Last night
4 All these little things
Sala no topo da torre de astronomia.
Noite do dia 5 de janeiro de 1976.
6º ano.
— Se for para arrumar, arrume direito, Peter! Por Merlin! — Alice disse pegando sua varinha e ajeitando os enfeites que deixara o loiro colocar na parede.
— O quão assustadora você pode ser em meia hora que estamos aqui, Fortescue? — Peter falou ao seu lado.
— Não sei… O quanto você quer namorar Mary?
— Muito.
— Sendo assim, muito! — Alice lhe dá um sorriso e vai até Remus que está próximo a mesa de comida que Dorcas e Lily tinham arrumado antes de irem para o dormitório se arrumarem, olhando sem descanso para a porta da sala. — Você sabe que ele logo chega.
— Não faço a mínima ideia do que está falando. — Remus dava de ombros e tomava um gole de um suco que conseguira na cozinha.
— Ora, Remus, estamos com 16 anos já, não mais 13 quando você conseguia me enrolar e dizer que na verdade gostava daquela lufana, e Sirius era apenas um amigo. Desde que você admitiu que gostava dele no final do terceiro ano, nossa vida foi tão fácil, não?
— Você é uma pedra no meu sapato, Fortescue.
— E eu adoro ser essa pedrinha brilhante para você, Lupin!
Peter é percebido com o barulho de uma cadeira sendo puxada para perto dos dois. O amigo mais baixo sempre fora divertido em sua maneira mas nunca tão percebido quanto os outros três do grupo dos marotos, James e Sirius tinham uma presença incomparável com suas brincadeiras, piadas e risadas altas, Remus era tão acolhedor e inteligente quanto os outros dois com suas brincadeiras, enquanto Peter, bem, era um bom amigo até onde era possível ser, mas, se houvesse uma forma de conseguir ser maior e provar o seu valor, não há dúvidas que o faria.
— Quando todos chegam? Quero presentes! — Ele falou.
— Você quer a corvina, isso sim! — Remus riu com o copo indo a boca.
— Tudo bem, eu quero duas coisas.
— Uh, cheguei antes de Evans, isso é bom para o meu placar mental de coisas que faço melhor do que ela: ser pontual em festas. — James era visto na porta com seu cabelo bagunçado, como o normal, óculos sob o nariz, uma camiseta branca com uma calça social preta e um sapato. Logo atrás dele, Frank e o conteúdo de grande parte dos pensamentos de Remus, principalmente nas últimas 24 horas, Sirius Black.
— Tente ser mais pontual nas aulas e então sim conversaremos sobre iniciar um placar justo, Potter. — Lily dizia passando pelo garoto que abria um sorriso com os olhos brilhando.
— Qual seria a graça de não fazê-la sentir a minha falta por minutos que sejam, Lily? — O garoto recebeu o olhar furioso que fazia seu coração disparar.
— E quando nós poderemos passar sem atrapalhar toda essa atração no ambiente? — Marlene gritou, fazendo com que os que estavam na porta entrassem na sala e se espalhassem.
Sirius avistara Remus mesmo sem entrar no ambiente, bem como imaginara, com um copo na mão pois a primeira coisa que o amigo fazia era procurar algo para beber seja em qual lugar estivesse, com uma camiseta azul e um bordado escrito ‘’Rem’’ no peito que Lily lhe dera, uma calça jeans e um tênis preto. Ele sorria, e, sem que percebesse, Sirius conseguia facilmente associar aquele sorriso aos dias em que estudava o céu e sua imensidão, isso porque o sorriso de Remus o fazia sentir-se como em um vasto de possibilidades ao mesmo tempo que se sentia em casa.
— Eu realmente acho que a Lily duvidava da sua capacidade quando deu uma camiseta com identificação para você, é quase como ‘’Se encontrar esse lobo perdido, devolva para Lily Evans.’’- Sirius se aproximou e ficou de frente para o mais alto enquanto apontava para o nome escrito na blusa.
— Pelo menos alguém se preocupa caso eu suma, não é? — Lupin retribuia o sorriso.
— Que falta de respeito! Se você sumisse eu não dormiria até te encontrar, saiba disso.
— Vou pensar se acredito em você.
— E as bebidas, Remus John Lupin? — James disse se aproximando.
— Estão aqui James Potter.
— Alcoólicas.
— Oh, confirme com a Alice, mas tenho quase certeza que ela e as meninas proibiram esse tipo pelo menos por hoje por conta da última comemoração e a grande quantidade de poção que ela fez para quase todo mundo.
— O QUE? — James cuspira o suco de uva que estava tomando — ALICE!
— Sem alcoól então, hum? — Sirius observava o de óculos ir atrás do casal mais ao fundo de onde estavam, ainda rindo.
— Pois é. As coisas com álcool são ditas e feitas… e não podem ser retiradas. — Remus olhava para a frente, esperando que Sirius se lembrasse de duas noites atrás onde dissera diversas coisas a ele.
— Eu nunca retiro nada do que digo.
E assim ficaram os dois, apoiados na parede, próximos a mesa de comida, cada uma olhando para frente onde tinham a visão de todos os seus amigos rindo e dançando ao som de alguma banda trouxa. As mãos próximas umas das outras, onde Remus lutava contra o impulso de segurar a do de cabelo comprido, cheia de cicatrizes como ela era, e sentir o calor de Sirius por entre seus dedos, se espalhando por todo o seu corpo.
E onde Sirius olhava de tempos em tempos com o canto do olho para o rosto do loiro e para as mãos próximas, pensando se poderia fazer o próximo movimento e pegar a sua mão.
Quem olhasse de longe diria que nada de mais estava acontecendo ali, mas em suas próprias cabeças, Sirius e Remus espalhavam-se por milhares de possibilidades, acontecimentos e vontades.
Até que Sirius decide encostar o seu dedo mindinho no do amigo e o clima entre eles muda. De algo denso e sensível, o ar vai se transformando em algo leve e natural, como Frank já descrevera diversas vezes quando fala de Alice e ele. Remus paralisa ao sentir o que está perto de acontecer. Contara apenas a Lily, e apenas por que ela observara os dois durante toda a noite, sobre o que o Black dissera, e não sabia se aquilo realmente havia acontecido ou se sua mente estava alucinando por ter acabado de sair de uma lua cheia.
Conforme Sirius decide continuar aproximando a mão, torcendo para Remus não tirá-la até uma estar em cima da outra, sem saber que o mais alto espera que o processo seja até mais acelerado.
— Hora dos presentes! — Marlene grita dando palminhas e indo até os presentes no canto da sala — E EU COMEÇO!
— Como se alguém fosse brigar com você sobre isso. — Frank fala.
— Ok, bom, eu não comprei pra todo mundo um presente, sabe… mas quando ouvi que a Mary estava vindo, eu corri pegar algo meu mesmo, já deixo aqui claro, Mary, mas algo nunca antes usado, então… começo por você.
— Obrigada, Marlene! Realmente não precisava. — Mary pega o embrulho e abraça a loira com um sorriso.
— Agora, continuando… — Marlene diz e todos sabem que serão longos minutos de discurso e abraços, tanto dela quanto dos outros entregando.
Após alguns minutos depois, James vai até o centro do círculo formado pelos amigos e começa:
— Estamos no sexto ano e isso é grande coisa, não? Fazem 6 anos que tenho essa troca de presente com meus 3 companheiros de todas as horas, e da Lily pois desde o primeiro eu dou a ela um presente completamente na amizade — A última parte arrancando risadas de todos os presentes — No próximo semestre estaremos nos nosso último ano nessa escola que é a nossa casa e eu não sei como demonstrar tudo o que vocês já fizeram por mim, seja o que for, e como temos lidado com toda a situação pesada que vem acontecendo aí fora. Essa noite é uma tradição marota, e sim, sempre entregamos os reais presentes longe de vocês mas hoje, eu queria demonstrar o amor que tenho pelos meus quatro irmãos de maneira certa. Remus normalmente é o que dá os melhores presentes de nós quatro, mas esse ano eu com certeza ganharei.
James vai até cada um com um embrulho e dentro de cada caixa se encontra um broche com a forma animal de cada um — Peter tem um rato, Sirius um cachorro e Remus um lobo.
— Quero iniciar nosso novo ano da forma que somos e nos apoiamos, eles nem vão entender então podem mostrar. Somos um grupo unido e sou muito orgulhoso de ter vocês como amigos. E por odiarmos sonserinos tanto quanto. — Ele termina fazendo uma reverência e recebendo palmas e assobios — Ah! E Frank… — Potter joga um saquinho para o amigo — Para seu maior desenvolvimento no quadribol esse ano, amigo!
Depois de um tempo é a vez de Sirius fazer um discurso:
— Como vocês podem perceber, James, em todos esses anos, aprendeu comigo a como ser tão dramático e tocante quanto, né? — Todos riram — Mas mesmo assim, eu faço das palavras dele as minhas.
— Isso com certeza não vale! Eu falei e você só fala isso? — James retruca.
— Claro que vale! Estava no contrato de irmãos datado em 1971.
— Mas…
— Continua, Six. — Remus lançava um olhar de reprovação para James.
— Obrigado, Rem. Enfim, quando conheci James no trem quis socá-lo, e quando conheci Remus pensei ‘’o que esse nerd está fazendo aqui?’’, mas logo meu coração se derreteu. Eu, que não estou acostumado com carinho e parceiro como eles me ensinaram, me abri para os meus melhores amigos, e agora o nosso grupo cresce e cresce e tem vocês todos. Eu vou dar os presentes sozinhos, como sempre, mas agradeço por mais um ano com vocês, e que essa tradição seja eterna. — Ele finalizou levantando o copo de suco de abóbora e recebendo todos em resposta no mesmo movimento.
— Rem, faça as honras. — Lily dizia apontando para o meio enquanto olhava para o amigo — só falta você.
— Esse ano não tenho discurso, apenas os presentes. — Ele se levantou e entregou um presente para cada um.
Enquanto todos abriam os seus embrulhos, Remus chegava em Sirius e dava de ombros dando a entender que para ele não havia presente, o que levou o de cabelo preto a gargalhar e estreitar os olhos.
Ele sabia que Remus não o deixaria sem presente.
— Eu simplesmente não acredito que sim, Remus conseguiu me vencer em melhor presente de novo. — James exclamava.
— Você nunca vai ganhar dele, Potter. — Lily disse.
— Você me subestima demais, sabia? — James se levantava e dava a mão para ajudá-la — quer companhia até a sala comunal?
— Sim, vou chamar as meninas.
E assim, um por um foram indo embora e até mesmo Peter recebera um beijo na bochecha de Mary, como James iria contar mais tarde para os amigos, e ficara sem reação a porta da sala comunal da corvinal, onde James pensara que teria de dizer Wingardium Leviosa para conseguir levá-lo para a grifinória.
— Então, sem presentes mesmo? — Sirius dizia terminando de jogar o lixo e se preparando para ir embora.
— Oh, é mesmo! — Remus retira um embrulho do bolso.- é para você.
Ao desenrolar o papel em volta Sirius viu do que se tratava: era um telescópio móvel que se adaptava ao tamanho que a pessoa precisasse.
— Assim você pode se sentir em meio as estrelas e em casa quando precisar, e quando estivermos longe, vai saber que enquanto olha para um ponto, eu posso estar olhando para o mesmo — Remus mostra um telescópio igual com a letra R gravada, fazendo Sirius perceber que no seu havia a letra S.
— Obrigado, Rem, eu nem sei o que dizer. — Enquanto olhava admirado para o objeto, percebe que o mais alto está se aproximando de si até que alguém entra a porta ao lado dos dois.
— FILCH QUASE ME PEGOU! MAS VIM SALVAR VOCÊS. — James entra correndo na sala — RÁPIDO!
Remus e Sirius se olham em choque e desejo. Sem entenderem o que os últimos segundos significaram, entram embaixo da capa de invisibilidade e seguem para a sala comunal da grifinória. Ao chegarem lá, James sobe correndo para contar a Peter o que acontecera — ele definitivamente tinha tomado muito açúcar hoje, Sirius conclui — e o de cabelo preto fica observando o loiro andar pela sala e sentar no sofá.
— Então… o que foi aquilo antes de James aparecer?
— Aquilo o que? — Remus arqueia as sombrancelhas.
— Você se inclinando sobre mim.
— Eu ia apagar o interruptor.
— Estamos em Hogwarts, Remus.
— Mas então lembrei que estamos em Hogwarts, Sirius. Deixe-me terminar as minhas frases.
Alguns momentos em silêncio até Sirius quebrá-lo se levantando
— Sabe, Rem… o que quer que aquela inclinação tenha sido, a sensação dela valeu muito mais do que qualquer outro presente que você já me deu.
— Digo a mesma coisa sobre as nossas mãos quase juntas hoje, Six.
Os olhares permaneceram fixos, mesmo um estando em pé e o outro sentado, Sirius lutava contra o impulso de puxá-lo para si e nunca mais soltá-lo. Apenas abraçar seu corpo e sentir ele ali, naquele momento, junto de si, e aproveitar para suas mãos se juntarem quando quiserem e eles se inclinarem um sobre o outro quando necessário. Mas se limitou a dizer:
— Boa noite, Rem. Não demore muito.
— Boa noite, Sirius. Não me espere acordado.
Mas Sirius ouviu quando o garoto subiu as escadas e entrou no quarto. Quando se arrumou para deitar, e quando o mesmo se virou quase toda a madrugada na cama, sem sono, assim como ele. Sirius não conseguia se livrar da sensação de calor e conforto que sentira em cada momento que teve com Remus esta noite — mesmo com James estragando uma delas e Marlene a outra — e ele começava a crer que Remus estava na mesma situação que ele.
— Boa noite, Almofadinhas. — Ele ouve da cama ao lado.
— Boa noite, Aluado. — Ele responde com um sorriso no rosto, sem perceber que era da voz de Remus que esperava para finalmente dormir.
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