Last Chance
15 Capítulo 14
Notas iniciais
—Essa não papai. — Aurora reclamou cruzando os braços.
—Você sempre usa fantasia de princesa. — Edward colocou o vestido em cima da cama e ajoelhou para poder conversar com a filha. — Você é uma princesa.
—Não. Quero outra. — Edward riu, a filha tinha um gênio bem difícil e quando colocava algo na cabeça era difícil convencê-la a mudar de ideia.
—Certo, então. – Ele olhou em volta tentando pensar em um plano B. — Qual vai ser a sua fantasia?
—Supergirl. — Levantou levando as mãos a cintura.
—Como a senhorita desejar. — A ergueu e ela esticou os braços enquanto ele a fazia “voar” pelo quarto. — É assim que ela faz? — Perguntou a mantendo firme na horizontal.
—Mais rápido papai. — Pediu rindo e Edward a colocou de volta na cama.
—É melhor pararmos antes que você coloque o jantar todo para fora. Seria bem nojento e teria que limpar tudo e não poderíamos sair para pedir doces. — Explicou e ela desfez a cara emburrada.
—Tá bom. E a minha fantasia? — Exigiu pulando na cama e Edward levou a mão ao queixo. Onde ele encontraria uma fantasia aquela hora? As lojas de fantasias já deveriam estar fechadas e mesmo que estivessem abertas, não haveria muitas opções, as melhores já foram compradas.
—Vamos ter que improvisar, querida. — Avisou abrindo a cômoda. — Temos uma saia vermelha e uma blusa azul. — Pegou as duas peças e Aurora comemorou. Procurou mais um pouco e achou um cinto amarelo, ele poderia usar alguns clips para o manter no lugar
—Agora a capa e a bota.
—Vamos usar as suas galochas vermelhas e pegar uma toalha, o que acha?
—Vai ficar legal, papai. Agora o S. — No próximo ano, ele perguntaria antes qual fantasia a filha gostaria de usar.
—Vou te vestir rapidinho e depois dar um jeito no símbolo. — Depositou um beijo nos cabelos dela e seguiu até o quartinho onde Aurora utilizava para brincar e desenhar. Eles tinham papel cartolina, não era o ideal, mas para um improviso, ficaria bom. Fez alguns traços rápidos, não era um bom desenhista, mas admirou o trabalho e sorriu satisfeito. Pegou fita e colocou o símbolo na blusa da filha e amarrou a toalha de mesa em volta dos ombros dela. — O que achou? — O importante era a filha gostar e ela pareceu aprovar, já que correu pela sala testando a capa.
—Gostei. Obrigada papai. — Ela se jogou nos braços dele o abraçando apertado. — E a sua papai? — Edward bateu na própria testa se lembrando de que deveria ter arrumado uma fantasia para ele também.
—Só um minuto. — Eles já estavam atrasados, então precisaria ser bem rápido. Foi até o quarto e revirou até encontrar o jaleco e estetoscópio de Bella. Pegou também uma maleta e revirou os olhos ao se olhar no espelho. — No próximo Halloween se organize melhor Cullen. — Respirou fundo e foi até a filha que o esperava impaciente. — Quem está pronta para pedir doces?
—Eu. — Aurora gritou rodopiando a toalha/capa.
—Então vamos lá minha Supergirl. — Pegou a filha no colo e os dois saíram cantando.
[...]
Seria o segundo Haloween de Aurora e Edward queria que tudo fosse perfeito. Combinou de pegar doces com Emmett e Rosalie. O amigo era o mais empolgado dos quatro e contava os dias para sair e pedir doces pela vizinhança. Edward foi alertado pelas mulheres a deixar tudo pronto e comprar a fantasia com bastante antecedência, mas ele disse que não precisam se preocupar, que a filha usaria a fantasia do ano anterior e a que usou na festa de aniversário de uma amiguinha do parquinho. Bem, da próxima vez, ela escutaria a sabedoria delas.
—Quanta demora. — Emmett resmungou e fez uma careta ao ver a fantasia deles.
—Tio! — Aurora esticou os braços e ele a pegou no colo.
—Oi lindinha. Você é a Supergirl?
—Sim. Olha só. — Apontou para o símbolo que estava bem torto já.
—Dá para perceber que nossas fantasias estão improvisadas?
—Ah não. Estão… — Rosalie não sabia o que dizer. — O que aconteceu com a fantasia de princesa?
—Parece que alguém aqui já desenvolveu gosto e vontade própria e não quis usar da fantasia de princesa.
—Será de quem que veio isso, hein? — Emmett perguntou provocando o amigo. Ele estava fantasiado de Hulk e a fantasia de Aurora já exibia algumas manchas verdes.
—Da mãe dela, é claro. Dá para não sujá-la de tinta? Não é você quem vai lavar as roupas dela. — Reclamou tentando pegar a filha de volta, mas Emmett a ergueu e a colocou sentada no ombro dele.
—Deixa de ser chato, crianças precisam de diversão. — Retrucou partindo em direção a uma casa. — E ela puxou esse gênio de você. — Acusou saindo correndo e fazendo Aurora soltar gritinhos de empolgação.
—Ele está certo. A Bella sempre aceitava, sem reclamar, as minhas sugestões de vestuário. — Ela usava uma fantasia da mulher maravilha.
—Alguma novidade? — Os dois caminharam lado a lado enquanto Emmett e Aurora batiam de porta em porta.
—Tudo na mesma, mas ela vai sair dessa. Temos que manter a fé.
—É tão difícil, Rosalie. Andei fazendo algumas pesquisas e a cada dia que passa as chances dela diminuem e…- Ela colocou a mão no ombro dele o parando.
—Pare com essas pesquisas. Cada caso é de um jeito e Bella vai acordar, talvez seja hoje, amanhã, daqui um ano, mas ela vai acordar.
—Enquanto isso o que eu faço? — Passou as mãos no cabelo e Rosalie deu um passo atrás.
—Está querendo se livrar da Aurora?
—O quê? Claro que não. — Ele estava ofendido com a insinuação dela. — Eu amo a minha filha e jamais me afastarei dela. Eu só sinto que estou sendo um péssimo pai, ela precisa da mãe. A Bella teria feito uma fantasia melhor. — Chutou uma pedrinha.
—Acha que é um péssimo pai só por causa disso? Olhe para ela. — Apontou para a sobrinha que segurava com firmeza a cestinha de doces. Ela exibia um sorriso enorme que fez os dois suspirarem. — Ela é saudável e feliz. Você tem feito um excelente trabalho. Não tem como ser perfeito e ainda vai cometer vários e vários erros, mas vai aprender com eles e dar o seu melhor. Você é um excelente pai, Edward. Até a Bella acordar, você vai continuar a fazer o que já está fazendo e depois, ela vai te ajudar. Sabe que sempre pode contar comigo.
—Obrigado, Rosalie. Você é uma grande amiga.
—Eu sei disso. — Empinou o queixo e marchou até o namorado que estava numa discussão acalorada com três crianças.
—Vazem daqui, chegamos primeiro. — Emmett mantinha Aurora em segurança em seus braços.
—Você já é grande, não precisa de doces. — Um dos meninos argumentou.
—É, e ela é um bebê, não pode comer doces.
—E vocês são chatos. — Mostrou a língua para eles.
—Não pode tio Emm. — Ela o repreendeu por xingar os meninos.
—Viu? Até a sua sobrinha tem mais juízo do que você. — Edward pegou um pouco de doce da cesta da filha e distribuiu entre os garotos. — Agora deem o fora daqui. — Os enxotou de lá.
—Eram nossos doces, cara.
—Querido, você sabe que estamos aqui pela Aurora e não por você, não sabe? – Falou com paciência.
—Foi o que eu disse. Eram os doces da Joaninha.
—Não tem problema, tio Emm. Temos que dividi com os amigos. — Ela explicou colocando a mão no rosto dele.
—Viu como você é um ótimo pai? — Rosalie cutucou Edward e ele sorriu. — Acho que deveria de voltar a conversar com a Bella.
Edward ia quase todos dias ao hospital, mas já fazia algumas semanas que ele não ia até lá.
—É perda de tempo. Ela não está escutando mesmo. — Deu de ombros.
—Mas você está falando e isso faz bem a você. E não é confirmado se a pessoa em coma pode ou não ouvir. Temos que manter a esperança, por nós e por ela.
—Vou pensar. — Resmungou e pegou a filha. — Vamos lá Supergirl. — Fez cócegas nela e se agarrou a ele.
—Te amo papai.
—Eu também te amo e ano que vem vamos ter as melhores fantasias de todos os tempos. — Prometeu e ela deitou a cabeça no ombro dele, já estava com sono, mas ele aproveitaria e pegariam o máximo de doces possível até que ela pegasse no sono por completo.
[...]
—Ei, Bella adormecida, é hora de acordar. — Edward a cutucou de leve e ela resmungou cobrindo a cabeça. — Levanta. — A cutucou de novo, ele estava muito empolgado e não pararia até que ela levantasse da cama.
—Eu quero dormir. — Reclamou virando de lado.
—Você dorme depois. — Edward protestou ficando por cima dela.
—Foi o que você disse ontem, e no outro dia e outro também. — Ela não estava realmente reclamando pela falta de sono. As atividades eram muito bem vindas e ela poderia descansar depois.
—E vou continuar dizendo. Depois você dorme, temos que aproveitar o momento e eu tenho uma surpresa. — Com a declaração ela despertou na hora.
—Surpresa? — Os olhos dela brilharam e ele não resistiu e a beijou.
—Já disse que você é linda?
—Até parece. Com essa cara toda amassada e cabelo despenteado. — Ele passou os dedos pelo cabelo dela.
—Gosto do cheiro do seu cabelo e do seu cheiro. — Deu uma fungada no pescoço dela e ela soltou um gritinho.
—Você disse que tinha uma surpresa. — O lembro e ele afastou um pouco, ou nunca sairiam daquela cama.
—Ah, sim. Vamos fazer um passeio de barco e mergulhar. Já planejei tudo e fiz a reserva. — Bella começou a rir e ele a olhou, confuso. — Não esperava esse tipo de reação. O que tem de tão engraçado na minha surpresa?
—O que aconteceu com o: nada de planejamentos, Bella. Esqueça as reservas, Bella. — Tentou imitar a voz dele.
—Ei, eu não falo assim. — Começou a fazer cócegas nela.
—Para com isso. — Reclamou se contorcendo debaixo dele.
—Pode gritar o quanto quiser, você vai ser punida. — Atacou os pés dela e Bella não sabia se ria ou se gritava.
—Edward, para, eu não aguento. — Ele a obedeceu.
—Só vou parar porque se você continuar se contorcendo assim, não sairemos daqui nunca mais. E eu me esforcei bastante para conseguir um barco seguro.
—Tão fofo você sendo tão eu. — Ela gargalhou e ele se segurou para não a atacar com mais cócegas. — Amei a sua surpresa. — Sentou na cama e segurou o rosto dele entre as mãos. — Obrigada por ser tão atencioso.
—Ninguém nunca me chamou de fofo e atencioso.
—As pessoas devem ser cegas ou não conseguiram ver o verdadeiro você.
—Verdadeiro eu? — Ela não o conhecia de verdade ou já teria saído correndo.
—Você só finge que é mau e que não se importa, mas a verdade é que você é uma boa pessoa e desde que chegamos aqui tem sido super atencioso e tem cuidado de mim.
—É o mínimo que posso fazer. — Deu de ombros como se não fosse nada demais, mas ela estava certa, ele cuidava dela e fazia de tudo para agradá-la.
—Você poderia me ignorar e curtir a viagem sozinho. Não combinamos de ficarmos juntos.
—Então vamos combinar agora. — A ajudou a levar da cama. — Enquanto estivermos aqui você não pode me trocar por nenhum grego bonitão.
—E você não pode me trocar por nenhuma dessas bonitonas por aí.
—Fechado. — Os dois trocaram um aperto de mão. — Agora podemos ir? Temos horário para chegar lá. — Ele tirou um bloquinho de notas do bolso. — Anotei aqui. Temos todo um itinerário.
—Que homem mais organizado. — Ela provocou saindo correndo. — Me dê dez minutos e encontro você lá embaixo. — Gritou de dentro do banheiro.
—Não se atrase. — Gritou de volta e sorriu. — Ah, Bella. — Seria difícil depois que eles se separassem, ela tornava a vida dele mais fácil e leve.
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