Laura

2 Capítulo 1- Mágoas.


Notas iniciais
Eis aqui o primeiro capítulo! Esperamos que gostem. Beijos da Molly e da Nick.

Capítulo 1- Mágoas.

– Você a ama, corra atrás dela. – ela falou, como se fosse simples.
– Eu fui um imbecil, ela jamais vai me querer de volta. – murmurei para mim mesmo, terminando de virar o copo de bebida.

– Você disse que Laura é perfeita para você, por quê? – inquiriu curiosa?

– É impossível de se explicar... Ela é diferente das outras. – conclui, pedindo que ela enchesse o copo novamente.

– O que você gosta nela? – estendeu-me novamente o copo com bebida.

– O jeito inocente. A pureza. Tudo aquilo que falta em mim. Bebi mais um gole daquilo. – O que é isso?

– Wray & Nephew White, a décima bebida mais forte do mundo. – ela respondeu com orgulho.

– Ah, que ótimo. Além de rejeitado, estou virando bêbado. – choraminguei, batendo a cabeça no balcão.

– Deixe o copo de lado e me conta: como conheceu Laura? – perguntou, se debruçando no balcão.

– Estava frio e eu andava de bicicleta na rua. E quase a atropelei. – sorri com a lembrança.

– Isso parece ser tirado de um filme. – Suspirou ela, sonhadora. – Acho que a sua vai ser a primeira história realmente romântica que vou ouvir aqui.

Bebi mais um gole da bebida, já sentindo seu efeito.

– Conte-me, senhorita. Como veio parar aqui?

– Eu era uma professora do jardim da infância, mas meu namorado tinha problemas com jogos de azar e perdeu tudo o que a gente tinha. Publicou alguns de nossos momentos íntimos na Internet e a escola descobriu e me demitiu, agora trabalho aqui. Ainda não acredito que ele fez isso comigo.

– Dois fracassados. – levantei o copo de bebida, como um brinde. Só então me dou conta do que disse. – Opa, desculpe.

– Não, tudo bem. Pelo menos, tenho um emprego decente.

– Pois é. Nem isso eu tenho. – ri amargurado.

– O que você faz da vida? – perguntou-me.

– Sou cantor da noite. Já cantei aqui uma ou duas vezes.

– Era. Quando eu tinha coragem de sair de casa.

– Volte a viver e a reconquiste. – ela afirmou, convicta.

Olhei para a atendente. Era incrível sua perspectiva na vida. Seus olhos eram de um mel intenso, e, mesmo passando pelo que passou, ela ainda tinha a capacidade de dar bons conselhos.

– Tudo bem, tire essa bebida de perto de mim. Estou delirando. – murmurei, empurrando o copo para ela.

Ela pegou o copo do bacão e bebeu todo o conteúdo dele em apenas um gole. Arregalei os olhos.

– Ou, pode beber comigo. – ri.

– Me conte sua história. Chegaram a morar juntos? – ela perguntou depois de soltar uma risada.

– Bem, não exatamente. Ela vivia dormindo em casa. Isso conta? – perguntei confuso.

– Conta, claro. Parece que você faria qualquer coisa por ela.

Pensei no que ela acabara de dizer. Sim, eu faria qualquer coisa. Mas amanhã. Hoje, eu só queria esquecê-la.

– Mais uma rodada. Se quiser, me acompanhe. – concluí.

– Acho melhor você tomar um suco. – Sugeriu ela.

– Não pode ser um coquetel então? – arisquei sorrindo.

– Claro, caipirinha? É um famoso coquetel brasileiro. – Sugeriu ela.

– Pode mandar. – sorri. – Se quiser, pago um para você.

– Obrigada, mas não posso aceitar. Se Laura aparece, pode entender errado. – Ela disse depois de colocar um copo de bebida na minha frente.

– Pois bem. – concluí, bebericando o líquido. – Não chegamos a namorar, entende? Nos víamos todas as noites, e, no dia seguinte, nos despedíamos para cada um em sua vida.

– Já pensou que pode ser por isso que ela se afastou? Por querer andar na rua de mãos dadas com você, ser apresentada aos seus amigos, sabe? Aquele relacionamento que uma garota normal sonha, que eu sonhei uma vez.

– Obrigado por me contar o óbvio. – quase rosei, só depois percebi o que falara. – Desculpe. Acho que vou parar de beber.

– Sabe, ligue para ela quando estiver sóbrio, diga que a ama, a peça em casamento. – sugeriu.

– Ela não me quer mais. Deve ter percebido o grande fracassado que sou. – murmurei, terminando de virar o copo, já sentido meus sentidos fraquejarem.

A garçonete arrancou o copo com tudo de minhas mãos, fazendo uma expressão raivosa. Por um momento, vi Laura ali, mas chacoalhei a cabeça. Realmente precisava parar de beber.

– Quer comer alguma coisa? – Questionou ela colocando um prato com salame e queijos na minha frente.

– Tem algum limão aí? – pedi.

– Comer tudo com limão não faz bem. – a ouvi sussurrar quando se virou de costas.

Ela me entregou o limão e sorriu.

– Me diga, por que está ouvindo um bêbado como eu?

– Você precisa falar. – Ela deu de ombros.

***

Já era alta hora da madrugada, mas eu só sabia disso porque o bar estava fechando as portas. Estava zonzo e enjoado. E, acima de tudo, com o coração partido.

– Não quero ir para casa. – olhei para a garçonete. – Nem mesmo sei onde é minha casa.

– Eu te levo. – Ofereceu a garçonete, tirando a chave de um fusca do bolso.

– Não sabe onde é minha casa. – eu ri, com a voz embargada.

– Pra minha. – Falou ela. – Amanhã você vai para sua casa.

– Não sei se você é uma serial killer. – resmunguei, mas deixei que ela me conduzisse para seu carro. – Laura tinha um. – ponderei.

O carro de Laura era um fusca de um vermelho tão desbotado pelo tempo que já estava laranja e estava estacionado atrás do bar, assim que as portas do carro foram batidas começou a chuviscar. Ela dirigiu por uns 20 minutos, parou o carro em frente à um portão de grade baixa e marrom, saiu do carro com a chuva e abriu o portão, assim que entrou de volta no carro e o guardou na garagem, tornou a sair do carro e fechou o portão, eu também saí do carro e fiquei esperando a garota na porta do que parecia ser uma cabana antiga e abandonada.

– Eu preciso me lembrar de espancar seu ex-namorado por ser um babaca tão grande e não se casar com você, te dando uma vida. – resmunguei, enquanto ele me guiava para dentro. Minha cabeça girava.

– Não é tão rum. – Murmurou ela, abrindo a porta e me puxando para dentro da casa. – Tenho uma casa, um carro e uma casa. – Dando de ombros.

– Sim, mas me diga, não tem raiva dele? – perguntei, pouco me importando se excedia os limites.

– Já tive, mas passou. Tudo o que eu tenho é velho, mas está pago. Comprei tudo isso num leilão. – Revelou ela.

Tropecei em um vaso que havia ali, e quase caí.

– Cara, que sono... – e embaralhei as palavras.

Ela pegou duas redes, que estavam enroladas no sofá antigo e as levou para um dos quartos, onde estendeu as redes.

– A casa não tinha cama, além de aparentar estar caindo aos pedaços, por isso comprei por mil pilas. – Ela contou.

– Não se importa de dormir no mesmo quarto que um cara bêbado? – perguntei confuso.

– O outro quarto tem muita goteira e não é legal você dormir bêbado na minha sala/cozinha. – Sussurrou ela.

– Obrigada por me ajudar. – sussurrei, começando a chorar, mesmo que eu não soubesse o motivo.

– Shawn, tá tudo bem. – A garota me garantiu.

Não tive tempo para responder, pois bocejei na hora. Ela pediu que eu me deitasse, e fiz de bom grado, torcendo para não me mexer muito e cair com a cara no chão.

– Obrigada. – sussurrei, inerte em meu sono.

Ela me cobriu, e, em meus olhos semicerrados, vislumbrei a bondade de minha antiga amada em sua face.

– Eu te amo, Laura. Mas não me estupre, por favor.

– Eu também te amo, Shawn. – Sussurrou ela, ou era o efeito da bebida?