Last Breath

7 Capítulo 7.


Notas iniciais
Ei, meus amores, aqui estou, quase no limite de tempo para postar. Bom, eu quero agradecer a todos que de algum modo estão acompanhando essa história, vocês são a luz que guia meu caminho e blablabla. Bom, eu não quero falar nada que estrague a surpresa. Boa leitura.

A ida até o cemitério era uma das coisas que mais entristecia Lily, ela nunca gostou de pensar que o último descanso de alguém seria embaixo da terra pela eternidade, ela ia sempre visitar o túmulo da pequena Genevive para se sentir mais leve, como se a morte dela pesasse em seus ombros. E pesava. Todos os dias.

Ginny encarou sua filha com carinho durante todo o caminho de volta. Preferia não falar nada, mas sorria incessantemente para a filha. Ela era uma garota incrivelmente bonita, e inteligente, por mais que tentasse errar o máximo de questões nas provas. Ginny sabia muito sobre Lily, sabia mais do que a filha iria admitir, ela conhecia sua filha até as entranhas.

— Você vai sair com o Hugo hoje? – a mais velha perguntou, dirigindo grande parte da sua atenção ao transito caótico de fim de tarde.

— Acho que sim, ele não falou nada ainda. – Lily respondeu olhando o celular como se esperasse uma noticia importante.

— Fico feliz que você esteja se divertindo com seu primo, ele te faz bem. – Os olhos de Lily se levantaram lentamente e ela encarou o sorriso de sua mãe, ela não olhava para Lily, mas para a rua.

— Ele faz mesmo, sempre fez. – respondeu apenas, chocada como aquelas palavras saiam com facilidade da sua boca – Todos fazem, eu que nunca soube aproveitar o tempo em família.

Ginny parou o carro bruscamente e com uma cara chocada pegou o celular e colocou no ouvido. – Socorro, policia, acho que minha filha foi abduzida, estou com o clone dela, não sei o que faço. – ela disse fingindo o choro.

— Para, mãe. – LL revirou os olhos, e vendo o sorriso de sua mãe ela ergueu a sobrancelha direita a encarando.

— Chegamos.

Lily subiu rapidamente para seu quarto e encarou o caderninho, olhou todas as anotações de Sam e todas as suas anotações, e se perguntou se ela estava mesmo indo na mesma direção que seu desconhecido amigo ia. Talvez antes da volta de Hugo, sim, naquela época a ruiva andava direto naquela direção sem nem ao menos olhar para tudo que tinha ao redor, mas agora, ela pensando em tudo que poderia perder se seguisse aquele caminho.

Respirou fundo, sentiu o ar entrando e preenchendo seus pulmões, sentia o cheiro da vida, que contrastava diretamente com o cheiro da podridão da morte que ela sempre sentia quando ia ao cemitério. Ela pegou o livro que tinha emprestado da biblioteca, Ulisses de James Joyce, LL tinha uma enorme paixão pelos clássicos do modernismo inglês. Era o maior livro que ela já tinha pego, e queria aproveitá-lo, até que Hugo avisasse que poderiam sair.

Ela se posicionou de uma maneira confortável no chão duro do seu quarto. Era assim que gostava de ficar para ler, no chão com as pernas erguidas contra a parede, era relaxante na medida certa e confortável até demais. Ela estava se divertindo como nunca com aquele livro, com tudo que era preciso decifrar, e nem percebeu quando o celular vibrou. Quatro vezes.

Só quando a porta se abriu que ela se deu conta de como o tempo tinha passado. Um Hugo irritado parou no vão da porta, os olhos azuis quase fechados, as sobrancelhas frisadas, e as mãos na cintura. – Tem celular para bonito, ou o que? – sua voz estava um oitavo acima do normal.

— Deve ser para tirar selfies. – Lily ironizou, ela não tirava selfies, e não tirava fotos em geral.

— Pode ser só pra isso, Lilian Luna. Fiquei duas horas te esperando no nosso ponto de encontro e nada da senhorita aparecer. – a ruiva só conseguia pensar em como ele estava agindo como uma namorada ciumenta. – Você estava com outro, não é?

Dez. – Lily pensou, esse era o número de vezes que Hugo havia agido dessa forma com ela nos últimos dias.

— Para de agir assim, cara. E o que tem se eu estivesse com outro? – Lily perguntou estressada.

— Eu só achei que tínhamos planos para hoje.

— E temos, só me distrai.

— Ainda devora livros? – ele perguntou finalmente olhando para a mão da prima.

— Eu não devoro, só leio. – defesa era a arma mais utilizada por Lily. – Como pessoas normais, acho que não seria muito legal comer livros.

— Vamos então? – Hugo perguntou apontando para a mala. Não ia contar que seu pai havia comprado as tintas e que a parede que eles iam pichar na verdade eram dos avós de Hugo, se ele contasse que tudo já estava certo para ele fazer isso sem se dar mal, Lilian ia matar ele, antes que o câncer o fizesse.

— Você conseguiu tudo? – Lily perguntou animada enquanto encarava o primo animadamente.

— Uhum. E até sei o lugar perfeito para o nosso desenho. – Hugo disse com um sorriso enorme nos lábios. Eles foram para os subúrbios, e Lily já tinha o desenho perfeito em sua mão, ela havia feito na aula e falado com Hugo sobre fazer isso.

— Meu desenho. – ela disse possessiva trocando de camisa bem na frente do garoto. Ela não fez por mal, ela só não sabia do efeito que causava nele, ele tentou evitar olhar para os seios dela naquele sutiã vermelho, a pele pálida contrastando contra tanta cor, mas não conseguia. Principalmente com a prima andando pelo quarto todo daquela maneira.

— Acho que vou esperar lá fora. – as palavras saíram como tiros de uma metralhadora, rapidamente, enquanto ele olhava para seus pés.

— Não, to quase terminando. – Lily respondeu tão rapidamente quanto ele. Mas ele evitou levantar o olhar. Era estranho agora fazer isso, sentir essas coisas, afinal Lily sempre fora sua prima, sempre fora algo a que se segurar quando tudo desmoronou, mesmo que ela não soubesse disso, mas ela tinha crescido assim como ele havia feito, e como um adolescente na flor da idade isso era algo de se esperar, não é?

Hugo só sabia dizer que demorou uma eternidade para aqueles minutos passarem, nunca viu alguém demorar tanto para se trocar, mas quando ele a olhou novamente ela estava tão linda quanto antes, mas com uma roupa completamente diferente. Eles correram até o subúrbio de Londres onde eles aprontariam, não havia nenhum tipo de movimento tirando aquele de moradores que não querem nada com nada.

— Temos que esperar até a noite, não é? – Lily perguntou com um sorriso tentando quebrar o silêncio que persistia ali, ela achava que era por não ter respondido suas ligações, ou porque ela havia se perdido em seu livro. Mas ela não percebia nem metade do que acontecia com Hugo.

— Acho que seria o melhor a fazer. – ele disse de maneira calma, ainda olhava seus pés, mas o que ele via não era o par de all stars pretos e surrados, mas sim a imagem do corpo de sua prima, daquela pele tão pálida e afável.

Lily pigarreou sentando-se em um banco na frente de uma das casas. Estava começando a esfriar de verdade, e ela não era a maior fã de frio, o que era irônico. Ela até estava com uma blusa de lá leve, mas não era o suficiente para a proteger, e o ruivo pareceu notar isso, pois tirou uma blusa da mala e colocou sobre o ombro da prima, que apenas sorriu agradecida.

— Você está meio quieto, Huguito. – ela disse calma, encarando aqueles olhos, azuis nos verdes.

— Estou cansado hoje. – ele respondeu simplesmente, era difícil encara-la, não deveria ser, certo?

— Cansado? Você nem tá estudando esse ano, não deveria estar tão cansado.

— Minha mãe tá me dando aula em casa para que eu fique mais com a familia, pelo jeito eu já sou bem educado ao estilo alemão e posso ter um pouco da velha e ineficiente educação britânica.

— Não acho que seja ineficiente, Huguito, seja talvez apenas menos rígida.

— Talvez – ele sorriu tristemente.

Ele não estava falando de escola, vocês notam isso, não é? Hugo falava do seu tratamento, mas sua prima nada sabia sobre o assunto e ele não pretendia alerta-la disso tão cedo. Afinal, a última coisa que ele precisava era de Lily agindo cheia de pena para cima dele. Ela havia vivido com a pena ao seu redor por anos, ele percebia que muita gente ia visitar seus parentes naquele hospital não para passar um tempo com eles, mas por pena.

Todos naquele lugar sentiam a pena que os familiares traziam em seus corações, e eles ficavam mais triste com isso, e por isso, falou com os pais sobre isso, eles não deveriam sentir pena por ele, mesmo que o pior acontecesse, mesmo que ele ficasse sem cabelo, ou horrivelmente pálido e magro, e eles prometeram isso.

E cumpriram.

O problema sempre foram as outras pessoas, sempre havia pessoas que sentiam pena onde quer que fosse, se saísse do hospital ou do quarto do hotel que morava quando não estava no hospital. E Ronald sempre o defendia, falava que quem merecia pena era a pessoa. Hermione já tinha mais dificuldades para o defender, pois ela sempre ficava triste com isso.

— Acho que podemos tomar um chocolate quente enquanto esperamos a hora, não é? – Lily tentou mais uma vez chamar a atenção do seu primo, e fazer com que ele se soltasse.

— Acho que é uma boa ideia, LL. – ele respondeu com um sorriso, era verdade, era uma ótima ideia, isso daria para ele se distrair e não pensar no corpo dela.

Eles acharam um café ali perto mesmo, haviam visto quando desceram do ônibus, e pediram chocolate quente com bolachas, mas o silêncio prevalecia.

— Hoje minha mãe me tratou de uma maneira totalmente diferente, Hugo. – Lily disse calma, com os olhos presos no seu chocolate quente, sentindo o corpo se aquecer de dentro para fora como se houvesse uma chama dentro dela.

— Como assim?

— Ela me tratou como adulta, eu realmente precisava disso. Eu me afastei muito da nossa família nesse tempo, em que você esteve fora, e eu percebi que não foi legal, por isso, eu quero voltar a me aproximar. – a ruiva sorriu, e percebeu que Hugo também sorria.

Havia novamente uma chama dentro dela.

E dentro de Hugo, mas uma chama diferente.

Lily observou como era engraçada a semelhança entre Hugo e seu tio Ronald, os mesmos olhos, o mesmo sorriso, o mesmo caminhar. Lily queria ser assim, e não uma parte de cada pessoa, como ela era. Mas sorriu ao ver aquele sorriso típico que Hugo deu, o velho sorriso que Lils amava. Era o que ela mais gostava em seu primo, o sorriso genuíno que ele dava, brilhante como um diamante e de lado como um verdadeiro conquistador sabia dar.

— Você merece ser tratada assim, já que se tornou uma idosa que lê Ulisses. – ele disse de maneira provocativa, os olhos brincando com os dela, o sorriso provocando o dela. Ela lhe deu um tapa forte no braço, ela não era uma idosa, só uma jovem que gostava de leituras desafiadoras.

— Eu sou mais nova que você. – ela disse, e só depois percebeu o quão infantil soou.

— Dois meses, mas o que isso importa? Eu sou um eterno jovem, prefiro morrer a virar um velho chato.

— Você tem que parar de falar em mortes. – Hugo sorriu tristemente para ela, e era estranho ouvir-se falando disso, pois Lily era uma pessoa que vivia a pensar em morte.

Talvez ela estivesse mudando.

— A idosa tem medo de falar em morte e atrair? – ele gargalhou e ela não conseguiu evitar gargalhar também.

— Eu receberei a morte como uma velha amiga quando ela vier. – Lily riu, e Hugo lembrou da história que sua mãe vivia lendo para eles quando Ginny e Harry estavam trabalhando fora.

— Eu adorava essa história. – Hugo comentou nostálgico. Sua mãe nunca mais havia lido aquele livro para ele, ela tinha medo de falar sobre morte perto dele.

— Eu também. Vou contar um segredo – Lily disse baixinho se aproximando dele sobre a mesa – Eu torcia para a mamãe ter que ficar no trabalho até mais tarde só para poder dormir com você e ouvir a história da tia Mione.

Hugo gargalhou em saber o segredo dela, mas admitiu que também torcia, eles sempre gostaram de passar tempo juntos, e por isso tudo fluía agora depois que ele voltou.

— Acho que agora já podemos terminar nosso trabalho. – ela comentou rapidamente, olhando para o relógio e para o céu escuro lá fora.

— Claro.

Eles pegaram as tintas, Lily havia feito um desenho sobre um dos livros que ela mais amava, Laranja Mecânica, um Alex sorrindo meio caricato, e com a frase: “Violência gera violência”. Demorou cerca de uma hora para o desenho ficar pronto, enquanto Hugo pintava a frase com a maior delicadeza para a tinta não escorrer e para ficar parecido com a letra que Lily tinha feito, desenhada.

— É realmente lindo. – Hugo sussurrou ao olhar o desenho sob a luz de um único poste, despejando a quantidade certa de sombras e luz para dar dramaticidade ao desenho. Lily olhava impressionada, ela havia realmente gostado de fazer isso, mas nunca mais picharia. – Você deveria se tornar uma artista.

— Eu já sou, mas deixo meus desenhos para mim mesma. – ela sorriu olhando para o primo e então o abraçou. – Obrigada por me desafiar.

— Eu te desafio? – confusão era tudo que havia na voz de Hugo.

— Sim, principalmente com essa lista, você me fez fazer coisas que eu nunca fiz, e isso é incrível. – ela comentou com um sorriso enquanto eles andavam em direção ao ponto de ônibus. – Espero te ter sempre ao meu lado para me desafiar a fazer coisas novas.

— Eu prometo que sempre estarei ao seu lado. – Ele sorriu.

E Hugo nunca quebrava uma promessa.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu realmente gostei de escrever esse capítulo, por quê? Bom, tivemos o Hugo experienciando uma cena erótica, para ele, e eles fazendo uma pichação sobre Laranja Mecânica, que é somente o meu livro preferido. E sim, Lily é uma das únicas pessoas do mundo que consegue ler Ulysses até o final, digamos que esse é um dos livros mais difíceis do mundo, pesquisem. E bom, tivemos a Lily mostrando que está amadurecendo, mas e quando o pior acontecer se acontecer, será que ela vai aceitar de maneira madura? Minha Mione, quando ler isso, saiba que eu fiquei extremamente triste com minha filha pois ela sempre desejava que eu ficasse no trabalho para ela ficar com você, isso é triste. E sim o conto é o conto dos três irmãos. Quero que comentem. Beijos