comi algo no caminho. – Afastou-se do ruivo, caminhando em direção à biblioteca. Nem reparou a expressão de descontentamento do outro. – Tenho que finalizar uma pesquisa. Qualquer problema, sabe onde me encontrar.
– Tudo bem. – murmurou, não escondendo a decepção tão bem quanto pensou.
Byakuya encarou as costas do ruivo enquanto ele rumava à sala de jantar. Ele com certeza estava chateado, o que contrastava muito com o ânimo que apresentava antes. Por Deus, o moreno teria cometido alguma gafe? Não conseguia lembrar-se de nada especial para aquele dia. Não era feriado ou alguma comemoração estranha. Conferiu sua agenda, apenas para constatar que não havia nenhum aniversário próximo também.
Seguiu para a biblioteca. Assim que terminasse sua pesquisa averiguaria o que se passava com Renji.
...
Renji nem ficou tão deprimido com seus esforços desperdiçados. Mentira, mas, de qualquer forma, deveria ter desconfiado. Estava indo tudo muito bem.
Voltou à sala de jantar sem nenhuma fome. Recolheu a louça e guardou a comida. Ao terminar, suspirou desanimado. Pensou em levar algo para o Kuchiki, chá ou café, quem sabe. Mas, era melhor não atrapalhar. Rumou para a sala de estar, algum filme bom poderia o animar, talvez.
...
Em pouco tempo sua pesquisa estava pronta. Não faltava muito, os dados de laboratório e as anotações de campo já estavam devidamente anexados. A única coisa que faltava, era alguma relação teórica com o livro que comprara. Tudo muito fácil.
Perguntava-se se deveria ver como Renji estava. O fato de Rukia não estar em casa tornava qualquer tipo de contato com o ruivo potencialmente perigoso. Optou por pegar algo na cozinha. Deveria ter jantado com Renji. Será que o ruivo tinha se alimentado direito?
Na cozinha, encontrou mais comida que o normal. Na verdade, eram todos seus pratos favoritos. Nunca fora um homem de raciocínio lento, a conclusão ali era óbvia. Suspirou audivelmente com uma pontada de culpa.
Já era um pouco tarde, Renji deveria estar dormindo. Ainda assim, decidiu procurar pelo ruivo. Tentaria, sem matar nenhuma dignidade, mostrar alguma indulgência.
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