Laços
14 ESPECIAL: DO JEITO QUE VOCÊ É! O amor é ridiculo
Notas iniciais
O amor é ridiculo
E ridículos também são
Aqueles que amam
São tolos, inconsequentes
Sofrem, e se deixam ruir
Até se permitem sorrir
São ingênuos, desvairados
Vivendo intensamente esse sentimento multicor
Mas são também os mais felizes
Aqueles que se deixam iludir pelo amor
Temari abriu os olhos devagar, despertando para aquela realidade perfeita. A luz fraca dos primeiros raios de sol daquele dia entrava pela janela de seu quarto, enquanto percebia estar envolvida por braços fortes e familiares.
Shikamaru exibiu a Temari um sorriso torto, a expressão serena:
–Bom dia, flor do deserto.
Ela ergueu uma sobrancelha.
–A expressão correta não é “bom dia, flor do dia”?
–Acho que “flor do deserto” é mais apropriado para você.
Ela também sorriu.
Shikamaru estreitou seus braços em volta de Temari, trazendo-a para mais perto. Colou seus lábios aos dela da forma intensa com a qual a loira já estava acostumada, embora sempre acabasse ofegante e com o coração acelerado. Quando ele enfim afastou seus lábios, o rosto ainda colado ao dela, sussurrou:
–Preciso voltar para Konoha.
–Já?
Ele assentiu. Estava ali havia dois dias, e sentia Kankuro na sua cola o tempo todo. Embora Gaara não comentasse nada a respeito, era evidente que o ruivo sabia sobre eles. Mas com Kankuro a história era outra. O irmão da loira tinha uma certa tendência a ser super protetor, e Shikamaru sabia que se magoasse Temari, ele o mataria.
O kazekage havia inventado uma desculpa qualquer para justificar a permanência de Shikamaru na Vila da Areia, e o Nara havia aceitado aquilo de bom grado. Embora tivesse acertado as coisas com Temari, ambos concordavam em continuar mantendo discrição sobre aquele relacionamento. Não seria nada agradável ver todos comentando sobre suas vidas.
Shikamaru suspirou com aquele pensamento. Obviamente, transar no meio do deserto e deixar rastros duvidosos na areia não havia sido uma atitude muito prudente e discreta, mas pelo menos as coisas estavam resolvidas.
Temari baixou os olhos. Estivera tão envolvida em sua própria felicidade naqueles dois dias, que não havia se atentado ao fato de que Shikamaru era um ninja importante para Konoha naquele momento.
Ele então rolou sobre ela, beijando seu rosto, descendo pelo pescoço. Temari pôde sentir a respiração de Shikamaru em sua pele quando ele falou:
–Não fique assim, está bem? Agora é a sua vez de ir me visitar.
Ela então sorriu mais abertamente para ele. O Nara voltou a colar seus lábios nos dela. Precisava arranjar forças para se despedir.
Apoiou sua testa na de Temari, suspirando pesadamente.
–Mas, por favor... não demore.
–Irei o mais rápido que puder. – prometeu ela.
Foi a vez de Shikamaru sorrir abertamente. Ele levantou-se, e começou a se vestir. Precisava sair dali antes que desse de cara com Kankuro vigiando a porta do quarto de Temari.
Aquela família era muito problemática.
Antes de sair, depositou um beijo carinhoso nos lábios da loira.
–Vou estar esperando por você. –falou, antes de sair apressadamente.
A loira encarou o vazio de seu quarto. O silêncio já gritava a ausência de Shikamaru. Ela então se concentrou nos momentos que tiveram juntos naqueles dois dias.
Temari voltou a se enrolar nos lençóis, caindo no sono novamente com um sorriso nos lábios.
–Cava aí! Não ouviu a Hinata dizendo que tem que cavar mais fundo? Agiliza, Kiba! – mandava Ino.
Kiba levantou-se, fitando Ino com os olhos estreitos:
–Você tá me achando com cara de cachorro rastreador, Ino?
–E você vai servir pra quê se não for pra isso? – provocou a loira. Akamaru rosnou para ela.
Kiba estava agachado, as mãos envoltas na terra remexida, enquanto Hinata, Tenten e Ino o observavam, de pé. Akamaru ajudava Kiba a cavar, e vez por outra os dois se entreolhavam, como se pensassem no que tinham feito de errado para merecerem passar por isso.
Hinata olhava para aquela situação desconcertada. Tudo o que havia pedido a Kiba era que o amigo fizesse o favor de desenterrar o que ela procurava há dias, e que graças ao byakugan, havia encontrado. Eles estavam perto de seu lugar especial, o lugar aonde Hinata vinha todos os dias desde que Naruto partira no resgate de Sakura, o lugar onde passara as tardes mais bonitas da sua vida. Seu lugar especial.
E, para provar que o destino é cheio de armadilhas, o que procurava estava perto dali. Se olhasse para trás, Hinata poderia ver, um pouco distante, a árvore sob a qual Naruto repousou por tantas vezes em seu colo. Mas não olharia naquela direção. Só de estar tão próxima daquele lugar, sentia seu coração latejar, e as lágrimas ameaçavam rolar a todo instante.
Mas Ino e Tenten viram a Hyuuga indo naquela direção acompanhada de Kiba, e claro, quiseram saber para onde os dois iriam. A curiosidade de Ino era tanta que ela sequer disfarçava; arrastou Kiba pelo pescoço até que chegassem ao local que Hinata havia indicado.
–Ino-san... deixe o Kiba-kun quieto, por favor... ele está fazendo um favor...
–Fica quieta, Hinata, querida, que eu coloco esse inútil pra trabalhar rapidinho. E aí? Já terminou de cavar? – perguntou, num tom de voz autoritário que fez Kiba trincar os dentes.
–Você está mexendo com fogo, loira. – avisou o Inuzuka.
–Será que vocês dois podem parar com isso?! – estressou-se Tenten – Ou eu vou ter que acalmar os ânimos aqui na base da pancada? – ameaçou.
Os dois estremeceram ao ouvir os berros de Tenten. Kiba logo voltou a cavar, junto com Akamaru, enquanto a expressão de Ino demonstrava cada vez mais ansiedade. A Hyuuga não dizia de jeito nenhum o que estava procurando, e tentava tirar a loira de lá a todo custo.
Hinata fitava Kiba. Ele era, realmente, um grande amigo. E seu carinho por ele naqueles últimos dias crescera de forma avassaladora.
Mas não passava disso.
Afinal, graças a ele, ela estava mais consciente do que nunca de que não poderia amar mais ninguém da maneira que amava Naruto.
–O que estão fazendo aqui?
Aquela voz fez Tenten arregalar os olhos. Virou-se devagar, dando de cara com Neji.
–Neji nee-san! Nada! – apressou-se Hinata. A morena começava a se desesperar na medida em que percebia que cada vez mais pessoas chegavam para acompanhar sua busca. Queria manter aquilo intocado, mais uma lembrança bonita que guardaria até que ele voltasse. Se ela se perderia quando enfim ouvisse de Naruto qual havia sido sua decisão, não importava. Precisava acreditar que, mesmo que não tenha durado muito, se deu a chance de tentar... e de sentir.
–Como “nada”? – questionou Neji. –Por acaso é algo secreto? – perguntou, estreitando os olhos claros.
Hinata começou a entrar em pânico.
–Não! É só que... que... é coisa minha e do Kiba-kun... não é nada de mais, Neji nee-san, pode ir embora sossegado... e se você for mesmo, pode tentar convencer a Ino-san a ir também? – pediu, num tom sussurrado.
Neji estava prestes a argumentar sobre aquilo, quando percebeu que Tenten estava presente. Olhar para ela fez com que se distraísse do que Hinata dizia. Como sempre, sua companheira de time estava ao lado de Hinata sempre que ela precisava. Ela até tinha tentado convencer Ino a sair dalí, mas em se tratando de uma boa fofoca, a loira colocava em ação toda a sua vontade do fogo, e sua curiosidade era invencível.
Até aquele momento, Tenten tinha evitado olhar para Neji. Sempre que os dois tentavam conversar, acabavam querendo se matar, e Tenten não conseguia pensar com coerência quando se perdia naqueles longos cabelos negros, ou naqueles olhos que mantinham sempre uma expressão séria e concentrada. Mas o silêncio do Hyuuga frente às suplicas de Hinata chamou sua atenção, então ela resolveu olhar para ele. E lá estavam, aqueles cabelos compridos, tão negros quanto a noite, e aqueles olhos claros, ah sim, aqueles olhos claros que lhe encaravam...
Aqueles olhos claros que a encaravam.
Neji estava encarando Tenten, a expressão abobalhada. Ultimamente aquilo estava acontecendo bastante. As vezes, ela percebia o Hyuuga a encará-la, e achava que ele deveria estar perdido em pensamentos ou fazendo uma lista mental de tudo o que achava de errado nela. Mas aquilo estava começando a ficar muito constrangedor.
–Neji nee-san! Está me ouvindo? – chamou Hinata.
–Ahn... o quê? – disse Neji, retornando à Terra – Desculpe, Hinata-sama, acabei me distraindo.
Hinata segurou o riso. Sabia exatamente o que estava distraindo o primo, mas não falaria nada. Porém, aquela situação era no mínimo cômica.
Tenten voltou-se para Kiba, tentando esquecer o olhar de Neji.
–E aí, Kiba, isso é pra hoje? Achei que vocês do clã Inuzuka cavassem mais rápido. – resmungou, enfezada. Ficava desnorteada quando Neji a encarava daquela maneira.
–JÁ DISSE QUE NÃO SOU UM CÃO RASTREADOR! SOU UM NINJA! – explodiu Kiba.
–Ninja, cachorro, tanto faz. Será que dá pra agilizar? – pediu Ino.
Embora estivesse com os olhos fixos em Kiba e Akamaru, Tenten não conseguia deixar de tremer só em pensar que Neji estava ali. A verdade é que o Hyuuga mudara muito nos últimos anos. Na infância, ele era sempre áspero e arrogante, as vezes até um pouco ameaçador. Mas ela sabia que aquele comportamento era uma consequência do rancor que Neji sentia da família principal de seu clã. Depois que tudo havia sido esclarecido, o companheiro de time andava mais leve, até doce, mas sempre mantendo sua seriedade e responsabilidade.
Mas ela não sabia lidar com aquilo.
Tenten era boa com armas, em combate era corajosa como ninguém. Mas não sabia como lidar com aqueles sentimentos estranhos que Neji lhe provocava. Sempre acabava se descontrolando e discutindo com ele. Não era raro ver os dois brigando feito duas crianças por qualquer motivo ou provocação idiota. Sempre que aquilo acontecia, acabava por se convencer de que sua vontade de cortá-lo com todas as suas armas era mais forte do que o frio na barriga que sentia sempre que o via.
Hinata continuava suplicando que ele fosse embora, e que, se possível, levasse Ino e Tenten dalí também, mas o rapaz estava novamente distraído. Observava Tenten, estando a garota de mãos na cintura, batendo o pé impaciente com a demora de Kiba em encontrar o que quer que estivessem procurando. A expressão irritada dela o fez sorrir um pouco.
–Neji nee-san? Está me ouvindo? – Hinata voltou a chama-lo.
Tenten voltou-se novamente para ele. Neji piscou, como se despertasse de um transe.
–Por que está me olhando com essa cara de idiota? – perguntou Tenten, uma veia saltando em sua testa.
–O-o quê?
Ela se aproximou de onde estavam os dois Hyuugas.
–Estou perguntando por que está me encarando feito um retardado.
O pânico começou a se instalar na mente de Neji.
–Não... não estou encarando você. – falou, esperando que sua voz não evidenciasse o constrangimento que sentia. Maldita timidez da família Hyuuga!
Àquela altura, Ino já prestava atenção na discussão dos dois. Inicialmente, ela revirou os olhos azuis e suspirou tediosamente. Outra discussão boba de Neji e Tenten. Será que aqueles dois não se cansavam de serem tão infantis?
Mas ao observar a expressão corada de Neji e a irritação de Tenten com mais atenção, algo fez seus olhos se arregalarem.
Como não havia percebido aquilo antes?
–Que seja! – falou Tenten, perdendo enfim a paciência. As vezes achava que Neji podia estar tão confuso quanto ela, mas a falta de iniciativa dele a dizia que estava enganada. Neji era o gênio irritante do clã Hyuuga de sempre. –Vou treinar! – falou, saindo dali a duras pisadas.
Neji piscou, desnorteado com a reação de Tenten.
Hinata o beliscou de leve.
–Ai! Hinata-sama, o que está fazendo?
–Eu que pergunto, o que você está fazendo? Por que não falou nada?
Ele se engasgou.
–Do-do que você está falando, Hinata-sama?
A morena revirou os olhos. Será que ele achava que conseguia esconder aquilo dela? Hinata conhecia o significado daquele rubor no rosto do primo melhor do que ninguém, afinal.
Os dois sussurravam aquela conversa na esperança de que ninguém os ouvisse, mas nenhum acontecimento passava despercebido aos olhos e ouvidos de Ino. A loira se aproximou dos dois, e deu um tapa na cabeça de Neji.
–AAAAIII! O que deu em vocês hoje?! Já não basta a Tenten querendo me esfolar vivo, tenho que me esquivar de vocês também?!
–Vai falar com ela! – ordenou Ino. – Vai agora!
–Falar o quê? – perguntou ele, na esperança de que a loira não o descobrisse.
–Vai lá e fala porque você estava olhando pra ela com cara de retardado! Você pensa que me engana? Vai lá e conta pra ela!
Era tarde demais. Neji suspirou. Aquela perspicácia de Ino com relação aos acontecimentos da vida alheia era, com certeza, um problema.
–Nã-não estava encarando ela. Apenas vi que ela estava aqui. – tentou ele.
–Se liga, Neji! Ela acha que você tem horror a ela, e fica reparando nos defeitos que ela tem!
–Defeitos? Que defeitos? Ela não tem defeitos.
Ino sorriu. Pegou o Hyuuga de jeito.
Percebendo a armadilha nas palavras de Ino, o constrangimento que antes se esgueirava em sua mente tomou total controle de seu corpo, deixando-o ainda mais corado.
–Mas você...! – indignou-se Neji.
–Neji nee-san... Ela deve estar chateada e constrangida. Por favor, vá falar com ela... – pediu Hinata.
–Me recuso! – falou, ainda sem acreditar que havia escorregado naquela estratégia idiota de Ino e entregado o jogo facilmente.
–Vai logo! – gritou Ino. –Prefere que eu vá falar com ela? Olha que eu vou, hein? – ameaçou a loira.
–Você não seria capaz... – sibilou Neji, estreitando o olhar para Ino.
–Tchau, Neji. Estou indo alí visitar minha amiga Tenten, aproveito pra ter uma conversinha com ela sobre um tal Hyuuga covarde... – divagou Ino, dando as costas aos Hyuugas.
–Raios! Tá legal, eu vou! – irritou-se Neji. Não tinha outra escolha a não ser se render às ameaças da Yamanaka.
–Isso! – vibrou Ino, erguendo a mão na direção de Hinata. A morena bateu timidamente na mão da loira, sorrindo de satisfação.
Indignado, Neji dirigia-se até onde Tenten deveria estar treinando, quando ouviu novamente os gritos de Ino.
–CHAMA ELA PRA SAIR, NEJIIIIII!
Ele olhou para os lados, preocupado com a possibilidade de alguém estar ouvindo aquilo. De longe, viu Kiba exibindo para ele um sorriso de deboche.
Neji suspirou. Àquela altura, não adiantava mais discutir com Ino.
Ele voltou-se novamente para seu caminho, focando seus pensamentos na tentativa de formular uma maneira de falar com Tenten sem que ela atirasse todas aquelas armas contra ele.
“Idiota, imbecil, arrogante, principezinho mimado do clã dos retardados, petulante, ridículo!”, xingava Tenten, enquanto atirava suas armas contra os bonecos de treinamento de seu clã. Sabia que não deveria estar tão irritada, mas não saber lidar com aquela situação a deixava maluca. E ele sempre era tão frio e sério... ela se sentia uma idiota.
–Tenten...
Ela olhou para trás por um momento, vendo Neji parado ali com cara de poucos amigos. Voltou-se novamente para o seu treinamento. Aquilo só podia ser um pesadelo.
–O que é que você quer?! – perguntou, irritada.
–Eu queria saber, se... se você está bem... e... – começou ele, tentando encontrar as palavras certas.
Com o barulho causado pelos ataques de Tenten contra os bonecos de treinamento, era quase impossível ouvir qualquer coisa.
–O quê?! – perguntou ela, sem entender o que ele dizia. Continuava jogando suas armas a torto e a direito, algumas kunais saindo de seu controle, indo, sem que ela percebesse, na direção de Neji.
O Hyuuga se desviava das kunais que quase o atingiam, forçando as palavras a saírem.
–E se você gostaria de sair comigo...
–Que é, Neji?! Fala mais alto, eu não tô te escutando! – ela gritou de volta, sem sequer olhar para ele.
–Queria te perguntar se você não queria... Mas que droga, será que você pode largar essas armas por um minuto?! – estressou-se ele, quando uma kunai quase atinge sua cabeça.
–Fala alto, idiota! Não consigo te ouvir!
–QUERO SABER SE VOCÊ QUER IR A UM ENCONTRO COMIGO, RAIOS! – gritou, já sem a menor paciência.
Ok. Dessa vez, Tenten escutou.
Ela se voltou para ele devagar, os olhos arregalados.
–O que você... disse?
–Bom... é que... você... você pareceu chateada e... e eu... – Neji procurava pelas palavras, o rubor deixando seu rosto quente. Ele respirou fundo, tentando manter a calma que sempre tinha, mas que perdia quando ela estava por perto. Olhou para o lado, sem conseguir encará-la. –Eu pensei que talvez você aceitasse... ir... a um encontro... comigo. – falou, temendo que ela atirasse as armas nele com toda a fúria. Mas nada aconteceu.
Tenten olhava para ele, paralisada.
Um minuto de silêncio se passou
–Você... poderia... reagir? Pode até atirar uma kunai ou shuriken em mim, mas faça ou fale alguma coisa... por favor. – pediu.
Tenten piscou, tentando falar alguma coisa.
–E-eu...
–Se você não quiser, não se preocupe. Não vou me aborrecer. E vamos continuar sendo amigos... vou continuar te deixando pensar que você pode me vencer numa luta.
Uma veia saltou da testa dela.
–Como é que é? Eu posso perfeitamente vencer você!
Ele sorriu.
–Finalmente uma reação.
Ela corou. Neji apenas a fitava, esperando por uma resposta, quando a ouviu dizer baixinho:
–Por que... por que demorou tanto, idiota?
Foi a vez de Neji sorrir e suspirar de alivio.
–Desculpe. – pediu, com a expressão serena.
–Certo! – gritou Ino, animadíssima. Estavam no quarto de sua casa, pois ela havia decidido que daria um jeito de deixar Tenten espetacular para o encontro com Neji. Obviamente Tenten tentou reagir, mas nada funcionava contra o entusiasmo da loira. Hinata e Kiba também estavam lá. Hinata decidiu que era melhor achar o que procurava quando estivesse sozinha com Kiba, pois quando Ino estava presente, os dois discutiam o tempo todo.
Kiba estava sentado na janela do quarto da loira, a cara emburrada e tediosa.
–Por que tenho que ficar aqui? – perguntou ele.
–Por que vamos precisar da opinião de um garoto, e você é amigo do Neji, deve saber como ele pensa, do que ele gosta...
–Você pirou, loira. Eu e o Neji não somos tão amigos assim. Pra falar a verdade eu nem gosto muito dele... – parou, vendo o olhar aborrecido de Hinata ao ouvi-lo falar mal de seu primo. – Que é? Ele é um chato. Nunca faz nada de errado, não sabe o que é diversão.
–Que seja! – irritou-se Ino. –Você fica! Afinal, você é mais menino que cachorro, não é? Sua opinião deve ser útil em alguma coisa.
Kiba estreitou seus olhos para Ino.
–Me chame de cachorro de novo, e eu dou um jeito de cortar esse seu cabelo amarelo. –sibilou ele.
–Me deixem sair daqui... – suplicou Tenten. –Pra quê toda essa frescura, só pra um encontro?
–Fica quieta, Tenten! – gritou Ino, analisando a amiga. O que faria com aquele cabelo de Tenten? E aquelas roupas que ela usava? Aquilo era, na sua opinião, um desastre.
–Vou embora. – falou Tenten, já se levantando.
Ino forçou os ombros da garota, fazendo-a sentar-se novamente.
–Você sabe que não adianta discutir comigo, não sabe? – disse a loira, estreitando seus olhos azuis. –Então senta aí e cala a boca enquanto eu faço o meu trabalho!
Kiba bufou.
Duas horas depois, Ino ainda estava dentro de seu banheiro com Tenten. Kiba olha para Hinata, e com a voz tediosa, ele diz:
–Essas duas estão demorando, hein? Será que a loira matou a Tenten lá dentro?
–Kiba-kun! – ralhou Hinata.
–Que foi? Quer me dizer que você não tá pensando a mesma coisa? Não viu o olhar daquela loira psicopata enquanto ela arrastava a Tenten praquele banheiro? E você viu o interior daquela coisa? É todo lilás! Parece o inferno!
Hinata só podia sentir pena de Tenten. O que Ino estava fazendo com ela naquele banheiro para demorar tanto?
É quando Ino finalmente entra no quarto, os olhos brilhando.
–Preparem-se! Vocês vão ver algo incrível agora! – dizia a loira, dando pulinhos de ansiedade.
Kiba suspirou. Aquela garota era hiperativa, com certeza.
–Tenho mesmo que fazer isso? – ouviram Tenten perguntar, sua voz abafada por estar dentro do banheiro.
–Já disse pra ficar quieta e me obedecer! Você tem que fazer uma entrada dramática.
Hinata e Kiba ouviram Tenten suspirar, e não puderam evitar sentirem pena da amiga.
–Com vocêêêês... – empolgou-se Ino — TENTEN, A DIVA!
Kiba fitava Tenten, boquiaberto. Se Ino não a tivesse anunciado daquela maneira escandalosa e ridícula, ele não teria reconhecido a amiga. Hinata encarava a garota com a mesma expressão.
Tenten equilibrava-se timidamente sobre os saltos que Ino a obrigara a usar.
–Então? O que acharam? – perguntou a loira, quicando de ansiedade.
–Eu acho... que essa garota ai não é a Tenten. – respondeu Kiba.
Os cabelos soltos de Tenten caiam delicadamente sobre seus ombros, revelando um comprimento que ninguém sabia existir. Ela usava um vestido que ia até a metade de suas coxas, deixando suas pernas de fora.
Ninguém nunca havia visto as pernas de Tenten. Eram torneadas e fortes devido os treinamentos. Kiba olhava fixamente para elas quando Hinata lhe deu um discreto beliscão, e sussurrou:
–Kiba-kun... se continuar a encará-la assim, vai deixa-la mais constrangida ainda...
Ele ajeitou a postura, pigarreando um pouco.
Os lábios vermelhos de Tenten moveram-se, seus olhos cobertos por uma maquiagem discreta se arregalando:
–Gente... acho que isso não vai dar certo...
–Claro que vai, do que você está falando?! – gritou Ino.
–Olha pra mim, Ino. Eu nem consigo andar direito com esses negócios que você me obrigou a usar. – falou Tenten, esforçando-se para não cair de cara no chão.
–São saltos! – indignou-se Ino –E tudo o que você precisa é de um pouco de prática. Dá uma volta, amiga.
Tenten suspirou, e deu dois passos na direção de Hinata.
Seu pé direito entortou, fazendo-a cair de joelhos, apoiando-se na cama de Ino.
–Ino-san... não acho que... essa seja uma boa ideia. – ponderou Hinata. –Não seria melhor deixar Tenten ser ela mesma...
–Ela mesma tem os cabelos ressecados, as unhas mal feitas e roupas de uma samurai mal amada. – retrucou a loira. E logo se virou para Tenten, que já estava novamente de pé. Colocou suas mãos sobre os ombros da garota, fitando-a nos olhos.
–Tá legal, Tenten. Esse encontro é importante pra você, não é?
Tenten assentiu.
–Então mantenha o foco! Sorria com elegância, comporte-se como uma princesa, e por todos os kages, não ouse tocar em nenhuma arma!
Tenten suspirou.
–Você ouviu, Tenten? Nada de armas! Estou avisando! Eu vou revistar você!
–Tá, já entendi! – gritou Tenten.
–Ótimo. Só mais uma coisinha.
–O que é agora? – perguntou Tenten, desesperada.
Ino sorriu para ela, tocando seu rosto:
–Você está linda!
Neji esperava no portão da casa de Ino tremendo da cabeça aos pés. Achava estranho ter de buscar Tenten ali, mas Kiba o avisara que ela estaria lá e não explicara o motivo.
Lee estava ao seu lado, dando pulinhos de empolgação.
–Então, Neji! Do que é que você não pode esquecer?! – gritou o rapaz, como se fosse um treinador.
Neji revirou os olhos. Na falta de alguém com quem pudesse conversar, havia pedido que Lee lhe escutasse, lhe aconselhasse e, acima de tudo, lhe acalmasse.
Obviamente, aquilo havia sido um erro.
–Não vou responder isso. – falou, olhando fixamente para o portão da casa dos Yamanaka.
–Anda, Neji! Fala! Do que você não pode esquecer essa noite?!
Neji suspirou, permanecendo em silêncio.
–NEJIIIII! FALAAA! DO QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER ESSA NOITE?!
O Hyuuga respirou fundo para não atingir o ponto de chakra no pescoço de Lee que o impediria de gritar para sempre.
–Da força da juventude. – respondeu, baixo e em um tom monótono.
–E DO QUE MAIS?! – continuou Lee.
Se arrependimento matasse, uma lápide com o nome Hyuuga Neji estaria sendo colocada naquele exato momento no memorial de Konoha.
–Que o amor é uma flor que deve ser cultivada com a força da juventude.
–E DO QUE MAIS?!
Uma veia saltou na testa de Neji.
–E que a força da juventude está no coração e não na aparência.
O portão se abriu, fazendo Neji dar graças por não ter que aturar as loucuras de Lee por mais tempo. Ino colocou a cabeça para fora, a franja loira lhe cobrindo um dos olhos.
–Oi, Neji! – sorriu, debochada.
–Onde ela está? – perguntou. Não queria alimentar aquela intimidade que Ino demonstrava. Se em uma única manhã ela havia feito tudo aquilo, imagina o que ela faria se a deixasse a par de sua vida!
–Ela está vindo. Você não vai acreditar! – disse, correndo para dentro da casa.
Nenji não entendeu nada, mas continuou esperando. E quando Lee estava prestes a começar toda aquela conversa escandalosa novamente, Tenten saiu da casa dos Yamanaka.
Neji arregalou os olhos, dando um passo involuntário para trás, a expressão marcada pelo choque.
–Ten... Tenten?!
Ela sorriu para ele. Àquela altura, Ino havia expulsado Lee do local, de modo que os dois estavam sozinhos.
–O que você... o que você fez, Tenten? – ele perguntou. O tom de Neji a deixou confusa.
–Eu... bem... você não... não gostou? – ela se sentia uma idiota com todas aquelas coisas que Ino fizera com ela, mas a loira garantira que daquela maneira, Tenten conquistaria Neji num piscar de olhos.
Percebendo que poderia magoar a garota, ele pigarreou:
–Sim, sim... eu gostei. Você está muito bonita.
Ela deu um discreto suspiro de alivio. Talvez Ino estivesse certa e os garotos gostassem mesmo daquele tipo de coisa.
–Bom... podemos ir, então? – ele perguntou, estendendo o braço para Tenten.
Ela sorriu, enlaçando seu braço no de Neji.
Os dois estavam próximos ao lago. Havia uma lamparina na grama, e eles estavam sentados sobre um longo pano. Havia muita comida alí.
Os dois comiam em silêncio, mastigando devagar, sem olhar um para o outro.
Desde que chegaram àquele local, Neji não havia dado uma única palavra. Tenten se perguntava o que havia feito de errado.
Ousou olhar para ele, mas a expressão do Hyuuga era indecifrável. Foi quando ele voltou seus olhos para Tenten, que estremeceu ao ser pega no flagra fitando-o.
–O que foi? – ele perguntou.
–Na-nada. – ela disse, baixando a cabeça e concentrando-se na comida. Então assim que era um encontro? Por que ela se sentia como uma idiota? O que estava acontecendo com ela? Não conseguia sequer ordenar seus pensamentos.
Talvez toda aquela maquiagem que Ino colocara nela estivesse sugando sua atitude, sua inteligência.
Ela levantou-se com dificuldade por conta dos saltos que a loira lhe obrigara a usar.
–Neji... estou indo para casa.
Ele apenas olhou para ela sem dizer nada.
–Encontro você amanhã na reunião do time. – falou, dando as costas para ele.
Começou a caminhar, querendo sair o mais depressa dali. Mas a voz de Neji interrompeu seus passos.
–Por que você fez isso? – ele perguntou.
Ela então se virou para ele, a expressão confusa.
Ino, Kiba e Hinata vigiavam o encontro entre Tenten e Neji por trás de um arbusto. A noite escura e as muitas folhas não os deixavam ver direito o que acontecia. Apenas ouviam algumas vozes.
–Não tô gostando disso... a gente devia ir embora, Ino. – implorou Kiba.
–SSSHHHHHIIIUUU! FICA QUIETO! QUER QUE ELES PEGUEM A GENTE AQUI?! – estressou-se a loira.
–Mas Ino-san... isso é errado... – tentou Hinata.
–Calem a boca! Fiquem quietos, se descobrirem a gente eu vou dizer que foram vocês que me obrigaram a vir espiar o encontro deles! – ameaçou Ino.
–Mas foi você quem obrigou a gente a vir! – indignou-se Kiba.
–Não interessa! Fique quieto, porque já não consigo ver nada, se você continuar latindo não vou conseguir escutar também.
–Eu já disse a você que não sou um cachorro! – sibilou Kiba.
–Quietos, os dois! – sussurrou Hinata. –Já que a Ino-san não quer deixar a gente ir embora, pelo menos não vamos atrapalhar o encontro deles.
–Ai! Neji, espera... tá doendo! – ouviram Tenten dizer.
Os três espiões arregalaram os olhos, e empoleiraram-se sobre os galhos do arbusto, tentando enxergar o que acontecia. Mas era impossível de ver.
–É que está apertado, Tenten! – sussurrou Neji.
–Coloque os dedos... talvez ajude. – ela pediu, timidamente.
–Tudo bem... se machucar, você me avisa, está bem?
–Vamos, Neji, por favor! – implorava a garota.
Kiba ficou vermelho da cabeça aos pés, dando as costas para o arbusto de onde espiavam:
–Eu vou dar o fora daqui! – falou, já se preparando para correr.
Mas Ino o puxou de volta pela gola da camisa.
–Nada disso! Você fica!
Hinata estava de olhos arregalados, obviamente sua face estava completamente tomada pelo rubor.
–Ino-san, por favor... vamos embora daqui!
–AAAHHHH! – ouviram Neji e Tenten gemerem. Hinata tapou os ouvidos, desesperada por aquele constrangimento.
E depois o silêncio.
E mais silêncio.
–Geeente... será que o Neji matou a Tenten? – questionou Ino.
–Pirou, loira? Não tá vendo que o Neji não faria uma coisa dessas? – ralhou Kiba — Além do mais, a Tenten o mataria antes mesmo dele tentar.
–Eu sei, mas olha que silêncio!
Kiba e Hinata se olharam. Precisavam sair dali antes que presenciassem algo ainda mais embaraçoso.
Cada um agarrou um braço de Ino, jogando-a no chão, imobilizando a loira.
–Desculpe, Ino-san... – pediu Hinata.
–“Desculpe”, coisa nenhuma! Essa garota é maluca! – esbravejou Kiba, ainda corado.
–Me soltem! Vocês não vão me fazer perder o maior babado da Vila da Folha! – debatia-se Ino.
–Sinto muito, loira, mas você vai voltar pra sua casa de carona com o Akamaru agora! – falou Kiba, amarrando os braços e pernas de Ino, ajudado por Hinata.
Não queriam ter que fazer isso, mas ficar ali era constrangedor demais, sem falar que era um desrespeito com seus amigos.
Ouvindo nada além de silêncio vindo do local do encontro de Neji e Tenten, a loira se convenceu de que o fato mais emocionante da noite já havia acontecido, e que não havia nada mais a ser presenciado ali.
Montada em Akamaru, a loira voltou para casa, escoltada por Kiba e Hinata.
–Vou ter pesadelos com o Neji essa noite... – reclamava Kiba, lembrando-se da situação mais constrangedora de toda a sua vida.
–Isso o quê? – perguntou Tenten.
Neji olhou friamente para ela.
–Nada... deixa para lá. Vamos embora. – falou o Hyuuga, levantando-se.
Três veias saltaram da testa de Tenten.
–Quer saber, Neji?! Isso aqui é uma palhaçada! Olha só pra mim! Passei a tarde deixando a Ino brincar de boneca comigo, por causa desse encontro ridículo e você nem liga!
Neji olhava para ela, boquiaberto. De novo aquela loira se metendo onde não devia.
Mas Tenten estava descontrolada.
–Ela me obrigou a usar esses sapatos ridículos, rebocou minha cara com essa droga de maquiagem e me fez usar esse vestido estúpido! Até meus cabelos ela me fez soltar! E você não tá nem aí!
–Por que deixou que ela fizesse isso com você? – perguntou ele.
–Porque... porque eu nunca tive um encontro, droga! Eu não sei fazer esse tipo de coisa! E ela disse que era disso que os garotos gostavam... que você gostava! Mas que saco! – ela praguejava sem parar. Aquela era, sem dúvida, a situação mais constrangedora de toda a sua vida. Algumas lágrimas se acumularam em seus olhos. Sentia-se humilhada e rejeitada. Neji a fitava com uma expressão estranha.
Ele então rasgou um pedaço do pano sobre o qual antes estavam sentados, e caminhou até o lago.
–Pra onde você está indo, idiota?! – perguntou Tenten. Se ele não falasse alguma coisa logo, lhe daria um murro.
Ele mergulhou o pedaço de pano rasgado ali, espremeu para tirar o excesso de água, e caminhou na direção de Tenten.
–O que foi? – ela insistiu.
Ele então tocou seu rosto com o pano úmido, delicadamente tirando toda a maquiagem que havia ali.
–Gosto de você do jeito que você é, Tenten. E você não é essa garota toda pintada, de salto alto. Você é brava, turrona, escandalosa, e adora uma boa briga. E não há nada de errado nisso.
Ela apenas olhava para ele, perplexa, de olhos arregalados.
Neji tinha uma expressão serena.
Ainda com muita delicadeza, ele enrolou seus cabelos, um coque de cada lado.
Sorriu para ela.
–Você é linda assim. É disso que eu gosto. De você. Do jeito que você é.
–Se... se você gosta de mim do jeito que eu sou... posso dizer uma coisa?
–Claro.
–Eu... não consigo respirar nesse vestido! – ofegou. Ele soltou uma gargalhada.
–Posso emprestar minha camisa a você, se quiser. Sempre uso uma camiseta por baixo.
–Tudo bem. Me ajude a tirar isso!
Neji e Tenten tentavam arrastar aquele vestido. Enquanto ele a ajudava a puxar a roupa, não pôde deixar de reparar na lingerie discreta, mas que marcava o corpo forte da garota. Pigarreou um pouco, tentando se concentrar em tirar o vestido, mas ele ficou preso no pescoço de Tenten.
–Como foi que você conseguiu vestir isso?
–A Ino me forçou! – reclamou. O Hyuuga puxou com mais força. –Ai! Neji, espera... tá doendo!
–É que está apertado, Tenten! – explicou Neji.
–Coloque os dedos... talvez ajude. – ela sugeriu.
–Tudo bem... se machucar, você me avisa, está bem?
–Vamos, Neji, por favor! – implorava a garota.
Neji puxou e puxou, e finalmente, o vestido cedeu.
–AAAHHHH! – gritaram os dois, quando o vestido saiu.
Ela vestiu a camisa de Neji, que ficou praticamente um vestido para ela.
A garota sorriu para ele.
–Obrigada.
Ele tocou o rosto de Tenten.
–Viu só? Muito melhor assim... muito mais... bonita assim.
Ela corou.
–Ela até me fez deixar minhas armas em casa... – reclamou Tenten, lembrando-se das ordens idiotas de Ino.
Neji soltou uma gargalhada.
–Ah, sim! Você só pensa nisso! Essa sim é a Tenten que eu amo e admiro!
A boca da garota se abriu involuntariamente.
–A... ama? – ela perguntou, perplexa.
Neji arregalou os olhos, estremecendo dos pés a cabeça. Novamente havia escorregado nas palavras.
–Ela ensinou isso a você, não foi? Aquela Yamanaka me paga... – sibilou.
–Do que está falando, Neji?
Ele tossiu, completamente corado.
–Neji?
Ele continuava sem conseguir dizer nada. Novamente aquela timidez idiota o paralisava.
Foi a vez de Tenten soltar uma risada alta.
–Sabe o que eu acho disso tudo, Neji? – perguntou ela. Ele nada respondeu. –Acho tudo isso ridículo! Nós somos dois ridículos, Neji! – falou, soltando outra risada.
Ele continuava paralisado, encarando Tenten.
–Você não acha? – insistiu ela, sorrindo abertamente. Ela parecia feliz.
O Hyuuga engoliu em seco.
–Sim... acho.
–Sabe o que é ainda mais ridículo? – voltou a perguntar. Ele permaneceu em silêncio. –O mais ridículo é que você é um covarde e eu que vou ter que tomar a iniciativa aqui! – concluiu, dando um passo a frente, colando seus lábios nos de Neji.
Ele achou que seu rosto fosse explodir. Mas logo seus olhos claros fecharam-se, embalados pelos lábios quentes de Tenten. Ela era meio desajeitada, até um pouco feroz, mas era daquele jeito estourado dela que ele gostava. Seu coração estava acelerado, mas ao mesmo tempo sentia a calma retornando à sua mente.
Quando ela se afastou, não pôde deixar de lamentar um pouco. Mas sorriu para ela.
–Somos mesmo dois ridículos, não é? –concordou ele – Espero que possamos ser ridículos juntos por mais vezes.
–Não posso discordar disso. – ela respondeu.
–Mas me prometa uma coisa.
–O quê?
–Seja sempre doida, teimosa, estourada, irritante, e mau humorada, está bem?
–Como é? – perguntou, confusa.
–Seja sempre você. É de você que eu gosto. – repetiu. – De você, desse jeito. Não mudaria nada. Você é perfeita, do jeito que é.
Ela sorriu, deixando-se envolver pelos braços do Hyuuga.
“O amor é mesmo ridículo”, pensou ele, desenhando em sua mente um futuro colorido pelos passos que daria ao lado de Tenten.
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