Last Moments
1 Useless- Godric/Rowena
Notas iniciais

"No final de tudo, sentia que a grandeza e a coragem não era tão importante ...quanto amor e compreensão, por isso valia a pena lutar"
Nos últimos momentos de vida, nós comuns mortais, inevitavelmente pensamos sobre o que falhamos na vida ou acertamos com toda a certeza, ou então o que poderíamos ter feito melhor
Godric Gryffindor sentia que a vida lhe acabava muito brevemente e que ele podia ter feito muita coisa diferente.
Sangue escorria de modo abrupto de sua boca, assustando a curandeira que se assustava com os golpes que tinha em seu descoberto peito, alguns cheiravam já a nauseabundo, afinal o feitiço que o havia atingido não havia cura possível, ao menos que ele conhecesse, sua boca jorrava sangue, seu coração batia feroz como pressentindo a própria morte. Godric sabia que não teria salvação, muito tristemente sabia reconhecer.
Sorrira uma última vez para a pessoa em sua frente, como uma despedida e ele sabia que era .
—Meu Lord Gryffindor...meu Lord Gryffindor...Bathilda...Bathilda..chame Lady Huffelpuff...- Fora o último que ouvira da curandeira do castelo, queria travá-la, sentia seu corpo quebrado e sua alma ferida, afinal ele não tinha um objetivo pelo qual viver. Era inútil...sabia que não sobreviveria e no final, só queria descansar.
Helga Huffelpuff, uma de suas amigas mais antigas, tanto lhe havia feito mal, sabia que sim, lamentava por ela, mas fora inevitável e pelos Deuses, ele havia tentado de tudo para resolver doutra forma, mas havia situações na vida que não davam.
E nos últimos momentos daquele duelo, sabia que havia desferido um último golpe e feitiço mortal, em outrora seu amigo Salazar Slytherin sabia que ele estaria numa situação parecida ou igual a ele. Se não estivesse morrendo, sabia que estaria perto.
Seus olhos falhavam conforme via uma vislumbre de cabelos loiros, era ela, Helga, queria dizer-lhe que lamentava, mas a voz trancara, não conseguia, sentia-se imensamente cansado, a inconsciência tomava conta dele, lhe era exigido cair em um sono profundo que desconfiava que não voltaria mais.
Fora o último e único pensamento lúcido que tivera, pois sua mente vagava aonde ele não desejava, sem controle e sem que pudesse conter-se, sentia muitos remorsos, começarem a transbordar em sua mente. Era um dos eventos que não se sabia explicar, perto da morte você começa vagando sem rumo e sem controle.
Rowena Ravenclaw, a razão da sua ruína e da sua morte, ao mesmo tempo da sua felicidade e alegria, era antagónico mas era assim o que sentia por ela.
Desde que havia posto os olhos sob ela, Godric sentia que tinha perdido o mesmíssimo ar, a sua tez mui branca, seus olhos azulados que iluminavam o próprio mar de tão belos que eram, lembrava-se claramente de cada detalhes da primeira vez que a vira. E sabia que não era o único que havia fixado, sentira nesse dia o olhar de seu melhor amigo Salazar sob ela e isso lhe dava um nó no peito, como se ele com seu charme e poder a pudesse roubar, mas viria a provar-se um ledo engano.
Lembrava-se que encantara-se por sua beleza discreta e melancólica, depois pelo seu intelecto afiado e curioso, que também tinha um pouco de mistério consigo, Rowena tinha um passado que não partilhava com ninguém, fugia sempre do assunto como se lhe doesse a menção sequer.
Era gentil e delicada como uma perfeita dama, tinha vindo para o seu castelo juntamente com a filha Helena Ravenclaw, procurando refúgio, onde viviam tinham notado certas estranhezas em sua pequena filha , pelo que ela fugira.
Seus olhares na direção da filha eram sempre triste e melancólicos, como se sentisse falta de algo.
Sempre negara a si mesmo que a amava, tentava-se convencer que somente seria uma mera atração por sua beleza, mas fora inútil, a verdade dolorosa era que a amava, tal como sabia que era inútil nutrir qualquer sentimento por ela, sabia que seu coração não era dele e nunca seria.
Como tinha a certeza disso? Ela recordava-se sempre daquele olhar triste na direção da filha quando ela pensava que não lhe prestavam atenção e sua melancolia quer na sua expressão, quer no seu longo vestido negro, demonstrava claramente ao mundo que era viúva e que sentia falta de seu marido, pai de sua filha. Ele era o verdadeiro amor de sua vida e nunca seria ele.
No entanto, havia alguém perto de si que não aceitava esse facto, de dia para dia enrijecia com a tristeza crescente de Rowena, esse alguém era Salazar Slytherin, que com a eterna e constante fixação em Rowena e com seu desejo obsessivo de tê-la, nunca reparara no amor desesperado que Helga Huffelpuff , sua amiga de infância lhe devotava, ou se notara não quisera saber.
Via Rowena definhar com o tempo, enquanto Salazar, endurecia e enegrecia de dia para dia, sem contar que a sempre alegre Helga também fora ficando triste, recolhendo-se muitas vezes para as suas tendas repleta de plantas e ervas, isolada e sozinha.
Naqueles momentos finais, sentia mais falta de como tudo era no inicio.
E do que ele mais gostava eram os longos jantares que tinham os quatro juntos, em que proseavam sem fim sobre os eventos do dia, ou então dançavam com as senhoras presentes, ou como numa dessas noites a cear, tinham decidido num delírio em criar uma escola, afinal eram ricos, possuíam fortuna e tinham o castelo dele que era enorme, porque não criar uma escola para ensinar futuras gerações de feiticeiros?
Todos eles tinham rido inicialmente da ideia, achando meio ousado o que pensavam, que pai ou mãe confiaria os filhos para serem ensinados longe de si e ainda mais praticar magia, que era fortemente condenado pela Igreja Católica e considerado do Diabo?
Mas, algo os havia impelido a continuar, algo como fé e solidariedade, pelos que morriam atrozmente na mão de quem não entendia o desconhecido, deviam tentar e proteger os que podiam, para não sofrerem como eles.
E anos depois, tinham lançado a base do que viria a ser uma das primeiras Escolas de Magia e Feitiçaria do Mundo.
E agora, seria o fim, ele não teria mais chance corrigir o que possa ter falhado, ele não se recordava do último dia em que se tinham visto, todos juntos e isso prometia dor.
Mesmo que insanamente desejava-a ver uma última vez, desejava também ter feito mais para ajudá-la a enfrentar o luto e a dor, tal como a dor de os magoar, pois ela sabia do que sentiam ambos por ela e isso deixava ainda mais infeliz.
Queria ter ajudado mais Helga que entristecia com toda a situação, já não se recordava de um sorriso que fosse, vindo dela .
E com Salazar, como ele queria ter tido mais alguma ideia, alguma solução que não criasse um fosso entre ambos, que pudesse tê-lo ajudado com a rejeição, não terem chegado ao ponto de travar um duelo, ter feito alguma coisa a mais para não terem aquele fim.
Ele queria ter feito tanta coisa diferente, ele desejava só mais um pouco de tempo, somente um pouco mais.
Subitamente, seus pensamentos fora interrompidos. Sentia uma sensação quente lhe percorrer e com alguma estranheza abrir os olhos que mesmo meio desfocados, dera por si encarando a expressão aflita e dolorida de Rowena, vendo lágrimas acumularem em suas pálpebras, tornando ainda mais acentuado o azul de seus olhos.
Mas, não era Helga que a curandeira havia ido chamar? Sim, ele recordava-se de algo assim.
—Rowena...
—Eu não posso fazer nada... por Merlin...- Sentia a voz de sua amada estrangular em sua garganta, sentia que ela sentia-se culpada, mas ela não era , não tinha porque sentir-se assim, queria tanto lhe dizer, mas sentia-se tão cansado.
—E...Eu sei...não...é...s-ua...cul-pa...prec...isa me deix...ar ir...minh...a queri...da Row...ena..
Rowena Ravenclaw deixava cair as lágrimas que havia acumulado até agora, novamente presenciava a morte na sua frente, a morte de alguém querido novamente, ele sabia e queria aliviar-lhe a dor, mas não podia, ele sentia-lhe gradualmente a força vital e mágica abandonar o seu corpo, não havia mais tempo .
—Me desculpe...
Não conseguira responder, somente respirava com mais dificuldade e sentia ela debruçar-se sob si, tomando o seu último fôlego entre seus lábios, ao que Godric fechara os olhos dessa vez, sentindo aquela calidez e seu coração fraco rejubilar e indo parando aos poucos, sua alma sentia-se em paz e livre, sabia que ela ficaria bem, ela era forte, sabia bem disso.
No fim de tudo, não fora inútil o que sentira por ela, afinal tinha um espaço especial em seu coração e isso era o que importava no final de tudo.
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