Last Kiss - O Último Beijo
19 Capítulo 19 - Tempo de Conversa
Notas iniciais
No dia seguinte a casa estava uma paz. A vida de todos tinha voltado à rotina, mas a minha ainda estava a passos lentos, não podia fazer muito esforço e a única coisa que me restava era ficar em casa vendo TV.
Mamãe deixou um bilhete dizendo que tinha ido até o mercado com Maria para comparar as coisas para o almoço de meu aniversario. Tomei meu café da manhã na bancada da cozinha solitariamente. Quando terminava de por a louça no lava louças ouvir um carro se aproximando.
Achei que era mamãe já retornando, porém me surpreendi quando bateram na porta, nos meus passos lentos cheguei até ela.
– Oi. – ele disse quase num sussurro assim que abrir a porta.
– O que faz aqui? Acho que tinha deixado bem claro que não o quero próximo de mim. – disse mal olhando para ela.
– Vim trazer suas coisas. – ele disse indicando a mala em sua mão. – Apesar de não querer fazer isso.
– Não precisava se incomodar Alec iria pegar.
– Não me refiro a ter que vir aqui trazer, mas ver você ir embora.
– Já fez o que tinha que fazer, agora pode ir. – falei.
– Nessie....
– Será que é tão difícil entender que eu não quero ter que olhar para sua cara Jacob. – minha voz ganhou um tom alterado. Só queria que ele fosse embora, queria bater nele como o Alec fez, queria pisar em seu coração como ele tinha pisado no meu. Mas o amor é uma grande merda e meu coração era um tremendo masoquista porque mesmo doendo com ele ali diante de mim, queria que ele ficasse.
– Será que dá pra você me escutar ao menos uma vez? – ele pediu.
– A última vez que escutei você, acabei capotando e quase morrendo. – Jacob ficou completamente sem ação ao ouvir aquilo.
– Nunca me perdoaria se tivesse acontecido o pior com você e nosso filho. Não gosto nem de imaginar uma merda dessas.
– Imagine eu Black. E o pior de tudo que quando olho para você é só nisso que consigo pensar. Então não venha me dizer, que não consegue imaginar uma merda dessas. Acho melhor que você vá embora. – disse.
– Precisamos ter essa conversa. Do que adianta fiar fugindo disso. – ele falou nervoso.
– ENTÃO ME DÊ MEU TEMPO. – berrei. Ficamos sem reação depois do meu ato explosivo.
– Tudo bem, se quer tempo eu vou te dar. – ele depositou a mala entre nós, sem pensar duas vezes a puxei para dentro e bati a porta. Meu coração parecia ter corrido uma maratona, batia acelerado e respirei fundo inúmeras vezes para estabiliza-lo.
Jacob ainda mexia comigo, mas isso teria que acabar e logo.
***
Apesar de todos os acontecimentos da última semana, eu estava animada com meu aniversário. Vinte nove anos, merda estou ficando velha. Não conseguir conter o sorriso que se formou com meu pensamento.
Até que eu estava muito bem para a idade, bons genes a família Cullen e Swan proporcionou aos seus descendentes. Fiquei encarando meu reflexo no espelho de corpo inteiro. Estava com um vestido claro e soltinho, não resistindo à tentação e puxei as laterais do vestido deixando-o rente a minha barriga. Não havia ainda qualquer sinal de minha gravidez, mas eu sentia, meu pequeninho bebê ali, crescendo para um dia está em meus braços.
– Querida você já está pronta? – mamãe surgiu na porta de meu quarto.
– Sim. Como estou? – perguntei dando uma voltinha.
– Acho que vejo alguns quilinhos ai,
– Ei. Nem pareço grávida, impossível ter já alguns quilos aqui. – disse avaliando meu reflexo no espelho.
– É, mas se prepare. Esse bebezinho vai trazer mais do que felicidades e olha que eu tive três então sei muito bem do que falo.
– Certo e falando em quilinhos estou faminta. Bree já chegou?
– Esta lá em baixo, atacando a geladeira antes do almoço. Alec foi buscar a Cassy, mas já deve está chegando.
– Ok, melhor descer antes que a Bree acaba com a dispensa.
– Sabe, já estou me sentido, mais cheinha. Ontem fui vesti um jeans que amo e não passou das minhas coxas. E Seth dizendo que deve ter encolhido quando lavamos com um sabão em pó diferente. – Bree tinha uma tigela de petiscos no colo.
– Eu ainda acho que seja isso. – Seth chegou e sentou-se ao lado da esposa. – Ela fica na paranoia de que está engordando, mas ontem mesmo vestiu outro jeans e serviu. – ele beijou o rosto dela.
– Sabe por que eu te amo? – ela perguntou olhando para ele.
– Porque sou lindo, charmoso e otras cositas más?
– Porque mesmo que eu esteja uma baleia você vai dizer que eu estou bem.
– Olha uma gordinha cheia de curvas sim, mas uma baleia.... é melhor paramos com esses salgadinho aqui. – ele deu um selinho nela e tirou a tigela de seu colo e me entregou.
– Chegamos! – Alec falou do hall.
– Estamos na sala. – avisei.
Ele entrou segurando a mão de Cassy, que estava muito sem graça.
– Oi. – disse levantando e indo cumprimenta-la com um abraço.
– Oi Nessie. Espero que não se importe com minha presença.
– De maneira alguma, fico feliz por você ter vindo. – puxei-a comigo para o sofá onde eu estava sentada. Bree e Seth já as conheciam então dispensou apresentações. – Melhor comer isso aqui, a Bree vai acabar com toda comida do mundo antes que tenhamos fome.
– Ei. – minha irmã jogou uma almofada em mim e todos riram.
Algum tempo depois as irmãs de Jacob chegaram com a dona Sarah, apesar de não ter mais contato com ele, não tinha problemas com sua família e nunca ia deixar de falar com eles por causa de um erro do outro.
Ficamos todos na sala conversando, Rachel e Rebecca não paravam de dizer o quanto estavam empolgadas para serem tias. Becca falou de Leah e depois que percebeu a cara que eu fiz, que acho ter sido bem obvia, me pediu mil desculpas.
O dia foi bastante animado, a comida estava uma delicia e de sobremesa teve até uma torta de limão, a que mais gosto. No final da tarde, meus convidados começaram a ir embora ficamos eu e Bree na varanda, Seth via um jogo de basebol com meu pai e Alec e Cassy tinha ido dar uma caminhada.
– Você vai falar com o Jake? – perguntou Bree com receio.
– Não tenho nada para falar com ele Bree, já disse isso.
– Mas...
– Não era você que estava ai com ódio dele? Agora vem querendo me convencer tenho que falar com ele?
– Sim, essa fui eu mesma. Mas como você pode convencer o Jake da verdade se nem falar com ele quer?
– Eu não tenho que convencê-lo de nada. Ele acreditou numa mentira, ele viva com isso e com as consequências. Não vou ficar me rastejando pra que ele acredite em nada.
– Mas vocês vão ter um filho. É claro que precisam sentar e conversar.
– Ele vai ter um filho com a Leah, esse bebê é só meu. Não vou depender dele pra criar meu filho.
– Não acredito que estou escutando minha irmã mais velha dizer uma besteira dessas. Será que você bateu a cabeça muito forte e desajustou alguma coisa ai dentro? — ela perguntou apontando para a própria cabeça.
– Não. Só foi meu coração partido mesmo. – meus olhos na mesma hora ficaram embasados pelas lágrimas. E não consegui as segurar. Bree me abraçou forte e enterrei meu rosto em seu ombro. Era a primeira vez que chorava por causa dele, depois do acidente. Toda raiva, medo do que poderia ter acontecido, mas além de tudo por ainda amar Jacob Black.
– Sei que isso é doloroso, em parte eu ainda não perdoei Jacob pelo que ele fez, mas não é justo você decidir pelo bebê se ele terá um pai ou não. Veja nossa família. Sempre completa independente dos problemas, não vai querer que o seu filho não tenha, não é? Não estou pedindo que volte ou perdoe ele, mas que conversem, que deixe ele faze parte da vida do filho, apesar de não sabermos como é, deve ser bem difícil crescer sem um pai por perto.
– Eles foram muito ruins hoje, perderam varias chances de pontuar. – meu pai interrompeu a minha conversa com Bree, quando saiu com o Seth.
– Acho que essa temporada eles nem chegam a final. – Seth sentou ao lado de Bree.
– Nessie por que o Jacob não veio? – meu pai perguntou sem mais nem menos. – Na verdade ele tem andado bem sumido.
– N...não sei. Não tenho falado muito com ele. – procurei apoio em Bree, mas ela mal me encarou.
– Aconteceu algo? – ele perguntou desconfiado.
– Não...não...
– AH pelo amor de Deus, conta a verdade, Nessie. Já estou de saco cheio de esconder isso do papai.
– Então como eu suspeitava, realmente tem algo acontecendo.
Em menos de um minuto já tinha contato tudo. As expressões de papai eram indecifráveis.
– Esse tempo todo e estão escondendo isso de mim? Precisavam me contar isso assim que aconteceu. Só eu não sabia disso?
Confirmei com a cabeça. Ele riu sem o mínimo de graça, levantou-se e entrou em casa.
– O que acha que ele vai fazer? – Seth falou quebrando o silêncio.
– Espero que nada ilegal. – respondi.
– Acho melhor você conversar com Jacob logo. – mas não estava preparada.
***
Ao longo da semana, papai era uma incógnita. Sabia que ele tinha conversado e tudo uma discussão com a mamãe, mas nem ela disse nada para mim. Ele também não tinha feito nada de ilegal, o que era muito bom.
Na terça a noite entre ouvir uma conversa deles.
– Como pai é claro que não entendemos. Mas às vezes devemos nos colocar no lugar do outro.
– O está defendendo Edward?
– Não, mas temos que para e pensar que em certos momentos, agir com racionalidade é preciso, mas nem sempre conseguimos. Ele foi irracional ao dizer o que disse a ela, mas ela também foi ao sair nervosa dirigindo. Graças a Deus por não ter acontecido o pior. Mas pode apostar que ele está muito arrependido, tive raiva quando ela me contou e hoje quando falei com ele mais ainda.
– Seu problema é ser coração mole.
– Coração mole, não Bella. Apenas sendo o mais racional quando eles se esqueceram disso.
Voltei para meu quarto em silêncio, não queria ser pega no flagra.
As palavras de papai e Bree me atormentaram durante a noite. Era isso. Tinha que engolir um pouco do meu orgulho. Não por mim ou pelo Jacob, mas por nosso filho. Cresci em uma família unida e cheia de amor, não seria o mesmo cenário para meu bebê, mas não deixaria que crescesse longe do pai.
Estacionei o carro em frente em casa, que teria sido meu novo lar se a vida não fosse cheia de surpresas. Não sabia se ele estaria ali, afinal era uma quarta-feira à tarde e eram grandes as chances de ele nem estar ali. Desliguei o carro e peguei a chave da casa que estava na minha bolsa.
Tudo estava em completo silêncio, a porta não estava destrancada então entrei. Olhei na cozinha e nada.
– Quem está ai? – Jacob perguntou quando estava voltando para a sala.
– Sou eu. – disse chegando à base da escada. Os olhos de Jacob diziam que ele não acreditava que eu estava ali.
Fui até a sala de estar em quanto ele descia as escadas. – Acho que precisamos conversa. – falei de costas para ele encarando a vista do lago pela janela.
– Nessie, eu...
– Só me deixa falar primeiro Jacob. – o interrompi, virando-me para encará-lo. Ele assentiu com um maneio de cabeça e sentou de frente para mim no sofá. – Foi difícil vir aqui. Presei todos os prós e contras, mas não sei a certo quem realmente ganhou, então resolvi pensar pelo bem estar do bebê. Não vou impedir, que você participe da vida dele apesar dessa possibilidade ter sido cogitada, sim. Mas não posso impedir que meu filho tenha uma família quando eu tive, tenho, uma muito boa e é ela quem tem me ajudado muito a separa as coisas. Não importa se estamos bem ou não, essa criança não tem nada a ver com isso. Mas só será isso Jacob. A única coisa entre nós será nosso filho, será esse nosso único vinculo.
– O que posso fazer? – ele perguntou olhando para as mãos entrelaçadas e apoiadas nos joelhos. – O que posso fazer para mudar isso? Eu fico repassando tudo e consigo ver meus erros, mas não consigo enxergar uma forma de repara tudo isso, de voltarmos de onde paramos e fazer tudo funcionar.
– Você acredita? – perguntei e ele olhou para mim.
– Nessie...
– Você acredita. – dessa vez afirmei. – Talvez um dia você veja a verdade. – ele me olhou sem reação. Fui para o hall e voltei-me para ele mais uma vez. – Eu aviso quando serão as consultas do pré-natal. Se você quiser ir.
– Claro. – ele levantou e acompanhou meus passos até a porta. – Obrigada. – disse quando pus a mão na maçaneta.
– Não precisa me agradecer essa era a coisa certa a se fazer. – disse abrindo a porta em seguida e saindo da casa.
– Nessie. – o ouvir chamar quando entrei no carro, mas fingi não ouvi. Quando liguei o veiculo ele veio correndo até mim. – Nessie. – Respirei fundo antes de abrir a janela.
– Preciso ir tenho um moente de coisas para fazer. – menti.
– Só quero te entregar isso. – ele segurava uma caixinha, uma daquelas que desejei muito que me fosse entregue em outra situação.
– O que é isso – franzi o cenho e não peguei a caixa.
– Planejava te dar isso no seu aniversário, mas.... – estraguei tudo e você me deixou. Completei a frase mentalmente para ele.
– Jak...Jacob. Guarda isso, pede reembolso. Não quero. – falei olhando para qualquer lugar menos ele.
– Por favor, aceita. Como... como um presentes de... sei lá, de parabéns por está gravida. – dei um longo suspiro. Ele iria dá qualquer motivo para eu aceitar, mas eu não queria brigar, estava em um ótimo dia e não queria estraga-lo.
– Ok. – peguei a caixinha de sua mão, abri o porta-luvas e joguei lá dentro. – Preciso ir agora. – consegui olhar para ele e sua expressão era a mais decepcionada possível. Assim que ele se afastou do carro engatei a primeira e sai.
Não se sinta culpada, não se sinta culpada. Repeti para mim mesma, todas a vezes que lembrava da expressão dele.
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