Notas iniciais
Fanfic escrita para cumprir o desafio de março do grupo ShinoKiba yaoi. Tema: "WHITE DAY" Linha: CHOCOLATES. Ambientada no mesmo universo das fanfics Vizinhos e Honmei Choco. Imagem que ilustra o final do capitulo pertence a @Rasqueria Boa leitura.

Kiba praticamente jogou a caixa de papelão que trazia consigo no chão da sala, assim que adentrou o cômodo, unindo-a às outras dezenas de embalagens semelhantes àquelas que estavam ali anteriormente. Shino, que vinha logo atrás segurando um baú bem maior e mais pesado, colocou (gentilmente) o objeto ao lado da caixeta trazida pelo Inuzuka, antes de fechar a porta atrás dos dois. Tais atitudes já diziam muito sobre as distintas personalidades dos dois homens que daquele dia em diante passariam a viver sob o mesmo teto daquela modesta casa, localizada em Ebisu, um dos bairros residenciais mais acolhedores da grande Shibuya,

– Caralho, tô ‘mortão— Kiba retirou a camisa do moletom que vestia e após secar o suor do peito com ela, jogou-a a esmo. Em seguida desabou sobre o tatame, pousando a cabeça em uma pequena almofada decorativa que estava perdida em meio a bagunça generalizada que tornou-se o ambiente. Exausto, ocultou o rosto com o antebraço, no segundo seguinte estava entre resmungos e palavrões – Puta merda, recordei o porquê detesto me mudar. Espero que o nosso: E viveram felizes para sempre! Seja nesta casa, porque… – suspirou – 'Te contar, viu. Recuso-me a mudar daqui pelos próximos cinquenta anos.

Shino ergueu levemente o canto dos lábios enquanto admirava o namorado quase sem forças estirado no tatame. Àquela visão logo nas primeiras horas da manhã aquecia seu coração de um modo inexplicável.

– Eu também – decretou ele. Partilhava o mesmo cansaço de Kiba, embora disfarçasse mil vezes melhor. Contudo, também estava ciente: A fadiga, resultado do duro trabalho realizado em conjunto, não era a única coisa que sentia em comum com o namorado naqueles preciosos instantes.

Shino e Kiba compartilhavam o mesmo desejo de envelhecer juntos e felizes naquele lugar que escolheram para chamar de lar. O casal começava ali uma nova etapa nas vidas e histórias de ambos.

Há menos de dois anos eles eram somente um policial e um professor que moravam no mesmo prédio antigo, localizado no centro de Shibuya. De vizinhos de porta, passaram a amigos com benefícios e posteriormente ao sublime status de namorados. Durante essa trajetória e seguindo a evolução natural de muitos relacionamentos, não demoraram muito para perceber que a vontade de ficar juntos falava mais alto que a de ficar separados, além do mais, manter dois aluguéis (visto que o Inuzuka vivia mais no apartamento do Aburame que no próprio) estava revelando-se ilógico, então o policial entregou as chaves do seu AP e passou a dividirem o mesmo espaço, que não muito tempo depois, revelou-se pequeno para guardar os bens materiais dos dois. No entanto, só decidiram mesmo dar um passo maior há três meses quando, após uma inocente brincadeira, Shino sugeriu que mudassem para uma casa maior e com quintal.

O professor jamais esqueceria aquele dia.

Era um domingo à tardinha. Da sacada do apartamento, Kiba reclamava do calor e da falta de árvores naquela selva de pedras que, segundo ele, era a cidade de Shibuya. O policial lembrava com certa nostalgia de sua infância na terra natal e do quanto gostaria de, naquele exato momento, poder ter um pet ou empinar uma pipa com a garotada da vizinhança. Na ocasião, Shino, que corrigia algumas provas sentado à mesa na sala, achou engraçado e também a cara do namorado aquele tipo de colocação. Mas as palavras que saíram de sua boca logo após ouvi-lo, surpreenderam até a si mesmo.

“...Esse é um problema fácil de se resolver. Pegamos nossas economias e compramos uma casa espaçosa numa área residencial, que nos permita acesso fácil aos nossos trabalhos, e pronto! Mudamos imediatamente…”

A reação de ambos a sugestão dada (a princípio de modo inconsciente) foi muito fofa. Kiba virou-se para ele e Shino atentou-se ao que tinha acabado de dizer, encararam-se por alguns instantes e minutos depois o policial já estava sentado em seu colo enquanto os dois procuravam no notebook o lugar ideal para onde levariam as suas coisas...

— Estou com fome. – Kiba reclamou retirando o braço que cobria os olhos.

— Me diga alguma novidade – Shino brincou, mas retirou do bolso do moletom uma barrinha de chocolate que havia guardado ali, pois esperava que Kiba não demorasse a reclamar de fome após gastar tanta energia. Jogou-a na direção do namorado. Num reflexo rápido o Inuzuka ergueu-se ligeiro pegando-a no ar.

— Uau namorado! Você é mesmo um cara incrível, não deixa nenhuma oportunidade de me fazer feliz passar – Kiba riu de modo sapeca ao notar o rosto do outro ficando escarlate.

Sem jeito, Shino ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz e pigarreou.

— Quer um pedacinho? – Kiba ofereceu após desembrulhar o pacotinho e lamber o chocolate que sujou seu dedo, de um jeito nada inocente – Vem cá, vamos dividir – chamou-o com o auxílio do mesmo dedo indicador que lambeu segundos antes.

Mesmo não sendo amante de doce, Shino tinha certeza que aquele, na boca de Kiba estava delicioso.

— Agora mesmo.

O professor retirou a blusa de manga longa que encobria a primeira de muitas tatuagens que ainda pretendia fazer em seu corpo, cujo desenho da proporção áurea foi escolhido com a ajuda do namorado que ainda se mostrava orgulhoso em olhar a figura em seu antebraço e saber que teve participação importante quanto a decisão de fazê-la.

— Uau! – Kiba exclamou ao ter as pernas seguradas e puxadas pelo Aburame, que ao ajoelhar-se sobre o tatame fez o movimento brusco unindo seus corpos. O professor encaixou-se direitinho entre as suas pernas. A barrinha de chocolate (e também a fome) foi deixada de lado quando Shino passou a deixar beijos, cheiros e lambidinhas em seu baixo-ventre, esquentando o clima no interior do cômodo. O policial mordeu os lábios e fechou os olhos com força, o rosto adquirindo inúmeros tons de vermelho a mais que o normal – Eu estou todo suado… ah…

Tentou dizer algo, fazer um convite para que seguissem para o banheiro e lá tomassem um bom banho juntos, mas gemeu lânguido antes que tivesse capacidade de terminar a frase. O pênis estava começando a ficar duro dentro do moletom e a respiração entrecortada, ao que o namorado iniciava carícias suaves em sua cintura. Shino segurou o cós de sua calça na iminência de tirá-la, entretanto, quando Kiba já estava prestes a ficar sem a peça, ambos, como se tivessem combinado, paralisaram por alguns instantes e se encararam em devoção.

Era inegável o quanto estavam apaixonados, embora poucas foram as vezes que se declaram através de palavras no pouco mais de um ano que construíram aquela relação. Estavam dando forma a um forte vínculo, repleto de companheirismo e cumplicidade, onde as palavras nem sempre eram necessárias, mas às vezes chegavam em momentos pontuais, como agora.

Shino retirou os óculos e colocou-os delicadamente sobre o sofá, que estava repleto com suas bugigangas ao lado:

— Eu te amo, Inuzuka Kiba. Obrigado por desejar dividir seus sonhos e futuros projetos comigo – disse.

Kiba sorriu largo e mesmo com a voz embargada, efeito colateral causado pela declaração que acabou de receber, reproduziu:

— Eu também te amo, Aburame Shino. Obrigado por desejar dividir seus sonhos e futuros projetos comigo.

Então, deram início a um beijo lento e apaixonado, no entanto…

— Que barulhos foram esses? – Kiba perguntou ao ouvir ruídos estranhos que ecoaram pelo interior da sala, empurrou Shino, que caiu sentado de bunda no chão. Em um canto da sala uma caixa de papelão com inúmeros furos em sua extensão começou a mover-se sozinha até parar de súbito ao lado do rack onde estava a TV, gerando pânico no Inuzuka, que se afastou do pacote, arrancando um riso atípico do professor – Shino... será que compramos uma casa mal-assombrada?

— Acho que não, mas…– Shino levantou-se e foi até a caixa, a qual abriu delicadamente sob o olhar assustado do outro – Esse rapazinho aqui – Retirou de dentro da caixa um lindo cãozinho – Não respeitou nosso trato de ficar quietinho até eu dizer que ele podia se manifestar.

— O quê...? – Kiba arregalou os olhos ao ver a animada bolinha de pelos brancos nos braços do namorado

— Com um mês de atraso... – Shino pensou nas duas deliciosas surpresas que o namorado havia preparado para si. A primeira no dia quatorze de fevereiro, dia dos namorados, e a segunda no White Day, um mês depois, onde ele é quem deveria ter preparado algo especial para o Inuzuka, mas esqueceu-se por completo da data. Uma atitude que julgou imperdoável e por esse motivo desejava se redimir – Feliz Withe Day atrasado, Kiba! Venha conhecer nosso primeiro filho.

Kiba, que havia ficado um pouco chateado pela negligência de Shino no dia quatorze de março, não conseguiu segurar as lágrimas e avançando sobre ele o abraçou, espremendo o filhote que, rosnou entre ambos manifestando desagrado.

— Ei, rapazinho, me perdoe, tá? Não fiz por mal – desculpou-se e sentando no tatame colocou o pet em seu colo, em seguida deu um cheirinho na sua orelhinha. Uma cena adorável aos olhos de Shino – Temos que dar um bonito nome para ele. Não é, namorado?

— Sim, temos. – Shino concordou enquanto o bichinho brincava insistentemente de morder as mãos do outro – Mas antes, vou preparar algo gostoso para você e esse monstrinho se alimentarem, afinal, eu sou conhecido como, o cara incrível que faz tudo para ver os outros felizes.

O professor se levantou e antes de dar as costas em direção a, ainda desorganizada cozinha, Kiba segurou-o pela destra, olhou-o nos olhos e dizer:

— Obrigado por temperar minha vida com momentos tão doces e incrivelmente maravilhosos – agradeceu.

– Por nada– Shino sorriu em resposta.

Kiba soltou sua mão e lembrou-se do chocolate, que já estava quase sendo devorado pelo cãozinho intrometido.

— Não! – Kiba ralhou com a bolinha de pelo, em seguida pegou-o no colo e levantou-se do chão – Isso não é bom para você – Como se estivesse chateado o cãozinho latiu em resposta – Tem um cara incrível aqui que irá preparar algo delicioso e saudável pra gente comer.

Kiba dirigiu uma piscadela para Shino e adiantou-se a ele entrando na cozinha na sua frente. Resignado, o professor seguiu em seu encalço, compreendendo toda a complexidade do agradecimento que havia acabado de ouvir. Também era grato àquele homem, pois só passou a sentir realmente o sabor gostoso de se estar em uma relação amorosa, depois de conhecê-lo. Provando a si mesmo e a quem mais quisesse saber que: O Sabor da vida depende de quem a tempera.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!