Last Dance
1 End
Notas iniciais
Agora ela ficou melhor. E mais que isso minha capacidade de raciocínio limitado não permite [?]
[Last Dance]
Movimentos gentis. Leves como plumas.Quase carinhos, que seriam sempre lembrados. Cada giro, uma lembrança serena.
Os sorrisos, a alegria, confidências. Estava tudo ali, em cada passo gracioso, cada rodopio sutil continha sua parcela de felicidade. Ela se dividia no movimento galante dos pés, se mostrando para os ávidos observadores. Tinha ali sua glória final.
Mas naquele último momento, igualmente ao primeiro, nada além deles importava. Estavam sozinhos. Tudo que existia era aquilo que viam um nos olhos do outro.
Toques gentis. Se espalhavam pelo corpo tão conhecido com delicadeza. Os mesmo toques que já haviam sido tão ávidos e quase impossíveis de conter. Libidinosos, vorazes, indecentes até mesmo amáveis.
Cada noite quente, arfar baixo, gemido alucinado, provocados por aqueles mesmos dígitos. Ou até mesmo os mais inocentes carinhos. Os mais sinceros e amorosos desejos, exprimidos por aquelas mãos.
Estas que agora apenas se concentravam em tirar do corpo alheio o último resquício de calor ao qual tinham direito.
Movimentos gêmeos. Cada passo sincronizado uma memória de duas vidas que por tanto tempo foram uma só.
O caminhar lado a lado, o apoio nas quedas, o ombro do choro. Sempre ali, em todas as horas. Alegrias e dores vividas juntas, pelos mesmos pés que se encaminhavam para os últimos movimentos.
Ecoava pelo lugar o som dos derradeiros passos sincrônicos.
A música chegava ao fim. E as lágrimas já tinham rolado. Estavam secas e esquecidas em algum canto do vasto salão. Ficaram perdidas em algum acorde daquela melodia. Bem como o carinho dos toques e a alegria da sinfonia.
Os passos paravam, já sem dor. Por mais que lamentem, ambos sabem quais foram as suas notas em falso, a parte da melodia em que erraram. Talvez carreguem dor, ou rancor por elas, mas ao fingir que estavam corretas, quem sabe até já as tenham esquecido. Quem sabe nunca o façam.
As mãos se soltam. E a verdade é que sempre há receio. Quem sabe como será a próxima melodia?
Um cumprimento gentil, que parece tão vazio. Que não demonstra nada daquela música intensa que acabaram de dançar.
Mas ela já terminou. E não importa o quanto o remorso corroa, por que os dois sabem...
Só há uma última dança.
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Notas finais
:*
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