Last Battle
10 Boa noite...
— Mas, gente... vocês chegaram quase nos finalmente — Grace comentou, rindo.
Hailey imediatamente enfiou o rosto no travesseiro.
— Cala a boca — murmurou, com a voz abafada pelo tecido.
Sara soltou uma gargalhada.
— E quem diria que aquele loiro oxigenado seria tão ousado, hein?
Hailey levantou apenas o rosto, lançando à amiga um olhar mortal.
— Sem comentários.
— Você está vermelha — Grace observou, divertidíssima.
— Eu sei.
— Muito vermelha.
— Grace...
— Tá bom, tá bom.
Hailey voltou a esconder o rosto no travesseiro, arrancando mais uma risada das duas.
— Meninas, o papo está ótimo, mas eu vou dormir...
Ela se ajeitou na cama e puxou o cobertor.
— Um certo semideus sugou todas as minhas energias.
As três caíram na gargalhada.
Sara ainda ria quando, de repente, pareceu se lembrar de alguma coisa. Ela parou e olhou para Hailey.
— Espera.
Hailey ergueu os olhos por cima do travesseiro.
— O quê?
— Hoje é seu aniversário.
Hailey piscou.
Grace arregalou os olhos.
— Você esqueceu?
Hailey fez uma careta. Tinha esquecido pela segunda vez em menos de uma hora.
— Esqueci.
As duas ficaram em silêncio por um segundo antes de começarem a rir novamente.
— Meu Deus, Hailey! — Grace exclamou. — Você esqueceu o próprio aniversário! Como alguém esquece o próprio aniversário?
— Eu tinha outras coisas na cabeça!
Sara cruzou os braços, segurando o sorriso.
— Aparentemente, tinha mesmo.
Hailey pegou o travesseiro e ameaçou jogar nela.
— Nem começa.
— E o Gareth lembrou?
A expressão de Hailey mudou imediatamente. Um sorriso involuntário apareceu em seus lábios antes que ela conseguisse impedi-lo.
— Ele perguntou ao Draco — confessou.
Grace levou uma mão ao peito.
— Isso é tããão fofo.
Sara sorriu.
— Então, além de bonito, o filho de Hefesto presta atenção.
Hailey revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso.
Seu olhar caiu sobre o pequeno pingente em forma de pena que repousava contra sua pele. Ela tocou a peça delicadamente, sentindo o metal frio sob as pontas dos dedos. Por algum motivo, aquele gesto simples apertou alguma coisa dentro dela.
Era seu aniversário.
E ela havia esquecido.
Depois de tudo o que acontecera naquele último ano, talvez não fosse tão estranho. Havia passado tanto tempo tentando sobreviver que datas, comemorações e pequenos motivos para sorrir tinham deixado de fazer parte de sua vida.
Mas alguém havia se lembrado.
Gareth havia perguntado.
Havia parado o que estava fazendo na oficina, pensado nela e forjado um presente especialmente para ela.
Hailey sorriu sozinha.
Talvez aquilo fosse suficiente.
Talvez, pela primeira vez em muito tempo, ela pudesse simplesmente aceitar que alguém se importava.
Já passava das três e meia da manhã, e as três sabiam que precisariam acordar cedo. Entre risadas, provocações e algumas últimas confissões sussurradas, não demorou muito para que o cansaço finalmente vencesse. Uma após a outra, as três se acomodaram em suas camas e fecharam os olhos.
Naquela noite, nenhuma delas dormiu sozinha.
───
— Nossa, cara... nem acredito que a Hailey finalmente começou a voltar ao normal.
Draco estava sentado na própria cama, batucando distraidamente a varinha contra a coxa enquanto olhava para Tobias. Havia um sorriso discreto em seu rosto.
— E você também, Quatro.
Tobias soltou uma risada baixa.
— É. Acho que sim.
Ele se recostou contra a cabeceira, ainda pensando no que havia acontecido com Grace naquela noite. O simples fato de conseguir falar dela sem sentir o peso do passado sobre os ombros já parecia uma pequena vitória.
— Fico feliz de ter conhecido a Grace — admitiu. — Se não fosse por ela, provavelmente eu ainda estaria na merda.
Draco o observou por alguns segundos.
— Você gosta mesmo dela.
Tobias sorriu.
— Gosto.
Tobias soltou o ar pelo nariz, divertido.
— Na verdade, nós três estamos na merda — Gareth constatou
Os dois o encararam.
— Ué — Gareth continuou, como se fosse a conclusão mais óbvia do mundo. — Caímos no feitiço do amor, galera. Estamos fudidos.
Draco começou a rir. Tobias balançou a cabeça, mas também não conseguiu conter o sorriso.
— Você consegue transformar qualquer coisa em uma piada.
— E estou errado?
Ninguém respondeu. Gareth apontou para Draco.
— Você fica com essa cara de idiota toda vez que alguém fala o nome da Sara.
— Não fico.
— Fica.
— Não fico.
Tobias entrou na conversa.
— Fica mesmo.
Draco bufou.
— Vocês são insuportáveis.
— E você está apaixonado — Gareth respondeu.
Draco tentou manter a expressão séria por dois segundos. Falhou.
— Talvez.
— “Talvez” é o caralho — Gareth disse, rindo. — Você está completamente ferrado.
Tobias começou a rir.
— E você não está muito melhor.
Gareth apontou para si mesmo.
— Eu? Eu já aceitei meu destino.
A resposta veio sem qualquer hesitação.
Os três ficaram em silêncio por um instante.
Sara.
Grace.
Hailey.
Três garotas completamente diferentes, três histórias diferentes, três maneiras diferentes de amar. E, ainda assim, havia algo que as três tinham conseguido fazer: atravessar as defesas que aqueles três homens haviam construído ao redor de si mesmos.
Gareth soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos.
— É... estamos fudidos mesmo.
Draco riu.
Tobias balançou a cabeça, sorrindo.
— Completamente.
Os três riram mais uma vez.
Depois, finalmente, o cansaço começou a vencer.
— Vamos dormir — Tobias disse.
— Amanhã vai ser um inferno — Draco concordou.
Gareth apagou a luz.
— Então é melhor a gente guardar energia.
— Para o treinamento? — Tobias perguntou.
Gareth soltou uma risada.
— Vocês tem pensamento muito limitado, credo.
Draco jogou um travesseiro nele.
— Vai dormir, idiota.
— Boa noite, apaixonados.
— Boa noite, Gareth.
— Boa noite.
O quarto finalmente ficou em silêncio.
Do outro lado do corredor, três garotas dormiam profundamente.
E, pela primeira vez em muito tempo, os seis tinham algo que a guerra ainda não conseguira lhes tirar: a sensação de que havia, no meio de tudo aquilo, alguma coisa pela qual valia a pena lutar.
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