Lanches e família

1 "Não é sobre chegar no topo do mundo..."


Notas iniciais
Boa leitura ❤

Trem Bala

"Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si

É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti

É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz

É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós."

Seguindo para a sala, onde minha irmã caçula Isadora se encontrava devidamente pronta no centro do ambiente, respondendo mensagens no celular pela forma que movia seus dedos no aparelho.

—Vamos? — Pergunto pegando as chaves na raque da Televisão e chamando sua atenção para mim, logo dando passos para a porta. – Já estamos indo. –Grito para informar meus pais, que provavelmente estavam na cozinha, ouço apenas um murmuro de concordância em resposta, logo seguindo para fora de casa com Isadora.

— Dora, alguém pediu carona? – Questiono Isa no momento que adentramos no carro, já que ela estava de olho no grupo da família nos últimos minutos então decerto saberia se alguém precisasse de carona.

— Eles já estão lá, até porque acho que estamos levemente atrasados. – Sua resposta veio com um sorriso, dou partida no carro, começando a se afastar da casa de nossos pais. Sorrio dobrando algumas quadras, vinte minutos e chegamos ao destino, Dora nesse meio tempo tinha conferido se estava com tudo ali no carro.

Descemos, paro para olhar a fachada do lugar no qual já estava acostumado praticamente, mas não me demoro ali, seguindo a minha irmã para dentro do Bunger King, avistando rostos conhecidos, coloco um sorriso no rosto e começo as saudações, apertos de mãos, abraços, beijos estalados nas bochechas, e sorrisos grandes, fazemos nossos pedidos, para logo se acomodar em uma mesa, contando sobre o que tinham feito nesse mês que se passou, nossos avôs ouviam e falavam sobre o que tinham feito também, pra quem olhasse de fora e não estivesse habituado com aquele monte de gente, estranharia, foi o que aconteceu nos primeiros messes, até que Valentim e Luiza, os atendentes que sempre nos atendia com sorrisos gigantes e um boa noite animado, se acostumaram com todo aquele movimento a cada última sexta feira do mês.

O caso é que, isso era meio que uma rotina onde ninguém sabia dizer bem como começou, só relembro que já faz uns bem seis meses, onde percebemos que sentimos falta das pessoas mais velhas em nossa frente, nossos avôs. Enquanto falávamos sobre tentar estar mais próximos uns dos outros na sala de estar na casa dos ditos cujos avós, foi Laura que incentivou a conversa que originou essa espécie de rotina.

—Podíamos sair. –A voz de Laura se sobressaiu na sala de estar.

—Estamos fora de casa Laura. –Tiago revida com um tom leve de ironia e um sorriso debochado, fazendo a morena revirar os olhos e cruzar os braços, deixando as costas baterem contra o apoio do sofá no qual estava sentada. Estávamos na casa dos vovôs materno, além de mim e Dora, Laura e Tiago, primos.

—Acho que pode ser uma boa ideia. –Então cinco pares de olhos foram postos sobre a mulher mais velha ali, Amélia. —Vocês são jovens, estão em uma sexta feira a noite na casa de dois velhos, por que não darem uma volta?

—Concordo. – O mais velho ali, Eduardo, avô dos jovens, respondeu, dando apoio a esposa, Amélia.

Laura formou um sorriso vitorioso, que foi dirigido a Tiago que acabou revirando os olhos. Chegamos à conclusão que queríamos achar algum lugar para comer, então duas batalhas foram instauradas, Primeira: como estávamos na casa de nossos avós, queríamos que eles fossem juntos para respirar um pouco com a gente. Segunda: Onde iriamos para comer?

A primeira batalha discussão foi vencida com alguns minutos de argumentos e chantagens, além de que ficamos responsáveis de lavar e guardar toda a louça de domingo, e organizar a cozinha toda após o almoço. Já a segunda, levamos ela para a rua pois não chegamos a um destino que todos aceitavam, éramos em seis pessoas pensantes que queria ir em lugares diferentes. Ficou combinado então que sairíamos e na primeira lanchonete pararíamos e ali seria feita refeição. Bunger King entrou nas nossas vidas a partir daí.

Acabou que naquela noite começava uma nova tentativa de sermos próximos de forma, acho eu, totalmente inconsciente. Naquele dia, a primeira vez, o Bunger King estava com uma promoção em que a ideia era levar os mais velhos para um lanche e curtir esse momento, e apesar de ter já acabado essa promoção, ainda sim, uma vez por mês estamos aqui, apesar de que agora mais primos aderiram a ideia, começou com uma pergunta no tédio, tendo como primeiro motivo de ter começado foi por que Laura queria sair como estávamos na casa dos avôs, então arrastamos todos para lá, depois de umas duas semanas, quando no grupo da família Tiago questionou sobre saímos de novo, além de nós, Gabriel, Lucas e Amanda, nossos outros primos, quiseram vim. Depois de forma espontânea mais alguns primos começaram a participar desses encontros. Quando nossos pais questionaram sobre esses encontros, percebemos que isso já era uma espécie de rito que fazíamos na última sexta feira do mês, um rito que podia pendurar por muitos anos.

Logo percebemos que talvez isso tenha sido uma rota de escape para nós, com os nossos dia a dia, sempre tumultuados, não tínhamos muito tempo para os primos e os mais velhos, então além do tradicional almoço no último domingo do mês, tínhamos a sexta e o sábado que antecede o almoço para nós, somente primos e avôs, depois que terminávamos ali, iriamos para praças e logo finalizávamos a noite na casa dos ascendes, sim dormíamos sempre lá nas noites de sexta feira, isso também começou a uns seis meses.

Bom pode parecer estranho, mas esse é o nosso jeitinho de tentar ficar mais próximos da família, é não nós incomodamos com essa rotina, porque em meu ponto de vista, ela estava ótima. Olho para eles, Isadora e Taís conversavam animadas com nossa avó Amélia e com a Amanda, Victoria dava palpites de vez em quando no assunto delas e no assunto de Jorge, Lucas, Tiago, nosso avô Eduardo, e Leonardo. Laura estava ao meu lado falando com Gabriel e Marcos, todos se metendo em todos os assuntos, vozes altas e risos ecoavam por ali. Alguns olhares lançados para nós, curiosos e estranhos, porém não importavam, deste que estivéssemos assim, nessa sintonia.

Quatorze pessoas, contando comigo, que uma vez por mês tentavam estar juntos, pelo prazer de sentir a alegria familiar, de ouvir os desabafos, os conselhos, as histórias, acolher os choros e nos ajudarmos e amar, como uma terapia. Trabalhamos mutuamente para não destruir essa harmonia que conseguimos, afinal ela era essencialmente estranha e perfeita, nascida sem pretensões e que rendeu em momentos maravilhosos. O sentimento ali era de amor e gratidão.

Por que os pais não participam? Bom, eles acham que netos e avós precisam de um momento somente deles.

Notas finais
Espero que tenham gostado ❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!