Lar
6 Six
Notas iniciais
:- Espero que vocês estejam bem confortáveis, não quero que ninguém reclame do nosso serviço vip. – Um sorriso brota em seus lábios — Longe de mim. – para completar levantou as mãos num ar falso de inocência.
Jacaré sorria enquanto via o rosto de medo e receio de cada um dos jovens que agora estavam presos em duas salas antigas do cinema que eram divididas pelo o que antes era uma parede e agora era um muro baixo, não fazia muito tempo que tudo tinha acontecido.
:- Quem diria que eu tiraria a sorte grande hoje. – disse olhando para o lado onde estava Eliza e Jonatas. – Vamos aproveitar que estamos num cinema e veremos primeiro um filme bem especial, ele se trata de vingança. No caso a minha. – Jonatas com raiva por estar de mãos atadas ficou na frente da ruiva indicando que ele a protegeria de qualquer ação de Jacaré contra eles. – Vou me vingar por tudo que vocês dois me fizeram. – Jacaré se aproximou brincando de apontar a arma que tinha na direção dele e depois na direção dela. Sorrindo dando alguns passos para encarar o outro casal, não conhecia o playboy, mas a loira, essa sim lhe interessava bastante. – E o outro filme será sobre ação, violência, ganância. Sequestro! Bendito foi o momento em que você cruzou o meu caminho, demorei para te reconhecer, mas o quanto será que a filha de um grande empresário me fará lucrar?
Megan tentou ser o mais indiferente possível diante das palavras de Jacaré e conseguiu porque ele ficou por encarando alguns segundos até desistir por escutar seu celular tocando.
:- Preciso atender é os caras da favela que quer fechar negócio com a gente. – Jacaré disse num português pobre, para um dos jovens que estava na sua gangue, ele era o chefe dela.
:- Não é melhor amarrar eles? – o garoto que parecia ser bem novo comparado aos outros, só que o mais violento disse.
:- Não precisa, tudo está cercado e todos nós estamos armados, até segunda ordem. Qualquer coisa pode atirar para que saibam que isso aqui não é uma brincadeira. Se for o caso começa por aquele ali. – Apontou para Davi. – Os outros três, apenas tiros de advertência, a loira é por onde conseguiremos a grana então está imunizada e os outros dois serão o meu divertimento, é pessoal. Basta que fique de guarda na porta e ficar atento.
O celular de Jacaré voltou a tocar já que ele não atendeu na primeira vez, com isso ele e o outro sequestrador saíram pelo corredor e trancaram os quatro.
:- Precisamos dar um jeito de sair daqui. – Jonatas disse encarando Eliza. – Se conseguirem nos levar será mais complicado da polícia nos encontrar temos que pensar rápido.
:- Eles levaram minha bolsa e a de Megan não tem como se comunicar. – Eliza falou pensativa e nervosa ao mesmo tempo, andando pela sala, encarou Megan e a viu com os punhos bem fechados. – Megan?
:- Eles levaram o seu marraphone? – Megan encarou Davi sem se focar em Eliza e Jonatas.
:- Sim, o levaram. Se eu o tivesse ainda poderia me comunicar com a polícia ou com seu pai que estava me ajudando.
O garoto que estava de vigia bateu na porta na qual os trancava, gritando para que fizessem silêncio.
Megan chamou a atenção dos outros três e cada um se caminhou para ficarem perto e começaram a conversar em sussurros para não chamar a atenção.
:- Nessa confusão eles só levaram a minha bolsa, eu consegui ficar com o anel que dad me deu. – E mostrou para Davi que logo seu semblante se iluminou.
:- O que isso vai ajudar para que consigamos escapar? – Eliza perguntou confusa.
:- Será primordial. – Davi tirou a jaqueta que vestia e virou-a do avesso procurando por um bolso interno bem escondido. – Consegui disfarçar na hora que me revistaram, conseguiram levar meu celular e o controle da minha câmera, mas quando se esta na frente da Parker Marra, é preciso ter mais de um... – encontrou o zíper do bolso interno e de lá tirou um pequeno objeto. – Um celular. É uma versão menor do celular da Marra, e inútil porque não tinha um chip específico.
Megan e Davi trocaram olhares e acenos ignorando toda a cena que ambos protagonizaram há pouco tempo, agora era uma questão de trabalharem independente das emoções guardadas. Ela imediatamente arrancou a pequena pedra de seu anel e entregou a Davi, o toque da mão dela lhe entregando o pequeno objeto, mexeu com ambos, todavia o momento foi interrompido por Jonatas.
:- Estamos no andar de cima. – Ele falou bem baixo seu pensamento e logo encarou Eliza e depois Megan. – Jacaré nos deixou aqui porque sabe que ficaríamos encurralados, se tentássemos sair pela janela...
:- Não daria certo. – Eliza disse. – É muito alto, mesmo que um de nós consiga, quebrando o vidro, faríamos muito barulho e os outros não teriam chance de mais nada.
:- Isso, mas se Davi conseguir o contato com a polícia, podemos ter mais chances se eles acharem que fugimos. – Jonatas voltou a falar.
:- Como assim, o que esta pensando? – Megan perguntou no seu momento de confusão.
:- Eu vivi muitos anos aqui, conheço esse lugar melhor do que minha própria casa, aqui em cima tinha uma pequena sala onde eram guardados alguns documentos. Só não tenho certeza de... – Jonatas começou a andar pelo local e parou de falar, o fogo que queimou o prédio o deixou desorientado, mas ali pouco foi afetado. Tinha que estar ali. Cauteloso, passava a mão na parede buscando por algo.
:- Jonatas! – Eliza chamou sua atenção falando um pouco mais alto. Assim que conseguiu, ela fez o sinal de silêncio com o dedo indicador e então apontou para a porta onde entraram.
Ainda que Jonatas tenha estranhado a atitude dela logo entendeu o que queria dizer, com cuidado caminhando até a parede mais próxima da porta por onde tinham passado seus sequestradores, passeou com as mãos pela parede e pressionando o ponto certo o que não parecia ser nada além de uma parede se abriu uma pequena porta. Jonatas deu um sorriso de lado e mostrou para os dois dentro do local, uma sala pequena, escura e que não tinha nada. Mas, era o suficiente.
Davi com o aparelho na mão procurou o melhor local dali para ter o máximo de sinal, andou até ficar mais próximo de Jonatas. O melhor era usar o alfabeto L33t como linguagem, as chances de eficácia aumentariam muito. Foi esse o pensamento que veio a sua mente, eles tinham que ser certeiros para não dar chance de que nada saia errado. Assim que conseguiu sinal razoável digitou.
“3v 4 3||[()||7|231. |V|4z 73|V|()z |^|2()8|_3|V|4z, 3z74|V|()z ||(_)|V| [1||3|V|4 484||[)()||4[)() ||() [3||7|2(), [()|V|() |23|=3||z, q(_)3|23|V| () [)1||#31|2() [)3|_4. () z3(_) [)1||#31|2()! J()||4z, |=4[4 [()|V| q 4 |^()|_1[14 [#3&(_)3 4q(_)1 () q(_)4||7() 4||73z.”
“Eu a encontrei. Mas temos problemas, estamos num cinema abandonado no centro, como reféns, querem o dinheiro dela. O seu dinheiro! Jonas, faça com que a polícia chegue aqui o quanto antes.”
: — Preciso que venham até aqui. – Davi falou mais baixo por estar próximo a porta. Qualquer cuidado era pouco. – Temos pouco tempo, se tudo ocorrer como o planejado, acabo de mandar mensagem para Jonas, não vai demorar para que a polícia esteja aqui.
:- Vamos entrar agora na sala. – Megan sugeriu, já se encaminhando. Davi quase que por automático a seguiu, segurava o pequeno celular com muita força, ele representava muito.
Eliza assim que entrou percebeu que Jonatas que antes os seguiam ficou parado diante da sala. Ficou indecisa sobre a atitude estranha dele.
:- Sou o mais rápido de todos, eu posso causar algum tipo de distração para eles.
:- Não! – Eliza imediatamente o repreendeu. – Não é hora disso, pode ser arriscado e você ser pego, sabe do ódio do Jacaré tem por você, precisa entrar conosco. – Ela segurou no seu ombro sabendo que seja lá o que ele estivesse pensando, ela participaria.
:- Eu vou ficar escondido e tomar todo o cuidado. – o rapaz olhava para o chão a procura de algo, o clima era de tensão. Eliza o olhava procurando entender aonde chegaria. – Vou usar essas pedras aqui, tacar em pelo menos duas janelas para quebrá-las e pensarem que nós pulamos.
:- Talvez dê certo. Posso ajudar nisso. – Megan falou, mas assim que deu um passo para sair da sala foi impedida por Davi que antes estava encostado na parede já começando a transpirar, estava à sua frente, parecia fazer uma barreira entre ela e Eliza. Ele não disse nada, mas estava claro que não a deixaria passar por ele.
:- Davi? – A loira o questionou confusa, sem respostas.
:- Seja rápido. – Davi falou para Jonatas. – Jonas respondeu a mensagem. Ele olhou para a tela e leu rapidamente em voz mais alta. – Cuide dela, Davi, a polícia vai chegar a qualquer momento.
No mesmo instante que Davi terminou de falar se escutou o barulho de um helicóptero sobrevoando o antigo prédio, fazendo com que a tensão redobrasse. Todos olharam para onde estava à porta com o garoto sentinela a postos. Jonatas não esperou mais se afastou e pegou pedras grandes onde pudesse usar, encontrou três, jogou imediatamente na janela do fundo com força, em seguida jogou a outra e se estraçalhou o vidro da primeira janela.
Depois correu para outra janela e assim que pode jogou a última pedra que tinha com máximo de força que tinha, mas não conseguiu quebrar, o nervosismo não só tomou conta daquele ambiente como também do sequestrador que gritava que iria pegar eles, não conseguia abrir a porta. Somado ao barulho do helicóptero cada vez mais alto, e agora com sirenes de viaturas, a polícia chegou em peso.
Agora era a deixa de Eliza, vendo que Jonatas parecia paralisado, ela saiu correndo em sua direção. Pegou sua mão e o puxou com rispidez, a porta logo seria aberta ele tinha que sair dali. Jonatas se deixou levar, próxima da sala encontrou barras de ferro. Os gritos do sequestrador que agora estava desorientado, havia raiva e medo em seu tom agressivo, ele chutava a porta que parecia emperrada. Um chute e quase ela abre, assim Jonatas jogou uma das barras na última janela que por fim se rompeu, Eliza então puxou ele para dentro da sala e juntos fecharam a porta na mesma medida que a outra era aberta.
Sala escura apenas com a iluminação do celular de Davi, e se escutava a respiração alterada de todos. Eliza cravou as unhas nos ombros de Jonatas, tamanha a sua apreensão.
De lá, não se ouvia bem. Havia muito barulho, mas sentiram a parede vibrar parecia ter chegado muitos... Só não se sabia dizer se era para se fazer o bem ou fazer mal, porque afinal de contas poderia ser a chegada do resto da gangue que agora os fariam de armadura humana para fugir, poderia ser tudo ou nada para eles, já que seriam presos. Por não enxergar nada e não se escutar direito, Jonatas derrubou uma das barras fazendo barulho considerável. Não tinha mais o que fazer, seriam descobertos em poucos segundos, o plano tinha ido por água a baixo, foi o que todos pensaram.
Jonatas dominado por um instinto segurou com firmeza a outra barra que ainda tinha na mão, e se colocou a frente de Eliza para o caso de protegê-la. E Davi fez o mesmo com Megan que imediatamente o abraçou sem pensar mais nada a não ser estar com ele. Assim a porta foi aberta e deram de cara com uma arma apontada para eles! Que era de um policial, que assim que os reconheceram, abaixou a arma.
:- Eu os encontrei! Eu os encontrei! – Diz ele com voz gritada para um rádio.
Ao sair da sala onde os quatro estavam deu para escutar o barulho de tiros, a situação ainda era tensa se buscava o controle, o menor que os vigiavam estava com o rosto sendo prensado por um policial no chão ele encarava os jovens com o olhar raivoso por ter sido enganado e ainda estava sendo preso. Não adiantava resistir, mas se pudesse atirava em cada um ali.
:- Me sigam! – O Policial que os encontrou falou com eles. – Fiquem juntos. Beto vem me acompanhar, vamos tirá-los daqui com o máximo de segurança. – Gritava irritado, parecia que a tranquilidade só apareceria quando ele tirasse do prédio.
Foi um caminho feito rapidamente, nenhum dos dois policiais que os levaram para fora tiveram maiores problemas, apesar da resistência de alguns integrantes da gangue todos estavam algemados e encarariam a vida dura na cadeia, menos um. Assim que saíram houve mais uma confusão, um carro foi roubado, Jacaré estava tentando escapar, só que tinha três viaturas da polícia em sua cola.
:- Chegamos! – O policial por fim estava mais tranquilo, mas não totalmente relaxado. – Estamos com todos fora do prédio, já livres e principalmente ilesos. Os sequestradores serão levados... – Ele se afastou para falar no celular com algum superior.
Desde que saíram da sala até quando estavam na rua, à parte de toda confusão entre policiais e curiosos que cercavam a eles, dos sequestradores que estavam sendo presos. Tudo que foi vivido mostrava que de forma torta tudo o que passaram ia transformá-los só lá fora voltaram a respirar ofegantes, não se mexiam bruscamente, todo a trajeto até saírem do antigo cinema abandonado fizeram de mãos dadas, firmes, unhas femininas cravadas a pele, pontas dos dedos amarelados pela força. Eles estavam unidos e agora salvos.
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