Laranja Azeda
70 Capítulo 70 –DR
Notas iniciais
—Eu não posso acreditar no quanto fui idiota! –Exclamou Otto furioso entrando na cabana de Santana –Eu desisti dos meus poderes por você e como sou recompensado? Você aparece grávida de outro!
—As coisas não são tão simples assim! –Dizia Santana tentando acalma-lo –Vamos conversar e resolver tudo.
—Resolver tudo? Você por acaso vai devolver meus poderes? Vai curar a dor em meu peito? Vai apagar a humilhação que passei na frente de toda a tribo ao saber que você esta grávida de um pivete ao invés deste rei?
—Eu não...
—Isso mesmo! Você não pode fazer isso! A única coisa que poderia minimizar era abortar, ainda assim...
—Já chega! –Santana gritou com tanta força e poder que o teto da cabana foi arrancado e jogado fora pelo impulso de sua fúria –Sei que errei, mas posso explicar! Mas não ouse sugerir aborto novamente! Eu amo a vida que esta crescendo dentro de mim e não abriria mão dela nem pelo amor que sinto por você! –O coração da ruiva batia à mil, as palavras saiam como disparos de sua boca e acabou desabafando dores há muito tempo guardadas –Você por acaso me ama mesmo?
—Claro que sim, mas...
—Então por que é sempre você a colocar obstáculos para ficarmos juntos?!
—O quê?
—Eu te amei desde o início e você não me dava ousadia e depois disse que também me amou naquela época, mas me deixou ficar feito boba babando por você ao invés de tomar uma iniciativa. Quando fomos nos casar e você foi possuído pelo Adam, o que eu fiz? Desisti ou fiquei com drama? Não! Eu lutei por você! Fiz tudo que estava ao meu alcance e quando não foi o suficiente transcendi meus próprios limites, me tornei uma xamã e te salvei, sacrifiquei meus poderes por você e por todos nossos amigos e como você retribuiu isso? Fazendo drama dizendo que não conseguia ficar perto de mim, pois eu era afetada pelo seu hormônio.
—Não seja injusta! Você sabe que não podia ter certeza de seu amor e isso me machucava.
—E não machucava à mim? Eu te amava com todas as minhas forças quando estava distante de ti e quando te encontrava ficava toda retardada pelo seu poder, mas você podia tentar alguma coisa, ao invés disso se afastou de mim. Eu tomei a iniciativa de arrumar um jeito de ficarmos juntos, fiz algo que nenhum humano fez, arrisquei minha vida, meu corpo e minha alma só pra poder ficar com você!
—Mas você esta grávida de outro e...
—Estamos numa ilha onde todo mundo transa com todo mundo, inclusive nós, não é como se eu tivesse te traído.
Houve silêncio, Otto ainda estava furioso, mas as palavras de Santana lhe atingiram com força, ela estava certa, foi ela quem lutou por seu amor todo esse tempo. E o que ele fez? Só ficou esperando, como uma princesa presa numa torre. O rei tinha passado boa parte da infância trancado por não conseguir controlar seu hormônio, já saíra daquela torre há anos, mas parecia ainda estar trancado. Ele era um rei e Santana uma verdadeira guerreira que lutava por seu amor. Entretanto as palavras dela mostravam o quanto ele não retribuía. E se ela se cansasse de lutar por aquele amor? Se ela não mais o procurasse? Seu amor morreria?
Uma dor ainda maior tomou conta do seu peito, a dor da suposta traição pareceu diminuta comparada com a de perder o amor de sua vida.
—Santana...
—QUE É?! –Gritou ainda furiosa.
—Me desculpe –Aquelas simples palavras a desarmam –Pode me explicar como aconteceu, me diga como ficou grávida do Hector.
—Como sabe, não podemos engravidar na ilha, mas quando estávamos na Cidade, ambos paramos de comer das frutas e quando fomos procurar a Cupido ela usou seu poder em nós, fazendo-nos transar, e não sou hipócrita pra dizer que foi ruim, por que foi ótimo. Mas foi só quando cheguei na ilha que soube que estava grávida e quase enlouqueci quando soube que era dele e não seu.
—Então você não teve culpa.
—Não, nem o Hector, nem mesmo a Cupido, não há culpados aqui –Ela acariciou a própria barriga –Apenas vida.
—Eu te amo –Disse Otto com os olhos cheios de lágrimas –Não só por antes você ser a única que podia me amar de verdade, mesmo que assim não fosse, eu ainda a amaria. Você é a pessoa mais incrível que já conheci, afinal abri mão meus poderes por ti, desculpe por ter dito que essa era minha melhor parte, eu estava errado, o que há de melhor em mim é meu amor por você.
Eles se abraçaram com força e choraram juntos. Santana recentemente teve dúvidas daquele amor, pois se sentiu atraída pelo Hector, mas estando nos braços do Otto não restava dúvida do seu amor. Talvez tenha confundido o imenso carinho que sente pelo garoto com amor, isso somado ao foto de estar carente e dele tê-la consolado, ela o amava imensamente, mas de uma maneira completamente diferente do amor arrebatador que sentia pelo rei.
—Desculpe por ter sugerido o aborto.
—Até mesmo eu já tinha pensado nisso, mas hoje amo essa criança com todas as minhas forças.
—Ela pode não ser minha, mas a amarei como se fosse.
—Muito obrigada por dizer isso. Mas agora temos que ir, todos estão nos esperando na praia.
Toda a tribo esta reunida diante de uma pilha de madeira com um corpo enrolado num pano branco, aquela era uma cerimônia fúnebre, uma despedida de Beatriz. Quando Otto e Santana chegaram de mãos dadas, Hector e Felix sentiram um peso ser tirados de seus corações. O casal real foi até o altar improvisado.
—Irmãos –Começou Otto –Hoje foi um dia muito conturbado, mesmo com tantos segredos sendo revelados, temos que encontrar um jeito de seguir em frente e...
—Mentiroso! –Gritou um homem na multidão.
—Manipulador! –Gritou uma mulher e foram apoiados por muitos que começaram a vaiar.
Cupido deu um passo à frente pronta para usar seu poder, mas Otto lhe indicou que parasse.
—Eu tenho que fazer isso! –Ele dobrou os joelhos e encostou a cabeça no chão calando a multidão –Eu peço perdão à todos! –Ele se levanta –Por muito tempo os possuidores dos hormônios eram a lei, mas nos últimos anos mudamos isso, vocês tiveram mais liberdade, vocês não são meus escravos, são meu povo, meus amados amigos. Peço que perdoem meu erro, pois até mesmo reis erram, sei que todos estão de cabeça quente. Amanhã façam suas escolhas, mas peço que ao menos hoje, fiquemos unidos como irmãos para mostrarmos respeito a uma de nós que partiu. Para nos despedirmos de Beatriz.
Todos concordaram, alguns foram chamados para dizer algumas palavras, entre eles estava Charmosa:
—Ela foi uma grande amiga, me ajudou a suportar e superar da perda de Preciosa –Outros a seguiram e por fim foi a vez de Anna.
Fabrício a olhou com atenção imaginando quais seriam suas palavras, ela que sempre sorria, que sempre falava insanidades nos momentos mais difíceis. Qual seria o show da garota de mechas azuis naquela noite?
—Eu estou feliz, realmente muito feliz –Todos a olharam curiosos e confusos –Estou feliz, pois posso me despedir, por que tenho um corpo para velar. Durante toda minha vida passei por loucuras e conheci muita gente de quem gostei, mas sempre fui péssima com despedidas, mas dessa vez queria desesperadamente dizer algumas palavras –Ela se virou para a pilha de madeiras olhando para o corpo de sua amiga –Beatriz, você foi tudo de bom que alguém pode ser por outra, foi minha melhor amiga, minha irmã, minha protetora... Foi meu amor –A garota ruiu em lágrimas –Você lutou por mim até o final, obrigado... Obrigado Beatriz! Nunca vou te esquecer!
Otto pegou uma tocha e entregou a Anna que se abaixou acendendo a fogueira, a madeira começou a estralar, faíscas saltavam ao ar e as chamas se elevavam até cobrir o corpo da negra. Anna chorou loucamente, Fabrício foi consola-la seguido pelos gêmeos. Charmosa chorava abraçada à Mike. No meio de tantas pessoas tristes estava uma senhora, Pérola estava na última fila e chorava.
—Me desculpe pobre garota, foi por causa do meu filho que você morreu. Tantas noites rezei aos deuses que o trouxessem de volta e hoje só queria que ele nunca tivesse retornado.
Ainda naquela noite, Mike se distanciou tribo e se ajoelhou numa clareira.
—Não sei como se faz isso, mas vou tentar. Ó deusa gata, atenda o chamado desse seu humilde cervo, temente e ado-
—E aí? Beleza?
Mike deu um grito e caiu pra trás do susto, diante dele estava uma mulher nua com orelhas e rabo de gato e com um gato de verdade brincados correndo ao redor de suas pernas.
—Nossa, não pensei que seria tão fácil –Admitiu o asiático.
—E não é, mas nós, deuses, estamos furiosos com essa seita do bode, estamos literalmente em guerra e isso pede que sejamos mais diretos. Inclusive não se acostume a grandes demonstrações de poder como hoje, na única vez que emprestei meu poder a Estrela, ela teve que sacrificar sua vida.
—Sinto muito se abusei.
—Imagina, tudo bem. Mas por que me chamou?
—Bem... Queria te ver, você é... Incrível!
—São seus olhos –Disse a deusa dando uma risadinha seguida de um ronronar –Mas já que me convocou, podemos fazer algo melhor do que ver um ao outro.
—Tipo?
—Tipo tocar –Ela deu um passo á frente e cruzou os braços ao redor do pescoço do asiático –Morder, arranhar, fazer gemer.
—Você esta falando a minha língua, deusa gata.
—Pode me chamar de Felícia.
Eles se beijaram e o gato correu entre suas pernas e depois desapareceu. Beijar uma deusa era como beijar uma mulher normal, o que faz um beijo ser especial é um conjunto de fatores, pode ser o amor ou a adrenalina, a sensação excitante de algo novo, talvez algo errado ou proibido. Beijar Felícia foi provar um sabor divino, Mike adorou.
Se deitaram pelados na grama e o asiático sentiu na pele a habilidade da língua da deusa gata. Ela chupou seu pescoço, lambeu seus mamilos lhe fazendo gemer, enquanto deslizava suas unhas afiadas por suas pernas. Desceu lambendo todo seu corpo até chegar em sua rola, lambeu a glande como um gato tomando leite, depois abocanhou engolindo até o talo.
Quando já estava todo babado, montou sobre ele e sem usar as mãos encaixou a buceta naquela piroca e sentou até senti-la bem no fundo. Ambos gemeram alto.
—Que buceta gostosa!
—Você ainda não viu nada –Felícia se apoiou em seu peitoral, empinou a bunda e começou a rebolar gostoso na piroca do asiático.
Mike revirava os olhos sentindo o calor percorrer seu corpo, a maravilhosa sensação de seu pau entrando e saindo daquele buraco quente e molhado. Mas as surpresas não paravam por aí. A calda da deusa começou a acariciar suas pernas, depois procurou espaço até chegar em sua bunda e sem aviso prévio o penetrou.
—Oooor! –A calda teve uma ereção e secretou lubrificante da ponta lambuzando o cú do rapaz e o penetrando –Como?
—Minha calda pode ser usada de diversas maneiras, posso fazer movimentos rápidos –Dizendo isso a calda começou a se mover pra dentro e pra fora numa velocidade incrível que fez Mike gritar e revirar os olhos –Posso fazê-la engrossar –A calda começou a inchar dilatando seu ânus –Posso ir mais fundo...
—Aaaaar! –Seu pau pulsou dentro da deusa –Vamos assim! –Mike agarrou os quadris de Felícia e começou a meter gostoso, a deusa por sua vez gemia e movia sua calda penetrando o cú dele.
Mike estava tendo uma bela visão, os peitos da deusa balançavam, ele os apertou, eram macios e firmes e os mamilos duros como pedra. Ela arranhou seu tórax lhe provocando arrepios. A calda o penetrava como se fosse uma rola dura e grossa que metia gostoso. Eles nem tentaram explorar outras posições, aquela esta perfeita.
Depois de uns quinze minutos gemendo, suando, tremendo e gritando, chegaram ao ápice. Mike se assustou ao sentir uma gozada quente dentro de seu cú, ao mesmo tempo que a buceta da deusa soltava jatos quentes em seu cacete. Felícia gozava como homem e mulher ao mesmo tempo! Seu orgasmo devia ser incrível! Ela gemeu e gritou rebolando no cacete do rapaz no modo turbo.
—Oooooooor!!! –Mike gozou como fogos de artificio dentro daquela buceta divina. Felícia saiu de cima e se pôs a lamber o resto de esperma da rola do rapaz, como um gato tomando leite quente –Isso... Foi... Incrível.
—Podemos repetir muitas vezes, mas primeiro tem que tomar cuidado, pois estamos em guerra. Sinep deve atacar em breve.
—Mas ele é um recém nascido.
—Se eu fosse você, não contava com isso.
Longe dali, no meio do pântano magicamente criado, a seita do bode tinha um maravilhoso jantar, onde todos comiam felizes, com exceção de Tobias que não conseguia parar de pensar na falecida Beatriz.
—Quando você vai superar? –Perguntou Diana apoiando a cabeça em seu ombro.
—Como você superou tão rápido? Ela era sua filha!
—Beatriz sempre foi incrível, não penso em sua morte como uma perda, penso nela com muito orgulho, foi graças ao seu sacrifício que o deus Sinep pôde entrar nesse mundo.
—Ainda assim, eu acho-
—Vejam! –Exclamou uma mulher, todos na seita se viraram para ver James vindo em sua direção de mãos dadas com um garoto de uns dez anos.
—Sinep seja louvado! –Exclamou até mesmo Diana surpresa!
—Como lhes disse antes, não precisaremos esperar vários anos para Sinep estar ao seu auge, é só questão de dias.
O garoto sorria feliz para todos, ele era muito bonito, sua pele era bronzeada, seus olhos espertos e vibrantes, tinha um semblante angelical. Ele estava nú, seu órgão sexual era de um adulto bem dotado. No lugar dos pés estava um par de cascos fendidos, o único detalhe assustador naquele garoto tão belo.
—Boa noite, fico muito feliz em ver que todos estão bem –Aquelas foram as primeiras palavras que a seita ouvia de seu deus. Todos se ajoelharam, alguns foram ao choro de emoção.
—Eu mesma irei costurar a mais bela roupa do mundo para o senhor –Se ofereceu Diana.
—Não será preciso, prefiro ficar nu. Roupas só são necessárias para o frio, no clima dessa ilha o certo é andarmos todos pelados –Disse Sinep lhe lançando um feliz sorriso.
—Ele é tão lindo, James! –Exclamou Diana como se fosse uma mãe orgulhosa.
—Lindo e poderoso, minha cara. Antes de virmos pra cá, ele fez uma demonstração de seu poder que vai mostrar para a tribo como realmente se começa uma guerra.
Longe dali, mas precisamente no local onde James ensinou Santana a se tornar uma xamã, o silêncio da noite estava prestes a ser quebrado. Ali estava a enorme estátua negra e lisa esculpida em ônix na forma de um enorme bode, sobre a qual James meditou incontáveis vezes, seus olhos de repente brilharam vermelhos escarlates e o que antes era uma escultura inanimada ganhou vida! A estátua deu passo, depois outro, depois se despreguiçou como estivesse acordando e seguiu andando calmamente em direção à tribo do escorpião.
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