Larmes
1 Recomeço
Notas iniciais
Ela era só mais uma menina de uma família abastada, uma menina que fora criada com todo amor que era possível dar a uma criança, mas ela também era uma menina, que logo se tornou uma mulher, que não podia ver quem realmente a amava. E acreditem todos nós somos assim. Só que essa menina, ou melhor, essa mulher, passou por uma experiência única, dolorosa, mas única para qualquer um. Ela após um acidente, que lhe colocou em coma profundo, pode se hospedar no corpo de outra garota e assim ir atrás de três lágrimas de amor verdadeiro para que pudesse voltar a viver. Com isso ela descobriu que nem todos aqueles que choram por aqueles que morrem, choram porque amavam aquele que se foi. Ela descobriu que aqueles que se diziam fiéis não eram tão fiéis assim. Descobriu também o quão puro é o amor de um pai e uma mãe, e o quão fiel pode ser uma amiga. Ela pode ver a falsidade nos olhos daquela que lhe dizia palavras de conforto dizendo ser sua “melhor amiga”, assim como a ambição, na mente febril daquele com quem estava prestes a se casar. Também testemunhou a história de um rapaz condenado a ser um programador, vulgo “anjo da morte”, que para poder voltar à vida e se despedir daquela que mais amava, acompanhava aqueles que morriam em seus últimos minutos. Além de todas essas histórias ela criou um laço indestrutível com aquela que lhe emprestou o corpo durante esses quarenta e nove dias, e reconheceu nos olhos daquele homem que sempre esteve ao seu lado como um amigo fiel, um amor que ultrapassava qualquer barreira. E assim se passaram os quarenta e nove dias de Shin Ji-hyeon, e hoje ela está abrindo seus olhos, não só para aquelas pessoas que estavam ansiando pela sua volta, mas para ela mesma, para os seus sentimentos, e para o verdadeiro amor.
O quarto estava calmo quando ela abriu seus olhos e viu a cabeça de sua amiga Park Seo Woo, sobre seu colchão. Ela pode sentir uma lágrima escorrer dos seus olhos quando a viu, ali debruçada ao lado do seu corpo e lentamente levantou sua mão direita, pousando-a sobre os cabelos daquela que tantas vezes, durante aqueles quarenta e nove dias fez companhia ao seu corpo imóvel. Quando as lágrimas já estavam descontroladamente escorrendo pelos olhos de Ji-hyeon, Seo Woo se levantou procurando pela mão que estava sobre sua cabeça e ao se virar não vê ninguém no quarto silencioso de Ji-hyeon, mas percebe ao voltar seus olhos para a cama da amiga que os olhos da mesma não estavam mais fechados. A princípio ela pensa estar sonhando, mas quando a mão da amiga alcança seu rosto e ela consegue ver um sorriso acompanhado de uma lágrima, ao ver que a amiga não está mais dormindo. Isso a faz empalidecer um pouco e completamente sem fala, ela impulsivamente faz menção de correr até a porta do quarto para chamar alguém, mas não consegue dar sequer um passo quando a mão de Ji-hyeon segura seu pulso lhe impedindo de fazê-lo.
— Seo Woo!! – disse com uma voz fraca, enquanto segurava seu pulso.
— Ji-hyeon!! – disse com lágrimas nos olhos.
Com isso Seo Woo se curvou em direção ao corpo da amiga e segurou-a contra si em um abraço forte e repleto de lágrimas. Ao colocá-la de volta a sua posição original, Seo Woo lhe deu um doce beijo no rosto, que fez com que seu choro se tornasse ainda mais inevitável. As duas ficaram uns minutos a se olharem e rirem uma para a outra, até que Seo Woo perguntou como ela estava.
— Estou bem Seo Woo – disse segurando a sua mão.
— Eu preciso chamar seus pais, eles não vão acreditar quando souberem. – disse animada.
— Sim, mais antes eu quero ficar sozinha aqui com você. – disse surpreendendo à amiga.
— Por que Ji-hyeon aconteceu alguma coisa?
— Não! Eu só quero ficar aqui com você. – disse sorrindo enquanto acariciava o rosto da amiga.
Depois de uns minutos ali ao lado de Seo Woo, Ji-hyeon finalmente rompeu o silêncio e disse:
— Seo Woo, eu te amo!
Isso fez com que Seo Woo risse.
— O que foi?
— É estranho ouvir você dizendo isso, assim do nada.
— Hum... entendo, mas se acostume pois eu direi isso sempre. Eu te amo, Seo Woo! – disse olhando nos olhos da amiga, com uma expressão divertida no rosto.
— Eu também te amo Ji-hyeon, eu te amo muito, eu senti tanto a sua falta. – disse chorando enquanto envolvia a amiga em um abraço carinhoso.
Após isso elas foram interrompidas por alguém que abriu a porta do quarto. Eram os pais de Ji-hyeon. As duas se separaram e dirigiram seus olhares para o pai de Ji-hyeon que abriu a porta.
— JI-HYEON!! – disse com um tom exaltado, quando viu sua filha de olhos abertos. E em seguida sua mãe, em prantos, correu em sua direção, o que fez com que Seo Woo se afastasse da cama, dando espaço aos pais eufóricos.
Depois que todos se acalmaram Ji-hyeon pediu para que seus pais a deixassem a sós com Seo Woo por um momento. Ambos acataram ao pedido da filha e Seo Woo sem entender o porquê do pedido demonstrou estar surpresa.
— O que foi Ji-hyeon? – perguntou depois que os pais de Ji-hyeon se retiraram.
— Eu quero te pedir um favor Seo Woo. Eu quero que você traga Han Kang aqui ainda hoje.
— Han Kang?
— Isso!
— Tudo bem eu o trarei aqui!
— Obrigada – agradeceu segurando as mãos de Seo Woo.
— Bom, agora eu devo ir. Vou chamar seus pais para ficarem com você, e falarei com Han Kang para que ele venha te ver. – disse ao se despedir.
— Tudo bem, obrigada Seo Woo. – agradeceu enquanto Seo Woo lhe dava um beijo na testa.
* * *
Mais tarde enquanto Ji-hyeon estava dormindo Han Kang chegou ao seu quarto. Sem acordá-la trocou as flores do vaso que ficava próximo a sua janela, e olhando-a com um sorriso doce disse:
— Obrigado por voltar!
Quando estava se virando para o lado oposto pode ouvir uma voz rouca e fraca dizer:
— Obrigada por vir!
E imediatamente se virou em direção a ela, com os olhos lacrimejantes. Enquanto a olhava sem reação pode sentir a mão macia de Ji-hyeon segurar a sua.
— Han Kang, você pode me fazer um favor?
— Claro! – respondeu saindo do transe após ter ouvido Ji-hyeon.
— Tranque a porta!
Um pouco surpreso com tal pedido Han Kang se levantou, foi em direção à porta do quarto de Ji-hyeon e a trancou. Voltou logo em seguida se colocando de pé na frente da cama de Ji-hyeon.
— Pode me ajudar a ficar sentada?
Han Kang segurou-a por debaixo dos braços colocando-a sentada na cama.
— Sente-se aqui. – pediu indicando o espaço vazio da cama próximo ao seu corpo.
Quando Han Kang se sentou foi puxado por Ji Hyeon que lhe beijou levemente a boca.
— Ji-Hy-eon!! – exclamou Han Kang assustado com o ato de Ji-hyeon.
— Han Kang, eu amo você, e eu sei que você também me ama. Eu me lembro dos 49 dias. Eu voltei, eu estou tendo mais uma oportunidade para levar a minha vida da melhor maneira possível, e eu quero viver essa vida com você, eu quero amar você.
Quando Ji-hyeon terminou de falar Han Kang estava com lágrimas nos olhos.
— Eu também te amo Ji-hyeon. Se eu tivesse tido coragem e confessado o meu amor por você quando eu comecei a sentir tudo o que eu sinto por você, aquele acidente poderia não ter acontecido, e você não teria sido alvo da ganância do Min Ho. – disse chorando.
— Não! Você não deve se culpar por isso. Você também foi uma vítima nessa história toda, não vamos mais sofrer por tudo o que aconteceu. Promete? – disse erguendo seu dedo mindinho.
— Prometo! – disse cruzando seu dedo mindinho ao de Ji-hyeon.
Após fazer isso Han Kang foi puxado por Ji-hyeon que lhe beijou novamente, mas dessa vez de maneira mais forte. O que fez Han Kang abraça-la segurando firme seu corpo contra o dele. E assim Han Kang e Ji-hyeon tiveram seu primeiro beijo em meio aquele abraço forte e caloroso. Depois de uns minutos a sós em que eles conversaram sobre tudo o que estavam sentindo, os pais de Ji-hyeon voltaram para o quarto. Han Kang se levantou e se curvou quando os viu entrar. A mãe de Ji-hyeon cumprimentou Han Kang e foi em direção à cama da filha, sentando-se ao lado dela. Depois que o pai de Ji-hyeon cumprimentou Han Kang, Ji-hyeon disse:
— Eu amo o Han Kang, e nós vamos ficar juntos de agora em diante. – disse sorrindo, e com um tom firme. Fazendo seus pais a olharem com surpresa.
— Pai, me dê permissão para namorar Ji-hyeon. – disse se curvando frente ao pai de Ji-hyeon.
Quando Han Kang ergueu sua cabeça, Il Sik o guiou para perto da cama de Ji-hyeon, ficando ambos juntos a mãe de Ji-hyeon. Il Sik pegou a mão da filha e colocou-a sobre a mão de Han Kang, e disse:
— Han Kang, eu estou te entregando o meu bem mais precioso, portanto, cuide bem dela.
— Pode deixar Pai. – disse em meio a lágrimas relutantes.
Os pais de Ji-hyeon acariciaram as cabeças dos dois que estavam de mãos dadas.
— Ji-hyeon, você está com fome? – perguntou a mãe de Ji-hyeon.
— Não, mas eu queria dar uma volta lá fora, depois que eu voltar eu como alguma coisa, pode ser?
— Claro, Han Kang você pode dar uma volta com ela?
— Posso sim.
— Vamos lá – disse Han Kang à Ji-hyeon enquanto movia-a para seus braços.
Quando ela estava em seus braços eles se olharam por um breve segundo, que fez com que Han Kang sentisse seu coração pular. Mas logo Han Kang a colocou na cadeira de rodas e eles saíram do quarto. Já fora do quarto Han Kang percorreu os corredores do hospital empurrando a cadeira de rodas de Ji-hyeon, com um sorriso que ele já não conseguia mais controlar. Ele se sentia confortável sorrindo ali, um momento só dele, em que ele podia esboçar todo aquele turbilhão de felicidade que estava prestes a explodir, por meio de um sorriso. Ele estava com a mulher que sempre amou, a mulher que ele sempre olhou de longe, a mesma que ele viu ficar noiva do seu melhor amigo, que agora já não era mais um amigo. O que se passava no coração e na mente de Han Kang o levava a pensar que tudo aquilo era mentira. Tudo o que ele sempre quis ele conseguiu nos últimos trinta minutos. Nos últimos trinta minutos ele a beijou, a pediu, formalmente, em namoro aos pais, e agora estava guiando a sua cadeira para um lugar tranquilo no jardim do hospital. Quando já estavam no jardim do hospital Han Kang parou a cadeira de Ji-hyeon próxima a um banco onde se sentou e sem pensar em nada abaixou sua cabeça e começou a chorar descontroladamente.
Ao vê-lo chorar daquela maneira Ji-hyeon pode sentir as lágrimas escorrerem de seus olhos, e sem saber o que dizer acariciou os cabelos de Han Kang enquanto dizia que lhe amava.
— Me desculpe por isso. – disse enquanto enxugava as próprias lágrimas.
— Não... não peça desculpas por isso Han Kang, eu te amo. – disse sorrindo.
Então Han Kang segurou firme a mão de Ji-hyeon. E disse:
— Essa mão... Eu nunca mais vou soltá-la.
Os dois ficaram ali juntos por mais uns minutos e depois retornaram ao quarto de Ji-hyeon, onde se despediram. Han Kang voltou para seu restaurante onde se encontrou com Song Yi Kyung, aquela que hospedou o espírito de Ji-hyeon em seu corpo, e que passou a trabalhar em seu restaurante quando ainda estava ligada a Ji-hyeon.
— Olá Yi Kyung! – disse sorrindo.
— Olá Han Kang, como foi no hospital?
— Sua irmã voltou! – disse sorrindo e abraçando Yi Kyung.
Depois que Ji-hyeon parou de usar o corpo de Yi Kyung, certo dia quando estava na casa de Ji-hyeon, Han Kang viu uma foto de Ji-hyeon quando criança onde ela estava ao lado de outra menina e quando perguntou à mãe de Ji-hyeon quem era aquela menina, ela afirmou ser a irmã de Ji-hyeon que foi sequestrada em uma estação de ônibus. Na foto ele pode reparar que a menina carregava uma mochila igual a que ele tinha visto na casa de Yi Kyung, e com isso ele se lembrou de que Yi Kyung lhe contou que foi abandonada pela mãe. Ele pensou que seria uma mera coincidência, mas mesmo assim resolveu apresentar Yi Kyung a mãe de Ji-hyeon. Quando a conheceu Yi Kyung não reagiu muito bem, mas depois de conversarem, tudo se esclareceu e elas fizeram o teste de DNA que confirmou sua relação de mãe e filha.
— Você deve ir vê-la, ela provavelmente se lembra de você – disse sorrindo.
— Você está querendo dizer que ela se lembra dos quarenta e nove dias? – perguntou esperançosa.
— Isso mesmo, ela se lembra. Ela se lembra de tudo. – disse sorrindo.
— Han Kang, aconteceu alguma coisa?
— Nós estamos juntos, nós nos beijamos. Ji-hyeon é minha namorada. – disse rindo descontroladamente.
Surpresa, Yi-kyung abraçou Han Kang o felicitando.
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