Late Night Studies
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Minha obsessão por TodoMomo conseguiu reviver a inspiração que tava MORTA dentro de mim, por isso resolvi postar sem capa e com uma revisão feita igual minha cara mesmo.
Se encontrarem algum erro gritante, me avisem! Escrevi com sono, mas foi de coração~ se a faculdade não me matar, esses dois matam ♥~
As provas finais estavam chegando e, pela primeira vez na vida, Yaoyorozu Momo não se sentia tão confiante.
O ano até então estava sendo muito mais agitado do que imaginara ao entrar na Yuuei, com combates contra vilões perigosos, novas amizades e, até o dado momento, umas dez crises de inferioridade em relação à sua individualidade. Ela não era exatamente fraca nem sem experiência, mas seus companheiros precisavam mesmo ser tão fortes assim?
Por esse motivo Momo tinha decidido que, ao menos na parte teórica, ela precisava se destacar. Ela sempre tinha se destacado, sempre tinha se esforçado, era uma aluna brilhante, afinal de contas. Mas todas as lutas, ferimentos, preocupações e treinos a desviaram desse caminho. A jovem não tinha mais tempo para estudar e, quando tinha, sentia que precisava de descanso.
Não era a única que se sentia assim, visto que ao resolver fugir do quarto para estudar no primeiro andar do dormitório no meio da madrugada, se deparou com um Todoroki cercado de livros e cadernos no sofá. Sim, Todoroki — um dos alunos mais inteligentes, com uma das individualidades mais poderosas que ela já vira. Até ele o desespero tinha conseguido alcançar.
E assim, os dois concordaram em se ajudar, ali naquele lugar, naquele horário, onde ninguém mais poderia saber ou atrapalhar. Para a surpresa de Momo, o jovem precisava de ajuda com química, e isso era algo que ela entendia muito bem — não criava coisas do vácuo, afinal de contas. Precisava saber todos os componentes químicos de algo, se quisesse fazer bem feito. Já ela precisava de ajuda com física e, sabendo que Shouto precisava ter cuidado com a aceleração e velocidade de seu gelo caso não quisesse destruir mais do que pretendia, decidiu que ele era a pessoa ideal.
Os dois estavam nesse esquema há pouco mais de uma semana e faltavam alguns dias para o início do período de provas. Não tinha muita conversa envolvida, já que precisavam mesmo estudar, mas vez ou outra, sua atenção desviava da explicação para olhar para o rosto do garoto. Ele parecia calmo, como sempre, ainda que estivesse lendo componentes químicos que pareciam grego.
Por mais calmo que Todoroki fosse, Momo sentia que relaxava um pouco mais perto dela, como se confiasse nela. Talvez confiasse mesmo, afinal, estava correndo um risco enorme fora da cama depois do toque de recolher. Sentia arrepios na espinha de imaginar a bronca do Aizawa caso ele descobrisse...poderiam ser suspensos, expulsos, exilados, sabe-se lá mais o quê.
De tão perdida em seus pensamentos, não notou que o par de olhos — de cores diferentes, tão únicos — agora olhavam fixamente para ela. Estava escuro, a iluminação era o bastante para que pudessem ler e escrever sem forçar a vista, mas seu rosto foi tingido por um tom tão brilhante de vermelho que era impossível de não perceber, e caso ele tenha notado, preferiu não mencionar.
— Yaoyorozu — a voz era firme, porém baixa, para que só ela pudesse ouvir — Você parou de falar no meio da explicação.
Ótimo. Agora ele devia pensar que ela era idiota.
Nos últimos dias, ela não tinha conseguido focar em muita coisa. O objetivo dessas sessões noturnas de estudo era conseguir recuperar a matéria perdida e ficar entre os melhores da classe de novo, mas Yaoyorozu sentia-se mais distraída que nunca. Quase como se Todoroki tivesse soltado uma de suas chamas dentro de seu peito. O coração acelerava, fosse perto dele ou de pensar nele.
Momo respirou fundo para não gaguejar e se concentrou pra lembrar onde tinha parado antes de se distrair. Com seus olhos. Um azul e outro acinzentado.
Foco.
— Sim! Desculpe… Eu me perco nos meus próprios pensamentos de vez em quando. Podemos continuar de onde paramos...
Todoroki jogou a cabeça para trás no encosto do sofá e largou a caneta dentro de seu estojo. Yaoyorozu reparou como sua franja tinha se afastado do rosto, deixando sua testa exposta, e como as veias em seus braços subiam a cada movimento. Preferiu chutar esses pensamentos para o lado e ouvir o que ele tinha a dizer.
— Eu já reparei que você tende a fazer isso. Tudo bem. Acho que por hoje é só, de qualquer forma.
Ele tinha reparado? Ela deve fazer bastante isso. Será que ele se irritava? Guardou em uma nota mental para prestar mais atenção nos seus devaneios.
— Tem certeza? Ainda falta um bocado. — eles não chegaram nem na metade da programação da noite, ela reparou ao dar uma olhada no livro na mesa — Eu prometo não me perder de novo. Não saio daqui até você entender.
— Você precisa dormir, Yaoyorozu. Parece estar com febre.
Não é febre, Todoroki, é isso que você faz comigo, pensou Momo. A sensação de ardência em seu peito aumentou e seu coração galopava como louco. Por não falar muito, ele tinha a tendência de ser muito observador, ela precisava tomar cuidado.
Percebeu que não tinha falado nada, porque ele continuou:
— Amanhã é minha vez de ensinar. Obrigado, Yaoyorozu, você tem me ajudado bastante.
Naquele resto de noite, Momo não conseguiu dormir.
(...)
No dia seguinte, um sábado, ela fez de tudo para evitar o olhar de Shouto. Como se não bastasse a vergonha de horas atrás, ela ainda parecia um zumbi. Momo se juntou ao grupo das meninas e ficou com elas praticamente o dia todo, evitando questionamentos sobre sua cara de morta viva e mudando de assunto.
No fim da tarde, quando todos resolveram ir para seus quartos, Todoroki ficou de pé seu lado para perguntar se ela se sentia melhor e confirmar se a sessão de estudos da noite estava de pé. Claro, ela tinha respondido. Faltavam poucos dias para as provas. Seja lá o que estivesse acontecendo dentro dela em relação ao garoto, ela tinha que engolir e se concentrar.
Ele deu uma última olhada que durou alguns segundos e foi embora. Se tinha notado as olheiras, mais uma vez não disse nada.
(...)
Ao entrar no elevador silenciosamente naquela noite, Momo se sentia um pouco mais animada. Programou um cochilo de duas horinhas que revitalizou sua alma. Precisava estar acordada e concentrada, a preocupação com as provas era cada vez maior.
Mas acima de tudo, ela não queria decepcionar Todoroki. Estavam fazendo algo completamente fora das regras e suas cabeças estavam em risco. Os dois entraram por recomendação, todos os olhos estavam sobre eles. Era o dia dele explicar. Naquela noite, ele estava ajudando ela.
Suas pernas estavam tremendo e o coração não tinha sossegado desde a noite anterior, mas Momo estava disposta a não pagar nenhum mico na frente dele. Ela entenderia tanto física que Newton pediria aulas particulares a ela.
— Você parece melhor — foi a primeira coisa que ele disse.
— Eu estou — e se ela conseguiu dizer isso sorrindo, olhando nos olhos dele, sem gaguejar, física seria o menor dos desafios da noite.
A noite fluiu bem, quase como se cada músculo do corpo de Momo não tivesse se esforçando ao máximo para prestar atenção, para não desviar o olhar, para não chegar um pouco mais perto. A matéria em si também não estava sendo muito fácil de digerir, mas Todoroki explicava novamente sempre que a testa de Momo franzia um pouco.
E o fato de ele reparar aquilo, sem comentar nada, fazia os batimentos da garota aumentarem. Por sorte, era Todoroki, e não Jirou, pensou aliviada. Shouto não podia ouvir. Desde que ela não mostrasse nada em seu rosto, ele jamais poderia saber o caos que acontecia em seu corpo.
Ele ao menos sabia quão paciente e gentil ele estava sendo? Ou como ela estava grata, ainda que nervosa, por estar ali com ele? Por ele tirar algumas horas de seu sono para ajudá-la, por ele se arriscar com ela?
Quando percebeu, a lição da noite tinha acabado. Parte dela queria inventar alguma dúvida, algum exercício, para que ele ficasse um pouco mais, entretanto, ao ver a expressão cansada que ele deixou seu rosto mostrar por um milésimo de segundo, ela percebeu que não era a única exausta.
— Obrigada, Todoroki. Eu nem sei o que faria sem você.
O que falou pode ter sido profundo demais, um pouco íntimo demais, mas era verdade. Apesar das constantes distrações, Momo se sentia mil vezes mais confiante para as provas. Shouto não a deixava sair dali sem que toda a matéria fosse absorvida e, ao mesmo tempo que isso estimulava sua inteligência, seu coração também se aquecia.
— Fico feliz de termos tido essa ideia. Eu que agradeço, Yaoyorozu — os cantos de seus lábios se curvaram num pequeno sorriso, e Momo sabia que era sincero — Amanhã é nossa última noite. Descanse.
E se virou. Momo viu ele ir embora, andando um pouco mais lentamente que o normal, e entendeu que ele precisava dormir. Seria egoísmo pedir que ficasse mais. E mesmo que cada célula do seu corpo gritasse para que ele ficasse mais um pouco, ela levantou e seguiu o caminho oposto ao dele, indo para o dormitório feminino.
No caminho, lhe ocorreu que a próxima noite seria a última. Aqueles momentos secretos que os dois compartilhavam acabariam. Talvez eles só fossem especiais pra ela, mas isso não a impediu de ficar triste. Momo tinha uma relação bastante amigável e de respeito com Shouto, mas não conseguia imaginar alguma situação em que eles teriam tanto contato como essas últimas noites.
O sono tinha começado a tomar conta de seu corpo, mas se isso fosse fazer o dia amanhecer, ela não sentia tanta vontade de dormir.
(...)
Domingo.
O prédio estava silencioso como nunca visto antes. Todos estavam em seus quartos, estudando. Aqueles que resolveram estudar em grupo foram ao primeiro andar e deviam estar lá, para não atrapalhar ninguém no dormitório.
Apesar da dificuldade em física, Yaoyorozu ainda conseguia se virar brilhantemente nas outras matérias. Após revisar seus cadernos e sentir-se satisfeita com o conteúdo absorvido, percebeu que ainda estava relativamente cedo.
Não queria incomodar ninguém, sabia que nem todos conseguiam pegar as matérias facilmente, então deitou-se em sua cama, grande demais para seu quarto pequeno demais, e começou a pensar.
Todoroki deveria estar estudando também, mas sabia que ele não teria dificuldade alguma. Talvez tivesse até mesmo terminado de estudar, assim como ela. Ele era inteligente. Será que estava sem fazer nada também?
Seus olhos pairaram sobre seu celular, quase como se estivessem dizendo para mandar uma mensagem. Uma última chance de confraternização antes da sessão de estudos da noite.
Mas decidiu não mandar nada. Mesmo se não estivesse estudando, deveria estar fazendo outra coisa. Treinando, talvez. Não iria perturbar.
Resolveu voltar a estudar. O silêncio do prédio, que era seu principal problema no início, já não a perturbava mais. O caos em sua cabeça que a atrapalhava. Decidiu folhear todos os livros, todas as anotações, até que todo o conteúdo estivesse tatuado em sua mente. Gravou toda a matéria em seu cérebro até a noite chegar.
(...)
O que foi uma péssima ideia. Suas costas doíam e sua cabeça parecia explodir.
Todoroki a esperava lá, como sempre, e não parecia estar muito melhor. Mechas vermelhas se confundiam com mechas brancas, seus olhos estavam entreabertos e Momo tinha certeza que, se demorasse mais uns dois minutos, ele estaria cochilando.
Foi ali que ela começou a pensar no quão mais difícil deveria estar sendo para ele. Claro, ela tinha sua imagem para manter, mas ele tinha ao menos uma tonelada a mais de expectativas para atender. Se Yaoyorozu lutava e estudava, ele lutava e estudava em dobro. Ele precisava impressionar. Ele também queria ser o número um.
E por mais que Midoriya a impressionasse com sua persistência e força, era Shouto o número um para ela.
Aquela poderia ser a última noite que os dois teriam essa proximidade, mas Momo ficou feliz de ter visto esse lado dele. Ela não aprendeu só física, aprendeu a observar também. Essa lição veio do melhor.
Os estudos começaram, de forma mais lenta do que das outras vezes. O tempo era separado entre física e química, para que a noite fosse uma revisão dos últimos dias. Surpreendentemente, Momo completava as frases do Shouto em sua cabeça, entendendo toda a matéria, como o prodígio que sempre foi.
Quando chegou sua vez de explicar, as palavras saíam automaticamente de sua boca. Ela explicava como uma professora, uma tutora profissional. Todoroki assentia, como se entendesse completamente o que era dito e eles finalizaram a lição.
— Você não precisa se esforçar tanto — ele disse em um momento. Os dois estavam relendo suas anotações mais uma vez antes de seguirem seus caminhos — Você tem capacidade, só precisa confiar nela. Eu sei que eu confio.
E ela concordou.
Ali ela percebeu que a confiança tinha sido recuperada e que confiava novamente em seu potencial. Tinha muito a agradecer a Todoroki, não só por isso, mas por sempre ter confiado. Se era vice-representante, era por causa dele afinal. Da confiança dele.
E talvez por isso, por observar tanto e por confiar em seu potencial, que ele deveria saber quão cansada ela estava. Por isso que ele a mandara dormir. Descansar.
Sua voz ecoava em dobro na sua cabeça, ora explicando física, ora falando para ela descansar. Essa voz transbordava em seus pensamentos e fazia com que seu coração disparasse, mas por algum motivo, a voz foi diminuindo e seu corpo foi ficando mole.
Os dois eram número um, cada qual em uma área diferente. Os dois se esforçavam ao máximo e tentavam não demonstrar seu cansaço, mas alcançar a perfeição cansavam, os dois sabiam. E ali, naquela noite, os dois sucumbiram e pararam de tentar.
Não precisavam mais estudar.
(...)
Yaoyorozu Momo não lembrava de mais nada depois do discurso dele na noite passada, mas acordou de manhã com vozes de estudantes apressados. Ouviu alguns comentários sobre casais, regras e toque de recolher, e demorou um pouco para assimilar a situação. Ela e Todoroki estavam deitados no sofá, cercados de livros e cadernos — ele mesmo tinha deitado em cima de uma folha e teve seu rosto manchado por tinta de caneta.
Shouto ainda estava dormindo pesadamente, com o rosto extremamente calmo, e não ouvia nenhum dos comentários de seus colegas. Suas amigas a chamavam com olhares confusos em seus rostos, e Jirou sorria de orelha a orelha. Ela ouviria muito mais tarde.
Mas ao olhar o cenário completo, folhas e folhas de conteúdo cujas palavras ela poderia citar de cabeça, um Todoroki descansado, com cabelo bagunçado, cujos dedos agarravam os seus, talvez inconscientemente, Momo teve certeza de duas coisas.
Ela estava confiante de que os dois tirariam notas excelentes.
Ela nunca tinha dormido tão bem.
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