Renata

O fim de semana chegou e marcamos a ida ao cinema. Durante todo o resto da semana Matt me evitou, não entendi o porque . Alguns dos amigos deles ficaram insinuando certas coisas, e acho que meus amigos já desconfiavam de algo, isso se já não tinham certeza. Bem, chegamos ao shopping, ainda não estava no horário da seção, era costume irmos mais cedo e darmos umas voltas nas lojas. Sah comprou algumas roupas e como sempre me fez carregar suas sacolas. Chegada a hora da seção seguimos para a sala que passaria um filme qualquer cujo quem havia escolhido era And, ou seja, o filme era aquelas series policiais entendiantes. Assim que consegui fui para a praça de alimentação comprar pipocas, refrigerante e chocolate. Estava na fila aguardando minha vez de ser atendida quando avistei a pouco mais de um metro a minha frente aquele que havia feito de tudo para não me ver. Ao me ver me encarou por um longo instante e eu desviei o olhar para a atendente que me chamava. Paguei o lanche e virei-me para sair, Matt colocou-se a minha frente impedindo a minha passagem.

— Licença. — Disse num tom frio.

— Ah claro, quer ajuda com seu lanche?

— De forma alguma.

Prossegui andando e ele me segurou pelo braço.

— Que foi? — Minha voz foi tomada por raiva e bufei revirando os olhos.

— Ei. Que foi que te fiz ?

— Jura?

— Anh?

— Você me deixou sem notícias o resto da semana, simplesmente sumiu. — Puxei meu braço de volta e fiz um gesto no ar. — Simplesmente Puff.

— Eu tive de resolver uns assuntos.

— Sua gangue de anjos malvados anda aprontando?

— Ei, Shhhh! Fala baixo sobre isso.

— Ta ta. Porque sumiu?

— Invadiram nosso QG.

— QG?

— Modo de falar, era onde a gente se encontrava. E machucaram um dos meus.

Fiquei abismada.

— Mais esse cara ta bem ?

— Sim, não foi nada de mais, só uns arranhões . Mais você ta bem?

— To, desculpa...

— Tudo bem, não te preocupe.

O sorriso de Matt, aquele ousado e atrevido sorriso que me atingia a alma, me fez suspirar. Ele abaixou a cabeça e me deu um selinho.

— Agora deixa eu ajudar. — Ele disse estendendo as mão e pegando os lanches.

— Só vou deixar isso com eles, odeio filmes policiais.

Matt riu.

— Ok, eu deixo lá ai te levo pra casa ou pra onde você quiser ir.

— A Vick ta em casa?

— Está sim.

— Ok, vou pra lá.

Como o prometido assim que voltou o garoto me levou para a sua casa. Foi estranho meus tios nos olhando com cara de " Nossa, já viraram amigos ? " . Sentei-me no sofá ao lado de minha prima que deixou claro que percebera as trocas de olhares entre Matt e eu.

— Ok tio, pode deixar que aviso ao meu pai do tal almoço pro garotinho aqui. — Baguncei o cabelo de Matt — E Vick você vai dormir na minha casa hoje.

Ela riu e assentiu seguindo pro seu quarto e pegando as suas coisas. Matt ficou abraçado a mim e eu o abracei pela cintura.

— É bom ver que Matt já fez amigos. — O pai do garoto disse.

Ambos sorrimos.

— Renata não é minha amiga. — Matt disse para meu espanto.

Arregalei os olhos e permaneci em choque.

— Não? — Perguntei.

— O que são então? — Meu tio insistiu.

— A Re é minha namorada.

— Anh? Sou?

— É

— É? — Vick disse ao voltar de seu quarto.

— É! Mais que merda! Não entenderam? Eu e ela nos gostamos e estamos juntos.

— Re? — A garota perguntou incrédula .

— Ér, ele tem razão. — Me pronunciei.

— Vocês são primos! — Foi a vez de minha tia sair do choque .

— Sim, somos primos, primos e namorados. — Eu disse.

— E não ligo pro que vocês pensem, gosto dela, terão de aceitar. — Matt completou

— E seus pais Renata ? — Tia Mary perguntou.

— Irei informa-los assim que deixar ela e Vick . — O garoto falou.

Certo meus tios nos rejeitaram, e meus pais ? Peraí Eu e o Matt ? Estranho . Chegamos em casa. Vick nem olhou pra mim durante o percurso e meus pais nos esperavam na porta, a expressão de ambos era rígida e tensa. Encarei-os e aquela expressão se desmanchou transformando-se em um sorriso preocupado .

— Não gostamos, mais respeitamos. — Foi meu pai quem disse.

Vick ficou confusa.

— Tá. — Eu disse também sem entender.

— Então, esse é o belo Matt. — minha mãe estendeu a mão para o garoto que a cumprimentou .

— É um prazer senhora. — Matt disse no seu tom mais cordial, gentil e educado.

— Tia, só tia.

— Ta bom tia. — Matt sorriu. — Só vim deixar as garotas, já vou indo.

— Espera. — disse e olhei para os outros que entenderam e entraram . — Mais fácil do que pensei. — Ri.

— Verdade.

Matt me abraçou e me beijou. Sorri e também o beijei.

— Vou indo, amanha venho buscar vocês . — Matt disse e me beijou novamente.

— Tem mesmo que ir?

— Tenho sim Linda, tenho que ir ao QG .

— Deixa eu ir ?

— É arriscado.

— Por favor ?