Lamentações E Esperanças De Um Monstro

1 Capítulo 1 - Lira Version - The gazelle


Notas iniciais
Espero que gostem! Esse capitulo pode conter palavrões e uma história pesada, mas não contem sexo, mas contém incinuações, por isso se você achar que não deve ler essa história leia outra das minhas (isso me deixaria feliz).

Lira PoV’s

Meu nome é Lira, tenho 15 anos e eu vim aqui para te contar uma parte da minha vida que não tenho orgulho de contar. Me desculpe se essa história te incomodar, mas essa é a verdade. Não vou mais fazer você perder tempo. Vou começar a história, por isso se você achar que não precisa conhecê-la, somente mude a página.

Antigamente eu era uma garota comum, passava pela rua da minha cidade e as pessoas acenavam para mim e não se incomodavam com a minha presença. Andava e começava a achar que as pessoas gostavam de mim, que eu tinha uma vida boa e que continuaria a ter essa vida, mas eu não poderia estar mais errada.

Estava namorando um rapaz alto e moreno, era uma pessoa de aparência bondosa e romântica e seria verdade se ele não tivesse fazendo isso só por sabedoria. A muito tempo ele deu um jeito de adquirir um certo “conhecimento proibido”, mas isso é outra história. Depois Yllianna te conta.

O meu namorado todo dia me fazia gostar ainda mais dele, mas a verdade era que eu era apaixonada pelo Ryan, que era apaixonado por mim, mas eu nunca disse nada para ele e ele nunca disse nada para mim. Não me culpe por ser tímida e medrosa, eu não tinha como dar um fora no Roberto assim. É eu me esqueci de dizer que o nome do meu namorado é Roberto, mas e daí, ele não gosta de mim.

Certo dia Roberto (não posso mais chamá-lo de namorado depois do acontecido) me perguntou se eu não queria acompanhá-lo até uma casa. Eu aceitei. Nós fomos andando e ele me levou para depois da cidade, para uma floresta.

No começo da floresta tinha uma casa branca, alta e grande. Estava escuro, era noite, e a casa parecia maligna. Roberto me convidou para entrar. Eu recusei, mas ele fez aquela pergunta:

- Você confia em mim?

Não resisti e entrei. Dentro da casa só havia um grande corredor com várias portas nas laterais, contei 8, quatro de cada lado, mas tinha mais uma porta, no final do corredor. Era uma porta preta, diferente das outras, que eram brancas. Roberto me disse para entrar, eu entrei no quarto e ele estava vazio, tinha só um pequeno armário e uma pequena cama com algumas amarras.

Roberto me disse com uma voz séria:

- Tire a roupa e se deite nessa cama. Volto já.

Depois de dizer isso Roberto saiu do quarto e trancou porta. Eu não o obedeci. Fiquei com a minha saia e minha blusa e minhas botas no lugar. O que ele queria de mim? Vocês já devem ter uma idéia, eu também tinha, mas estava completamente errada.

Abri o pequeno armário e encontrei vários sacos plásticos com tesouras, agulhas e remédios. Eu fiquei aterrorizada e fiquei longe da porta. Roberto voltou e eu segurei o braço dele e perguntei o que ele queria. Ele me perguntou:

- Por que você não fez o que eu disse?

- Você está ficando maluco?

- Então vai ser do jeito difícil.

Ele me olhou estranho, pegou uma injeção do bolso dele e me acertou no ombro esquerdo. Eu não enxergava mais nada. Fiquei tonta e caí desmaiada no chão.

Quando me acordei, estava de volta ao meu quarto então supus que tudo não tivera passado de um sonho. Um sonho estranho. Levantei-me e saí para a rua. Diferente de antes, quando alguém me olhava, saia de perto, as mães cobriam os olhos dos filhos, as crianças gritavam e choravam. O que havia acontecido comigo?

Passei por uma loja de televisores e consegui ver o meu reflexo em uma das televisões. O que era aquilo. Achei que era uma alucinação. Pisquei e olhei melhor, mas aquela imagem não mudava. Era eu com grandes chifres de alce e unhas enormes. Tinha umas marcas de costura na região da cabeça e das mãos. Estava só com uma faixa de pano branca cobrindo o meu busto e a mesma saia e botas da noite anterior. Meu cabelo estava estranho, era duro como pelo de animal. O que havia acontecido na noite anterior?

Do susto que levei com a imagem, meu próprio corpo me derrubou no chão. Roberto estava em pé ao meu lado. Ele me estendeu a mão, mas eu dei uma tapa na mão dele e ele me falou:

- Não me agrida. Sou sua única esperança. Nunca será aceita pela sociedade. Poderá ser totalmente e completamente minha. De mais ninguém. Vamos meu monstro! Monstro feito para diversão!

Aquelas palavras me deixaram assustada, mas que outra escolha eu tinha? Baixei a cabeça e o segui. Como eu queria que Ryan estivesse aqui comigo. Ele seria a única coisa que me confortaria, mas meus desejos não serviam mais para nada. Segui Roberto no caminho de volta para aquela casa.

De volta aquela casa ele me jogou no segundo quarto da esquerda e me disse que tinha assuntos a resolver. O quarto era amarelo, por dentro e tinha mais três garotas. Uma sereia de cauda amarela que usava apenas os cabelos para cobrir os seios e uma garota com cabelo branco, longo e preso em duas marias-chiquinhas, ela tinha um chifre no meio da testa e treinava segurar uma bandeja com copos.

A garota do chifre estava triste, mas forçava um sorriso, diferente da sereia, que parecia gostar daquele lugar. A única coisa em que eu pensava era em ser salva por alguém e esse alguém era o meu perdido amor. Acho que estava condenada a morrer naquele lugar.

Roberto abriu a porta do quarto e disse:

- Sirva-nos bem Clynn, nos entretenha Yllianna e dance e cante para nós Lira. Se vocês forem bem poderão ficar com os outros monstros na mansão de Tedy. Lá ele mantém várias da espécie de vocês para poder brincar. Assim vocês serão brinquedos felizes! Não me decepcionem.

Clynn, que era a garota dos copos começou a chorar e derrubou os pratos. Ele me segurou e disse:

- Não faça o que ele pede! Lá na outra casa ele estrupa e usa agente para entreter pessoas que pagam para rir de nossa desgraça.

Yllianna se encostou à parede e disse:

- Não ouça essa inútil. Eu quero ir. Eu gosto é divertido, os outros riem com a gente. Tom é uma pessoa boa.

Elas parecem aquele diabinho e aquele anjinho que falam na nossa consciência, mas não sei quem era o anjo a quem eu devia seguir.

Estava triste e não sabia o que cantar, nem como dançar, mas um tipo de sirene tocou e Clynn saiu do quarto e entrou no primeiro quarto da direita levando copos com cerveja (Roberto tinha 16 anos, mas isso foi o que ele me disse, na realidade ele tinha 21, mas mantinha o rosto com operações). Clynn saiu dizendo:

- Sua porta é a numero 2.

Yllianna tirou a cauda e saiu carregando a cauda e andando para a porta número três. Ela era normal? – Me perguntei, mas aí eu vi que as pernas dela eram cheias de escamas e guelras. Eu fui para a porta numero dois e me vi em um corredor que levava a um palco com um cano. Acho que você já sabe para que ele servia.

Roberto estava em uma mesa conversando com outro homem e segurando cartas e papeis. Roberto gritou para que todos ouvissem:

- Que comece o canto e a dança.

Uma luz se acendeu em cima de mim e eu comecei a cantar e dançar. A música que eu cantava? Era uma musica que vinha do meu coração. Minha dança? Eu ficava longe daquele cano e dançava no palco.

Depois de muitas horas naquele sofrimento eu ouvi uma batida na porta. Rezei para que fosse o meu amor. Será que ele tinha ouvido minha voz? Roberto foi abrir a porta Yllianna sentou em cima da mesa com o rabo de sereia e ficou dançando para o outro homem.

Quando Roberto colocou a mão na porta Ryan entrou empurrando a porta E derrubando Roberto no chão, fazendo com que o mesmo ficasse indefeso. Ryan apontou uma gilete para Roberto e o mesmo levantou as mão em rendimento. Ryan havia chamado a policia, mas quando viu a nossa situação, me segurou e me puxou para fora daquela casa.

Eu o avisei da mansão e Yllianna nos levou até lá. Como ela sabia de tanta coisa? – Não sei. Depois ele conta. Quando chegamos à mansão abrimos as portas e várias garotas, umas vinte saíram correndo dali. Cada uma mais estranha do que a outra, comecei a me achar bonita, mas não ia dizer nada.

As garotas nos seguiram até uma cabana na floresta, Ryan nos levou até lá. Ele disse que chamaria um médico para nos ajudar, mas as coisas não saíram como o planejado, pois um Roberto ensanguentado atirou em Ryan e caiu no chão, dessa vez, morto. O tiro atravessou o estômago de Ryan e este caiu desfalecido e morto no chão.

Seria nosso futuro? Ver Ryan morrer daquele jeito? Viver como monstros ou tínhamos alguma esperança de sobreviver felizes?

Estávamos todas desiludidas e tristes no chão vendo nossa única esperança de uma nova vida desfalecer morta, no chão.

Achamos que tudo era muito ruim. Que aquele destino seria o nosso futuro. Yllianna era a única que permanecia séria. Ela chegou perto de Roberto. Deu um beijo nele e enfiou uma navalha no coração dele. Ele arregalou os olhos e os fechou novamente Ela disse:

- Estamos salvas. Vamos para um hospital! Depois tudo ficará bem!

-mas a sociedade vai nos mutilar. Chamar de demônios e nos repugnar! – Clynn falou em tom raivoso.

- Nem toda a humanidade é assim. Eles não eram. – Yllianna apontou para Ryan e Roberto.

- Ela tem razão! Vamos encontrar quem nos entenda! – Eu disse.

- mas para evitar sermos mortas sendo tachadas como demônios. Vamos pelo menos os disfarçar. – Clynn falou se acalmando. Por que será que ela tinha tanta raiva da sociedade? Qual seria o passado dela?

Cavamos um tumulo para Ryan e Roberto, mesmo contra a vontade da maioria de nós, Yllianna insistiu. Depois de muito choro e de coração forte fomos andando em direção a cidade sem saber o que nos aguardava, mas com a certeza de que tudo daria certo, mesmo com todos os problemas que teríamos.

No caminho encontramos muitas pessoas que tentaram nos matar e nos exorcizar, mas não éramos demônios. Porque a sociedade é assim? Toda essa loucura que passei, me fez pensar em como a sociedade é e no que faz ela ser tão repugnante. Fiquei com raiva do mundo no começo, mas depois de um tempo comecei a entender os humanos. Eles só têm dificuldade em conviver, qualquer um teria, não posso culpá-los, afinal, eu é que não era normal. Só queria que o mundo estivesse pronto para nós.

Isso foi tudo pelo que passei. Esse foi e está sendo a minha vida em busca de felicidade e alguém que me entenda. Espero que se algum dia você conhecer alguém muito diferente de você, alguém que você julgue como algo que não presta, você tente ver o lado da pessoa, ver se ela é realmente aquilo que você pensa. Olhe o interior e não o exterior das pessoas você pode se surpreender.

Espero que ter lido a minha história e lamentações da minha vida sirvam de alguma coisa para você. Espero que sirva pelo menos para você pensar. Boa sorte com a sua vida! E obrigado por me deixar desabafar com você. Agora tenho que seguir em frente procurar uma vida melhor.

PoV normal

Lira se levantou de um banco onde escrevia em uma folha de papel e foi chamada por Clynn e que tinha ido chamá-la. Clynn sorriu e disse:

- Vamos. Temos de ir para a próxima cidade. Essa é boa, mas tenho esperança de encontrar pessoas melhores na próxima.

- Eu também. – Lira respondeu.

Lira pegou uma pedra e colocou em cima do papel. Clynn viu a cena e perguntou:

- O que era?

- Nada. Só um presente para os cidadãos. – Lira afirmou e sorriu um sorriso d lembrança.

Espero que alguém leia e possa ser como você, Ryan. – Lira olhava para o céu e sorria. Depois saiu andando seguindo as outras garotas.


Notas finais
Comentários? Mereço? Espero que sim!