Law(ve)

2 Capítulo 2 – Almoço de Negócios?


Notas iniciais
Oi gente, tudo bom? Eu sei que disse que postaria aos sábados, mas eu estudo e moro em outra cidade e fui pra casa no final de semana, mas deixei o computador pra trás, então só pude postar hoje. Desculpem o atraso, vou programar as postagens agora para não correr mais o risco. Agora, vamos ao capítulo da segunda semana do desafio. Animados? Boa leitura! Espero que gostem.

A primeira vez que saímos juntos.

O dia estava bonito e ensolarado, fazendo a mim, uma moradora de anos de Los Angeles, sentir-me mais em casa.

Finalizei a maquiagem com um batom alaranjado e ajeitei meus cabelos ruivos mais uma vez, agora pronta para sair. Deixei o quarto e encontrei meus seguranças em posição ao lado da porta, e detive-me apenas a dar um sorriso como cumprimento. Desci as escadas sendo escoltada pelos dois, um na frente e outro atrás. Eu particularmente achava tudo aquilo desnecessário, já que o processo nem havia ido a público ainda. Contudo, minha produtora dizia que era melhor prevenir do que remediar, e já que eu não tinha muito poder contra ela, apenas aceitei ter que ser vigiada por dois guarda-roupas em 90% do meu dia.

Ao homem que ia na frente abrir a porta do apartamento – o qual eu mantinha apenas para visitas esporádicas em Nova York –, o som das vozes insanas dos jornalistas e dos flashes dos paparazzi já invadiram meus ouvidos, e como ato reflexo, eu apenas abaixei minha cabeça e apressei o passo, tentando ao mínimo me expor àqueles selvagens. Quando finalmente sentei-me na segurança de meu carro, suspirei profundamente, sentindo-me um pouco mais aliviada. Eu sabia que aquilo era só o começo, mas não podia negar que era algo que me irritava constantemente.

— Bom dia. – cumprimentei o motorista, depois que retomei o fôlego.

— Bom dia, Sra. Paulsen. Essa mídia é louca, uhn? – riu fraco e deu partida no carro, quase atropelando alguns fotógrafos quando ia saindo.

— É Srta.... – corrigi-o, tentando não parecer rude. O fato de todos automaticamente julgarem que eu era casada, sempre me aborreceu um pouco. Eu nunca oficializara um relacionamento, e raramente mostrava ao público os homens com os quais eu me envolvia. Gostava de manter minha vida pessoal a mais privada possível, para tentar não me envolver em escândalos – Nem me fale. – respondi seu comentário sobre a mídia, bufando de frustração.

Após alguns longos minutos naquele carro, finalmente chegamos ao nosso destino. Era um grande e luxuoso restaurante, que já entregava seus preços pela própria fachada, que não poupava ostentação. Típico de Harvey Specter, pensei comigo mesma. O advogado havia me convidado para um almoço em sua presença, provavelmente para discutir sobre o caso. Quero dizer, com certeza era para discutir sobre o caso. Por mais charmoso e galinha que o homem fosse, ele não me chamaria ali com segundas intenções, chamaria?

Um dos seguranças desceu do carro primeiro, e eu segui-o logo em seguida, novamente tentando cobrir meu rosto dos paparazzi, e evitando todas as perguntas aleatórias dos jornalistas.

Ao finalmente adentrar o restaurante, dei de cara com Harvey, que se encontrava sentado em um dos sofás de coro da recepção, apreciando um drink enquanto observava todo o movimento do lado de fora. Quando me viu, abriu um sorriso debochado, e eu já estava preparando uma resposta à altura para qualquer comentário que ele fizesse a seguir.

— Ossos do ofício, uhn? – indagou ironicamente, deixando o copo numa mesinha ao lado do sofá e levantando-se, abotoando o terno como se fosse uma coisa automática – Ser uma atriz famosa não deve ser fácil. – foi só aí que notei que ele nunca tinha tocado no assunto, e eu até pensei que ele não soubesse quem eu era.

— Você sabe quem eu sou? – questionei intrigada, sentindo uma pontinha de felicidade que não sabia de onde vinha.

— Quem é que não conhece a Donna Paulsen? – enfatizou o artigo, dando um sorriso um tanto quanto galanteador. Ele estava totalmente diferente do Harvey Specter que eu conhecera no dia anterior, e eu não sabia se amava ou odiava aquilo.

— Então o Harvey Specter tem uma queda por séries televisivas sobre advogados? Aposto que você queria ser tão poderoso quanto eles. – ironizei, não podendo perder a oportunidade de tirar uma com a cara dele.

— Eu tenho pena de quem realmente acredita que a vida de advogado é igual àquela da sua série. Desculpa, mas aquilo é para lá de fictício. – deu de ombros, rindo fraco.

— Você está com inveja, só porque eles são mais bonitos do que você. – provoquei, não sabendo muito bem de onde aquilo estava vindo. Nós não estávamos ali para discutir sobre um caso? Por que então estávamos falando sobre séries televisivas?

— Ah, por favor, nem você acredita nisso. Vai me dizer que não trocaria aquele magrelo do seu parceiro de cena por mim? – rebateu no mesmo tom que eu usara, claramente implicando alguma coisa, o que deixou-me levemente sem graça.

— Nós não íamos falar sobre meu caso? – tratei de mudar logo de assunto, antes que aquilo piorasse.

— É claro. – soltou uma risadinha sarcástica, provavelmente notando minha mudança repentina no assunto – Eu reservei uma mesa mais escondida, já que estou com uma figura pública hoje. – afirmou, ainda com seu sorriso debochado no rosto – Você se importa? – aproximou-se e ofereceu o braço, recebendo olhares feios de meus seguranças. Fiz um gesto com a cabeça para que os homens relaxassem, e enganchei meu braço no seu, sendo guiada pelo advogado e seguida pelos guarda-costas.

Tomamos nossos lugares na mesa, um de frente para o outro, enquanto os dois homens que não largavam do meu pé ficaram parados próximos de nós. Specter olhou-os com o cenho franzido, aparentemente desconfortável.

— Eles realmente têm que ficar na nossa cola desse jeito? – perguntou, abrindo o cardápio.

— Como você disse, eu sou uma figura pública. Não dá para arriscar. – respondi, imitando sua ação e começando a ler as opções.

— Não é como se eu fosse te sequestrar ou algo do tipo. Sem contar que esse é um lugar bem seguro. – insistiu, sem tirar os olhos do menu.

— Nunca se sabe quando um fã descontrolado vai brotar do chão. – neguei com a cabeça, também ainda lendo os nomes dos pratos.

— Você tem um ponto. – rendeu-se, suspirando. Ficamos em silêncio por alguns minutos, ambos analisando o cardápio, até que ele se pronunciou primeiro – E aí, já tem alguma ideia do que pedir?

— Ainda não. São tantas opções. Você recomenda alguma coisa? – fiz que não com a cabeça, indecisa.

— É alérgica a alguma coisa? – indagou, parecendo já começar a pensar no que me sugerir.

— Não.

— Então eu acho que tenho o prato que combina perfeitamente com você. – sorriu de canto, deixando-me intrigada.

— É melhor me impressionar, Sr. Specter. – ergui uma sobrancelha, desafiadoramente.

— Eu sempre impressiono. – deu de ombros, imodestamente – Vinho?

— Definitivamente. – arregalei os olhos. Vinhos eram minha paixão.

— Alguma preferência?

— Como eu disse, me impressione. – fechei o cardápio e o larguei sobre a mesa, deixando todas as escolhas nas mãos do homem.

— Não se arrependerá. – falou enquanto chamava o garçom com a mão.

O jovem esguio veio até nossa mesa, e eu observei atentamente o homem à minha frente, que fazia o pedido com extrema confiança. A impressão que dava, era que ele havia roubado toda a autoconfiança do mundo e depositado em si mesmo. Desde que o conhecera, havia poucas horas, eu nunca tinha o visto vacilar uma vez sequer.

— Então, vamos ao que interessa. – tirou-me de meus devaneios, após acabar de fazer o pedido – Eu dei entrada no processo. Não vai demorar muito para a merda cair no ventilador e se espalhar, então eu se eu fosse você, estaria preparada. Amanhã provavelmente a mídia já estará falando disso loucamente.

— Eu sei como funciona. – suspirei, imaginando como seria quando todos estivessem sabendo. O trabalho que aquilo daria, quase me fazia desistir do processo, mas era algo necessário. As mulheres precisam se unir, e parar de acobertar homens nojentos como aquele, apenas por medo ou preguiça. E eu precisava usar minha influência para iniciar algo bom.

— Então eu não preciso te dizer que um monte de gente virá atrás de você. Talvez nem esses dois guarda-roupas sejam o suficiente para te proteger. – apontou para os homens, talvez tentando suavizar o momento.

— Eu sei. – fechei um pouco a cara, começando a me preocupar.

— Escute, pode não ser da minha conta, mas minha firma e eu não vamos deixar relarem um dedo em você. O que você está fazendo é algo nobre, mostrando ao mundo a verdadeira face de um homem que se esconde atrás das câmeras e faz coisas horríveis com suas atrizes. Você está mostrando ao mundo que a vida de celebridade não é um conto de fadas. Então você conseguirá a justiça que merece, Srta. Paulsen, não importa quantas ameaças nós recebamos. – disse com certo carinho na voz, algo que eu não esperava do homem. Afinal, as más línguas apenas sobressaltavam que ele era um poço de frieza, que apenas se importava em ganhar. Talvez eram apenas mentiras da mídia.

— Muito obrigada, Sr. Specter. – sorri agradecida, um pouco comovida por seu discurso – E me chame de Donna.

— Pode me chamar de Harvey também. – sorriu fraco – Bem, creio que só tinha isso para dizer sobre o caso. Agora temos que aguardar mais algum progresso. A partir de agora, podemos apenas aproveitar nossa refeição. – pude jurar que ele enfatizara a última palavra, como se tivesse alguma segunda intenção implícita. Será que ele estava querendo dizer “encontro”? Ou talvez fosse apenas coisa da minha cabeça.

— Perfeito. – abri um sorriso talvez um pouco exagerado demais, e dei espaço para o garçom nos servir o vinho.

— Um brinde a um novo escândalo para a mídia se deliciar. – Harvey pegou sua taça e ergueu-a para perto de mim, usando mais uma vez de seu típico deboche.

— Tim tim. – choquei minha taça levemente contra a sua, e ambos nos encaramos enquanto dávamos o primeiro gole em nossos vinhos, que realmente não me decepcionara por sinal – Nada mal. – afirmei após engolir a bebida, fingindo modéstia.

— Se não for o melhor vinho que você já tomou, pode começar a procurar outro advogado agora mesmo.

— Tem alguma recomendação para me dar? – brinquei, e nós dois rimos da situação, negando com a cabeça. Depois de nossa primeira conversa no dia anterior, eu nunca imaginara que nosso primeiro encontro seria tão descontraído.

Talvez Harvey Specter não fosse esse vilão que todos pintavam, afinal.

Notas finais
Parece que o clima entre os dois começou a melhorar... O que vocês acharam? Obrigada pela leitura e até o próximo!