Laços

3 Capítulo 3


No dia seguinte Molly sabia que enfrentaria resistência da mãe para sair de casa, portanto comportou-se direito durante todo o dia e não tocou mais no assunto. Quando a noite caiu, Molly jantou como se nada tivesse acontecido e foi para o seu quarto dormir. Quer dizer, dormir foi o que ela disse para os pais que faria. Como sabia que a mãe não entrava em seu quarto após ela fechar a porta, Molly apenas aguardou alguns instantes até que tudo parecesse seguro e saiu por sua janela, fechando-a atrás de si. Agradeceu em silêncio pela casa ser térrea.

Molly correu pelas ruas, esquecendo-se do medo que sentiu ao andar sozinha à noite pela primeira vez. Chegou ofegante à casa de Summer e bateu com força na porta.

– Quem... Molly! Você a essa hora? – O senhor pareceu surpresa em vê-la ali. Ele achou que ela esqueceria o acontecido na primeira oportunidade, já que não era algo com o qual ela estava acostumada a lidar.

– Oi, Summer. Como ele está?

– Teve uma noite difícil, mas melhorou durante o dia. Conseguiu até mesmo comer um pouco de sopa.

– Eu poderia vê-lo?

Summer pareceu pensar por um momento, mas não podia deixar a garota do lado de fora nesse frio. Ela já estava se arriscando tanto apenas para ver James.

– Entre, verei se ele está acordado.

A garota entrou e sentou-se no sofá enquanto Summer ia pelo corredor e entrava por uma porta ao fim dele. Só agora Molly parava para pensar que não tinha a menor ideia do que iria dizer quando o visse, eles quase nem se conheciam e a lembrança mais marcante que tinha dele era de quando ele roubara seu bolo.

– Molly... – Summer a tirou dos devaneios, ela não viu quando ele voltou para a sala. – James não quer receber visitas.

– Mas... Eu...

– Até tentei insistir, dizendo que você o salvou, mas ele está irredutível. Vamos, eu a acompanho até em casa.

– Como vai ficar a situação dele? Com o pai dele? – Molly perguntou enquanto eles caminhavam de volta para casa.

– O pai dele ainda não apareceu, nem mesmo na casa em que eles moravam. Eu chequei. E caso ele volte a aparecer, o menino ele não terá de volta. Nem que para isso... Esqueça.

Molly ficou com a impressão de que ele iria dizer algo grave e, sinceramente, ela não se importaria se Summer matasse o pai de James pelo o que ele fizera. Ele quase o matara, espancou-o quase até a morte...

Pararam de caminhar quando chegaram próximo à casa de Molly.

– Eu não vou desistir de vê-lo, Summer. Principalmente agora que ele se negou a me ver. – Molly sorriu travessamente para o senhor a sua frente, fazendo-o revirar os olhos. – Ele me roubou um bolo um dia e me deve ao menos o direito de vê-lo por tê-lo salvo, não acha?

– Aonde o garoto foi se enfiar? – Summer suspirou. — Faremos diferente então... Quando você fugir pela sua janela, porque eu sei que foi isso que você fez, me espere aqui e nós iremos juntos. Não é seguro você andar sozinha a noite. Combinados assim? Às 23 horas está bem para você?

– Combinados! Obrigada, Summer! – A garota se jogou sobre ele, abraçando-o e o pegando totalmente de surpresa.

– Deus, minha vida estava tão tranquila só com os animais. Agora vá!

Molly correu para a janela do seu quarto ainda rindo, abriu-a e, acenando para Summer, entrou de volta ao cômodo.

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– Ela é persistente, James. Você deveria ceder de uma vez. Já faz uma semana que ela está vindo aqui!

Summer trocava alguns curativos de James, que estava sentado na cama em uma posição desconfortável. Mas qual posição era confortável? Todo seu corpo ainda doía.

– Eu não quero vê-la!

– Isso tudo é para que ela não veja seu rosto inchado ou se deve a um pedaço de bolo roubado? – Summer espreitava as reações do garoto enquanto cuidava do feio corte em seu supercílio.

– Ela descobriu? – James parecia surpreso com a informação.

– Sim... A pequena Molly está longe de ser boba como talvez você pense. E ela não está chateada com você. Seria legal da sua parte deixá-la vê-lo, já que ela não contou a ninguém sobre o bolo e ainda salvou sua vida.

James não respondeu mais e, vendo que o silêncio do garoto era definitivo, Summer deixou o quarto.

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Após alguns dias de bom comportamento, mesmo que não fosse real, Molly ganhou permissão para ir e voltar sozinha da casa de Alice, mediante a promessa de que não se desviaria do caminho por nada e nem ninguém. Sua mãe não viu quando ela cruzou os dedos ao prometer, anulando assim a responsabilidade de cumprir qualquer coisa.

Molly foi de verdade para a casa de Alice. A parte que ela não contou foi que saiu bem mais cedo do que deveria de lá e fez um pequeno desvio em sua volta para casa.

– Summer? Ei, Summer! — Ela já havia batido na porta e ninguém atendera, então agora ela chamava junto a porta já ficando impaciente por não ter uma resposta.

Foi quando a porta se abriu com violência e Molly se assustou ao dar de cara com James.

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Minutos antes...

– Atenda a porta, James.

– Não vou atender. — O garoto parecia emburrado. — Eu sei quem é, e não vou atender.

– Ah sim, você vai. É a minha casa e são as minhas regras. Pule dessa cama agora e vá atender a droga da porta!

James se encolheu por um momento antes de sair da cama encarando Summer com raiva brilhando em seus olhos. Foi só James passar por ele, andando desajeitadamente por conta da dor, para que um sorriso estampasse seu rosto.

Garotos...