Last Hope
2 Capítulo 2
Notas iniciais

*Narrado por Sarah West
Depois de ouvir aquelas palavras, subi junto com algumas pessoas e fui até meu quarto. Separei tudo o que mais precisava: equipamentos médicos, roupas de nós três e algumas coisas de Grace. Logo que desci, começaram a preparar a evasão. Havia uma intensa movimentação no saguão, e isso fez com que minha filha começasse a chorar.
Por mais que já soubéssemos o que fazer e tudo fosse feito maquinalmente, os meus pensamentos, e provavelmente os dos outros também, estavam voltados para o futuro. O que seria de nós sem um lugar seguro, sem o hotel? Virar nômades era algo praticamente fora de questão, já que tínhamos duas grávidas, sendo que uma estava prestes a dar a luz, além de Grace e as outras crianças.
Já havíamos organizado o plano de fuga algumas vezes, e um pequeno grupo deveria sair de carro para tentar atrair os errantes e limpar a saída para o restante do grupo, que teria que caminhar até o rio, onde nos encontraríamos. Rick dirigiria o veículo, e acabaram decidindo de última hora que Maggie, Grace e eu deveríamos ir com ele, já que não era seguro para nós andar péla floresta. Gabriela iria conosco se chegasse a tempo, mas, mesmo que quiséssemos, não poderíamos esperar por ela.
Como saímos antes, não soubemos como os outros fugiram, nem se estavam todos bem. Tínhamos uma função e deveríamos cumpri-la para dar uma chance aos que ficaram. Rick dirigia o carro em alta velocidade sem olhar para trás, eu podia notar a tensão em suas feições, e não era por menos, Carl havia ficado a fim de ajudar a saída de Gabriela, Daryl e Avery, que ficaram para trás. Eu sabia que uma das coisas que ele mais odiava era se separar do filho, e Rick já fizera isso várias vezes, mesmo assim não estava acostumado e se inundava de preocupação.
Não era necessário olhar pelos retrovisores para saber se a manada nos seguia ou não. O barulho era tamanho que boa parte dela havia trocado de direção e nos seguido pela estrada principal. Essa constatação não havia aliviado nem um pouco a minha angústia, que só piorava com o silêncio que deixava a incerteza no ar.
Grace permanecia quieta no meu colo, seus olhos azuis vidrados na janela. Minha filha estava aérea, maravilhada com seu primeiro passeio de carro, e permanecia alheia à situação, sem desconfiar do perigo que corria. Em seu fino rosto ela esboçava um enorme sorriso com seus quatro dentinhos de leite. Minha opinião sobre aquele belo rosto não mudara muito: só conseguia enxergar Rick nele, apesar de seus cabelos castanhos possuírem o mesmo tom dos meus. Seu nariz era fino, o que era da característica das mulheres da família de minha mãe, algo que eu, minha avó Grace, minha mãe e minha filha tínhamos em comum.
Durante todo o trajeto permanecemos em silêncio, afinal, não tínhamos muito a dizer. Eu pensava sobre tudo que havia acontecido, e procurava algum erro que poderíamos ter cometido para tentar explicar a invasão. Talvez tivéssemos errado ao pensar que estávamos seguros atrás daquelas cercas, e termos esquecido a grande ameaça que eles nos representavam.
Depois de algum tempo, Rick acelerou ainda mais para distanciar dos walkers, e estacionou o veículo ao lado de algumas árvores.
– O carro ainda tem combustível, mas precisamos entrar na floresta. Se tudo estiver certo, encontraremos os outros lá e decidiremos o que fazer – Maggie e eu apenas concordamos e o seguimos para fora do carro.
Nós fomos pelo caminho já conhecido e tivemos que caminhar por alguns minutos até chegarmos ao rio. Ventava bastante, o que aumentava a sensação de frio. Em alguns momentos surgiam dois ou três mordedores, mas nada muito perigoso.
O rio era estreito e raso, a água cristalina nos permitia ver os cascalhos no fundo. Lá era um pouco mais úmido do que o restante da floresta, e provavelmente a temperatura era mais baixa. Atravessando a margem do rio havia uma árvore grande tombada, o que nos indicava que aquele era o ponto de encontro.
Rick começou a organizar nossas coisas enquanto Maggie e eu permanecemos perto da árvore. Subitamente ela ficou mais pálida e se apoiou em um tronco. Antes que eu pudesse pensar em perguntar algo, Maggie se virou, encurvou um pouco a coluna e vomitou tudo o que comera. Demorou algum tempo até que ela voltasse a respirar normalmente, e só então entreguei Grace para Rick e me aproximei.
– O que foi?
– Os errantes e o carro me deixaram enjoada – ela explicou com a mão na garganta, que deveria estar ardendo.
– Como você está agora? – perguntei.
– Estou cansada, mas isso deve ser normal. Só preciso dormir um pouco – dizendo isso, Maggie foi até a árvore ao lado, onde apoiou a coluna antes de fechar os olhos.
Voltei para perto de Rick, que tentava fazer com que Grace dormisse. Me sentei ao lado dele e fiquei observando Maggie.
– Ela está bem? – ele indagou.
– Sim, isso é absolutamente natural, mas agora pode ser um grande problema. Se precisarmos fugir e ela ficar enjoada, pode ficar para trás – respondi preocupada. – Precisamos encontrar os outros logo. Em maior número, será mais fácil protegê-la.
Além de Maggie, ainda tínhamos Grace, que começara a ficar inquieta por causa do frio. Tentamos acalmá-la de qualquer maneira, mas nada funcionava. Ela recusava sua chupeta, não queria comer nada e dispensava seus brinquedos. Coloquei um gorro em sua cabeça para tentar amenizar o frio, mas ela continuava agitada, ameaçando chorar a qualquer momento.
– Talvez seja só o sono – Rick falou se levantando para caminhar um pouco com ela, o que costumávamos fazer para colocá-la na cama.
Dessa vez, não funcionava. Comecei a procurar em uma mochila algo que pudesse acalmá-la. Grace começava a emitir pequenos gemidos, o que indicava que ela choraria logo. Eu não me incomodava em ouvir o choro dela nem de madrugada, mas naquele momento isso poderia nos prejudicar bastante.
Enquanto remexia o conteúdo da mochila, encontrei uma pequena caixa, que continha um frasco de 120 ml. Na frente da caixa estava escrito que ele era um calmante pediátrico para o tratamento de estados de agitação e distúrbios do sono. A bula, ou o que restou dela, estava destruída, de forma que não era possível lê-la. Observei o frasco com atenção, eu não conhecia aquele medicamento, e usá-lo seria um pouco arriscado, mas era tudo o que tínhamos.
Antes que eu pudesse pensar direito, Grace começou a chorar. Seu choro alto não chegou a acordar Maggie, mas eu pude ouvir uma pequena movimentação entre as árvores mais distantes. Se não fizéssemos algo logo, com certeza seríamos atacados, pois certamente aquele barulho produzido mais ao fundo não era de animais e sim de humanos, ou o que restara deles.
– Rick – chamei e ele veio até mim com nossa filha nos braços. – Vou dar um calmante a ela.
– Mas Grace não é muito pequena? – ele perguntou preocupado.
– Sei disso, mas não temos outra escolha no momento – respondi tentando parecer firme enquanto o som de passos se intensificava. – Precisamos tentar.
– Tudo bem – Rick a colocou em meu colo. – Sarah, se você ouvir tiros, acorde Maggie e corra.
Depois de dizer isso, ele nos observou por alguns segundos e adentrou na floresta com a arma em mãos e já engatilhada. Aquilo fez com que eu começasse a me desesperar, mas eu sabia que deveria manter a calma. Peguei o copo-medida e o frasco sem tirar os olhos de minha filha, que continuava a chorar, sem saber o risco que corria.
Grace ainda era inocente, e eu temia que isso acabasse com o passar dos anos. Pensar que ela teria uma vida difícil doía, mas talvez o fato de não ter conhecido o mundo antes do apocalipse ajudasse um pouco, essa seria a realidade dela.
Eu não sabia ao certo a quantidade que deveria dar a ela, mas esse risco era necessário. Se não fosse pelo som de passos, eu não estaria fazendo aquilo, mas a possibilidade de walkers estarem de aproximando já era o suficiente para me convencer. Derramei o líquido até que ele preenchesse um quarto do recipiente, tentando controlar as minhas mãos trêmulas.
Fiquei paralisada ao notar que os passos se aproximaram, e, mesmo tentando pensar positivo, eu só conseguia prever o pior. A movimentação aumentou e pude ver sombras surgirem em meio às árvores. Devolvi o líquido ao recipiente e guardei o calmante na mochila, começando a me erguer. No momento em que fiquei de pé os vi.
Scott e Mika surgiram primeiro. Eles pareciam contentes em nos ver, apesar de tudo que ocorrera. Logo em seguida Glenn, que correu até Maggie. Tyreese e Sasha vieram depois e, por último, Michonne, que conversava amigavelmente com Rick.
O desespero que começava a surgir deu lugar ao alívio. Mesmo estando desabrigados, o fato de estarmos juntos melhorava a situação, era como se tudo estivesse bem quando tínhamos uns aos outros. Isso provava que, mesmo que a nossa chance fosse pequena, era o suficiente para seguirmos em frente. Se essa fosse a nossa última esperança, iríamos até o fim.
– É bom vê-los de novo – foi a única coisa que consegui dizer antes que um sorriso tomasse conta da minha face, era inevitável. Depois daquela correria e preocupação, todos estavam bem.
– A Grace está chorando, por quê? – Mika perguntou se aproximando. A garotinha sempre tivera um apego muito especial pela minha filha, e adorava passar um tempo com ela. – Posso pegá-la?
– Claro – respondi enquanto passava minha filha delicadamente para o colo da loira. Virei-me para o pequeno grupo e os observei por alguns instantes. Os irmãos iniciaram uma conversa com Rick e Michonne, Glenn e Maggie conversavam abraçados perto de uma árvore, e Scott e Mika acalmavam Grace. Mas não estavam todos lá.
– Onde estão os outros? – perguntei me aproximando de Rick.
– Carl e Patrick ficaram para dar cobertura. Não chegamos a ver Daryl, Gabriela e Avery – Tyreese explicou. – Não sabemos se eles conseguiram sair do hotel.
A felicidade se esvaiu rapidamente, da mesma forma que havia chegado. Ainda não estávamos todos juntos. A preocupação parecia não ter fim, e eu realmente não sabia o que pensar. Eles poderiam estar bem, ou não. Mais uma vez, tudo o que nos restava era a incerteza.
Não tínhamos muitas opções além de ficar e esperá-los, não poderíamos ir embora sem eles. Depois de algum tempo avaliando a situação, decidimos permanecer no nosso ponto de encontro até o dia seguinte. Não poderíamos ficar para sempre por diversos fatores, mas tínhamos algumas horas.
Os turnos de vigília foram organizados e eu decidi ir dormir com Grace. Enrolei minha filha em uma manta e ela pareceu se acalmar, provavelmente devido ao cansaço. Eu também estava bastante cansada e precisava repor as energias, assim que me apoiei em uma árvore com Grace no colo, caí no sono.
Acordei ao som de tiros. Parecia que eu acabara de fechar os olhos, e não tivera um minuto de sono, mas isso era comum. Enquanto dormia, eu havia perdido completamente a noção de tempo, e o Sol já estava nascendo.
Quando minha visão finalmente voltou ao normal consegui entender a situação. Havia algo em torno de cinquenta errantes ao redor do nosso acampamento improvisado. Rick, Glenn, Maggie, Sasha e até mesmo Scott e Mika atiravam, estes errando o alvo com frequência. Tyreese os abatia com seu martelo, enquanto Michonne usava a katana.
Estávamos cercados por todos os lados, exceto por um pequeno trecho ao lado do rio. Apesar de muitos estarem morrendo, mais mordedores se aproximavam a cada instante. Rick, que estava ao meu lado, me ajudou a levantar. Seus olhos azuis transbordavam de preocupação, e logo se voltaram para Grace, que dormia tranquilamente em meus braços, apesar de todo o barulho.
– Você precisa correr! – ele falou seriamente.
– Não! Vou ajudar vocês!
– Você precisa ir com Grace. Terão mais chances se fugirem.
– Não posso te deixar aqui – disse com a voz fraca.
– Mas você precisa fazer isso. Faça pela nossa filha, dê uma chance a ela – Rick se aproximou mais, beijou a testa de Grace delicadamente. – Papai ama você.
– Te amo, Rick – eu estava prestes a chorar, mas seu olhar me transmitia confiança.
– Eu te amo, por isso não me importo em morrer desde que vocês sobrevivam – ele me fitou por um instante e depois voltou a atirar nos caminhantes que se aproximavam. – Sarah, corra!
Relutante, olhei para trás duas vezes antes de entrar no rio para contornar a manada. Quando meus pés tocaram aquelas águas gélidas, senti um enorme arrepio, mas prossegui. Atrás de mim, os tiros e gemidos prosseguiam, e eu deixava a minha família para trás.
Continuei correndo por muito tempo, e o silêncio começou a invadir a floresta. Estava completamente sozinha com Grace, que começava a acordar. Eu simplesmente não sabia o que fazer, não dava para correr eternamente, mesmo assim, prossegui. Tinha esperança de encontrar ajuda, um lugar seguro ou, na melhor das hipóteses, me juntar ao grupo novamente.
Eu estava perdida, longe de tudo. Rick e os outros haviam ficado lá, cercados. Torcia com todas as minhas forças para que eles ficassem bem. Ainda me sentia um pouco mal por tê-los deixado, mas era a única coisa que eu poderia fazer por Grace, ela merecia e precisava de uma chance. Eu faria qualquer sacrifício por ela, minha filha só precisava sobreviver e tudo estaria bem. Mas, naquele momento, só éramos ela e eu. E se minha garotinha crescesse sem um pai?
Perdida em pensamentos e com os olhos marejados, não notei e nem vi quando me aproximei da raiz de uma árvore e tropecei nela. Antes de cair no chão, girei meu corpo para não machucar Grace.
Tentei me levantar novamente, mas sentia uma enorme dor na coluna e o máximo que consegui foi ficar de joelhos. Observei Grace por alguns segundos, ela esboçou um pequeno sorriso e depois tornou a fechar seus olhos sonolentos. As lágrimas voltaram, eu estava desesperada. Se não podia nem me proteger, como deixaria minha filha segura?
De repente, ouvi o som de passos vindo em minha direção. Fechei os olhos e abaixei a cabeça, me sentindo completamente indefesa e impotente. Porém, os passos pararam perto de mim e achei aquilo estranho. Abri os olhos e levantei o olhar lentamente para ver o que acontecera.
Na minha frente se encontravam três pessoas, e observei o trio com atenção. O primeiro homem era alto, forte, tinha ombros largos, a pele clara, olhos azuis, cabelos ruivos com um corte militar e tinha um bigode em forma de ferradura. O outro, atrás dele, possuía cabelos negros que quase alcançavam os ombros, o rosto largo e olhos claros. A mulher do outro lado tinha cabelos negros abaixo dos ombros, olhos escuros, usava brincos de argolas, luvas, shorts curtos, a blusa era amarrada, deixando sua barriga de fora e possuía aparência latina.
O ruivo apontava uma metralhadora para mim, o que me deixou bastante assustada. Abracei Grace com mais força e lancei-lhes um olhar de súplica.
– Você está sozinha? – ele perguntou abaixando a arma ao notar que eu não representava uma ameaça. Aquilo doeu em mim, mas era verdade, eu estava sozinha. Meus olhos voltaram a se encher de lágrimas e eu não consegui responder, apenas abaixei o olhar. – Você não confia em nós. Eu sou o Sargento Abraham Ford, esta aqui é Rosita Espinosa – a mulher tirou a mão da cintura e fez um pequeno aceno – e ele é Eugene Porter – ele assentiu com um movimento de cabeça.
– Eu... – comecei a dizer, mas parei e continuei os observando. Antes que pudesse prosseguir, outra pessoa voltou a falar.
– Que merda é essa? Por que saíram do acampamento? – outro homem começou a se aproximar.
– Ouvimos passos e viemos verificar – Eugene respondeu se voltando para trás enquanto duas pessoas se aproximaram.
– Daryl! Olhe o que está dizendo! – reconheci a voz de Gabriela, que andava atrás de Daryl. Imediatamente, um pequeno sorriso se formou em meu rosto. – Se meu filho falar que nem você, eu... Sarah?
– Gabriela! – foi a única coisa que consegui falar enquanto me levantava com dificuldade.
– Grace! – Carl apareceu correndo e eu entreguei minha filha, que finalmente acordara de verdade, a ele.
– Como vocês chegaram aqui? – perguntei abraçando Gabriela.
– É uma longa história... – no momento em que ela respondeu, Avery também se aproximou e entrou no abraço.
– Mas você está bem? – olhei para a barriga de Gabriela, e depois observei o pequeno grupo. – Todos vocês? Patrick?
– Ele... – Avery fitou o chão e não completou a frase, mas não precisava. Pela sua cara, eu já sabia o que havia acontecido. – Nós o perdemos...
– Onde está o resto do grupo? – Daryl perguntou.
– Espera, vocês têm um grupo? – Abraham parecia confuso.
– Sim, nós nos separamos quando fomos atacados – ele explicou.
– Uma manada nos encontrou e me mandaram correr – falei com a voz um olhar triste enquanto abaixava a cabeça.
– Precisamos ajudá-los! Estão no ponto de encontro? – eu assenti enquanto Carl me entregava Grace já agitada, e corria na frente dos outros, já com sua arma em mãos.
Todos o seguimos ao lado do rio. Eu tinha medo do que poderia encontrar lá, mas ainda tinha esperança de que todos estivessem bem. Depois de alguns minutos correndo, avistei a árvore tombada e, mais à frente, o grupo. A situação continuava crítica, e o número de errantes parecia ter dobrado devido ao som dos tiros. Alguns haviam trocado as armas por facas, provavelmente estavam sem munição.
Antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, Abraham levantou a metralhadora e fez alguns disparos para cima, com o intuito de chamar a atenção.
– Abaixem! – ele gritou e todos o observaram antes de obedecer.
O ruivo começou a atirar contra a horda, derrubando vários de uma vez. Rosita se juntou a ele com disparos precisos de pistola. Logo Carl fez o mesmo e Daryl seguiu com sua besta. Em pouco tempo, estavam todos no chão. A grande manada que parecia imbatível fora dizimada em pouco mais de um minuto graças à ajuda do grupo de Abraham.
Todos se cumprimentaram demoradamente, eu fui até Rick e o abracei com força, como se não nos víssemos havia anos, e fechei os olhos para apenas aproveitar o fato de estarmos juntos. Carl se juntou a nós e permanecemos daquele jeito por algum tempo.
– Vocês nos salvaram – Rick disse se aproximando do trio. – E reuniram a minha família novamente. Quem são vocês?
– Sou o Sargento Abraham Ford...
– Rosita Espinosa, e ele é Eugene Porter – Rosita continuou, ela parecia estar cansada de ser apresentada.
– Nós estávamos indo para Washington há um tempo. Tinham rumores de uma possível cura – Abraham lançou um olhar sugestivo para Eugene, como se aquilo fosse uma indireta –, mas era tudo mentira, e desde então estamos apenas andando por aí e sobrevivendo.
– Tem algo que possamos fazer por vocês? – Rick questionou.
– Eu adoraria se pudéssemos nos juntar ao seu grupo. Acredito que quanto maior o número, maiores são as chances de sobrevivência.
– Atualmente, estamos procurando um novo lugar para nos fixarmos. Se quiserem nos acompanhar...
– Nós aceitamos! – Rosita respondeu rapidamente no momento em que Abraham abria a boca para falar.
Juntamos tudo que havíamos trazido e começamos a nossa caminhada seguindo o curso do rio. Mesmo que pudesse parecer loucura, eu estava bastante otimista quanto à nossa jornada. Estávamos reunidos, e mais fortes do que antes, apesar da perda de Patrick. Mas, no final, o apocalipse era assim: perdíamos pessoas, encontrávamos outras e seguíamos em frente, sempre seguimos. A esperança sempre fora a última a morrer, e, naquele momento, a pequena faísca parecia aumentar.
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