Laura e Edgar- Um romance desde o Início
114 Foragida
Notas iniciais
Naquela noite fria de outono, onde apenas as luzes amareladas dos postes ainda tão recentemente colocados nas ruas fazem com que as trevas se dissipem, Praxedes anda a passos apressados... Fora chamado às pressas à delegacia e diante de tal confissão, não há outra atitude a tomar... É necessário informar ele mesmo ao casal Vieira o que Caniço finalmente depusera... Mantém o andar apressado e lamenta-se mentalmente por não possuir um automóvel... Saiu tão rapidamente de casa, mal tivera tempo de trocar sua roupa civil pelo uniforme, que nem ao menos alguns tostões para o bonde ou quiçá um coche havia em seus bolsos... Sendo assim, continua com sua caminhada até o Bairro Laranjeiras....
Enquanto isto, na tecelagem, apesar do expediente já ter sido encerrado, Filipa continua debruçada sobre as inúmeras folhas que tem em sua frente...
Manoela: Filipa... vamos... Vemos isto amanhã...
Filipa: Manoela... preciso fazer isso novamente...
Manoela: Mas já fizeste uma dúzia de vezes....
Filipa: As contas não fecham... Não tem jeito!...Vamos ter que verificar as folhas de pagamento de todos os funcionários outra vez
Manoela: Certo... mas deixa isso para amanhã...
Filipa: Amanhã? Manu, precisamos correr contra o tempo... temos que pagar os empregados!
Manoela: Eu sei... estamos no início do mês...mas temos uns dias!... Já viu que horas são?
Filipa: Não... (olhando para o relógio) Nossa! Não pensei que já fosse tão tarde... Ai Manoela.... preciso resolver isso.... se não.... o que vou dizer ao Edgar?... Ele me confiou a administração... O que vai pensar?... Que não sei resolver nem um problema na contabilidade da empresa?
Manoela: E quem disse que não vai resolver? Filipa! Você está cansada... Está há horas concentrada nisto... Precisa descansar!... Amanhã a gente vai encontrar o erro que há nessas folhas.... e nas minhas... Também estou com problemas aqui...
Filipa: Tem razão.... Talvez um bom banho e descanso me façam pensar com mais clareza e ver onde está o problema... Vamos (organizando os papéis e pegando a bolsa)
Enquanto as moças deixam a tecelagem em direção ao hotel que ainda permanece sendo sua moradia, no Bairro de Laranjeiras, Laura e Edgar finalmente chegam a sua residência... Adentram o vestíbulo sem fazer alarde ao perceberem que tudo parece quieto...
Laura: Será que já foram dormir?
Edgar: Parece... está muito silencioso...
Laura: Ai... preciso tomar um banho!... O dia foi ótimo... mas estou precisando relaxar...
Edgar: Ótima ideia!... Sendo assim... acho que podemos continuar o que paramos na escola, lá no quarto de banho...O que acha?(virando Laura para si e a beijando com ardor)
Nisto ouvem passos.... Ao perceberem que alguém se aproxima, soltam-se tentando disfarçar a situação... Daniel, já de pijamas e com um grande urso Ted nos braços, desce devagarinho os degraus da escada seguido pela irmã, também pronta para dormir de camisola e uma grande boneca de pano...
Laura: Oh meus amores!... Achei que já tinham ido dormir...
Edgar: Estava um silêncio nessa casa!...
Gertrudes: Eles estavam no banho... Estão cansadinhos mesmo.... nem quiseram brincar.... Mas disseram que só iam dormir depois que vocês chegassem....
Laura: E eles já jantaram?
Gertrudes: Ainda não... Estava os levando a cozinha para lancharem...
Daniel: Papai... conta uma história para gente?
Melissa: Isso... uma bem bonita...
Edgar (pegando Daniel no colo e conduzindo Melissa até o sofá): O papai vai contar sim... mas depois que comerem...
Laura: Gertrudes... faça o lanche para todos nós... Também estou com fome...
Gertrudes: Vou providenciar... Acho que Matilde deve estar com tudo preparado... Com licença...
Edgar: E então... O que acharam da escola?
Melissa: Eu adorei!... Que bom que amanhã vou lá outra vez... e depois de amanhã... e depois...
Laura: Sim minha querida!... De agora em diante você e eu vamos todos os dias à escola... Tem tanta coisa que aprendi e quero dividir com você e os seus coleguinhas...
Daniel: Eu queria ir junto...
Edgar: Oh meu anjo... Vai chegar o tempo de ir... Você ainda é muito pequeno para ir à escola...
Daniel: Mas papai...
Laura: Seu pai tem razão... Mas ano que vem você vai também...
Daniel: Mas quem vai brincar comigo?
Laura: A Gertrudes..
Daniel: Não é a mesma coisa...
Edgar: A Melissa vai continuar brincando com você... Ela vai estudar à tarde... Vai ter tarefas em casa... mas vai poder continuar a brincar contigo...
Daniel: Mas ela vai aprender e eu não...
Laura: Meu amor... você sempre está aprendendo alguma coisa!... Não é por ir ou não à escola que a gente não está aprendendo...
Melissa: Dani... você é muito criança para ir para escola!
Daniel: Você também é criança... e tem mais meninos lá... (olhando para a mãe com carinha de choro) Mamãe... deixa eu ir... Eu fico lá bem quietinho...
Laura: Meu anjo... eu sei... mas não pode agora... logo vai poder...
Edgar: Daniel... vai ver... o tempo passa voando!... Quando menos esperar vai estar indo para a escola também...
Laura (tentando mudar de assunto, vendo que a mesa está posta): Me digam uma coisa... Quem quer um grande copo de leite com os biscoitos de manteiga e chocolate da Matilde?
Melissa e Daniel: Eu!
Edgar: Ah... mas isso até eu quero...
Todos dirigem-se a mesa já colocada para o café da noite da família Vieira... Enquanto isto, no saguão do Hotel onde as moças portuguesas se encontram, Joaquim conversa com Filipa...
Joaquim: Meu bem... não te apoquentes tanto!... Logo vais achar a solução...
Filipa: O que me preocupa é que pensem que sou incapaz...
Joaquim: Filipa! Tu sabes que quem te pôs nesse cargo sabe que és competente...Confiam em ti
Filipa: Por isso mesmo!... Preciso corresponder às expectativas!... Sabe... vim para elucidar um caso... virei administradora da tecelagem... Nem consegui resolver o que me propus...
Joaquim: Eu sei que vais conseguir... Desculpa por não poder te ajudar mais...
Filipa: Eu que peço perdão... Devo estar te aborrecendo com meus problemas... Teus dias também não tem sido fáceis...
Joaquim: Eu diria que atrapalhados... Olha só... com a pressa esqueci de trazer um documento que o Albertinho me pediu para enviar pela Manoela...
Filipa: A Manoela disse que estava cansada e ia dormir.... Eles não vão se ver hoje.. Ele está no quartel...
Joaquim: Ele precisa do documento amanhã cedo... Disse que passava aqui quando saísse do serviço... Deixei em cima da mesa da sala... Vou ter de buscar...
Filipa: Tudo bem... Espero você...
Joaquim: Você podia me acompanhar... Assim aproveitamos e damos uma volta...
Filipa: Não sei...
Joaquim: Filipa... não tem nada demais...
Filipa: Está certo!... Vamos então...
O casal anda alguns metros e embarca rumo a casa do advogado... Enquanto isso, na casa do bairro de Laranjeiras, após o lanche da noite, vencidos pelo cansaço, Daniel e Melissa são levados para seus quartos, onde após alguns parágrafos de Mogli, o Menino Lobo, lidos pelo pai, adormecem profundamente... Edgar sai pé ante pé do aposento das crianças, indo em direção a sala, onde Laura revisa pela última vez seu artigo denunciando o desvio de dinheiro público...
Edgar: Dormiram...
Laura: Sim... estavam tão cansadinhos...
Edgar: E você? Ainda não se deu por vencida? Achei que estivesse cansada também
Laura: Precisava terminar isso...
Edgar: O artigo?
Laura: Sim... Estava dando uma última revisada...
Edgar: Ótimo... Combinei com o Guerra como me pediu... Amanhã pela manhã nós o encontramos na redação para entregar a matéria... Pensou em um pseudônimo?
Laura: Sim... Filipe Machado... O que acha?
Edgar (rindo): Original... Junção de dois grandes escritores...
Laura: Sim.. e agora... leia!... Quero sua opinião...
Edgar (lendo o papel que Laura lhe alcançara e falando desanimado): Está excelente...
Laura: O que foi? Esse seu excelente não me convenceu... Tem algo errado com meu texto?
Edgar: Não... o texto está realmente ótimo... o que está escrito nele Laura... Meu pai está metido nisto até o pescoço... Estou morrendo de vergonha!... Sabe meu amor... eu fico pensando... quando criança... meu pai era meu herói... meu exemplo... Era o que eu queria ser quando crescesse!.. E hoje... aquele homem que era meu modelo... simplesmente não existe!... Aquele homem bom... justo... honesto que eu pensava ser o meu pai... se mostrou exatamente o oposto!... Tudo que quero nessa vida é que meus filhos cresçam e quando forem adultos não sintam por mim o que sinto pelo senho Bonifácio Vieira...
Laura: Meu amor.. Eles sempre vão ter orgulho de você!... O mesmo orgulho que tenho por ser sua esposa e por eles serem seus filhos.. Filhos de um homem bom... justo.. íntegro... com princípios...
Edgar: Obrigado meu bem...
Laura não diz mais nada... Apenas abraça o marido como uma forma de consolo... Nisto ouvem batidas na porta...
Laura: Quem será a uma hora destas?
Edgar: Fica aqui... Eu vou ver... (indo até a porta e abrindo) Delegado Praxedes? Entre... A que devo a honra da sua visita?
Praxedes: Boa noite... com licença (entrando, avistando Laura que se aproxima e cumprimentando também a moça) Desculpem o adiantado da hora, mas creio que a notícia que trago é importante para os senhores...
Edgar: Pois o senhor diga...
Praxedes: Finalmente Caniço depôs... Confessou que realmente foi quem executou, junto com alguns comparsas, o incêndio na escola... E entregou seus mandantes...
Edgar: Há mais de um?
Praxedes: Dr. Vieira.. eu peço que fique calmo... Ele depôs que quem o procurou foi Fernando Vieira...
Edgar: Meu irmão? Sabia que ele tinha raiva de mim... mas nunca pensei que chegasse a esse ponto!... Contratar alguém para matar minha esposa e meus filhos!...
Praxedes: Segundo o meliante, Fernando apenas o pôs em contato... Quem contratou, planejou, e pagou pelo serviço foi... Catarina Ribeiro...
Edgar: Eu já desconfiava... A atitude dela, telefonando para cá dizendo que teve um pressentimento que algo havia ocorrido com Melissa naquela noite...
Laura: Eu também... era a única pessoa que poderia mandar fazer algo assim... Ela nunca escondeu que queria se livrar de mim e do meu filho...
Edgar: Já expediram mandado de busca e apreensão?
Praxedes: Sim... por sinal... Sabe onde seu irmão se encontra?
Edgar (fechando os punhos tentando conter-se ao pensar no irmão): Felizmente para ele, não sei... pois se soubesse a estas alturas não estaria aqui falando com o senhor...
Laura: Edgar... acalme-se!... Delegado... e quanto a Catarina?
Praxedes: Ela encontra-se foragida... isto pelo processo movido pela Sra. Nascimento... Estão sendo feitas buscas por todo o estado, bem como nos estados vizinhos.... Os portos e ferrovias também foram comunicados... Infelizmente, não conseguimos captura-la... Mas estamos fazendo todo o possível...
Edgar: E se ela fugiu para outro estado... país antes disso? A intimação para o pagamento da indenização foi recebido... Dias depois ela sumiu!
Praxedes: Vou entrar em contato com a polícia dos outros estados mais distantes.. assim como a de Portugal... Se viajou para a Europa.. o primeiro destino deve ter sido este... Quanto a seu irmão... não deve ser difícil localiza-lo... Não vou mais tomar o tempo de vocês... Boa noite...
Edgar (voltando para sala após acompanhar o delegado até a saída): Bem... a gente já esperava... Só não me conformo com Fernando!.. Laura.... meu irmão simplesmente me odeia!... Ele dessa vez conseguiu... me acertou onde mais dói...
Laura: Fernando pôs Catarina em contato com o Caniço... mas não sei até que ponto está envolvido... Não sei se teria coragem de mandar atear fogo a um local com pessoas... Mas convivendo com quem estava...
Edgar: Catarina...
Laura: Ai Edgar... estou com medo... com um mau pressentimento!... Essa louca está solta por aí... Temo por nossos filhos...
Edgar: Ela é louca, mas não é idiota!... Ela não faria a estupidez de aprontar alguma coisa... não agora... com a polícia atrás dela!... Acalme-se!... Tudo vai ficar bem... e logo essa maldita vai estar atrás das grades...
Laura: Espero que isso não leve muito tempo...
Edgar: Não sei como te pedir perdão... por minha culpa essa mulher entrou nas nossas vidas... Só de pensar que por culpa dela eu fiquei longe de você e do Daniel por 4 anos e que agora quase perdi vocês e Melissa...
Laura: A gente precisa proteger as crianças... essa mulher é capaz de qualquer coisa...
Edgar: As crianças e você... Talvez fosse bom não ministrar suas aulas até que a encontrem... Seria mais seguro se fossem passar um tempo em Petrópolis...
Laura: Nem pensar! Não vou virar refém do medo e ficar escondida no interior! Desculpa Edgar... mas a nossa vida tem que seguir com a Catarina estando presa ou solta...
Edgar: Não se zangue!... Só aventei a hipótese... e sei que tem razão... A gente nem sabe quanto tempo vão levar para prende-la... isso se conseguirem!... Vou pensar em algo para proteger vocês aqui mesmo...
Laura: Não seja pessimista!... Logo ela será presa... Vamos ter fé!... E agora, senhor advogado... Vamos dormir?
Edgar: Vamos... pelo menos tentar... Essa notícia me tirou o sono...
Laura: A mim também... mas precisamos descansar... Tivemos um dia cheio hoje... e acho que amanhã não será muito diferente.... Terei mais uma batalha... Enfrentar o Sr. Carlos Guerra não será fácil!..
Edgar: Não acho que será tão difícil... o Guerra é jornalista... Tem a mente mais aberta...
Laura: É o que espero meu amor... é o que espero...
O casal sobe lentamente as escadas e após um banho rápido, deita-se com a intenção de dormir... Mas é em vão... Acomodados de mãos dadas sobre o ventre proeminente da professora, pensam em Catarina e em tudo o que fez... Enquanto isto, em um local não muito longe dali, Joaquim e Filipa chegam a residência do advogado... Uma casa pequena, simples e um tanto desorganizada, denotando que ali reside um jovem solteiro...
Joaquim: Entra Filipa... só não repare a desordem!... A faxineira só vem amanhã...
Filipa: Não te preocupes... Lembro que nunca foste um exemplo de organização!... (vendo uma grande estante repleta de livros) Nossa!.... Trouxeste todos os teus livros de Portugal?
Joaquim: Sim... e nem todos estão nesta estante... Tenho vários espalhados pela casa... Fica a vontade... O documento que esqueci deve estar naquela mesa...
Filipa retira um e outro volume da estante em sua frente... Depara-se com A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz...Há tantos anos lera... Lembra-se do dia que Joaquim, então seu noivo, lhe dera como presente... e que tempos depois devolvera... como tudo o que Joaquim lhe havia dado... Retira o livro do lugar.... Abre... e logo comove-se ao ver na folha de rosto do volume a dedicatória há tantos anos escrita...
Filipa (indo até Joaquim com o livro nas mãos): Tu guardaste!... Não esperava...
Joaquim: Por que não?
Filipa: Pela situação em que te devolvi isto... e todo o resto... Pensei que irias dar um fim... doar...
Joaquim: Não consegui me desfazer das únicas lembranças físicas que tinha de ti.. pois as da memória, essas eu sabia que jamais se apagariam... Olha Filipa... eu posso ter tentado recomeçar e ter cometido algo terrível por ter uma visão distorcida e egoísta nesta minha busca por uma vida nova....mas mesmo assim... mesmo tentando refazer minha vida... nunca te esqueci...
Filipa: Também... nunca te esqueci...
Joaquim aproxima-se mais da moça e pegando sua mão aplica-lhe um beijo leve no dorso... Aproxima mais seu rosto e roça levemente seus lábios nos de Filipa... Envolve a cintura da advogada em seus braços e profunda mais o beijo... Andam alguns passos até que o rapaz faz com que a moça sente no tampo da mesa.... Os beijos e carícias ficam mais intensos... o rapaz avança com os beijos pelo pescoço e começa a abrir os botões da blusa da jovem, que, subitamente afasta Joaquim de si...
Joaquim: O que foi?
Filipa: Joaquim... não... (descendo da mesa e arrumando a blusa)
Joaquim: Mas Filipa... a gente se conhece há tanto tempo... e eu te amo... te quero tanto...
Filipa: Também te quero... mas... não quero fazer algo que me arrependa depois... A gente já esperou tanto... Me dá mais um tempinho...
Joaquim: Está bom... Desculpa se me excedi...
Filipa: Não fica chateado... Tenta me entender...
Joaquim: Está tudo bem....eu vou respeitar o teu tempo... (dando um beijinho em Filipa)
Filipa: Obrigada... Agora é melhor eu ir... Já está ficando tarde...
Joaquim: Eu te levo... Mas antes... quero te falar mais algo....
Filipa: Fala...
Joaquim: Meu amor... não estou disposto a esperar por mais muito tempo...
Filipa: Bem... se pensa...
Joaquim: Deixa-me terminar de falar... Dependendo da resposta que me der... Amanhã mesmo entro em contato com teu pai...
Filipa: Resposta?
Joaquim: Sim... quero uma resposta para a seguinte pergunta (rindo) Talvez eu devesse ser mais romântico e te ofertar algumas flores antes e certamente uma aliança... mas... Filipa Borges... Aceita casar-se comigo?
Filipa (rindo e abraçando o rapaz): Joaquim!
Joaquim: Eu quero uma resposta, Dra. Borges...
Filipa: Sim... claro que sim, meu amor... (beijando o advogado com ardor)
Joaquim: Bem... então... logo podemos marcar esse casamento...
Filipa: Que pressa, cavalheiro...
Joaquim: Acho que já esperamos tempo demais... não quero passar mais tempo sem você a meu lado... (beijando Filipa com ardor)
Filipa: Bem... eu aceitei... Disseste que vais mandar uma carta a meu pai... Então... esperemos ao menos a resposta dele... E agora vamos...
Joaquim: Está bem.. vamos... antes que eu descumpra o que disse sobre respeitar o teu tempo...
O casal agora com um compromisso firmado entre si sai daquela residência em direção ao hotel onde há algum tempo Manoela dorme a sono solto... Enquanto isto, longe dali, no Rio Comprido, hospedada em uma pensão de má fama, sentada junto a uma pequena mesa iluminada apenas pela fraca luz de um lampião a querosene, Catarina pensa no que irá fazer... Suas economias estão terminando... E precisa fugir... Precisa providenciar falsos documentos...É preciso por em prática seu plano... de uma vez por todas...
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