Last Waultz

1 Capítulo Único


Make me blind

Cover my eyes you can do what you want

I'm paralyzed by the perfect mood

When we're dancing with blindfolds on

You make it easy to love you and hate you

I can't explane it I feel insecure

You say it's simple "you die just to live again"

You say we're waiting for the last waltz

☾☆

Entrei no salão, meus olhos vagavam por toda aquela extensão, e eu não precisava reparar no quão aquele local estava tão bem decorado, afinal, eu mesmo havia ajudado para que o resultado fosse o que muitos alunos agora contemplavam. Participar do comitê do baile foi a melhor coisa que eu fiz, alguém perfeccionista como eu não aceitaria que o último baile do colégio não fosse menos do que perfeito.

As mesas de comes e bebes estavam luxuosamente enfeitadas, o ginásio esportivo do instituto carregava a decoração da galáxia (esse foi o tema sorteado para ser usado no baile dos formandos deste ano), o palco — Que fora montado pelo time de basquete e futebol americano, afinal, eu sou do tipo que manda ao invés de fazer o trabalho duro. — também estava decorado, as cortinas azuis foram pinceladas com purpurina para dar um ar de constelação quando a luz dos refletores as encontrassem, os balões pratas tinham formato de astros, planetas, luas e estrelas.

Eu estava orgulhoso do resultado.

Mas havia algo que me afligia.

Voltei com meu olhar por todo o salão, procurando uma pessoa especificamente, e ela não escapou de meus olhos, que sempre conseguiam captar mesmo os menores defeitos.

Ela estava ali.

Sabia que estaria, ela não perderia a chance de celebrar seu último dia dentro das dependências do colégio.

Estava sozinha, como sempre, chegava a ser cômico que ninguém gostava da companhia dela. Mas eu gostava. Talvez por sermos parecidos demais, ou talvez por ela ser a única que não se rendeu aos meus braços assim que entrei nessa escola.

Eu queria dizer que ela estava bela. Como sempre fora. Trajando aquele vestido branco, que caia perfeitamente no corpo magro. E aquele penteado... Tive o prazer de vê-la sem ele uma única vez... Eu pude confirmar o que sempre imaginei.

Seus cabelo soltos eram a coisa mais linda do mundo.

Ela poderia estar mais bonita do que qualquer uma naquele local, mas aquela melancolia presente nas íris castanhas impediram que um elogio, quase mudo, deixasse meus lábios.

E eu infelizmente compreendia a razão daquele olhar triste. Mesmo de olhos vendados eu poderia dizer o que ela estava sentindo, o que ela estava pensando. Não fora sempre assim. Antigamente, antes de conhecê-la, era difícil compreendê-la, decifrá-la. Agora, sem dizer uma única palavra eu posso afirmar o que se passa em sua mente.

Na realidade, a voz, as palavras, nada disso era importante para mim. Para nós. Tínhamos, quem sabe, uma espécie de compreensão muda. E isso foi logo após...

E ela estava ali. Sozinha, pensativa.

Esperando.

A nossa última chance.

Mas era fácil para mim ficar ali, longe, observando-a atentamente, eu não tinha coragem para ir até lá e contar-lhe, ou talvez apenas deixar que meus olhos, também castanhos, revelassem toda a verdade. Mas eu sempre fui orgulhoso demais.

Mas bastou um único movimento de cabeça dela para que me cegasse, me emudecesse. Todos os meus sentidos desapareceram de meu corpo quando aquele par de esferas brilhantes encontraram as minhas orbes.

Tentei sorrir, mas não consegui. Engoli em seco, e não sei o que houve a seguir, só me recordo de ter perdido todo o controle do meu corpo, pois meus pés se mexeram automaticamente, indo até o encontro dela.

Só quando me aproximei percebi que ela estava com um copo na mão, ponche talvez. O líquido dançava dentro do copo de plástico.

E ela em nenhum momento quebrou nosso contato visual, nem mesmo quando puxei uma cadeira e me sentei ao seu lado, observando aquele brilho das orbes amêndoas. O único brilho no mundo capaz de fazer meu coração contrair-se dentro do meu peito.

O meu problema... Eu tinha esperado demais.

Eu não tinha mais chances.

— Resolveu aparecer, não é mesmo? — Mesmo com aquela arrogância de sempre a voz soou fraca, quase inaudível.

— Eu... — Calei-me. Buscando com meus olhos aquele outra par na minha frente, que me encaravam de cima, com seu famigerado ar superior.

Me senti mudo. Inválido. Estupido.

A música melancólica que ressoava no ambiente alcançou meus ouvidos. Fechei meus olhos por alguns segundos, apenas para formular as minhas próximas frases. Mas quando os abri e novamente encontrei os dela ainda me encarando, senti as palavras morrerem em minha garganta, antes mesmo de serem formadas.

Elas morreram como eu morri. E nenhuma melodia podia ressuscitar nada do que jamais foi digo ou feito.

☾☆

Another you and me

Another revolutionary heavenly romance

waiting for the last waltz

And so it seems

We won't find the solution

confusion leads the dance

We're waiting for the last waltz

☾☆

A melodia calma seguiu tocando, e cada verso, cada estrofe, fazia meus órgãos internos se retorcerem e trocarem de lugar.

— Eu pensei...

— Passou tempo demais pensando. — Ela me interrompeu, a resposta foi curta, grossa e precisa.

E pela primeira vez, eu não podia retrucar. Ela estava certa.

Desviei meu olhar, encarando minhas mãos, ignorando o calor insuportável que, o traje que eu vestia, me obrigava a suportar. Mas o suor em minhas mãos não era resposta ai calor sufocante.

Passei tempo demais esperando. Pensando. Querendo. Mas nunca agindo, nunca dizendo.

Quem de nós dois estava errado no fim das contas?

— Nós podemos... — Levantei meu rosto novamente, encarando todo o rosto feminino, que em nenhum momento se abalou com minhas falas baixas e tristes.

— Nós poderíamos... — Ela fez questão de conjugar no passado, deixando mais cristalino do que a água. — Eu não sei se posso mais. Talvez... O tempo... Tenha sido longo... — Ela suspirou. Seu suspiro soou mais alto do que suas palavras.

Aproximei-me mais, sentando bem ao seu lado, minhas mãos cobrindo as dela, sobre o copo de ponche.

— Estive esperando também... — Sussurrei. Encarando toda a melancolia daqueles olhos fortes.

E ela me sorriu. Um sorriso triste, mas talvez, apenas talvez, aquele sorriso tenha sido o mais perto da sinceridade que eu já vi brilhar no rosto.

— Por que nós...? — A pergunta morrer em seus lábios, e ela os molhou no ponche, com aquele ato, quebrando o contato de nossas peles.

Lembrei de tudo pelo o que passamos. Lembrei das brigas, das discussões, dos beijos, e de tudo mais.

Lembrei-me de tudo o que imaginei que seria o último. O último abraço, o último beijo, o último suspiro, o último olhar.

Mas não queria que aquela fosse a nossa última valsa.

Uma nova melodia se fez presente, talvez mais melancólica que a primeira. E tão triste quanto.

Meu nome foi anunciado em algum lugar, e o peso de dezenas de olhos caiu sobre mim.

E ao meu lado, ela me sorriu, parecendo levemente... divertida.

Ignorei a voz no microfone a apaguei todo o mundo ao meu redor.

As únicas coisas existentes para mim eram os olhos castanhos tristes e a melodia que parecia nos chamar. Mas desta vez, não haviam um turbilhão de coisas se misturando ao meu redor. Minha mente não estava perto de um colapso, como ela mesma já presenciara antes.

Eu estava lúcido.

Atento ao chamado do brilho daquele olhar convidativo.

Mas como saber se não era tarde demais?

☾☆

Praise the wine

So divine and it stings like a rose

Allow the night to flow inside open the window

and let the wind blow

Highlight of the night is the unhappy ending

You keep refusing to answer my calls

Drop the bending and stop the pretending

You say get ready for the last waltz

☾☆

— Talvez você precise mais do que eu. — Sua voz chegou suave aos meus ouvidos (o que raramente acontecia, ouví-la me dizer coisas com essa voz doce era algo tão raro quanto o comera Halley), ao mesmo tempo em que ela depositava o copo de ponche entre meus dedos.

Sorvi o líquido, percebendo que aquilo não era apenas ponche, tinha um gosto azedo, forte. Vodca. Senti-me tolo, enquanto o resto do mundo começava, novamente, a fazer parte daquele momento.

A voz que chamava meu nome cessou, e eu sorri, satisfeito.

— Parece que todos querem uma última valsa com você. — Comentou alto, displicente, exatamente como a boa aluna que eu conheci há um amo atrás.

Um ano.

Meu peito ardeu.

Talvez nós não tivéssemos direito à um final feliz, mesmo que assim o desejássemos. Quem sabe... o tempo fosse mais importante do que pensei.

— Nós podemos... — Comecei, deixando o ar adentrar em meus pulmões, lentamente, aspirando o cheiro do ponche batizado e do perfume doce que eu já estava familiarizado. — Tentar?

— Essas melodias... — Ela mudou de assunto. — Elas me fazem lembrar... — Seu sorriso surgiu, mas não atingiu seus olhos.

Eu fechei os meus, sentindo-os queimarem como se eu estivesse brincando de colocar uma brasa sobre eles.

Perdi tanto tempo assim?

— Eu...

— Não há uma última valsa para nós... — Segurei suas mãos com força, quando a senti tentar se levantar.

— Sempre há uma última valsa... Sempre! — Encarei mais uma vez seus olhos, percebendo-os um pouco mais escuros. — Mesmo que não seja nossa...

— Nunca será nossa. — Afirmou.

As palavras duras me atingiram como um bofetada na maça esquerda, e meus braços perderam ao lado do meu corpo. Mas ela não se ergueu quando ficou livre de mim, permaneceu sentada, me encarando, não medindo (como nunca fizera antes) a força de suas palavras.

Nem uma última valsa... Apenas a última.

— Talvez... — Ela começou de forma baixa, quase hesitante. — Eu não queira que...

Sua voz morreu quando os primeiros acordes de uma nova musica soarem, fazendo seus olhos arregalaram-se.

Sorri, de uma forma triste, mas mesmo assim me ergui, oferecendo-lhe a minha mão.

— Apenas a última. — Balbuciei educadamente, me curvando.

— Não existe uma última valsa para nós, Theodore... — Percebi a arrogância em seu timbre quando ela falou meu nome. — Nunca existiu.

☾☆

Another you and me

Another revolutionary heavenly romance

waiting for the last waltz

And so it seems

We won't find the solution

confusion leads the dance

We're waiting for the last waltz

☾☆

Assisti, em um momento de catatonia total, ela se levantar de supetão, rumando para fora do salão, levando muito mais do que um simples copo de plástico com ponche misturado com vodca.

Ela levava minha última esperança. Minha última dança. Tudo se desvaliava de minhas mãos. Tudo junto com ela.

Pela primeira vez senti meu orgulho desaparecer, e eu corri, corri ao seu encontro. Os olhos ardendo, ignorando, novamente, meu nome sendo chamado.

Não existia tempo para uma última valsa...

Mas ainda havia tempo para nós.

Sempre deveria haver.

Melody! — Quase gritei, encontrando-a parada sob o velho carvalho. O copo de plástico estava amassado próximo de seus pés, o líquido escorrendo pela grama alta.

A música que saía do ginásio (transformado em salão) alcançava nossos ouvidos, em sua última parte. Triste e melancólica.

Ela virou seu corpo, seus olhos se ergueram, e naquele momento eu não consegui me conter. Me ajoelhei aos seus pés. Lágrimas ansiosa dançavam em meus olhos.

— Theo... — Sua voz, quase chorosa, chamou meu apelido. Ela aproximou-se de mim, ignorando o traje branco que usava, dobrando os joelhos na grama. Levantei minhas mãos, passando-as pelos cabelos sedosos, e eu não me segurei, soltei aquele rabo-de-cavalo, fazendo com que a cascata sépia caísse pelos seus ombros e costas.

— Por quê? — Indaguei.

— Eu não tenho as respostas... — Afirmou, passando suas mãos em meu rosto.

— E talvez, eu mesmo não tenha as perguntas certas. — Suspirei, passeando minhas mãos por seus cabelos.

Ela me sorriu, um pouco menos triste, mas ainda guardava aquele sentimento. Seus olhos brilhosos, esperançosos e duvidoso.

— Melody... — Sussurrei, quase implorando.

Ela me estendeu a mão, e em seus olhos haviam um pedido de desculpas pelas palavras brutas ditas dentro do salão.

Talvez nós pudéssemos ter nossa última valsa.

Sob os últimos acordes da música (da nossa música), dançamos abraçados, chorosos.

Não sei se aquilo era um começo.

Não sei se aquilo era a despedida.

☾☆

I believe that no one this world has the anwers for me

But still I hope that someone has heard.

☾☆

Esperamos muito tempo... Talvez até demais.

Mas sempre existirá uma última valsa.

Fim

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