Last Christmas.
1 Capitulo único.
Os flocos de neve caiam calmamente do lado de fora do Uber em que Sakura estava, ela estava presa no engarrafamento, mas ela não se importava com aquilo estava quase agradecendo pelo engarrafamento a atrasar.
Era quase um ritual ela e os amigos se reunirem dia 23 de dezembro para trocar presentes, mas agora, depois 10 anos desde o termino do ensino médio era raro eles conseguirem reunir todos.
Faculdade, emprego, alguns tinham até mesmo casado!
Ela tinha se formado em medicina com foco em cirurgia geral o que custou boa parte dos dez anos, mas que tinha lhe garantido naquele ano um emprego no hospital da cidade. Profissionalmente, ela podia dizer que tinha conseguido seu objetivo, o problema era que seu emocional não seguia da mesma forma.
Emocionalmente, ela estava empacada no mesmo ponto desde a adolescência.
Durante toda a vida você encontra várias pessoas e algumas delas fazem uma impressão tão forte, tanto positivamente quanto negativamente, que mesmo com os anos você simplesmente não consegue esquece-la.
Sasuke Uchiha era uma dessas pessoas para Sakura e não importava com quantas pessoas ela se relacionasse, ela sempre lembrava dele.
Ela não lembrava do momento certo em que começou a gostar dele, mas foi desde muito cedo.
Sasuke era o típico clichê colegial. Ele era bonito, popular, bom nos esportes, vinha de família rica, extremamente educado... Ele era como um príncipe encantado e sonho de consumo de todas as garotas e por isso Sakura nunca teve coragem de se declarar.
Quer dizer, não tinha até que em uma dessas reuniões de Natal em que e um ato idiota e encorajado por Tenten, ela fez um cartão se declarando porém sem assinar.
Queria ver a reação dele pra depois assumir a autoria da carta e a situação não poderia ter acabado pior.
Kankuro achou a carta entre os presentes e, muito bêbado, leu em voz alta pra todo mundo que estava na festa. Foi vergonhoso demais.
“— E eu pensando que essa idiotice tinha ficado no ensino médio, essas malucas ainda te perseguem?”
Aquilo acabou com o Natal dela, mesmo Sasuke tirando a carta da mão dele nada impediu que uma Ino, Chouji e Kiba muito bêbados se unissem a Kankuro para rirem. Sasuke não riu, ele nem chegou a ler a carta, só revirou os olhos e ignorou, mais tarde ela encontrou a carta perto da lixeira.
Sakura nunca agradeceu tanto por não ter assinado.
Depois que saiu dali, tudo virou um borrão e ela teve o maior PT da vida dela.
No ano seguinte, ela não apareceu por causa de um plantão, no ano seguinte Sasuke não apareceu e assim se seguiu, sempre que ele ia, ela tinha alguma coisa e vice-versa.
Só que naquele ano, os dois iriam e Sakura estava uma pilha de nervos.
Não tinha como ele saber que era ela, não é? Ela não tinha dado nenhuma pista além da maldita carta. Estava salva, mas isso não impediu o nervosismo a dominar assim que o carro estacionou na frente da casa.
Naruto a esperava na porta da frente com um sorriso enorme, correndo para abraça-la quando ela se aproximou.
— Finalmente! Achei que ia faltar mais uma vez! – não resistiu a alfinetada, seguindo para dentro da casa ainda abraçado com ela.
— Não foi culpa minha, uma criança inventou de enfiar um giz de cera no nariz. – ela revirou os olhos.
— E a super Sakura entrou em ação e salvou o dia. – Naruto beijou o topo da cabeça dela, a apertando mais no abraço. – Todos já chegaram e Chouji já começou a comer.
O loiro a levou até a sala, parando na soleira da porta.
— Olha só quem chegou! – gritou chamando atenção de todo mundo
Ela deu um sorriso sem graça sentindo seu rosto pegar fogo com todos a olhando.
Chouji estava sentado ao lado da mesa de comida pra não ter que levantar, com ele estavam Ino – tentando controlá-lo – Rock Lee, Kiba e Kankuro, perto da lareira estavam Shikamaru, sua mulher Temari e o cunhado, Gaara, no sofá estavam Sai, Hinata, Tenten e Neji.
Tenten e Neji tinham uma historia bem romântica na opinião de Sakura.
No colegial, Tenten era a única menina com quem Neji tinha amizade pois segundo ele, ela era única que tinha alguma coisa na cabeça e não ficava o tempo todo pensando em meninos.
Mal sabia ele que o único garoto que ela pensava era nele próprio.
No final do colegial eles se separaram porque Neji foi fazer faculdade em outro país, se encontrando apenas nas reuniões de final de ano quando ele voltava para passar as festas com a família porém com a distancia, de amigos viraram colegas e os dois seguiram a vida. Neji arranjou uma namorada francesa que o pai era desembargador e Tenten, um dono de uma loja de armas que cultivava umas plantas bem suspeitas, mas nenhum dos dois relacionamentos durou muito.
Hinata dizia que a francesa combinava até demais com a personalidade de Neji, praticamente uma copia e que o relacionamento deles mais parecia o de duas pedras de gelo, sem química nenhuma e que Neji nem parecia ter muita vontade de ficar perto dela.
O namoro de Tenten durou mais do que o do Neji – o que não é de grande mérito já que o dele só durou quatro meses – e ela chegou até a apresentá-lo a Neji, que odeia o ex dela até hoje, mas que depois desse encontro o namoro acabou.
A partir daí a relação deles foi mudando aos poucos, Tenten basicamente vivia no telefone rindo sozinha e mesmo no semestre final, Neji tentou vir mais vezes e passar mais tempo com ela. Depois de se formar e voltar para o país, eles não perderam mais tempo e assumiram na mesma semana o relacionamento.
Não foi choque para ninguém, mas Ino ficou bem chateada por não ter sido a primeira a saber.
— Sakura! – Rock Lee foi o primeiro a vir recebe-la e cirurgiã foi até a mesa começar a cumprimentar as pessoas.
Ver que Sasuke não estava ali foi um misto de alivio e desanimo.
Mesmo que ela não se sentisse verdadeiramente pronta para encará-lo depois do desastre da carta, ela queria vê-lo.
Como será que ele estava? Será que tudo que ele planejou tinha acontecido? Será que ele era feliz com na profissão que tinha escolhido que nem ela? Será que tinha arranjado alguém que conseguisse ultrapassar os muros da personalidade dele, alguém que o fizesse sorrir?
O sorriso que ela tinha enquanto ouvia as novidades no trabalho de Hinata congelou.
E se ele realmente tinha arranjado alguém? E se ele a trouxe? Será que ela estava preparada para ver Sasuke com alguém?
— Vou pegar alguma coisa para beber. – anunciou antes de levantar e ir até a cozinha.
Ela não estava realmente com muita sede, mas sabia que o álcool iria ajudar a se livrar daquela nova paranóia.
Abriu a geladeira e encarou os rótulos, sem pressa em decidir o que iria beber nisso ela ouviu os passos de outra pessoa.
— Pode me dizer onde fica o banheiro?
Ela franziu o cenho, não reconhecendo a voz feminina. Levantou o tronco e deu de cara com uma mulher da idade dela com cabelos negros e uma franja que deixava o rosto dela bem bonito. Para Sakura, ela parecia uma daquelas estrelas kpops.
A mente paranóica de Sakura agiu por conta própria inventando teorias de quem era aquela garota e de onde ela tinha surgido.
Seria ela a namorada que Sasuke iria apresentar aos amigos?
Argh, ela era tão bonita que dava raiva.
—Er... – apertou os olhos tentando se focar no presente para não descontar seu ciúme bobo na garota. – É seguindo o corredor, a primeira direita.
A garota sorriu.
— Obrigada, a propósito, sou Sook. – se apresentou.
— Sakura. – devolveu o sorriso.
Assim que a mulher deixou a cozinha, Sakura encostou o quadril no balcão passando a mão pelo cabelo, o jogando para trás.
Ela era uma mulher adulta, por Deus! Será que não tinha nenhum pouco de amor próprio? Era a hora de seguir em frente e ficar frente a frente com ele iria colocar um ponto final naquela paixonite.
Suspirou, melhorando a postura.
— Sakura? Tá fazendo o que aqui sozinha? – Ino apareceu na porta da cozinha.
— Vim pegar alguma coisa pra beber, mas não achei o vinho.
— É porque eu levei o frigobar lá pra sala. – Ino revirou os olhos e foi até a amiga, entrelaçando seu braço no dela a arrastando para a sala.
Voltando para a sala ela evitou ao máximo procurar Sasuke com os olhos, indo com Ino se servir de vinho. De longe, ela conseguiu ouvir a voz de Naruto voltando para sala, mas não deu muita atenção.
— Finalmente a ceia tá completar, vamos comer pessoal! – ele anunciou chamando atenção de todos.
A taça estava a meio caminho dos lábios dela quando ela notou que Naruto estava acompanhado.
Seus olhos se fixaram na figura morena e alta que podia facilmente ter saído da capa de uma revista, os anos tinham sido maravilhosos a Sasuke Uchiha.
Os traços que tinham a conquistado ainda estavam no rosto pálido, porém agora ele parecia bem mais másculo, os ombros mais largos e ela conseguia ver o final de uma tatuagem que ele no braço direito com certeza não tinha antes e que acompanhava os músculos dele.
Argh, não era possível! Ele tinha feito de propósito? O destino estava de brincadeira com ela só porque sabia que ela tinha um penhasco por homens tatuados?
Notar Sook vindo atrás dele foi como receber um soco na barriga.
Ela virou a taça de vinho, bebendo de uma vez só todo o conteúdo fechando os olhos com força enquanto sentia o caminho do líquido até seu estomago.
Quem estava no sofá começou a se levantar e ela não teve muita opção além de levantar também.
Ela se aproximou da mesa, se escondendo atrás das pessoas para que não acabasse encontrando o casal, notando depois de se sentar entre Gaara e Tenten que Sasuke tinha se sentado do outro lado da mesa ao lado de Sook e Naruto que estava na cabeceira da mesa.
Ela enrijeceu quando, em sua verificação para ver se estava longe o suficiente, pegou Sasuke a olhando fixamente de uma forma curiosa e isso a fez agradecer mais uma vez por ter colocado distancia entre eles.
Sua mente paranóica ainda precisava de um tempo para poder agir normalmente perto dele.
— Sakura? – ela desviou o olhar de Sasuke para o lado, dando sua atenção a Gaara. – Provavelmente você não vai lembrar, mas gostaria de agradecer mesmo assim por ter cuidado de um amigo meu há algumas semanas, talvez você lembre dele como o paciente que teve a torção no intestino.
Sakura piscou algumas vezes, levando alguns segundos para lembrar do nome e como tinha sido o caso.
— Oh! Lembro sim, como está a recuperação dele? – perguntou deixando seu lado médico aflorar.
— Reclamando um pouco por não poder comer nada da ceia de natal, mas bem. – Gaara repuxou um dos lados da boca em uma careta e os dois riram.
00 Espero que ele esteja respeitando mesmo porque naquela cirurgia tive que tirar um bom pedaço do interno dele que estava necrosada. – balançou a cabeça negativamente, ergueu uma mão sobre a mesa tentando alcançar o vinho mais próximo porém sem sucesso nenhum.
Percebendo a intenção dela, Gaara se adiantou pegando ele mesmo a garrafa, enchendo a taça dele e dela. Sakura agradeceu com um sorriso erguendo a taça para brindar com ele antes de tomar um gole, ela desviou o olhar para frente enquanto depositava a taça em cima da mesa e notou que Ino a olhava alarmada.
Franziu o cenho e sentiu sua canela ser chutada.
— Ai!
— Aconteceu alguma coisa? – Gaara perguntou preocupado.
— Não foi nada, é só o salto mesmo. – sorriu amarelo.
O ruivo uniu um pouco as sobrancelhas e olhou para aonde provavelmente estavam os pés dela se a toalha da mesa não estivesse tampando.
— Tira, ninguém vai conseguir ver mesmo. – chegou mais perto dela, ainda respeitando seu espaço pessoal. – Prometo não contar a ninguém.
Ela estava no meio da risada quando seu celular vibrar com uma nova mensagem.
“O que é esse clima entre vocês dois? Mais um pouco a estrela da mesa não vai ser peru e sim vocês dois se agarrando!”
Sakura revirou os olhos e lançou um olhar tedioso para Ino, nem se dando ao trabalho de responder.
A ceia continuou e Sakura fez seu melhor para fingir que Sasuke não estava ali, não arriscando nem mesmo olhar na direção dele.
No final da ceia, eles dividiram as tarefas e Sakura acabou ficando com Tenten para tirar as coisas da mesa e levá-las até a cozinha onde os outros iriam lavar e arrumar a comida que sobrou dentro da geladeira.
— Sakura? – Tenten a chamou chegando perto. – Você podia me ajudar em uma coisa?
— Claro, em que posso ajudar? – respondeu equilibrando um prato em cima do outro.
— Eu e o Neji estamos pensando em morar juntos, mas não sabemos muito por onde começar. – ela soltou com os ombros retraídos, passando insegurança. – Quer dizer, eu não sei por onde começar. – riu. – Se fosse pelo Neji, nós já teríamos contratado alguém, mas eu queria guardar o dinheiro pra comprar nossas coisinhas, sabe?
Sakura piscou algumas vezes enquanto sua mente parecia absorver o que a amiga tinha acabado de falar.
Eles iriam morar juntos!
Depois de tantas reviravoltas e desencontros, relacionamentos que só serviram pra adiar o encontro deles, os dois estavam dando mais esse passo.
— Eu... Parabéns! – largou os pratos e prendeu Tenten em um abraço desajeitado. – Não sabe o quão feliz eu fico por vocês dois. – a soltou do abraço, mas agarrou as mãos dela. – pode deixar que eu ajudo sim, quando eu estava procurando pelo meu, achei vários super bonitinhos, depois a gente marca um dia e... – a tagarelice dela foi interrompida pela risada de Tenten.
— Obrigada amiga, vamos sim. – apertou as mãos da amiga antes de soltá-las. – agora vou levar essa travessa antes que a Ino venha aqui brigar com a gente. – Tenten riu pegando a ultima travessa de comida para levar a cozinha.
Sakura esperou Tenten sumir no corredor para voltar ao que estava fazendo. Distraída, ela cantarolava em voz baixa uma canção de Natal que tinha ouvido no rádio enquanto vinha já estava quase terminando de recolher os pratos quando ouviu passos atrás de si.
— Ino disse que você precisava de ajuda.
Sakura se segurou, mas não conseguiu evitar o grito que acabou soltando com o susto. Sorte dela que não estava com nenhum prato na mão.
Aquela voz grossa só tinha ficado melhor com o tempo... Senhor, por que fazer isso com a pobre alma? Sakura apertou os olhos, se apoiando em uma cadeira sem ter certeza se conseguia ter firmeza nas pernas.
— Desculpe, não tinha intenção de assustá-la.
Mesmo de costas ela pode sentir a presença dele se aproximando. Respirou fundo e ajeitou a postura, se aquele era o momento de encará-lo ela faria seu melhor.
— Eu estava distraída, não foi sua culpa. – ela riu nervosa ainda mantendo o olhar baixo sem querer encará-lo. – Não falta muita coisa, só pegar aqueles dois e levar pra cozinha.
Ela não ouviu uma resposta de Sasuke e viu pelo canto do olho a movimentação dele para terminar o serviço. Ótimo, quando mais rápido terminassem o serviço, menos tempo teria na presença dele.
— Sakura? – o chamado dele a fez congelar.
— Hn?
Sasuke ainda levou um tempinho para continuar.
— Aconteceu alguma coisa?
A pergunta dele a fez erguer o olhar em confusão, o que foi uma péssima ideia. Manter a indiferença o olhando nos olhos era difícil demais, era demais para o seu pobre coração adolescente apaixonado.
— Não... – estalou a língua no céu da boca, desviando o olhar de volta para os pratos. – Por quê?
— Pra começar, você mal consegue me olhar nos olhos. – ela sentiu suas bochechas corarem, o que a fez virar o rosto. – Eu fiz alguma coisa?
Uma parte dela queria gritar que sim, ele tinha feito algo, que na verdade, a culpa era toda dele, mas ela sabia que não era.
Ela tinha alimentado aquela paixonite, ela que tinha idealizado os dois junto, ela que tinha feito expectativas. Sasuke não tinha feito nada e já tinha até seguido em frente com aquela Sook.
— Não. – ela balançou a cabeça negativamente. – Você não fez nada.
— Tem certeza? – Sakura ficou tensa ao ouvir a voz dele muito mais perto do que pensava.
Ela respirou fundo e virou na direção dele, ficando surpresa o quão próximo Sasuke estava, mais um pouco e ela poderia sentir a respiração dele em seu rosto.
— Está tudo bem? – perguntou olhando nos olhos dela.
Sakura não conseguia dizer nada, então balançou a cabeça positivamente o que o fez unir levemente as sobrancelhas e ela teve certeza que ele duvidava da resposta dela.
— Vamos levar essas coisas pra cozinha. – disse tentando evitar aquele clima estranho, sorriu com o máximo de naturalidade que conseguia no momento.
Pegou a quantidade de pratos que conseguia nos braços e ameaçou sair andando, mas Sasuke segurou seu braço delicadamente. O toque dele a fez se sobressaltar, Sasuke se afastou.
— É bom te ver depois de tanto tempo. – o sorriso fraco dele fez a pernas dela tremerem.
— É sim. – ela sorriu também mesmo com o coração doendo e então se desvencilhou indo para a cozinha.
Sasuke também veio atrás dela com o restante dos pratos.
O que surpreendeu quando chegou na cozinha não foi nem a bagunça que seus amigos faziam, mas sim como Sai e a namorada de Sasuke pareciam próximos.
Sakura arregalou os olhos, desviando o olhar para Sasuke, mas ele parecia bem. Será que só ela tinha percebido? Bem, se ele não ligava, ela que não iria.
Depois de tudo ajeitado, eles terminaram com todas as garrafas de vinho ficando um tanto quanto altos e sorridentes demais. Aos poucos eles foram se despedindo.
— Acho que também já vou. – Sakura disse depois de Tenten e Neji levarem um Rock Lee muito mal pra casa.
— Ah... Sakura, fica mais um pouco. – Naruto pediu manhoso.
— Não posso, tenho que descansar porque pego no hospital amanhã de tarde. – explicou triste largando a taça na mesinha de centro.
Ela se despediu de todos, até mesmo de Sasuke. O vinho tinha ajudado bastante e agora ela conseguia não se apavorar toda vez que olhava pra ele.
Pediu o Uber e foi esperar do lado da fora da casa.
— Sakura? Está esperando o uber?
Ela suspirou apertando os lábios antes de abrir um pequeno sorriso.
— É, ele está há uns 10 minutos daqui. – fez uma careta esfregando as mãos tentando esquentá-las.
Sasuke assentiu balançando o corpo pra frente e para trás.
— Se quiser posso te levar até em casa, estou tomando antibióticos então não bebi nada.
— Eu... – tentou pensar em qualquer desculpa descente para não se enfiar em um carro com o homem que a fazia ter taquicardia.
— Pensando em uma forma educada de dizer não?
Ela sentiu seu rosto queimar de vergonha.
— Eu ia falar que a sua namorada ia ficar sozinha aqui.
Sasuke uniu as sobrancelhas em confusão.
— Minha namorada?
— Sook. – rebateu.
— Sook não é minha namorada.
Sakura arregalou os olhos.
Ela... Não era?
Sasuke riu.
— Sook é uma colega de trabalho que o Naruto queria apresentar ao Sai.
E então a cena que ela viu na cozinha fez sentido. Ela não era namorada do Sasuke, ela e o Sai...
— Okay, estou me sentindo bem idiota agora. – Sakura admitiu rindo e fazendo Sasuke rir.
— E então, vai aceitar minha carona? – Sasuke perguntou rodando a chave do carro. Em um dedo.
Nenhum outro argumento passou pela cabeça dela então Sakura o seguiu até um carro preto estacionado do outro lado da rua. Esperou ele destravar e entrou ainda achando aquilo uma péssima ideia.
Por que tinha concordado com aquilo? Não importava se ele não estava namorando com Sook, Sakura agora estava presa sozinha no carro do homem que tinha um paixonite estúpida.
Ele ligou o aquecedor e o rádio.
— Meu apartamento fica perto de lá. – ele disse depois que Sakura disse seu endereço.
Ela deu um sorriso nervoso. Ótimo, agora ela ia ficar paranóica sempre que saísse de casa.
— Eu não sabia.
— Eu... – ele soltou uma pequena risada a olhando ela pelo canto do olho, uma mão no volante e a outra trocou a marcha pra depois descansar na coxa. – Eu não viajo mais tanto assim, vou ficar um bom tempo por aqui.
— Ah... – ela assentiu olhando pela janela.
— E como está o hospital? Fiquei sabendo que se estabilizou no hospital.
Ela desviou o olhar para ele surpresa por ele saber daquilo.
— É, eu consegui. – sorriu orgulhosa. – A rotina é puxada e a qualquer momento eles podem me ligar, mas eu amo aquela correria.
Sasuke sorriu de lado alternando seu olhar entre a estrada e ela, o que fez a rosada se encolher no banco, sem graça por ser o centro da atenção da conversa e os dois ficaram em silêncio.
A viagem não demorou muito, mas teria passado mais rápido para ela se eles não tivessem passado a viagem toda em silêncio.
— Ér, foi legal ter todo mundo junto de novo. – ela disse dando um pequeno sorriso já com a mão na porta para sair.
— O que aconteceu, Sakura? – ele perguntou de repente, a pegando de surpresa.
— Como assim? – devolveu a pergunta com outra pergunta.
— Porque nada me tira da cabeça que você esteve me evitando não só hoje, mas durante esses anos. – despejou as palavras sem olhá-la.
A súbita acusação de Sasuke fez a garota olhá-lo em choque, ela engoliu seco apertando as mãos umas contra as outras.
— Sasuke...
Ele desviou o olhar para ela e a intensidade com que ele a olhava a pegou de surpresa.
— É por causa da carta?
Ela arregalou os olhos sentindo seu corpo hiper ventilar com um calor absurdo, ao mesmo tempo parecia que todo seu sangue tinha sido drenado.
Não, não era possível. Ela não tinha assinado a carta e fazia tanto tempo! Não era possível ele lembrar.
Ela precisava sair daquele carro, correndo.
— Que... – engoliu seco. – Que carta?
Sasuke a olhou, mostrando que aquela tentativa de se fazer de desentendida não tinha funcionado. Ela virou o rosto para a janela, os lábios apertados um contra os outros.
Sakura estava com raiva dele.
— Você sabia que tinha sido eu? – sua voz era fria, sem emoção.
— Eu li a carta depois do show que o Kankuro deu... – Sakura bufou revirando os olhos, reviver aquela tragédia na frente dele era humilhante demais. – Muitas coisas ali só você saberia.
Ela se remexeu no banco ficando muito desconfortável de estar ali, naquela situação.
Queria fugir, queria entrar logo e voltar a fugir de qualquer encontro que ela poderia ter com Sasuke ou que fosse relacionado aquela maldita carta. Nunca deveria ter ido naquele jantar, nem inventado de tentar ser corajosa e fingir que a presença dele não a afetava.
Se isso significava que ela era covarde, que fosse! Aquela situação não era saudável pra ela e não importava com a opinião dos outros, a saúde mental dela tinha que vir em primeiro lugar.
— Sakura...
— O que quer que eu fale? Quer que eu admita que fui eu? Pronto, fui eu, eu escrevia a porra daquela carta! – seu tom de voz foi aumentando conforme falava, chegando ao ponto de gritar no final e vendo que tinha se exaltado, Sakura respirou fundo tentando ficar calma. – Aquela carta foi uma perda de tempo que só serviu para rirem. – cuspiu as palavras amarguradas.
Ela colocou a mão na maçaneta, abrindo a porta se preparando para correr dali o mais rápido que podia.
— E então você seguiu em frente com o Gaara sem nem ouvir minha resposta?
Sakura parou o que estava fazendo depois de ouvir aquilo, se virou para encará-lo, mas Sasuke olhava para sua janela.
— O que?
— Eu vi vocês dois no jantar. – Sasuke se remexeu no assento, batucando os dedos na no volante.
— Eu e Gaara não temos nada, ele estava perguntando sobre um paciente que eu tratei e que amigo dele. – explicou mesmo sabendo que seria melhor se ele pensasse que ela já tinha seguido em frente.
Sasuke uniu as sobrancelhas antes de relaxar, mas Sakura não estava mais disposta em continuar ali.
— Feliz Natal, Sasuke. – desejou antes de mais uma vez tentar sair do carro, dessa vez não foram palavras que a pararam, mas sim a mão de Sasuke em seu braço.
— Por que sempre foge antes de ouvir minha resposta?
— Porque eu já sei sua resposta, sempre soube, o que eu quero é manter o resto de dignidade que eu tenho.
Ele balançou a cabeça negativamente e, quando Sakura fez força para soltar o braço, ele a impediu, a puxando para si porém parando antes que suas bocas se encontrarem.
— Aqui está a minha resposta, uma que esperou anos.
Sakura uniu as sobrancelhas completamente sem reação ficando ainda mais sem chão quando Sasuke a beijou.
Sem pressa, os dois conheceram a boca um do outro, seguindo seu próximo ritmo, tentando seus limites. Tentando aprender tudo que foi perdido naquele tempo desperdiçado pelo medo.
— Em um Natal, você me deu seu coração... – as palavras sussurradas iam de encontro com o rosto dela. – Nesse Natal, eu lhe dou o meu.
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