Last Breath

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Ei, guys, então, eu vou deixar uma nota realmente longa no final desse capítulo, eu só acho justo explicar um pouco do que essa história representa para minha vida, se não quiserem ler, sabe, é opcional. Eu realmente amo esse capítulo, pois vocês vão descobrir um pouco mais sobre tudo. Não vou dizer muita coisa para não estragar a surpresa, só leiam. Até lá embaixo.

Lily conseguiu escapar facilmente do olhar atento de seus pais. Hugo teve mais dificuldade para fugir aquele dia. Eles tinham grandes planos, e teriam que ter muito tempo para fazer aquilo. Assim que Hermione e Ron deram a ele uma folga ele correu até a casa da Lily, e disse a ela que eles fariam a tatuagem no centro de Londres, ele já havia marcado um horário.

— Tem certeza que quer fazer isso? – Lily perguntou alarmada, não sentia nenhum medo por si mesma, mas por Hugo ela temia tudo. – Tipo, você um dia vai ficar velho, enrugado e vai ter uma tatuagem feia que não faz nenhum sentido.

— Se um dia eu chegar a ficar velho, eu não ficarei enrugado. Nem que eu precise fazer cirurgias plásticas, tenho que ficar eternamente lindo para você. – ele disse galanteador, e ela riu enquanto o dava o braço.

— Então temos que correr, Sr. Sedutor. – Lily riu. “Anestesia da qual não se acorda” ela deixou rodar na sua mente, para que não esquecesse de anotar em seu caderno. – Você fez o que eu pedi?

— Você fez o que eu pedi? – Lily acenou positivamente

— Mas você só vai ver lá.

— O mesmo para você. – Hugo riu, e eles correram pegar um taxi que os levaria a Londres.

Quando chegaram lá os dois se olharam divertido. O olhar confuso do tatuador não era algo estranho para eles. Eles sabiam que seria assim desde que propuseram ao outro desenhar a tatuagem mais boba do mundo.

— Por que vocês querem fazer isso mesmo? – o tatuador perguntou, para um cara todo tatuado ele não entendia que às vezes as tatuagens são apenas tatuagens?

— Só porque queremos. – Lily murmurou, e então com um olhar apreensivo para o primo perguntou – Você pode fazer?

— Claro, só esperem eu passar para o hectográfico. E eu acho que podemos começar com a sua. – ele apontou para a Lily, é mais fácil e rápida.

E então ele saiu dali, e foi até uma sala escondida do estúdio. Hugo encarou a ruiva ao seu lado. Ela era muito parecida com tia Ginny. Exceto os olhos, ela havia puxado os olhos de tio Harry, e ela era incrivelmente linda. Hugo sabia que nunca poderia ter nada com ela, nunca poderia machuca-la, e ele a machucaria, disso ele sabia.

— Pare de me olhar assim, está me assustando, psicopata. – ela comentou o encarando. Aquele sorriso que ela tinha era tão debochado que fazia as entranhas de Hugo se revirassem. Aquele olhar era tão místico que o prendia em uma teia, e ele esperava passivo por ser atacado por aquele lindo ser.

— Desculpa. Só tava tentando descobrir qual parte sua ficaria melhor em um ensopado. – Hugo mentiu, mas sua voz não o denunciou. Ele havia ficado bom em mentir, não por mal, mas por sobrevivência.

Ele pensava o tempo todo sobre o que seu pai disse. Será que era certo brincar daquele jeito com sua prima favorita? Afinal ele não sabia até quando poderia continuar saindo e se divertindo com ela. Não era por mal, era por vida.

— Estou com medo. – Lil sussurrou.

— Não acredito que Lilian a assassina de colchões, de roupas e bonecas tem medo de algumas agulhadinhas. – Hugo debochou – Mas eu também estou com medo.

— Mesmo? – ela sorriu por ele também assumir sentir medo.

— Mesmo, vai que você desenhou um pênis e eu vou viver para sempre com um pênis no meu corpo. Ai se um dia eu morrer o cara vai ter que me despir e me lavar e vai ver aquele pênis desenhado e vai contar a história para sempre do cara que tinha uma tatuagem de pênis na bunda. – Hugo disse assustado com aquilo, no final ele ria, e havia feito sua prima rir também.

— Eu não fiz um pênis.

— Ah, não? Glória ao Pai. – Hugo ficou de joelho no chão agradeço a Deus por isso.

— Deixe de ser boboca, H.

Hugo sentou e com um sorriso encarou novamente a prima. – Você não tem que ficar com medo, agulhas não são tão assustadoras, você sabe, né?

— Mas tipo, elas são assustadoras sim. – Lily disse, mas logo voltou com a velha postura forte e independente. – Mas eu não tenho medo.

— Nem eu! – Hugo admitiu, ele não tinha mesmo, não mais. Não desde sua estada na Alemanha.

— Pronto. – O tatuador voltava com dois hectográficos em suas mãos. – Esse é o seu. – Ele disse para Lily – Onde você quer fazer?

— Aqui. – Lily apontou para a região das costelas.

— Tudo bem, vamos logo com isso. – O tatuador disse.

Lily se deitou em uma das camas de tatuagem e ficou ali, apenas segurando a mão de seu primo com força, esperando que ele a ajudasse a passar por aquilo.

Uma hora mais tarde e uma sessão interminável de agulhadas rápidas e seguidas, Lily pode suspirar aliviada. E ela adorou a tatuagem que Hugo lhe deu. Era um coração, um coração defeituoso.

— Assim como o meu. – Hugo sussurrou no ouvido da confusa Lily. – E agora minha tatuagem.

Hugo não precisava agarrar a mão de sua prima, ele não tinha medo, mas mesmo assim ela segurou. E ele adorou aquele contato. Ele sabia que era errado, mas naquele momento ele estava tentando quebrar o máximo de regras quanto podia. Seus pais surtariam com isso, ele tinha certeza. Mas não se importava. Afinal, só se vive uma vez, certo?

Hugo desenhava círculos com seu dedão no dorso da mão de sua prima e a encarava docemente. Ela encarava a tatuagem tomando forma ali, e parecia extasiada. Hugo não sentia dor, apenas se sentia livre. Sentia como se tivessem tirado um peso enorme dos seus ombros.

— Ei, tá ficando bonita. – Lily sussurrou para o primo.

— Espero mesmo. – ele resmungou, sentia seus braços formigarem. Um porque o tatuador estava o tatuando e o outro porque Lily o segurava.

“É um desenho fofinho, Hugo”- ela havia dito. E ele havia acreditado. Mas tinha medo de que nada fofo e doce saísse daquela cabecinha ruiva.

Demorou mais alguns minutos ainda até que a tatuagem finalmente ficasse pronta, e quando Hugo levantou para encarar o desenho contra o espelho, viu apenas o desenho de uma menina e um menino, ambos como um código de barras no peito, unidos e separados, assim como ele e sua prima amada.

— Agora eu vou estar para sempre ao seu lado. – Lily sorriu – Mesmo que você parta para a Alemanha novamente.

— Eu acho que não vou voltar para a Alemanha tão cedo. – Hugo sorriu, puxando a prima para um abraço, um abraço demorado e repleto de sentimento, um abraço que pertencia somente aos dois. – Talvez eu nunca mais vá para aquele lugar, é meio arrepiante pensar que aquele lugar foi o palco de um dos maiores genocídios da história da humanidade. Eu odeio aquele lugar, tipo odeio muito.

— Então não vá, apenas fique aqui comigo para sempre. – a ruiva sorria, mas com um sorriso apagado, ela havia julgado Hugo por anos por ele abandonado ela ali, mas ele também não queria tê-la abandonado. Da história ela não sabia nem a metade, e ninguém ali parecia disposto a contar toda a verdade para ela. E isso a machucava.

— Meus pais vão me matar. – ele disse por fim, não estava se sentindo mal, ela precisava cumprir aquela lista antes de morrer.

— Eu sei, não quero estar perto quando tia Mione ver isso. – Lilian riu com a certeza de que sua tia piraria, ela sempre fora contra esse negócio de tatuagens. Principalmente quando o tio Ron fez uma tatuagem enorme no peito, um lindo leão realista. Ela quase matou o marido, agora imagine o que ela não vai fazer com o filho. O filho que ela tanto protege.

Lily nunca entendeu o porque de protegerem tanto Hugo, não era como se ele pudesse sair na rua, ter um ataque e morrer, certo? Ele era um menino saudável, ou era assim que ela imaginava ele. Mal sabia ela que os maiores males não podem ser vistos a olho nu, os maiores males de Hugo não podiam ser vistos quando se olhava aqueles olhos, ou aquele sorriso, nem mesmo as madeixas ruivas. E foi por isso que foi tão difícil para a família aceitar o que aconteceu quando ele era criança.

Hugo era apenas uma criança, tinha seus 10 anos quando tudo começou. Ele começou a ter muita dor de cabeça, muitas vezes não conseguia nem sair de casa quando estava dia, ele parecia um pequeno vampiro só saindo nas noites escuras. Ele perdia o equilíbrio realmente fácil de uma hora para a outra. Hugo sofreu muito naqueles dias, ouvia zumbidos altos mesmo quando tudo estava em silêncio, uma criança da idade dele não deveria ter problemas de audição.

Foi quando Hermione obrigou que Ron os levasse até o melhor médico de Londres, não importava quanto custasse. O médico nada disse no dia, receitou alguns analgésicos para a dor e mandou-os para casa com alguns exames para fazer. Fizeram ressonância magnética e tomografia, e foi nesse momento que viram, um pequeno tumor no cérebro do menino e pelos sintomas que ele apresentava sabia-se que não era benigno.

Por isso a viagem para a Alemanha, eles possuíam os melhores tratamentos para o câncer em toda a Europa, ele sofreu todos os procedimentos possíveis, quimo, rádio, ele ficou irreconhecível, e por isso a família achou melhor não deixar que os primos dele soubessem. Inventaram a história de um colégio. E Ron e Hermione revezavam nos cuidados com o pequeno ruivo. A cada mês um ficava lá, e por vezes quando era necessário os dois partiam em busca de noticias. Rose é claro sofreu alguns anos com isso, mas entendia e fazia tudo pelo irmão.

No ultimo ano, descobriram que não apenas o tumor no cérebro não regrediu, como que era inalcançável. E nos últimos meses descobriram que o coração também estava infectado. Hugo não teria muitos anos de vida. E por isso o ruivo voltou para a família, iria passar seus últimos momentos ali, com todos ao redor.

Lily e Hugo voltaram para suas respectivas casas, e esperaram. Esperaram que seus pais surtassem e os matassem. Mas não poderiam ter se enganado mais. Não só Ginny e Harry falaram que aquilo era esperado para a filha, como Hermione e Ron apenas choraram sobre os ombros do filho. Eles sabiam que o que aquilo significava para ele, e eles entendiam completamente.

Era um último suspiro que chegava. Eles não sabiam quando seria, se seria em um segundo ou em cinco anos, eles apenas esperariam por saber que não havia mais o que fazer. Ele só queria aproveitar os últimos meses com sua prima. No seu tempo na Alemanha, Hugo só pedia uma coisa aos pais, era ver Lily, ele revelou que sempre teve muito carinho por aquela ruiva. E apenas agora ele teria a chance de ser um adolescente.

— Viva e deixe viver. – Ronald disse para a mulher. Sabia que a morena nunca ia se recuperar por completo daquilo. Era um filho que eles iam perder, um pai nunca deve enterrar seu filho. E era por isso que Hermione agia de maneira tão drástica com o filho. –E Hugo? – Ron disse enquanto o filho ia para seu quarto – Diga a ela que eu te bati e te deixei de castigo por isso.

— Tudo bem, papai. – O sorriso de Hugo, era tão parecido com o do jovem Ronald, aquele sorriso de quem não teme nada. Aquele sorriso surgiu, e com um brilho nos olhos que era algo novo no menino. Era a juventude que ali brilhava, a juventude e a esperança. Ronald sabia, e sabia que sua esposa também sabia isso, que Hugo estava experimentando um pouco da vida naquelas ultimas semanas. E por mais que doesse ver que ele marcou o corpo com um coisa tão supérflua, eles não ligavam, afinal só se vive uma vez.

Hugo tinha a chance de viver e conhecer o mundo com nunca tivera. Eles não iam impedi-lo, ele deveria errar e acertar por sua própria vida. Ele deveria fazer tudo que desejava antes que fosse tarde demais. Pois o tarde demais pode estar perto demais.

Notas finais
Ei, então, vou dizer umas coisas. PS1: Eu quero muito fazer uma tatuagem e não vai demorar. PS2: Eu tive que pesquisar muito sobre fazer tatuagem e bom, eu realmente fiquei travada na hora de pensar nas tatuagens. PS3: Entenderam a questão do coração estragado? Pronto, agora o que eu preciso falar. Essa história não foi escrita porque eu pensei, ah será legal fazer isso, mas porque eu sentia que precisava colocar umas coisas para fora. A jovem Lily é muito parecida com uma jovem Bee, uma Bee que tinha problemas de confiança, e autoestima, eu nunca me cortei, mas ameacei, e não me orgulho disso. Mas ai vocês me perguntarão: "Se você é a Lily quem é o Hugo?" Hugo é duas pessoas, e meu coração aperta ao falar isso, são duas pessoas que me motivaram a sempre ser a melhor mesmo que não saibam, a primeira é minha vózinha que teve câncer e morreu em 2011, o problema da morte dela, é que foi muito rápido, não tinha nem 6 meses que a gente descobriu o câncer, e ela morou na minha casa até o dia que morreu, e eu lembro de uma coisa que ela disse no último dia "Meu irmão me trouxe uma rosa", e ele tinha morrido um ano antes, então eu acredito um pouco em espiritismo. A segunda pessoa é uma amiga que fazia ballet comigo, a morte dela foi a pior com a qual tive contato, ela teve aneurisma no dia da páscoa em 2010, eu tava dormindo com dor de cabeça, e ligaram aqui em casa da academia de ballet, e minha irmã (que também era amiga dela) começou a chorar e gritar, e eu chorei por uma noite inteira, só me acalmei ao ir no velório e ver como ela estava serena. Mas de algum modo ela sempre volta para meu coração, sempre penso nela, pois a vida dela tava melhorando de varias formas, e perder alguém tão jovem (ela tinha 18) de uma maneira tão dolorosa e rápida deixa qualquer um marcado. E bom, eu quero dizer que da Jéssica, minha última lembrança não é ela serena em seu caixão, mas sim do sorriso dela quando a gente dançou uns dias antes. Isso é apenas para que entendam que eu não quero que sofram com a minha história, é só preciso. Bom, acho que é isso. Agora vocês sabem o que o Hugo tem, certo? E o que acharam? Quero reviews.