Mia Pellegrini POV

Estava na estrada em meu carro sozinha, voltando pra casa de uma longa e estressante viagem, tinha dado tudo errado nos últimos dias, tudo mesmo. A minha vontade era de gritar e arrancar todas aquelas imagens da minha cabeça. Eu queria esquecer que a última semana havia existido, cada segundo. Eu estava exausta e triste. Eu ouvia uma música qualquer que tocava no rádio mas que, de certa forma, me confortava. A escuridão e a falta de carros me assustava e só de pensar fazia-me arrepiar, mas as estrelas me encantavam tanto que eu encostei o meu carro e desci apenas para observá-las, às vezes a minha admiração pela natureza faz com que eu tome essas atitudes um tanto quanto loucas.

Me deitei no capô do carro, com as mãos atrás da cabeça e fiquei observando cada uma delas, eu queria poder ficar ali perdida nas estrelas pra sempre, sentindo aquela paz infinita, era reconfortante. A música tocava no fundo e eu fechei meus olhos, querendo sentir pra sempre aquela sensação que aquelas estrelas me traziam, eram tão lindas e brilhantes. Só não estava chorando porque não me restavam mais lágrmas. Fiquei por alguns minutos as observando até que começou a tocar "What Now — Rihanna", comecei a cantar junto baixinho me lembrando das últimas semanas e sentindo um aperto no peito. A letra da música era exatamente o que eu estava sentindo. "E agora?" Eu não sabia o que seria da minha vida dali pra frente.

Justin Bieber POV

Estava voltando da minha viagem rápida pra Nova York, tive que interromper minhas férias por conta da inútil da Emily, ela quase havia estragado tudo com o meu pai e eu tive que consertar a merda dela, ela não dava conta de nada sozinha. Sorte que eu consegui resolver tudo e voltar à tempo de curtir mais um pouco.

Encontrei um carro parado no meio da estrada, a pessoa só pode ser louca mesmo. Devia estar implorando pra acontecer um acidente. Parei o meu carro e desci, caminhei até o carro da frente e percebi que havia uma garota dos cabelos castanhos deitada no capô olhando as estrelas, completamente em outro mundo. A observei, ela era linda e gostosa. Resolvi me aproveitar dessa chance que a vida estava me oferecendo, sorri, depois de uma semana completamente carregada, eu merecia relaxar.

-São lindas, né? -Perguntei, assustando-a.

Mia Pellegrini POV

-São lindas, né? -Disse uma voz masculina me assustando, fazendo-me dar um gritinho ridículo, me repreendi por isso internamente. Me sentei imediatamente com o coração acelerado, respirando fundo tentando me controlar. Olhei para o lado pronta pra brigar com a pessoa que havia feito aquilo mas foi como um choque. Aqueles olhos claros e aqueles cabelos loiros e sedosos me paralisaram, eu não conseguia parar de olhar pro garoto à minha frente, ele não parecia real de tão bonito que era. Ele sorria abertamente, mostrando seus dentes completamente brancos e alinhados. Eu procurava algum defeito, em vão. O cabelo dele brilhava, os olhos brilhavam, os dentes brilhavam. Não consegui responder nem dizer nada. -Eu sou o Bieber. -Ele disse com seus olhos firmes me encarando, que voz sexy. Eu só podia estar sonhando. Aquilo era um presente que havia caído do céu. -E você é? -Perguntou o garoto fazendo-me acordar e voltar pra vida.

-É... eu, eu sou... desculpa... -Disse envergonhada pela minha atitude infantil, com certeza meu rosto já estava todo vermelho, me entregando. -Meu nome é Amélia. -Coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.

-Nome lindo. -Sorri sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha.

-Fala isso pra todas. -Pensei e o silêncio invadiu o local, logo me toquei que tinha falado aquilo em voz alta. -AI MERDA. -Coloquei a mão na boca. -Desculpa não era pra ser em voz alta, é que...

-Relaxa. -Ele me interrompeu. -Respira. -Ele disse claramente tentando segurar o riso. -O que uma gata dessas está fazendo parada aqui, no meio do nada? -Perguntou ele mudando de assunto e se aproximando, saí de cima do capô, ficando na sua frente, ele era apenas alguns centímetros mais alto que eu.

-Observando as estrelas. -Disse e sorri, as estrelas, sempre lindas e brilhantes. Ele se aproximou ainda mais, eu podia sentir a sua respiração quente se chocando contra minha pele e senti a minha respiração começar a se descontrolar.

-Além de gata, é louca. -Ele disse e riu. Ele tinha me chamado de louca? Ok, agora eu me sentia uma completa louca pronta pra ser internada. -Aqui é perigoso, Amélia. -Ele disse séria, não entendi qual era a dele.

-Pode chamar de Mia. -O interrompi, ninguém merece ficar falando Amélia o tempo todo, nome de velha. Minha mãe devia ter batido com a cabeça na parede quando eu nasci.

-Mia... tá vendo esse monte de mato em volta aqui? Então. Pode aparecer qualquer bicho daí e te comer todinha, até não sobrar mais nada. -Uou, se ele estava tentando me assustar, conseguiu. Imaginei um bicho gigante me picando em pedacinhos e os comendo em seguida. -Ou pode aparecer alguém querendo te fazer mal e você não vai ter nem como se proteger. -Dei um passo para trás, me afastando. Me dei conta de que ele podia ser essa pessoa, meu coração acelerado dizia-me pra entrar no carro e ir embora mas eu não conseguia abandonar um garoto tão lindo sem antes aproveitar um pouco. Não dava. Não importa o risco, eu estava disposta à qualquer coisa. Até porque, ele não tinha cara de um tarado, ele não precisava disso, com aquela beleza ele podia ter garotas à qualquer hora, eu tenho certeza.

-Mas além de gata e louca, eu também sou sortuda porque ao invés de aparecer uma dessas coisas aí que você falou, apareceu você. -Sorri descaradamente e mori o lábio inferior. Às vezes eu tenho esses ataques de atitude, o que nem sempre é bom.

-Verdade. -Ele também sorriu e segurou minha cintura, puxando-me para ele. Dessa vez parece que foi bom o meu "ataque". Encarei seus olhos cor de mel, que me olhavam com desejo. Seus lábios pequenos, perfeitamente desenhados e vermelhos, intimidantes.

Naquele momento, eu pensei na semana de merda que eu havia enfrentado. Era pra ser uma semana de diversão, estávamos nas férias de verão e eu e Briant, meu namorado, fomos para Miami. A minha intenção, era curtir a praia e esquecer todo o resto mas não foi o que aconteceu.

Já na ida, começou a dar tudo errado. Nós brigamos porque ele ficou reclamando dizendo que eu devia arrumar um emprego melhor porque o hotel que íamos ficar era uma merda. Por conta dessa briga estúpida, eu quase bati o carro. Tivémos que parar para eu me recuperar do susto e conseguir parar de chorar, o que só atrasou ainda mais a viagem. Parei de lembrar por aí, porque o resto da viagem era muito pior e eu não queria começar a chorar na frente do Bieber. Já tinha pagado mico o suficiente.

Só por esse primeiro dia, eu merecia um beijo, merecia um momento pra mim mesma, pra me sentir capaz de algo, me sentir últil. Eu queria saber que eu era boa o suficente pra alguma coisa. Então, eu não me importei se ele era um desconhecido, não me importei se ele poderia ser um psicopata pronto para me matar, simplesmente não me importei. Nada importava, eu não tinha mais nada à perder. Segurei seu rosto com as mãos e o puxei pra perto de mim, juntando nossos lábios, rapidamente ele apertou-me contra seu corpo enquanto nossas línguas se encontravam. Nos encaixamos perfeitamente, era como se cada detalhe dele fosse feito perfeitamente pra mim. Aquela era a melhor sensação que eu havia sentido em tempos, seu beijo era doce e maravilhoso. O Briant já não me fazia mais me sentir daquele jeito. O beijo começou calmo mas foi acelerando e esquentando, quando ele desceu a mão pra minha bunda e a apertou, eu vi que as coisas estavam muito rápidas e empurrei seu peito, parando o beijo.

-Eu só sei o seu nome. -Disse mais pra mim do que pra ele. Sabendo que o que eu tinha acabado de fazer era muito errado mas sem me arrependendimentos.

-Vai me dizer que você nunca pegou alguém que não conhecia na balada? -Disse ele completamente despreocupado, como se fosse a coisa mais normal do mundo você encontrar alguém na estrada escura no meio do nada e, sem nem conhecê-la, beijá-la.

-É diferente. -Disse.

O silêcio se instalou entre nós, ele encarava os meus seios fartos que, estavam livres por debaixo da regata em que eu usava. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu tentei de todos os jeitos parar, olhei pra cima, respirei fundo mas não consegui e comecei a chorar. Se ele já me achava louca antes, imagina agora.

-O que aconteceu? -Perguntou ele imediatamente levantando minha cabeça com os dedos. Olhei em seus olhos profundos, não conseguia obter nada deles, ele não demonstrava o que sentia. Parecia oco por dentro. Era estranho.

-Nada, eu preciso ir embora. -Me desvencilhei de seus braços e caminhei até a porta do meu carro, ele segurou meu pulso com força. -Me solta. -Disse sem me virar, encarando o chão. Com medo.

-Espera... Você não pode dirigir desse jeito. -Ele soltou meu pulso, talvez tinha percebido que estava machucando. Soltei o ar aliviada. -Vamos pra minha casa. -Me virei pra ele novamente e arregalei os olhos. Ele estava sério, me encarando, como se aquilo fosse normal, talvez pra ele fosse mas pra mim, não.

-Ficou louco? -Disse prontamente, eu não iria pra casa dele, pelo menos eu ainda tinha responsabilidade.

-Relaxa, eu moro aqui perto e com amigos, qualquer coisa você entra no seu carro e vai embora. -Fiquei em silêncio pensando no assunto. Eu tinha passado por uma semana realmente cansativa, precisava de alguma distração e dirigir sozinha por horas não me parecia uma boa opção, talvez eu estaria sendo mais responsável indo pra casa dele do que dirigindo com a cabeça a mil. Tá, eu sei que isso é só uma desculpa que eu inventei em minha cabeça. Seu rosto lindo, que me lembrava a neve de tão branco e perfeito, estava ali, esperando uma resposta. Eu não podia deixá-lo escapar.

-Ok. -Disse sem saber se era o certo a se fazer, um pouco desconcertada pelo seu olhar. Pensei em seu beijo, era o melhor que eu já provara.

-Prometo que você não vai se arrepender. -Ele abriu um sorriso lindo e sincero, foi a primeira vez que ele demonstrou algum tipo de emoção desde que me encontrou, o que me contagiou fazendo-me sorrir também, ainda com lágrimas no rosto.

Ele entrou no carro dele, esperei ele ir na minha frente para seguí-lo. Depois de meia hora chegamos em sua casa. Estacionei o carro e desci, parando ao seu lado.

-Essa aqui é a nossa casa de férias, não moramos o tempo todo aqui, apenas nas férias. Eu moro sozinho em um apartamento em Manhattan. -Ele apontou pra casa do outro lado da rua. Senti que meus olhos brilhavam, era enorme. Se aquilo era uma casa de férias, imagina a casa que ele morava em Nova York, eu havia passado a vida toda sonhando em morar em Manhattan.

-Não acredito! -Disse empolgada. -Que incrível. -Ele apenas sorriu e envolveu minha cintura com os braços para me guiar ao interior da casa. Senti um frio na barriga estranho.

-Por favor, não se assuste com a cena que você está prestes a ver. -Comecei à ouvir uma música vindo de dentro da casa e o medo me invadiu. -Relaxa. -Sussurrou ele em meu ouvido quando percebeu que eu já estava assustada sem nem ter entrado na casa. Respirei fundo e me acalmei. Eu acreditava que ainda não era minha hora de morrer.

Senti vontade de perguntar o porque de ele não estar curtindo com os amigos dele e ter pegado a estrada de madrugada mas deixei pra perguntar depois. Quando passamos pelo jardim, ele segurou minha mão e abriu a porta, a música estava em um volume razoável e eu abri a boca, aquilo não me assustava mas era no mínimo estranho e nada comum pra mim. Pensei em fechar os olhos mas se eles estavam daquele jeito, era porque não se incomodavam.

-O que eles estão fazendo? -Levantei os pés e sussurrei no ouvido do Bieber, que gargalhou, soltando minha mão e fazendo as outras pessoas notarem a nossa presença. Tenho certeza de que eu estava vermelha, quase roxa, de tanta vergonha. Tanto do Bieber quanto daquelas pessoas quase sem roupa e outras sem roupa.

-AEEEE, O BIEBER TROUXA UMA GOSTOSA PRA JOGAR COM A GENTE!!!! -Gritou um moreno com um copo de bebida em mãos, claramente alterado demais. Dei um passo para trás, recuando e cogitando a possibilidade de sair correndo dali mas ele percebeu e segurou minha mão novamente.

-Cala sua boca, seu lixo. Ninguém vai jogar nada não. -Respondeu ele grosso, puxando minha mão, obrigando-me a entrar de uma vez na casa e passar pelas pessoas, as garotas que estavam ali me olhavam torto e cochichavam entre si.

-Desculpa mano, pensei que era uma... -Bieber lançou um olhar ao moreno que o fez calar a boca na hora.

-Justin, que bom que voltou! -Uma loira magra e alta, usando apenas sutiã e calcinha veio até ele e o abraçou, sem tirar os olhos de mim um segundo sequer. Agradeci por não ser a que estava sem sutiã mas a xinguei mentalmente. O arrependimento de estar ali começava a bater. Para desviar o olhar, olhei para o que estava atrás deles, havia um vidro aberto que dava acesso à uma linda piscina, meus olhos devem ter brilhaod ao ver aquilo. Reparei no jeito que ela tinha o chamado, Justin. Era muito melhor do que Bieber.

-Menos, Mad. -Ele afastou a garota, que fechou a cara e voltou até o sofá, se jogando e cruzando os braços. Alguém colocou as mãos em minhas costas, fazendo-me dar um pulo de susto.

-Calma gatinha, toma uma pra relaxar. -Disse um loiro me entregando uma garrafinha de cerveja, eu aceitei e peguei. -Fala mano. -Ele cumprimentou Bieber (ou Justin, ainda não tenho certeza), e também o entregou uma cerveja. -Como foi a viagem? -Perguntou o loiro.

-Deu tudo certo. -Bieber abriu um sorriso e o loiro comemorou. -Vem. -Ele sorriu pra mim sem mostrar os dentes e continuou puxando minhas mãos, subindo as escadas. Eu parei, fazendo-o se virar pra mim. -Confia em mim. -Disse ele, aquela voz, aquela beleza fora do normal... Dei um gole em minha cerveja e continuei o acompanhando. -Sinta-se em casa. -Ele disse após abrir a porta de seu quarto e entrarmos. Ele soltou minha mão e fechou a porta, tirando os tênis em seguida. -Não vai falar nada? -Perguntou ele caminhando em direção à cama e se sentando, ele sentou-se com as pernas abertas e deu um gole em sua cerveja, bagunçando os cabelos em seguida. O que me fez perder a noção, era fora do normal o quanto aquele garoto era sexy. Naquele momento ele me fez imaginar coisas inapropriadas que eu não deveria estar imaginando.

-O que eles estavam fazendo? -Repeti minha pergunta, referindo-me às pessoas da sala. Caminhei até a cama, tirei minha bota e sentei-me do seu lado.

-Strip poker. -Ele percebeu que aquela resposta não explicava absolutamente nada pra mim e riu da minha cara de novo. -É um jogo, é tipo poker só que ao invés de dinheiro, quem ganha a rodada tem o direito de escolher uma pessoa pra tirar uma peça de roupa.

-Nossa. -Disse dando mais um gole na cerveja. -Parece ser legal.

-Quer jogar? -Perguntou ele não parecendo estar muito afim. Eu imaginei como seria vê-lo de cueca, suspirei, eu queria muito ver aquilo. Quando percebi que ele me encarava, fiquei vermelha novamente e neguei com a cabeça.

-Daqui a pouco o dia vai amanhecer. -Lembrei, sentindo os olhos pesados, eu estava com sono. Não dormi direito em nenhum dia da viagem.

-Você dorme na minha cama e eu durmo lá em baixo, pode ser? -Disse ele dando três goles seguidos na cerveja e colocando a garrafinha vazia em cima do criado mudo.

-Eu deixo você dormir comigo se você prometer não fazer gracinhas. -Eu disse. Não tinha mais dezesseis anos pra ficar assustada de dormir com um garoto e eu queria dormir com ele, sentir seu calor aquecendo meu corpo. Ele deu uma piscadela completamente sexy, fazendo-me morder os lábios inferiores.

-Já que você insiste. -Brincou ele e eu ri. Terminando a minha cerveja também. -Agora me conta o porque de você estar parada no meio da estrada observando as estrelas sozinha e ter começado a chorar do nada, tô curioso. -Ele deu uma pausa. -E preocupado. -A tristeza me invadiu novamente, fazendo meu corpo cansado cair sobre a cama. Eu não queria falar sobre isso mas acho que seria bom contar pra alguém.

-É uma longa história... -Disse começando mas ele me interrompeu.

-Amo longas histórias mas espera, vou buscar algo mais forte pra gente beber.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.