Notas iniciais
Eu estou contando uma nova história então pode ser que não existam acontecimentos que houveram nas novelas. E eu pretendo aqui deixar as personagens mais intensas que geralmente é mostrado nas novelas, algumas falas em itálico são frases da própria novela, não é algo meu. Explico tudo isso antes para que não se assustem. Agora deixa de bla bla bla, leiam. Corram.

R10 [) _/4//31R0

Rio de Janeiro

Clique e seguido de um flash. E então a imagem estava na câmera profissional, e logo mais no editorial. Ele olhou para esta imagem das duas modelos que tinham muito contraste e avaliou o conteúdo.

:- Certo. Temos! Estão liberadas... Especialmente você Cassandra, se quiser que eu te acompanhe agora nessa volta para casa. – Rafael ainda deu um sorriso de lado, cafajeste. O que surpreendeu Eliza, entretanto não afetou mais ninguém da equipe nem mesmo Cassandra.

:- Obrigada photogato, mas eu já tenho compromisso, vou sair para a night com a Adele. Se quiser aparecer por lá. – ela deu os ombros e deixou também um sorriso para finalizar o fora que deu nele. Só isso fez com que Eliza soltasse um riso, não estava acostumada a aquela cena. Rafael ser esnobado ao ponto dele ficar sem reação era no mínimo inédito.

:- Então Eliza aceita a carona? – ele se voltou para a ruiva.

:- Obrigada, mas eu não volto para a casa agora, Rafael. O Max me convidou para sair hoje. – ela observou que mesmo que Cassandra parecesse indiferente estava atenta a sua volta, além do mais estava na cara que o fotógrafo deu em cima mais uma vez de Eliza para afetar a Cassandra.

:- Mentira? – A voz de Cassandra saiu gritada e Eliza tomou um breve susto. – Então vamos sair juntas hoje, porque o Max vai sair comigo e com a Adele após eles terminarem o trabalho.

:- Sério? – a voz de Eliza soou desanimada após saber desse fato.

:- Sim. – Cassandra ainda por cima lhe sorriu abertamente, Eliza pensava como ela era maluca por hoje a tratar como se fossem amigas, só que ela por vezes conseguia quebrar a barreira de gelo que a ex-florista criava. – Vamos trocar essas roupas e você podia ir se arrumar lá em casa e tentar convencer a Débora ir conosco também! – Cassandra não deu nem chance de Eliza recusar e lhe deu um pequeno empurrão para que se apressasse.

:- Ei não faz isso. – Eliza disse irritada. – Além do mais, Débora parece não gostar desse tipo de programa.

:- Até pode ser, mas a verdade é que o Charles, amigo maravilhoso desse aí, — apontou para Rafael que acompanhava a conversa delas em silêncio, fez uma cara de poucos amigos – quer conhecer melhor minha irmã e eu vou dar uma força. Agora anda logo ruiva!

Eliza encarou seriamente Cassandra pensando como ela e a irmã podiam ser tão diferentes uma da outra, aquilo deveria ser bom ao menos para Débora. Como Cassandra não percebe o óbvio, a irmã esta apaixonada por outro.

:- Eu vou aparecer por lá já que é no mesmo local de trabalho do meu amigo. – Rafael se impôs – além do mais, se você não me quer, tem muitas que queiram. – completou sabichão.

Antes que escutasse a resposta de Cassandra, Eliza resolveu sair dali, não queria ficar presenciando aquele jogo de provocação entre os dois, ainda que a ideia pareça absurda por ter vindo de Cassandra, talvez fosse à melhor solução já que Eliza não queria ir para casa, nem dela e nem de Arthur.

Chegou no camarim e buscou sua bolsa e como ela tinha que ir diretamente para o apartamento com Cassandra, procurou o celular que tinha guardado enquanto fazia a sessão de fotos e mandou uma mensagem para a mãe avisando que sairia mais tarde. Saindo do camarim, o celular em sua mão vibra.

:- Alô. – Ela atendeu enquanto arrumou a alça de sua bolsa.

:- Eliza, finalmente, como foi à sessão de fotos? – Arthur estava empolgado na ligação.

:- Ah foi ótima. Apesar das maluquices da Cassandra, deu tudo certo.

:- Ótimo, uma pena que não tenha me deixado ir, sabe que se quisesse eu poderia te acompanhar e poderia supervisionar mesmo que a distância meu trabalho por que além de dono da agência e seu agente também sou seu namorado, quero acompanhar tudo de perto. – ele tinha um tom bem-humorado.

:- Mas, Arthur, a verdade é que mesmo sendo o meu agente, você tinha outros trabalhos para fazer e da última vez que deixou outros responsáveis por eles não deu certo. Você não é exclusivo meu, tem sua agência para cuidar.

:- De certa forma você tinha razão tenho que admitir, já que sem mim. Ficam perdidos. Estava conversando com Max e ele me disse que vão sair hoje, pensei que fosse para casa. Esqueceu de comentar comigo?

Eliza mordeu o lábio inferior antes de voltar a falar indo para uma janela olhar a paisagem, enquanto estava na ligação.

:- Eu ia te falar agora, acabei de avisar minha mãe e em seguida seria você. Não vejo problema nisso, você sim?

:- Talvez. – Ele demorou para responder.

:- Eu estou saindo com o Max, Arthur. – Eliza falou como se só esse comentário fosse necessário para justificar tudo.

:- Essa é a parte boa da notícia. Mas, e quem vai te proteger dos caras que te abordarem?

:- Eu mesma. Afinal eu sei me defender, mania sua de querer me proteger sempre como se eu fosse uma garotinha indefesa. – ela começou a se irritar com o rumo da onde a conversa estava chegando.

:- Certo. Tudo bem, mas deixa o celular ligado por via das dúvidas. E poderia dizer que iria, mas eu tenho trabalho acumulado de qualquer forma já falei com o Max para cuidar de você.

Eliza não pode deixar de rir do comentário de Arthur.

:- Agora me sinto completamente segura!

Eles trocaram mais algumas palavras logo Cassandra apareceu para que elas fossem juntas para o apartamento dela. Convencer Débora a deixar seus livros e cadernos para sair foi difícil, mas não impossível. Depois de encontrar com Max e Adele a noite ficou mais agradável e isso foi um alívio, existiam algumas emoções e sentimentos que estavam confusos dentro de si e estranhamente naquele caos que era aquela balada, com luzes fortes e música alta, era uma forma dela se concentrar para olhar para si.

E uma verdade veio à tona naquela noite, ela estava fugindo de Arthur. E isso lhe parecia tão errado, quase a fazia se sentir culpada. Se sentia numa mistura de sentimentos que não conseguia decifrar e muitas das vezes entender, afinal ela tinha tudo o que mais tinha desejado. Uma carreira, estabilidade para ela e para a família, amigos, estava namorando Arthur. Se tudo estava indo tão bem porque sentia que faltava algo? Como se faltasse uma peça de seu quebra-cabeça e sem essa peça nada estava realmente estável.

:- Eliza, por favor, me ajuda. – Débora se aproximou e ainda que estivesse num lugar que parecia fora do seu habitat natural, não estava estranhando, tinha saído há poucos minutos para procurar Cassandra. Também não pode deixar de notar que sua voz estava nervosa.

:- O que foi? – Eliza esqueceu seus devaneios e se arrumou na cadeira vip que reservaram para eles, onde todos deveriam estar.

:- Eu estava procurando a Sandra que tinha perdido de vista com a Adele e o Max na pista, quando de repente me deparei com uma cena, quer dizer com uma pessoa e... – Débora não precisou terminar porque foi interrompida.

:- Boa Noite! Não sabia que vocês viriam hoje pra cá. – Fabinho disse sorridente, tinha um copo de bebida em uma das mãos.

:- Nós viemos de última hora mesmo. – Eliza tomou a palavra vendo que Débora parecia ter ficado muda.

:- Estão sozinhas? – mesmo a pergunta sendo para as duas, o olhar foi para a morena que parecia querer abrir um buraco no chão e enterrar a cabeça de vergonha feito um avestruz.

:- Não, estamos com o pessoal só que eles foram para a segunda pista.

:- Então não tem problema todo mundo ficar junto hoje, não é? – Mais uma pergunta aberta que foi direcionada para Débora, Eliza estava encarando os dois e mordeu os lábios para não ri da cena. Ela deu uma discreta cotovelada na amiga e essa pareceu acordar para a realidade.

:- Não, não tem problema. – A morena negou com a cabeça para depois ajeitar seus cabelos.

:- Você esta com o cabelo solto, esta linda assim, deveria ficar dessa forma mais vezes. – Ele elogiou Débora. – E na verdade eu também vim com...

:- Nossa! – Eliza exclamou roubando a atenção dos dois. – Estou com sede esses lugares são tão abafados, eu preciso de uma bebida, vou lá no bar pegar algo e daqui a pouco eu volto. – Eliza não deu tempo para recusas ela já tinha se levantado.

:- Eliza? – A voz de Débora saiu com tom de desespero moderado ao imaginar que ficaria ali sozinha com o Fabio. Ele estava achando tudo divertido. – Eu tenho que encontrar a Sandra antes que ela entre em alguma confusão.

:- Ah imagina, quando ela entrar em apuros você vai saber e salva-la. Fica conversando com o Fabinho que eu vou buscar uma bebida para mim. – A ruiva ainda sorriu para os dois, apesar do constrangimento da amiga, dava para ver nos olhos dela que estava feliz por ficar a sós com ele.

Eliza chegou no bar sorrindo, viu que Charles estava ocupado atendendo um cliente e resolveu esperar, ao fazer isso foi empurrada para frente de leve mesmo assim sentiu gotas caírem em sua perna, provavelmente de qualquer bebida. Virou-se para ver quem tinha causado tudo isso e já estava pensando em possíveis xingamentos. Todavia, sua boca permaneceu calada ao se deparar com a autora do acontecimento.

Era uma garota linda que tinha olhos muito expressivos e sem dizer nenhuma palavra lhe pediu desculpas, Eliza só deu um aceno de cabeça e ficou confusa porque parecia conhecê-la de algum lugar, a garota ainda ficou por segundos a encarando e isso lhe causou uma sensação estranha que a fez desviar o olhar, essa sensação foi logo esquecida porque quando tentou vê-la olhou novamente, já tinha desaparecido. E deu lugar à uma cena que tinha algo que não imaginava, sem pensar direito, foi logo se aproximando tanto para ver melhor quanto para escutar, mas não estavam conversando.

Ele deu um sorriso que Eliza não sabia dizer o que significava, então a garota tentou abraçar ele para falar próximo a sua orelha, sem sorte porque ele se afastou antes e mesmo assim estava sorrindo. Foi então que ele a viu e o seu sorriso morreu.

Eliza não sabia dizer o que sentia vendo aquela cena acontecer na sua frente, achou que o melhor era sair dali o mais rápido, não tinha mais vontade de esperar bebida e nem iria para sua mesa agora. Foi se encaminhando para a outra pista do local quando foi puxada pelo braço.

:- Eliza? – Jonatas a chamou muito surpreso em ver ela ali. – Onde esta indo?

:- Para a outra pista. – ela se justificou e soltou o braço que ele prendia com a mão.

:- Posso ir com você. – ele foi gentil.

:- Não! – Já ela foi grosseira.

:- Como assim? – Alguém tinha empurrado Jonatas enquanto passava para ir para o banheiro. Ainda assim ele não tirou os olhos de Eliza.

:- Não quero que me acompanhe. – Ela virou o corpo de costas para ele e tentou andar, mas ele não deixou novamente.

:- Você bebeu? – Ele arregalou os olhos tentando entender a hostilidade com ele, sendo que tinham acabado de se encontrar. – Por que esta me tratando dessa maneira?

:- Por nada Jonatas. – ela estava séria e só tinha uma cena em mente a de segundos atrás. – Acho que você tem mais o que fazer nessa pista do que me seguir, só isso.

:- Do que esta falando? Eu cheguei tem pouco tempo com Fabinho só que ele viu a Débora e foi atrás eu me perdi e... Espera aí. Você esta falando da cena de agora?

Eliza cruzou os braços e revirou os olhos.

:- Claro que estou falando disso.

:- Ela é a Ana trabalha na Bastille, sempre teve uma queda por mim. E tentou algo hoje, mas não aconteceu nada demais só nos abraçamos e dançamos juntos. – ele deu os ombros.

:- Como não tem nada demais? – ela achou um absurdo o que ele tinha dito. – Eu não esperava isso de você, ver que é como muitos desses homens por aí, cachorros e cafajestes que não tem respeito algum por ninguém. – Eliza explodiu e foi deixando sair às palavras que passavam por sua cabeça sem nenhum tipo de filtro.

:- Sinceramente eu ainda não entendo porque você esta sendo rude comigo.

:- Além de tudo é sonso? – Ela achou aquilo um absurdo e não queria continuar aquela conversa por que só estava aumentando a raiva dentro de si. Desviou dele e conseguiu andar alguns passos, mas ele foi mais rápido e a puxou novamente e a encostou na parede saindo do caminho de muitas pessoas bêbadas que trombavam neles enquanto conversavam.

:- Você não vai sair falando o que quiser e sair sem mais nem menos. – Ele estava irritado. – Explica toda essa reação.

:- Esta tudo óbvio, você é um canalha por estar com aquela garota do seu trabalho aqui, se divertindo, sendo que você namora! – ela deixou a última palavra em evidência.

Jonatas não disse nada e ficou a encarando pensando em suas palavras e como reagiria diante de tudo isso, um dos pensamentos que ele não conseguia evitar é que eles estavam grudados e ela não tinha muita saída porque tinham dois casais um pra cada lado deles se beijando. Cercados. Aquilo era perigoso.

:- Se quer saber Leila terminou o nosso namoro, então estaria livre pra ficar com quem eu quisesse e seja quem for. – Ele viu em sua frente Eliza desmontar sua pose durona diante da revelação. – Eu achava que estava bem com a Leila, mas eu estava errado.

:- Eu... não sei o que dizer. – Sem graça algum Eliza só olhava para os olhos dele. – Deduzi errado e acreditei que você tinha errado e nem sei porque fiquei tão irritada não deveria ter feito essa cena, ainda mais agora eu estou com o Arthur. – ela negou com a cabeça confusa ao ver ele sorrindo fazendo o rosto ficar enrugado.

:- Mesmo que machuca você falar assim comigo vou te dar um desconto por ver claramente que esta com ciúmes de mim.

:- Jonatas! – Ela disse seu nome como forma de repreensão. – Eu... Claro que não! – Negou tanto em palavras quanto com a cabeça ao se dar conta que estava cercada por ele tão próximos, estava literalmente sem saída.

:- Não? – Ele a questionou negando com a cabeça já se aproximando consciente e Eliza tentou desviar o olhar para a boca dele que ficava tão próxima também, quando olhou novamente em seus olhos ele fazia o mesmo que ela, olhava sua boca só que sem restrições. – Eu sou um idiota mesmo. Apesar de toda essa acusação o único pensamento é o quanto eu quero te beijar. – voltou a encarar a boca dela e a viu engolir saliva. – Quer saber eu sempre busquei ser um cara honesto com meus sentimentos, de caráter, sempre critiquei o Arthur por ser um mulherengo e pensei que ele te faria sofrer. Mesmo sabendo que vou me comparar a ele neste instante, e correndo o risco de levar um chute, eu preciso fazer isso.

Antes mesmo da boca deles se juntarem, os olhos já tinham sidos fechados antecipando o que viria. Foi um reencontro. O beijo era cheio de saudade, vontade e apaixonado nenhum dos dois poderia negar isso, mas não era certo. E por isso assustada com o que acabou de fazer, ela o empurrou. E o deixou sozinho indo para qualquer lugar longe.

O banheiro foi o lugar mais próximo, jogou água no rosto e se encarou no espelho, vendo o quanto estava abalada por tudo. Eliza teve ali o seu questionamento, ainda era apaixonada por Jonatas não importasse o tempo que tinha passado e o quanto tinha vivido e conquistado. Não estava bem com Arthur porque faltava encarar essa realidade que Jonatas a obrigou encarar. E depois de tudo não sabia novamente o que sentir, estava tudo embaralhado dentro de si.

Escutou o barulho de descarga e depois uma porta se abrindo, não evitou olhar e encarar a cena, a garota saiu do banheiro andando desengonçada, sugou o nariz então vermelho por sua pele branca. Foi até a pia e jogou água no pescoço mesmo com seus colares e também no seu rosto.

:- Você precisa de ajuda? – Eliza perguntou esquecendo-se de si e se lembrando de ter visto ela há pouco tempo, antes de encontrar Jonatas.

A loira a encarou de cima a baixo num olhar minucioso, a avaliando, claramente não estava bem, estranhamente mesmo com o olhar avermelhado seja pelo álcool ou pelas drogas que foram ingeridas. Ela tinha um olhar muito expressivo talvez pela maquiagem forte, mas era mais que isso.

:- Não. – Negou com a cabeça e tinha um tom de voz neutro. – Parece que você precisa de ajuda. Me parece que há algo de errado. – Ela arqueou a sobrancelha escutando de longe sua própria voz, com um sotaque quase nulo.

:- Porque faz isso? – Eliza olhou para o nariz dela e então a viu dar um sorriso misterioso não esperava uma resposta, não uma que ela entendesse.

:- Eu quis usar. Simples assim, fazia muitos anos que não usava, hoje eu precisava tentar me reconectar com a realidade, me sinto perdida. – Confessou.

Eliza ficou pensativa por mais que fosse completamente contrária a isso, sentia que não tinha uma má intenção, sentiu antes de raiva por ver alguém agredindo o seu corpo assim, foi pena. Porque apesar de toda máscara ela só parecia uma garota tremendamente triste. A garota lavou as mãos em silêncio enquanto Eliza também ficava quieta em seu mundo.

:- Se quer saber de uma coisa, eu não pareço ser a única garota perdida daqui. – Ela encarou Eliza duramente pelo reflexo do espelho, depois disso foi andando para a saída.

Se dar conta de que uma desconhecida que ela nem lembrou de perguntar o nome, tinha razão fez Eliza ficar mal por deixar transparecer como se sente, o que não deixava de ser verdade, se sentia perdida.

◘