Last Battle

14 Bem vindos de volta...


Na manhã seguinte, entretanto, Hailey descobriria que o maior desafio daquela preparação para retornar a Hogwarts talvez não fosse exatamente a guerra.

O problema começou quando ela viu Sara, Grace, Draco e Tobias esperando por ela na mesa de do chalé 1 assim que ela saiu do próprio.

Apesar de conhecer o jeito que os casais ficavam próximos, algo na aura deles estava diferente. Mesmo de longe, ela sentiu.

Gareth estava esperando por ela do lado de fora do chalé de Zeus

Assim que a viu, abriu um sorriso e estendeu a mão.

— Vem cá – ele a puxou e beijou calorosamente e ela correspondeu a altura – Eu tava com saudades..

Ela sorriu.

– Nós, literalmente, passamos a noite juntos...

– Mas você precisou se afastar de mim pra tomar banho e trocar de roupa e não deixou que eu fosse com você. Me senti abandonado...

Hailey riu novamente e, juntos, seguiram para perto dos amigos.

Sara estava confortavelmente sentada no colo de Draco, de lado, com um dos braços ao redor do pescoço dele. Draco mantinha uma mão firme em sua cintura, enquanto a outra brincava distraidamente com os dedos dela. Grace estava no colo de Tobias, igualmente acomodada contra o peito dele, enquanto ele mantinha os braços ao redor de sua cintura e beijava de vez em quando sua têmpora, completamente alheio ao movimento ao redor.

O terceiro casal se aproximou e, no instante seguinte, Gareth a puxou pela cintura para que se sentasse em seu colo. Ela soltou uma risada baixa, mas não resistiu. Gareth imediatamente passou os braços ao redor dela, encaixando-a contra o próprio peito e deixando um beijo demorado em sua bochecha.

Então os dois perceberam os olhares dos outros quatro. Definitivamente algo estava estranho

— O quê? – perguntou Gareth

Sara mordeu o lábio, tentando segurar uma risada.

— Nada.

— Sara.

— Absolutamente nada.

Grace já estava rindo.

— Não olha para mim.

Hailey estreitou os olhos.

— O que vocês estão aprontando? – ela disse desconfiada

Draco trocou um olhar com Tobias.

Tobias suspirou.

— Acho que eles merecem saber.

— Saber o quê? – Hailey e Gareth perguntaram ao mesmo tempo

Gareth pareceu curioso e Hailey preocupada.

Sara olhou diretamente para Hailey.

— Então... ontem a noite, você e Gareth fizeram as pazes no chalé de Hades, né?

Hailey ficou imóvel.

— Sim...

— E lembra que nós fomos embora depois?

— Sim.

Sara abriu um sorriso sapeca

— Nós não fomos exatamente embora.

Hailey sentiu o estômago afundar.

— O que vocês fizeram?

Grace cobriu a boca, tentando não rir.

— Não fizemos nada. Só ficamos do lado de fora.

Gareth ergueu uma sobrancelha.

— Espera.

Tobias assentiu

— Nós ouvimos vocês... você sabe...

Hailey piscou.

Uma vez.

Duas.

— Ouvimos vocês dois transando — Sara completou, sem qualquer piedade.

O mundo pareceu parar.

Hailey ficou completamente imóvel no colo de Gareth.

O rosto dela perdeu a cor antes de ficar vermelho.

Primeiro as bochechas.

Depois as orelhas.

Então praticamente toda a pele visível.

— Vocês...

Ela olhou para Sara.

Depois para Grace.

Depois para Tobias.

Por fim, para Draco. Ela procurava algum sinal de mentira mas não encontrou

— Vocês ouviram?

— Sim — Draco respondeu tranquilamente – E, com todo o respeito, não teve como NÃO ouvir. Fiquei indignado, Hailey, que você... LOGO VOCÊ... esqueceu de lançar um Abaffiato no chalé. Lamentável

– VOCÊ PODIA TER FEITO ESSE FAVOR PRA MIM, NÉ?

Gareth, que tinha ficado tão chocado que não tinha dito nada, começou a rir.

Não foi uma risada discreta.

Foi uma gargalhada genuína, aberta, daquelas que faziam seu corpo inteiro se mover. Os outros semideuses olharam confusos

Hailey virou-se para ele, horrorizada.

— NÃO TEM GRAÇA!

— Tem muita graça. Nossos amigos são uns tarados!

— GARETH!

Ele tentou recuperar o fôlego, mas não conseguiu.

— Desculpa. Desculpa mesmo. É só que...

Ele olhou para os quatro.

— Vocês realmente ficaram do lado de fora ouvindo? Que invasão de privacidade!

Tobias levantou as mãos.

— Tecnicamente, nós tentamos não ouvir.

Sara imediatamente o contradisse.

— Mentira. A gente tentou sim! Bastante, inclusive

Grace começou a rir.

— E ele ficou tão curioso quanto nós.

— Eu só estava preocupado com vocês — Tobias se defendeu.

Draco cruzou os braços.

— Eu estava garantindo que a Hailey não matasse ninguém. Acabou que ouvimos o Gareth matando a coitada

Gareth arqueou uma sobrancelha e sorriu marotamente enquanto Hailey cobria o rosto com as mãos.

— Caralho... vocês estavam literalmente com o ouvido na porta.

Draco ficou em silêncio.

Sara soltou uma gargalhada.

— Ele estava quase sim!

Hailey sacudiu a cabeça. O rosto ainda coberto com as duas mãos.

— Eu quero desaparecer.

Gareth passou os braços mais firmemente ao redor da cintura dela e puxou-a contra o peito, ainda sorrindo.

— Não precisa.

— Preciso, sim.

— Não.

Ele beijou a lateral de sua cabeça.

— Eu acho engraçado.

— Eu estou morrendo de vergonha.

— Eu sei – ele riu novamente — Desculpa, amor.

Hailey escondeu o rosto no pescoço dele.

— Eu nunca mais vou conseguir olhar para nenhum de vocês.

Sara se inclinou um pouco mais na direção da amiga, claramente satisfeita com o caos que havia causado.

— Vai ter que conseguir.

Grace concordou, rindo.

— Afinal, vamos passar os próximos seis meses juntos.

— Isso não está ajudando.

Tobias apertou suavemente a cintura de Grace e beijou sua bochecha.

— Se serve de consolo, Hailey, você não foi a única pessoa nessa mesa que ficou constrangida.

Grace imediatamente olhou para ele.

— Tobias!

Sara apontou para ele.

— Traidor.

— Só estou dizendo a verdade. A menina tá quase cavando um buraco na terra pra se esconder

Draco soltou uma risada baixa.

— Ele tem um ponto. Ouvir os amigos transando pode ser desconfortável

Sara virou o rosto para ele.

— Você não vai escapar dessa.

— Eu nunca disse que queria escapar.

Ele aproximou o rosto do dela e deixou um beijo lento em seus lábios, apenas para provocá-la.

Sara sorriu contra sua boca.

— Convencido.

— Seu namorado.

— Infelizmente.

Draco apertou sua cintura.

— Você gosta.

— Talvez.

Do outro lado da mesa, Gareth continuava acariciando distraidamente as costas de Hailey. Ela ainda escondia o rosto.

— Amor.

— Me deixa.

— Olha para mim.

— Me erra.

— Hailey.

— Eu não vou olhar.

Gareth inclinou o rosto até alcançar o ouvido dela

— Você sabe que eu não estou rindo de você, certo?

Ela o encarou por alguns segundos.

— Eu sei. Está rindo da situação mais constrangedora da minha vida.

— Exatamente. Mas, é da nossa.

Ele sorriu, passando o polegar delicadamente pela bochecha dela.

— E, sinceramente, eu gosto de saber que os nossos amigos estão tão interessados na nossa vida sexual

Hailey arregalou os olhos.

— Não fala assim!

Gareth soltou outra risada.

— Você fica muito bonita envergonhada.

— Você está se divertindo demais da conta com isso.

— Estou.

Ele beijou a ponta do nariz dela.

— Muito.

Hailey finalmente deixou escapar um sorriso, apesar de ainda estar vermelha.

Grace observou os dois e balançou a cabeça.

— Vocês dois são impossíveis.

— Vocês também — Hailey respondeu.

— Nós não fizemos nada.

Hailey ergueu uma sobrancelha

— Vocês ouviram a gente transar! Isso é fazer MUITO!

Tobias começou a rir, envolvendo Grace ainda mais em seus braços.

— Acho que ela ganhou no argumento.

— Não ajuda ela — Grace murmurou.

Tobias beijou sua testa.

— Eu nunca prometi nada.

Draco olhou para Gareth.

— Pelo menos agora você sabe que precisa ser mais discreto.

Gareth sorriu.

— Jamais.

Hailey levantou a cabeça imediatamente.

— Da próxima vez, ANOTEM, eu vou garantir que ninguém consiga ouvir nada! Não acredito que esqueci de lançar o Abaffiato naquele chalé! Não acredito que fui enganada com aquela história de cubo perfeito! Meu Deus, que burrice!

– Adorei o "próxima vez". Essa próxima vez já é agora? Podemos ir?

Hailey deu um murro no braço do namorado e todos começaram a rir. Gareth beijou a testa de Hailey completamente satisfeito consigo mesmo.

Por alguns minutos, os três casais permaneceram daquele jeito, juntos, próximos, trocando provocações e pequenos gestos de carinho. Sara continuava acomodada no colo de Draco, os dedos entrelaçados aos dele. Grace permanecia encostada em Tobias, que ocasionalmente beijava seus cabelos ou apertava sua cintura. Hailey, apesar da vergonha, tinha finalmente desistido de tentar fugir e estava aconchegada contra Gareth, que mantinha os braços ao redor dela como se não tivesse a menor intenção de deixá-la escapar.

Era uma cena estranhamente tranquila para pessoas que, poucos meses antes, sequer imaginavam que estariam ali.

Até que Sara se inclinou na direção de Hailey.

— Só mais uma coisa.

Hailey imediatamente ficou desconfiada.

— O quê?

Sara sorriu.

— Na próxima vez, fechem melhor as janelas

Hailey arregalou os olhos.

— SARA!

Gareth explodiu em outra gargalhada. Grace começou a rir. Tobias escondeu o rosto no ombro de Grace. Até Draco perdeu completamente a compostura. Hailey enterrou o rosto no peito de Gareth outra vez, desejando sinceramente que a terra simplesmente se abrisse sob seus pés. Gareth a abraçou ainda mais forte, rindo enquanto beijava seus cabelos.

— Eu amo você.

— Eu te odeio.

— Não odeia.

Ela levantou o rosto e lançou a ele um olhar indignado.

— Neste momento, odeio.

Gareth sorriu, aproximou-se e deixou um beijo lento em seus lábios.

— Felizmente, eu sei que isso passa.

Hailey tentou manter a expressão séria, mas acabou sorrindo contra a boca dele. Ao redor deles, Sara, Grace, Draco e Tobias continuavam rindo. E, pela primeira vez desde que chegaram ao Acampamento, os seis pareciam exatamente o que eram: seis jovens apaixonados, sentados juntos no meio de um castelo que em breve se transformaria em campo de batalha.

Por enquanto, porém, a guerra podia esperar.

Naquela manhã, o maior perigo de Hailey era simplesmente sobreviver às provocações dos próprios amigos.

___________

Uma semana havia se passado desde que Gareth e Hailey finalmente tinham se acertado. Sara havia sido a primeira a batizar o casal. Hareth. Segundo ela, era “perfeito, porque parecia nome de casal de novela e porque ninguém ali tinha criatividade melhor”. Hailey reclamara da escolha durante alguns minutos, Gareth adorara e, desde então, o apelido havia se espalhado pelo Acampamento como fogo em palha seca.

Mas, naquela manhã, nem mesmo Hareth era assunto suficiente para impedir que todos estivessem acordados antes do sol nascer. O Acampamento Meio-Sangue ainda estava mergulhado na escuridão quando as primeiras luzes começaram a aparecer nos chalés. Tochas eram acesas pelos corredores, portas se abriam e fechavam, passos apressados ecoavam pela grama úmida e mais de cem pessoas se preparavam para deixar o Acampamento rumo à Inglaterra.

Depois de algumas reuniões entre os diretores dos semideuses, Minerva McGonagall e representantes do Ministério da Magia, havia ficado decidido que seria melhor levar os guerreiros para Hogwarts o quanto antes. Eles precisavam conhecer o terreno onde a próxima batalha aconteceria, aprender suas rotas de fuga, identificar os pontos estratégicos e, principalmente, começar a treinar naquele ambiente.

A batalha estava prevista para dali a seis meses.

E seis meses pareciam muito tempo até que alguém percebesse quantas coisas precisavam ser feitas.

Como Hogwarts não permitia aparatação dentro de seus limites, o plano era utilizar o Expresso de Hogwarts a partir da plataforma 9¾. O Ministério havia autorizado que os semideuses e os membros da Audácia utilizassem o trem como transporte, evitando chamar atenção no trajeto.

O problema era chegar até Londres.

Mais de cem pessoas não poderiam simplesmente desaparecer do Acampamento de uma vez.

Por isso, Draco e Hailey seriam responsáveis pela aparatação em grupos. Seria complicado só os dois, mas juntos daria certo. Os audaciosos, por serem humanos normais, conseguiam usar os transportes trouxas sem correrem o risco de serem atacados por monstros e, por isso, haviam ido para Londres alguns dias antes. Draco e Hailey explicaram como chegar à plataforma atravessando a parede entre as plataformas 9 e 10 e estariam esperando pelo resto do grupo em Hogsmead. Para os semideuses seria muito perigoso, então Draco e Hailey estavam responsáveis pela aparatação.

Às três da manhã, Quíron já estava esperando os campistas reunidos em frente à Casa Grande. Alguns ainda bocejavam abertamente. Outros pareciam estar dormindo de olhos abertos. Os audaciosos, acostumados a acordar cedo para treinar, estavam menos destruídos que os semideuses, mas ninguém parecia particularmente feliz com o horário.

Quíron bateu as mãos uma vez, chamando a atenção de todos.

— Muito bem. Todos pegaram tudo o que precisam?

Uma sequência de “sim”, resmungos e acenos respondeu à pergunta.

Quíron assentiu e chamou Hailey e Draco para perto.

Hailey ainda segurava a varinha enquanto ajeitava a capa da Grifinória sobre os ombros por cima da roupa de trouxa. O cabelo estava preso de qualquer jeito, e as olheiras denunciavam que ela também preferia estar dormindo.

— Sei que vocês não estão nada felizes de acordar às três da manhã — disse ela, olhando para os rostos sonolentos ao redor —, mas foi necessário por causa do fuso horário de Londres.

Alguns semideuses filhos de Hermes soltaram gemidos de reclamação.

Draco tomou a palavra.

— Eu e Hailey vamos desaparatar com vocês até a estação de trem dos bruxos.

Um gemido coletivo foi ouvido.

— É desconfortável — ele continuou, claramente ignorando as reclamações —, mas é o jeito mais rápido de chegarmos a Londres.

— E antes que alguém tenha a brilhante ideia de tentar desaparatar sozinho — Hailey acrescentou —, não façam isso. Se vocês querem chegar lá inteiros, só obedeçam...

Gareth levantou a mão.

— E se alguém se separar no caminho?

— Não vai — Draco respondeu.

— Isso não respondeu minha pergunta.

— Porque a resposta é que não vai acontecer.

Sara riu.

— Ele está confiante demais.

— Ele é sonserino — Grace comentou. — Eles nascem com excesso de confiança.

Draco lançou um olhar indignado para as duas.

— Muito engraçado.

Quíron sorriu discretamente antes de continuar.

— A exigência da diretora McGonagall foi que os audaciosos utilizassem os uniformes da facção. Eles foram instruídos antes de partir. E estarão esperando a gente na plataforma já em Hogwarts porque não cabe todo mundo no trem, então eles já devem estar por lá. E os semideuses usassem o uniforme do Acampamento. Em Hogwarts, vocês começarão a treinar no próprio campo de batalha. Conhecer o terreno antes do confronto será uma vantagem importante.

Alguns assentiram seriamente.

Draco respirou fundo.

— Vamos fazer grupos pequenos. Eu e Hailey vamos fazer várias viagens. Assim ninguém corre o risco de se machucar por causa de uma aparatação coletiva grande demais.

— E tentem não vomitar em Londres — Hailey acrescentou.

Sara levantou uma sobrancelha.

— Isso foi uma ameaça?

— Um pedido gentil

Os grupos começaram a se organizar.

Quíron se aproximou dos primeiros.

— Boa sorte, meninos.

Dionísio, alguns metros atrás, limitou-se a erguer sua taça de vinho em um silencioso desejo de boa viagem.

Hailey segurou a mão de Gareth. Draco fez o mesmo com Sara, e o primeiro grupo se posicionou ao redor deles. Todos de mãos dadas.

— Prontos?

Todos assentiram.

— Três... dois... um!

O estalo característico da aparatação ecoou pela madrugada.

No segundo seguinte, o grupo estava em Londres.

A primeira viagem foi suficiente para arrancar alguns gemidos.

A segunda foi pior. E aí a quarta... quinta...

A sexta fez Hailey perceber que aquela ideia aparentemente simples seria muito mais cansativa e dolorosa do que imaginara.

Cada grupo precisava de um tempo sentados para se recuperar na plataforma 9¾, enquanto Draco e Hailey retornavam ao Acampamento para buscar os demais. Aparatar já exigia concentração. Fazer aquilo repetidamente, carregando outras pessoas junto, era outra história.

Depois de várias viagens, Hailey e Draco reapareceram na plataforma com outro grupo e imediatamente precisaram apoiar uma mão na parede.

— Eu nunca mais quero ouvir a palavra aparatação — murmurou Hailey escorregando pela parede e chegando ao chão

Draco estava ao lado dela, igualmente pálido, também sentado.

— Concordo.

Sara segurou o braço dele.

— Você está bem?

— Estou ótimo.

— Você está branco.

— Estou bem, amor...

Hailey soltou uma risada cansada.

— Ele vai vomitar.

— Você também.

— Eu sei.

Gareth se aproximou e segurou Hailey pela cintura.

— Quer deitar?

— Quero que o mundo pare de girar.

— Isso eu não consigo fazer.

— Então me deixa encostar em você.

— Essa parte eu consigo.

Ela apoiou a cabeça no peito dele. Gareth imediatamente passou os braços ao redor dela, mantendo-a firme contra o corpo enquanto fazia um carinho lento em suas costas.

— Melhor?

— Um pouco.

— Então fica aqui um pouco.

Hailey fechou os olhos.

— Você está gostando demais disso.

— De cuidar de você? Muito.

Ela sorriu contra o peito dele.

— Convencido.

— Só quando tenho motivos.

No fim, depois de mais duas viagens, todos estavam finalmente reunidos na plataforma e diante deles estava o enorme trem vermelho.

O Expresso de Hogwarts.

Hailey ficou alguns segundos olhando para ele. E Draco também. Os dois imersos em seus sentimentos

— Eu senti saudade.

Draco soltou um suspiro.

— Eu também.

— Você também?

— Não espalha.

Sara riu.

— Depois de tudo que vocês contaram, eu achei que você odiava Hogwarts.

Ela olhou para Draco.

— Hogwarts é diferente.

— E o trem? — Hailey perguntou.

— O trem eu sempre gostei. Essa distinção é importante.

Tobias olhou para os dois.

— Vocês realmente se odiavam tanto?

Hailey e Draco se entreolharam.

— Muito — disseram ao mesmo tempo.

Os seis riram.

— Olha só quem diria... — Hailey provocou. — Nem parece aquele canalha que tentou me jogar da minha vassoura.

Draco ergueu as mãos.

— Tá bom, tá bom. Me desculpa, está legal?

Grace arregalou os olhos.

— Sério?

— Éramos piores — Hailey respondeu.

— Muito piores — Draco confirmou.

E, durante boa parte da viagem, os seis ouviram histórias de Hogwarts.

Hailey e Draco contaram sobre as antigas rixas, as provocações, as disputas entre Grifinória e Sonserina, as aventuras que viveram com seus amigos e todas as situações absurdas em que acabaram se metendo.

Gareth ria das histórias.

Grace fazia perguntas.

Sara queria saber absolutamente tudo sobre a escola.

Tobias, embora fingisse estar mais interessado na paisagem, também ouvia atentamente.

O tempo passou rápido. Quando a noite começou a cair, Hailey percebeu que ainda precisariam trocar os uniformes.

— Meninas, precisamos nos trocar.

Os meninos foram imediatamente expulsos da cabine.

— Isso é injusto — Gareth reclamou do lado de fora.

— Você sobrevive — Hailey respondeu.

Dentro da cabine, Sara e Grace tentavam encontrar suas roupas no meio da bagunça.

Hailey, porém, estava diante do espelho que conjurou e se encarando vestindo novamente o uniforme completo da Grifinória. A camisa branca, a gravata nas cores vermelha e dourada, a capa preta com o brasão da casa. Ela passou os dedos pelo símbolo.

Grace percebeu.

— Parece que você gosta mesmo da sua casa.

Hailey sorriu de leve.

— Gosto.

Ela ajeitou a capa.

— Passei anos aqui. É estranho voltar assim

Grace terminou de abotoar a camisa.

— Onde você acha que vamos ficar?

— Não faço ideia.

Sara arrumou o próprio cabelo.

— Eu queria ficar na Sonserina.

Hailey olhou para ela.

— Por quê?

— Assim posso ficar mais com o Draco.

Grace riu.

— Você é muito descarada.

— Sou mesmo.

Hailey sorriu.

— Talvez você fique. Afinal, é filha de Hades.

Sara pensou por alguns segundos.

— E os outros?

Antes que Hailey pudesse responder, bateram à porta.

— Meninas? — Gareth chamou. — Podemos entrar?

— Ainda não! — Grace respondeu.

Alguns minutos depois, finalmente saíram.

O trem estava chegando ao destino.

Quando as portas se abriram e o frio da noite inglesa entrou, Hailey desceu os primeiros degraus.

Então viu alguém.

— HAGRID!

Ela correu.

O gigante mal teve tempo de abrir os braços antes que Hailey praticamente pulasse sobre ele.

— Hailey! — Hagrid riu, abraçando-a. — Fico feliz que esteja de volta!

A cena fez dezenas de pessoas pararem para olhar o gigante

Sara ficou boquiaberta.

Grace também.

Até Gareth parecia surpreso.

Hagrid finalmente soltou Hailey e olhou para Draco.

— Malfoy.

Draco ficou sério por um instante.

— Olá, Rúbeo.

Hagrid pareceu surpreso com o tom amigável. Draco respirou fundo.

— Queria, antes de chegarmos ao castelo, pedir desculpas.

Estendeu a mão. Hailey e Hagrid se entreolharam. Depois, Hagrid apertou a mão do garoto gentilmente

— Tudo bem, rapaz.

Draco assentiu. Hagrid então se virou para o grupo de semideuses e audaciosos que já haviam se juntado aos demais.

— Vamos? A professora McGonagall está esperando.

Eles seguiram para o castelo.

A visão de Hogwarts fez Hailey e Draco diminuirem o passo.

As torres iluminadas contra o céu noturno pareciam exatamente como ela lembrava.

Familiar.

E, ao mesmo tempo, completamente diferente.

No topo da escadaria que levava ao Salão Principal, Minerva McGonagall aguardava.

— Sejam bem-vindos, semideuses e audaciosos.

Hailey sorriu.

— Que déjà-vu...

Draco assentiu.

— Muito.

McGonagall voltou-se para os dois.

— E bem-vindos de volta, senhorita Cipriano e senhor Malfoy.

Os dois se aproximaram.

— Podem entrar e tomar seus lugares em suas casas.

Hailey e Draco trocaram um olhar antes de seguirem para o Salão.

McGonagall voltou-se para os demais.

— Eu e os diretores do Acampamento já providenciamos onde cada um ficará enquanto estiver residindo em Hogwarts. Os filhos de Ares, Hefesto e os membros da Audácia de que tem nome de A até F ficarão na Grifinória. Os filhos de Poseidon, Apolo, Deméter, membros da Audácia de G até N e Hermes ficarão na Lufa-Lufa. Os filhos de Atena, Afrodite, e as Caçadoras de Ártemis ficarão na Corvinal. E os filhos de Dionísio, membros da Audácia de O a Z e Hades ficarão na Sonserina.

Sara ergueu a mão.

— Mas eu ainda não fui selecionada.

McGonagall sorriu discretamente.

— A senhorita, não. Mas seu irmão, Nico, está aqui. Portanto, ficará na Sonserina. Bom... quando ele resolver reaparecer.

Sara fez uma careta.

A diretora então apontou para quatro adolescentes que haviam surgido ao lado dela, cada um usando um distintivo prateado.

— Estes ao meu lado são os monitores das casas. Eles acompanharão vocês até suas respectivas mesas. Todos lá dentro terão muitas perguntas, mas não respondam nenhuma até que eu faça meu pronunciamento.

Uma garota morena ergueu a mão.

— Grifinória, por aqui.

Os filhos de Ares, Hefesto e os audaciosos começaram a segui-la.

Outros monitores conduziram os demais.

Até que restaram apenas Sara e Grace.

McGonagall olhou para as duas.

— Bom, meninas. Sigam-me.

As amigas se entreolharam.

E entraram.