Last Kiss - O Último Beijo
3 Capítulo 3 - Um tempo com ele
Uma semana em Hale e já estava totalmente naquela vibe interiorana. Ajudava mamãe em algumas atividades domesticas, das quais algumas eu nem me lembrava de como fazer direito, culpa de viver em cidade grande e deixar isso para a diarista.
Depois da minha ajuda não muito boa, ficamos vendo TV. O programa da Martha Stewart é bem proveitoso todas aquelas dicas culinárias, “faça você mesmo”, etc.
– Vou dá uma volta pela fazenda. – disse quando o programa terminou.
– Tudo bem. – falou mamãe.
Sempre gostei de está na fazenda. O ar puro, os animais e toda aquela cumplicidade dos moradores de cidade pequena que em qualquer situação estão se ajudando ainda me encantava.
Fui para o estábulo ver os cavalos, fazia tanto tempo que não montava em um que acho que nem sei mas como se faz.
Cristal era minha égua branca, ganhei-a quando tinha 16 anos e ela era um lindo potrinho.
– Oi Cristal. Que saudades, estava de você. Lembra quem sou eu, não lembra? – disse passando a mão e sua crina branca. – Sentiu saudades de mim também?
Cristal emitiu um grunhido em resposta.
– Se eu lembrasse como montar, nós saímos para dá uma volta por ai. Você tem saído, estão cuidando bem de você? – perguntei depositando um beijo em seu focinho.
– É igual a andar de bicicleta Nessie, a gente nunca esquece. – Jacob falou atrás de mim. Era impossível não reconhecer aquela voz. – E eu estou cuidando direitinho dela, pode confiar. – ela falou parando ao meu lado.
– Você? – perguntei.
– O quê? Só porque terminamos não posso cuidar da Cristal. Afinal você é uma mãe desnaturada foi embora e largou a filha aqui.
Quando ganhei a Cristal costumava dizer que ela era meu bebê e que eu e Jake éramos os pais dela.
– Desculpe, mas na universidade eles ainda não aceitam animais e é mais que a obrigação do pai cuidar na ausência da mãe.
– Sempre com uma resposta para tudo. – ele falou fazendo carinho em Cristal.
– O que faz aqui? – perguntou.
– Vim tratar de algumas coisas com seu pai e ver Cristal.
– Ahh. – coloquei as mãos no bolso de trás da calça.
– Vai ficar quanto tempo na cidade? – ele perguntou.
– Hum... Até o casamento da Bree.
– Uau! Isso é quase no fim do mês, muito tempo. – ele deixou de acariciar Cristal.
– O que foi? Minha presença é tão desagradável assim que quer me ver longe daqui? – falei sem conseguir encará-lo.
– N...Não. Só que das outras vezes que você veio foi tipo visita relâmpago. Fazendo de tudo pra não nós vermos, o que por sinal deu muito certo.
– Tinha muito trabalho então não podia ficar tanto tempo. Agora consegui tirar umas férias. – comecei a caminhar para fora do estábulo.
Caminhamos até a casa principal.
– Soube que estava viajando. – comentei puxando assunto. E dizendo a primeira coisa que me veio pela cabeça.
– Soube? – ele indagou olhando-me. Em repostas apenas maneei com os ombros. – Fui em Dallas, uma convenção. – ele falou.
– Ah!
Fizemos o resto do percurso em silêncio quando chegamos, sentei nos degraus da varanda e Jake fez o mesmo.
– Você não mudou nada. – ele falou fitando o horizonte. – Que dizer mudou
– Nossa então eu aparento ainda ter dezoito anos. – disse tocando meu rosto.
– Não. – ele riu as minha encenação.
– Claro que algumas coisas mudaram, mas digo como pessoa. – ele falou, agora olhando para mim.
– Certo então você achava que eu era uma esnobe de Nova Iorque? – eu o empurrando com meu ombro.
– É talvez. – disse ele com um sorriso torto.
– Não consegui ser contaminada a esse nível.
– Que bom pelo menos à velha Nessie está ai dentro ainda. – disse ele passando uma mão sem jeito pela cabeça.
– Eu estou aqui. – disse quase pra mim mesma.
- Já que você vai ficar tanto tempo por aqui. Nós podíamos.....Sei lá, sair?!
– Isso é uma pergunta ou afirmação?
– Tanto faz, o mais importante é você dizer que sim.
– Acho que poderia arranjar um espaço para você em minha agenda. – falei pensativa.
– Que maravilha. – ele falou sorrindo, um sorriso que há muito tempo não via e só uma pessoa podia ter. Ele. Era impossível na retribuir. – O que foi? – ele perguntou me tirando de meus devaneios.
– Que foi o que? – perguntei espreitando os olhos e parando de encará-lo.
– Você com cara de paisagem.
– Nada. – disse pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Eu já vou. Meu pai está esperando para resolvermos uns assuntos da fazenda. – ele disse levantando-se.
– Ah....Certo. – levantei-me logo em seguida. – A gente se ver por ai!
– Tchau Abelhinha. – a menção daquele velho apelido fez minhas bochechas pegarem fogo. – Não acredito que depois de tantos anos ainda fica vermelha. — ele disse rindo.
– Jake você não estava indo embora? Tchau. – disse dando as costas para ele. Antes de entrar em casa ainda escutei seu riso.
Bree milagrosamente apareceu em casa para almoçar com a família. Com todos os preparativos do casamento ela mal parava em casa.
– Estou me sentindo uma péssima madrinha. Nem ajudando você com as coisas estou. – falei fazendo beicinho.
– E minha adorável sogra deixa alguém ajudar se não for ela, a organizadora e sua adorável filha, Leah, que por sinal já deve está voltando de uma viagem. Estou quase surtando com aquelas três. – Bree falou.
–Dá um basta nelas? – falei como se fosse a coisa mais obvia.
– O que? Quando fui comentar, apenas comentar com o Seth. Quase ele desfaz o noivado na mesma hora.
– Aff. Não conhecia esse lado dele.
– Ele é um amor de pessoa. O homem perfeito para mim, a única coisa que estraga é a mãe dele o mimando o tempo todo.
– Boa sorte nos próximos anos da sua vida.
– Rararara. Quero só ver quando você achar o cara certo e ele tiver uma mãe que é um “amor” de pessoa. – ela debochou.
– Sempre tive sorte nessa área e vai ser muito difícil alguma sogra começar a organizar algum casamento onde eu seja a noiva.
– Até parece que você não vai querer casar. Você vivia dizendo que ia casar com o J... Esquece. – ela parou no meio da frase, talvez lembrando de quando falei que aquele nome era proibido quando estivéssemos juntas.
– É eu vivia dizendo que ia casar com o Jake, mas as coisas mudaram e casamento não é uma prioridade em minha vida. Ele esteve aqui hoje. – comentei.
– Esteve? E vocês conversaram? – ela perguntou.
– Sim. Conversamos um pouco e combinamos de sair qualquer dia desses.
– Hum... – ela arqueou a sobrancelha.
– Hum.... O que? Conversamos, não é nada de mais. E eu e Jacob não somos nenhum tipo de inimigos mortais, podemos conversa e sair juntos, não podemos? – questionei.
– Claro. E vocês podiam aproveitar para um, recordar é viver. – ela sorriu.
– Ahh vai sonhando. Nós dois já demos o que tinha que dar. Não rende mais nada dessa história, Bree.
– Eu não acho, mas vou respeitar a sua opinião.
Tento sair do trabalho mais ele nunca sai de mim. Aqui estou eu aproveitando minha tarde lendo uns relatórios que “acidentalmente” eu programei para receber. Amo o que faço, e ler infinitos relatório dos projetos não é nenhum fardo e evidentemente não me tornava numa viciada em trabalho.
Depois de algumas horas lendo, tomei um banho. Sai do banheiro enrolada em uma toalha, quando fui até a janela fechar as cortinas, a camionete de Jake estacionava na frente da casa.
Fiquei parada observando-o sair do veiculo, assim que ele saiu seus olhos pairaram em mim.
– Já está pronta? – ele perguntou.
– Pronta? Pronta pra que? – perguntei confusa.
– Pra sairmos. – ele respondeu pondo as mãos no bolso do jeans.
– Eu não disse que ia sair com você hoje. – falei cruzando os braços.
– O que está fazendo? – ele perguntou
– Nada.
– Então, vamos lá. – Jacob disse.
Sempre assim, impulsivo. Querendo tudo agora.
Fiquei encarando ele, que aparentemente estava apreensivo esperando minha resposta.
– Em dez minutos eu desço. – ele confirmou com a cabeça e encostou-se ao carro.
Procurei alguma coisa para vestir, mas nada me agradava. Levei mais do que dez minutos. Quando estava descendo as escadas minha mãe parou no final dela.
– O que Jacob está fazendo aqui? – ela perguntou.
– Nos vamos dá uma volta. – falei descendo os últimos degraus.
– Você e Jacob? – ela fez uma cara de surpresa.
– É mãe. O que foi? – perguntei.
– Nada. – ela ergueu as mãos.
– Tchau. – me despedir dela.
– Não precisa voltar cedo. – a escutei dizer quando fechava a porta e foi inevitável não revirar os olhos.
Jake ainda estava recostado no carro de braços cruzados o que fazia sua camisa definir os músculos de seus braços. Ele sempre foi um homem bonito, atlético e que me dava muita dor de cabeça com todas aquelas garotas querendo tirá-lo de mim. Agora tudo aquilo parecia a vida de outra garota e agora eu só ficava admirando pela vitrine.
– Dez minutos? – ele disse levantando uma sobrancelha.
– Era uma estimativa. E você me pegou desprevenida. Não reclama, já não estou aqui? – falei parando em frente a ele.
– Ok, sem reclamações. – ele abriu a porta do passageiro para mim. – Vamos!
Entrei no carro sendo seguida por ele.
– Aonde vamos? – perguntei quando ele saiu da fazenda pegando a rodovia.
– Judy´s
– Oh Deus. Torta de limão e chocolate. Nunca consegui encontrar igual em Nova Iorque.
– Não existe nenhuma como essa. – ele falou com um leve sorriso nos lábios.
– É... Não existe.
Chegamos ao Judy´s e o lugar estava movimentado, não consigo lembrar um dia em que ele tivesse menos de vinte pessoas em seu interior.
Sentamos em uma das mesas disponíveis, uma garçonete prontamente veio nos atender, pedimos claro, torta de limão e chocolate.
– Não é estranho está aqui depois de tanto tempo? – perguntei.
– Estanho, mas bom. – ele falou.
– Então Jacob. Como anda a vida? O que fez durante todo esse tempo? – era ótimo está ali com ele e a necessidade de saber o que ele tinha feito, com quem ele tinha estado durante esses anos era muito grande.
– Isso é um interrogatório? – ele indagou com um sorriso divertido.
– Se preferir assim, tudo bem. Então o que me conta? – incentivei.
– Morei em Dallas uns cinco anos, estudei engenharia civil e depois voltei para casa. – ele disse resumidamente.
– O que um engenheiro faz em Hale? – perguntei incrédula. – Muito trabalho por aqui, posso ver a infinidade de prédios sendo construídos. – disse olhando para fora do Judy’s
– Eu gosto dessa cidade. Passei os melhores anos de minha vida aqui, não posso deixá-la por qualquer coisa. – ele disse.
– Um emprego bom, com um salário melhor ainda não é qualquer coisa. – rebati.
– Mas não foi uma prioridade em minha vida.
– Uau!! Ok isso foi uma indireta, mas entendi. – ergui as mãos na defensiva.
– Sempre dramática. – ele disse revirando os olhos. – E você, gostou mesmo de sair daqui, quase não volta.
– Eu construí uma carreira lá, então é meio complicado deixar tudo de lado e viver na rural Hale de novo não consigo ver um futuro que não esteja em uma cidade 24hs acordada.
– Não sente falta? – pergunta Jacob.
– Às vezes. – respondo fitando minhas mãos sobre a mesa. – Mas estou aqui, não estou? – olhei para ele dando de ombro.
Ele levou um tempo para dizer alguma coisa. – É está.
Comemos nossa torta na maior paz, conversávamos entre uma garfada e outra e rimos de algumas histórias antigas.
– Sempre achei que quando voltasse para aqui encontraria você casado com filhos. – falei em quando saiamos do Judy´s.
– Por quê? – assim como fez quando foi me pegar, ele abriu a porta do carro para que eu entrasse.
– Ah Jake, não era isso que você vivia dizendo que ia fazer? – disse quando ele sentou no banco do motorista.
– Era o que dizia que fazia.... Se fosse com você. – ele disse olhando em meus olhos e meu coração pulou umas cinco batidas. Por que ainda tinha que ser assim? Por que ele tinha ainda esse poder de me fazer falta às palavras?
– Mas nosso tempo já passou, a vida continua Jacob. — Finalmente consegui quebrar aquele contato visual, — Acho... Acho melhor você me levar pra casa. – falei olhando para o lado oposto de onde ele estava.
– Certo. – ele murmurou já dando partida no carro.
Notas finais
O que estão achando?
Espero seus comentários.
Próximo capítulo 19/01.
Bjs
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