Last Breath
12 Capítulo 12.
Notas iniciais
Natal. Essa simples palavra causava em Hugo bons arrepios, era sinônimo de família, ele não conseguia realmente lembrar dos natais que passara com os Weasleys, eram poucos em sua vida que tinha passado com a família. Mas poder aproveitar esse momento soava positivamente. Rose sempre contava como havia sido esse feriado, ela contava de quantos presentes seus primos haviam ganhado, quantos ela havia ganhado e sempre trazia os dele para o hospital.
Ele adorava ouvir Rose contando os detalhes do Natal da família, ele gostava principalmente de imaginar tudo o que ela contava, se imaginando lá, junto com todos, feliz e saudável, e agora ele teria a chance de presenciar essa enorme festa da família, feliz e ao lado de Lily. Eles foram logo no dia 23 cedo, já que a Toca, como era docemente chamada a casa dos Weasley, ficava no campo e a uma distancia considerável de Londres.
Hugo adorou andar de carro por horas com seus pais, Rose e Scorpius. Eles conversavam animadamente, cantavam e se divertiram por muito tempo, eram três horas direto em um carro, eles tinham que arrumar formas de não ficarem cansados.
Quando chegaram na velha, e levemente torta, casa de seus avos Hugo sentiu aquele conforto que somente um lugar acolhedor e com cheiro de família era capaz de proporcionar. E sua felicidade aumentou quando ele se viu cumprimentando cada membro da família, inclusive o tio Charlie que morava na Romênia.
Viu Teddy e Victoire, que andavam para cima e para baixo com o ultrassom do neném que estava vindo, e todos questionavam se ele seria loiro como a mãe ou moreno como o pai, essa parecia ser a maior preocupação naquele ambiente, e isso fez o dia de Hugo melhor.
Conversou um pouco com Dominique que havia levado um namoradinho para passar o natal com eles, pelo que Hugo conseguia lembrar (sua memória era péssima) o nome dele era Oliver, e ele era um sujeito bem aperfeiçoado, com o cabelo negro como o céu sem estrelas e olhos mais azuis que o céu diurno sem nuvens.
Victoire e Dominique eram extremamente unidas e parecidas, mesmo com a diferença de idade, e isso sempre causava confusão na família, ambas loiras e muito femininas (o que mais poderíamos esperar das filhas de Fleur?) e que adoravam usar maquiagem, e comprar roupas. Pobre Teddy que agora trabalhava o dobro para poder sempre dar presentes para sua amada e para o neném que estava vindo.
Louis, o irmão delas, era muito calado e tímido. Por isso todos sempre se surpreendiam ao descobrir das inúmeras namoradas que ele ostentava no bairro, não uma por vez, três, às vezes até cinco por vez. Ele era um garanhão e galinha, e por incrível que pareça, as mulheres sempre o queriam de volta. Louis era o tipo de garoto que você não iria querer por perto da sua filha.
Logo o tio Percy desceu com suas filhas e esposa, eles estavam no quarto para um momento de apreciação ao bom Deus, segundo Molly II contou para o primo, eles deveriam fazer isso ao menos uma vez ao dia. Molly II já sabemos como é, uma garota rebelde, a filha perdida do bom pastor, usava roupas curtas mesmo com o frio que fazia naquela época do ano fosse insuportável, e vestia maquiagem demais para uma menina tão bonita quanto ela. O problema era que Molly nunca havia descoberto sua real beleza.
— Huguito. – ela gritou indo abraça-lo, ela gostava do primo, e sempre conversava animadamente com ele – Você não voltou para a Alemanha a final, me conte tudo sobre lá.
Ele foi obrigado a contar tudo, por mais que já o tenha feito algumas vezes. Lucy era mais calada e tímida, a filha perfeita do Pastor Weasley, suas roupas contrastavam completamente com as da irmã, e seus modos também, ela se portava como se escondesse um segredo, e como se falar fosse extremamente perigoso, por isso ela se mantinha no canto com a bíblia entre as mãos finas e magras. Lucy apesar de ser apenas alguns meses mais nova que Hugo, ela malmente tinha completado dezesseis, parecia uma idosa, cansada.
Percy e Aubrey tentavam manter as aparências sempre que possível, mas era possível ver que embaixo dos panos eles viviam a trocar alfinetadas. Aubrey não era permitida de revelar detalhes da casa ou da congregação deles, ela não poderia ter mais voz que o homem da casa, e isso desagradava a Hermione e a Ginny, que defendiam que as mulheres tinham tanto direito quanto os homens, e que nenhuma mulher deveria se sentir rebaixada pelo marido.
E isso era notável pela forma como elas se relacionavam com os maridos. Hermione amava Ronald mais que tudo, mas não era a dona de casa que Molly sempre fora, eles discutiram por esse motivo desde que se conheceram, e principalmente depois que os filhos nasceram. Ele havia sido criado sobre a visão de que a mulher cuida da casa e dos filhos, e ela o ensinou que ele tinha tantos deveres quanto ela. Ele era obrigado a arrumar a casa ao menos uma vez por semana, cozinhava, lavava roupa e a louça. Além de cuidar dos filhos, e descobriu mais tarde que tudo isso foi esclarecedor para ele.
Ginny brigou pelos mesmos motivos que a amiga. Não que Harry tenha reclamado dela querer trabalhar, ela brigou com a sociedade por conta disso. Ela era uma eximia jogadora de tênis quando casou, e teve essa profissão até ganhar James. Não parou porque achou que era melhor desistir da sua vida para cuidar do filho, mas por querer ficar perto dele, e com uma vida de jogadora que viaja a todos os continentes para jogar era impossível. Agora ela era uma grande jornalista esportiva. Por isso para as duas era estranho uma mulher que se rebaixava a não falar nada quando não estivesse na presença do marido. Elas não eram as maiores admiradoras de Percy, mas isso é por conta de uma briga que ocorreu quando Hermione ainda namorava Ronald.
Angelina e a alma da festa tio George não demoraram a chegar, e vieram junto de tio Fred e sua mulher adorável Julie, que era somente uma das pessoas mais doces que Hugo já conheceu na vida. Angelina e Julie eram grandes amigas, e não poderiam ter casado com homens diferentes. Eles praticamente viviam juntos, tinham sua própria loja juntos, e não se separavam. Gêmeos são assim. Fred e George da segunda geração eram os maiores bagunceiros que você poderia esperar conhecer, e quando se juntavam com o adorável James, digamos que você não ficaria surpreso se a casa pegasse fogo.
Hugo adorou toda a confusão e burburinho que envolvia a casa. Mesmo quando os jovens foram expulsos de dentro de casa para fazer algo útil ele se divertiu vendo que os primos, mesmo já estando velhos demais, ainda eram as mesmas crianças que ele se lembrava. Eles fizeram uma guerra de neve, e se dividiram em três equipes, separados por cor de cabelo. Sim, acreditem que essa era a única forma legitima de separar aquela família.
Lily chegou quando eles estavam nessa brincadeira, e já se juntou a equipe ruiva, que consistia nela, Hugo, Molly e numa Lucy parada. James e Albus se juntaram a Fred, Rox, George e Rose. Enquanto Scorpius, Louis, Victoire (muito grávida que contava por duas), Dominique, e Teddy eram a equipe loira.
Não houve um vencedor claro, já que todos trapaceavam como podiam. Mas era isso que tornava tudo tão divertido. Hugo percebeu com um sorriso nostálgico que era exatamente como Rose o descreveu inúmeras vezes, e ele estava podendo aproveitar ao vivo e a cores com sua família. Para Hugo não havia nada mais belo que a família.
Pouco antes da ceia ser servida, eles se distribuíram entre quartos e corredores, entendendo colchões e malas onde podiam, afinal a casa era grande, mas a família era tão grande quanto. Hugo e Lily ficaram de dividir o quarto com mais quatro integrantes daquela família, Rox, Albus, James e Rose. Scorpius, como era de se imaginar, Ronald o mandou dormir no quarto com ele e Hermione.
— Pai isso é constrangedor. – Rose gritou olhando para o pai quando ele ordenou tal coisa.
— Constrangedor nada, ele não vai dormir com você, e aqui eu terei certeza que ele não escapará para o seu quarto durante a noite. – Ronald disse sério para a filha que ele tanto amava.
— Ronald, você está sendo um idiota. – Hermione disse revirando os olhos para o marido, ela odiava quando ele agia de maneira tão super protetora para cima da filha.- Você não pode fazer isso com ele, e eu achei que a gente ia passar um tempo sozinhos, para variar. – ela ralhou violentamente para ele.
Uma discussão se formou ali, e tanto Ronald quanto Hermione elevavam a voz sempre um tom a mais que o outro a cada frase que eles falavam. Ron tentava a todo custo defender seu ponto de vista de que eles não poderiam dormir juntos até serem casados, e Hermione defendia sua filha dizendo que se eles quando namoravam dormiram no mesmo quarto e na mesma cama tantas vezes por que sua filha não poderia ter o mesmo direito?
— Porque ela é uma criança ainda. – Ron falou com a voz baixa de maneira a disfarçar a atenção que eles estavam recebendo.
— Ela tem 19 anos, com essa idade você não era mais nenhuma criança, Ronald. – Hermione resmungou. E então com um olhar nervoso, mas controlando o máximo o seu tom de voz, ela o encarou e disse apenas duas palavras: — Ronald, batatas.
Ninguém entendeu o que aquelas palavras significavam, Ronald, porém olhou para a mulher alarmado, e então com um sorriso forçado exclamou: — Tudo bem, Scorpius pode dormir junto com a Rose. – Dando as costas logo em seguida sendo seguido pela mulher, os olhares curiosos que permaneceram na escada observando-os, puderam ver rapidamente quando Ron pediu desculpas e beijou Hermione docemente nos lábios.
— O que foi aquilo? – Lily sussurrou para o primo, os braços dele se arrepiaram como nunca ao sentir o hálito doce dela primeiro tocar em sua bochecha. – Isso de batatas?
— Código secreto, coisa deles. Eu e Rose achamos que é um código para: “Cala a boca, você tá sendo um completo babaca”, ele sempre muda de ideia quando ela fala a palavra, e pede desculpas. É divertido. – Hugo contou para ela com o maior sorriso no seu rosto vendo que ela também sorria.
— Sabe que essa é uma ótima ideia, a gente poderia ter nosso próprio código também. – Lily propôs.
A ceia ocorreu animadamente, afinal, ninguém dispensava a deliciosa comida de Molly Weasley, e era uma ceia enorme, com todo o tipo de comida que você pode querer numa noite festiva. Arthur, o avô paterno de Hugo, se levantou com dificuldade da sua cadeira (ele estava debilitado por conta de um infarto que havia sofrido há pouco tempo), e pediu silencio a todos os seus muitos netos. Os treze jovens se calaram e encararam o avô e seus pais também o fizeram.
— Eu queria apenas dizer que é incrível ter a família toda reunida para mais um jantar de Natal, vocês são a minha família e a razão que tenho para lutar. Vocês são o futuro da família Weasley, e façam dessa família uma família grande e feliz, como eu venho tentando a tanto tempo. Meus netos e netas. Meus filhos, e filhas. Sem vocês eu não seria nada, e muito menos sem minha querida mulher, Molly. Obrigada mais uma vez, agora aproveitem, e feliz natal.
Depois da meia noite todos haviam ido para a cama de barriga cheia e com a esperança dos presentes que seriam abertos na manhã seguinte. Mas uma ruiva estava tendo dificuldades para pegar no sono. Lily Luna encarava o teto enquanto ouvia algumas das pessoas da sua família roncando audivelmente. Ela então se virou para o lado direito, e ficou observando o peito de Hugo (deitado ao seu lado) subir e descer incessantemente. Quando o primo se virou para o lado dela, ela se deparou com os olhos verdes dele, lindos e brilhantes.
— Oi. – ele sussurrou para ela.
— Oi. – ela respondeu no mesmo tom. – Não consegue dormir?
— Você também não? Quer escapar? – Lily sorriu abertamente, e sem nenhuma resposta apenas se levantou, e vestiu sua bota de inverno. Além de ficar enrolada no cobertor.
Hugo seguiu atrás dela colocando uma blusa sobre as que ele já estava. Estava muito frio do lado de fora, ao menos naquele momento não nevava, mas a neve ainda cobria todo o jardim da casa dos Weasley.
Eles se sentaram em uma velha casinha na arvore, era minúscula, os dois dentro tinham que ficar encolhidos ao máximo. Rezava a lenda que a casinha foi construída quando a gravidez do primeiro filho de Arthur foi anunciada. E serviu para os outros seis.
— Tinha quase esquecido do quão revigorante é estar em família. – o bafo de Hugo formou uma fumaça por conta do frio. – Principalmente nessa época do ano.
— É incrível mesmo, mas to vendo que logo minha mãe vai reinar com o tio Percy, por causa das coisas idiotas que ele fala. E ai a festa vai desandar. – Lily sorriu doce para o primo, era verdade, Ginny estava se aguentando com a vontade de mandar o irmão se foder.
— Ei, obrigada por fugir aqui comigo. – Lily resmungou depois de um tempo em silêncio quando os dois olhavam para o céu e se ajeitavam deitados na casinha. O cobertor que Lily havia trazido servia para os dois, e Hugo colocou sua blusa como travesseiro. – Eu estava esperando um momento sozinha com você desde que cheguei.
— E por que queria ficar sozinha comigo? – ele encarava os olhos verdes da prima com uma ansiedade que era incomoda.
— Eu queria te dar isso. – ela sorriu e se inclinou um pouco para frente, encostando seus lábios nos dele, um selinho rápido. Logo Lily se afastou levemente com um sorriso nos lábios, as mãos de Hugo estavam gélidas e o nariz dela também deveria estar.
— Esse com certeza foi o melhor presente de natal. – ele sorriu quando ela se ajeitou sobre o peito dele. A casinha na arvore caiu em silêncio absoluto, e em poucos minutos ambos haviam dormido.
Estavam confortáveis um nos braços do outro, e era isso que importava afinal. E Hugo falou sério quando disse que aquele havia sido o melhor presente. Ele esperava por mais um beijo dela desde o dia das declarações. E havia ganho no momento mais oportuno.
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