Nos dois estávamos na sala jogados no sofá eu prestava atenção na TV e Karla prestava atenção no teto.

- Tem alguma rachadura por acaso? – Perguntei ainda olhando a TV. Ela desviou o olhar pra mim sem entender. – Tá olhando muito pro teto.

- Ah sim, é que o lustre é bonito. – Ela disse curvando a boca.

- Qual é o seu problema com lustres? – Perguntei a encarando.

- Os acho bonitos... E queria ter um todo fofo no meu quarto, mas era de cristal e meu pai não deixou. – Ela respondeu. — Eu vou encher a cara. — Karla se levantou do sofá e foi até a estante pegar a vodka que estava escondida. — Vai dividir ela comigo?

- Não. — Respondi.

— Por quê? — Karla fez bico.

- Não tô muito confiantes em ficar bêbado e te deixar desprotegida só isso. — Me sentei no sofá.

- Vou beber na piscina então. — Ela sorriu animada.

- Não... Bebe aqui. — Pedi. — Sei lá vai que você se joga na piscina e se afoga e eu não vejo...

- Você é tão otimista. — Ela sorriu ironicamente. — Mas tudo bem.

Karla se sentou ao meu lado e abriu a garrafa.

Ela se deitou no sofá colocando a cabeça na minha perna, entrelacei os dedos em seus cabelos e fiquei mexendo neles enquanto ela bebia.

- Cadê o canudinho pra subir mais rápido? — Ela perguntou rindo.

- Pra que quer ficar bêbada? — Perguntei a olhando.

- Só deu vontade de beber só isso. — Ela deu alguns goles. — Saudade de brisa.

- Saudade de passar mal também né? — A encarei.

- Não exatamente quero ver como que eu fico alegrinha do seu lado. — Ela piscou.

- Você quer ver como vai agir do meu lado estando bêbada... — Ela confirmou com a cabeça. — Só você. — Ri.

- Não custa tentar né... Vai que eu tenho mais disposição...

- Não sei não, você vai passar mal e vai dormir. — Ela me olhou e riu.

- Vou te deixar na mão. — Ela riu de um jeito estranho.

Olhei pra garrafa e já estava chegando à metade, como que ela aguentava?

- Acho melhor parar...

- Já tá acabando. — Ela sorriu.

Respirei fundo balançando a cabeça em um não e voltei minha atenção para a TV.

Não demorou muito pra ela virar a garrafa e tomar tudo de uma vez.

Ela olhou pro teto e riu.

— Tá tudo rodando. – Revirei os olhos vendo que ela já tinha passado do estagio da alegria.

Ela me olhou e se levantou se aproximando mais de mim.

- Acho que bebi rápido de mais. – Ela colocou a mão na barriga.

- Acho que alguém vai passa mal. – Olhei pra TV.

- Eu tenho certeza. – Karla se levantou e foi pro banheiro.

- É, não adianta falar com ela. – Balancei a cabeça em um não e me afundei no sofá.

Ela voltou pra sala e se jogou em cima de mim.

— Tá começando a fazer efeito. – Ela escondeu o rosto no meu pescoço e respirou fundo. – Gosto desse perfume, mas prefiro o outro.

- Vai dormi vai. – Bati em sua perna de leve.

- Não quero... Tô sem sono...

- Mas tá falando mole.

- Mas eu não quero ir dormir. – Ela fez voz de choro. Era pior que criança fazendo birra pra não ir tomar banho. – Pensando bem eu vou pro quarto. – Karla se levantou e se sentou novamente. – Acho que vou ficar por aqui mesmo. — Ela voltou a se deitar colocando a cabeça na minha perna fechando os olhos.

Não demorou até ela parar de se mexer, pelo menos dormindo não ia dar trabalho, não ia se afogar, nem pular do segundo andar.
Levantei de vagar pra ela não acordar e a peguei no colo a levando pro quarto, empurrei a porta com o pé e a levei até a cama a deitando nela, tirei a camisa e me deitei ao seu lado e como sempre não demorei muito até dormir.

***

— Meddie... Preciso de remédio pra dor de cabeça tem como me trazer? – Escutei Karla
conversando. – Obrigada.

— Você precisa aprende a se controlar. – Disse com a foz mole, eu provavelmente tinha ouvido coisa porque ainda estava dormindo.

— Eu sei. – Ela respondeu se levantando da cama.

Virei pro outro lado e voltei a dormir.

***

A campainha tocou um tempo depois e Karla saiu do quarto toda zonza se apoiando na parede para poder atender a porta.

Eu parecia um bife em cima da cama não parava de rolar pra um lado e pro outro, até que não agüentei mais e me levantei.

Desci as escadas e fui em direção a sala a onde Meddie estava sentada no sofá junto com Karla.

— Vão ir à festa? – Ela perguntou me olhando.

— Allan não quer ir, mas eu quero. – Karla respondeu com a mão na cabeça.

- Depois de Susane eu não o culparia. – Meddie fez uma careta. – Mas vão, vai ser legal, isso é mentira
não é não, mas tem bastante coisa pra comer então acho que deveriam ir.

- Duas horas e mais nada. – Avisei indo pra cozinha.

- Ele é sempre assim?

— Às vezes é pior. – Karla disse séria. – Bem pelo menos ele deixou...

— Exatamente que tipo de relação vocês tem? – Meddie perguntou de um jeito estranho. – Ele mais parece seu pai do que seu namorado...

— Uma que diz, sou mais seu segurança do que seu namorado, se você morrer eu perco o emprego... – Karla respondeu em uma tentativa falha de imitar minha voz.

— Hã?

Voltei pra sala com uma garrafa de água e Maddie estava com uma cara de desentendida.

— Você quer explicar? – Karla perguntou me olhando.

— Quando ela fugiu da escola foi ameaçada, então o Charles o rico papai da Karla colocou algumas pessoas atrás dela pra deixá-la em segurança... Eu fui um deles, meu dever é manter ela viva a cima de tudo. Se eu tiver que morrer eu morro, mas tenho que deixá-la segura antes disso. – Expliquei.

— Então o que exatamente vocês estão fazendo aqui? – Meddie perguntou séria.

— Caçaram-na na escola, no dia do ensaio de casamento dos seus pais e na minha casa, não tínhamos mais pra onde ir...

— Então ninguém sabe a onde estão? – Ela me encarava. Concordei com a cabeça. – Legal eu sou cúmplice de uma ‘fugitiva’.

— Não exagera. – Karla revirou os olhos.

— Eu ainda acho que séria legal vocês irem à festa pra descontrair e esquecer um pouco essa historia. – Meddie balançou a cabeça.

— Temos duas horas pra isso. – Karla deu meio sorriso.

— Eu vou manter Susane longe de vocês... Agora eu me vou tenho que arrumar umas coisinhas pra noite. – Ela fez sinal com a mão e foi em direção a porta. – Eu conheço a saída. — E saiu da casa.

- Muita dor de cabeça? – Perguntei encarando Karla.

- Uhum. – Ela deitou no sofá e se encolheu.

- Eu vou pra academia, se precisar aconselharia a subir até e passa bem longe da piscina. – Beijei sua testa e fui em direção a escada.

- Tá. – Ela concordou.

Fui pra academia e de novo todos os pensamentos sobre quem estava tentando matá-la ressurgiram.

Eu não conseguia entender o porquê o colar que Carlos deu há ela tinha um rastreador, e não tinha idéia o porquê de Tomas estar envolvido.

Tomas era filho de uma agente especial, uma das melhores agentes, Carlos era filho do meu chefe um diretor, mas é claro ele não sabia disso.

Karla entrou na academia e se sentou no chão encostando a cabeça na parede.

- Quem acha que é? – Perguntei.

- O que?

- Que esta atrás de você...

- Não sei, não quero desconfiar do meu irmão, mas te a historia do Colar... E tem minha mãe. – Ela respirou fundo. – Desconfio mais dela.

— Eu tenho mais dois pra lista, mas acho melhor não saber...

— Tomas é um deles. – Ela riu sem humor. – Eu sei quem me mandou voltar naquele dia foi ele, e ele era o único que sabia que eu estava no seu apartamento e acabou que o vidro da sua sacada ficou em mil pedaços, mas ele é meu amigo não quero desconfiar da pessoa que esteve do meu lado por anos e que amava Clarisse.

- É, ele ainda esta na minha lista. – Falei sério.

- Não quero acreditar que é ele até que prove ao contrario... – Ela ficou séria.

- Por você eu não quero que provem que é ele, por mim é ele, por mais que não tenha motivo ele te mandou voltar pro quarto bem no horário que aquela louca estava lá. Se você não tivesse pensado não estaria aqui agora. – A encarei.

- Ele é louco, mas acho que não chega o ponto de tanto, não fiz nada a ele. – Ela deu de ombros. – Sabe no dia em que Clarisse se matou, ela me chamou pra beber junto eu disse que não estava afim, ela abriu a mala e tirou duas garrafas de vodka, as duas eram minhas, acho que é por isso que eu me sinto tão culpada, ela aprendeu a beber comigo, as garrafas eram minhas, mas até hoje eu não sei se ela estava no ultimo andar ou na cobertura, eu sempre quis acreditar que era tudo mentira que ela tinha feito uma brincadeira, mas os dias passaram e ela não aparecia, não mandava recado, nem uma mensagem... Depois daquele incidente eu só bebi mais e mais, assim pelo menos por alguns míseros minutos aquela maldita dor de culpa sumia.

- Eu não quero te assustar nem nada, mas o corpo daquela garota sumiu... Nunca achamos que havia sido suicídio e sim assassinato.

- E o corpo dela sumiu como? – Karla me perguntou séria.

— O mais provável... Alguém o tirou de lá. A mesma pessoa que a matou. Eu não estava no caso, mas Selena estava de acordo com ela, ela chegou a analisar o corpo de longe, eles analisaram o lugar que ela supostamente se jogou e quando foram levar o corpo pro necrotério ele sumiu. Havia um rastro que levou a floresta, mas sumiu depois de dois metros adentro. – Karla me encarava surpresa. – Minha suspeita, A pessoa a jogou de lá de cima um dos monitores viu e ligou pra policia, não havia gente no departamento pra investigar o caso e mandaram à equipe de Selena, a coisa foi, eles chegaram rápido de mais e não deu tempo da pessoa tirar o corpo e enquanto eles estava distraídos o assassino retirou o corpo e levou pra floresta, provavelmente ele a cortou em pedacinhos e a enterrou ou colocou fogo, mas acho que o primeiro é mais provável.

- Para. – Ela olhou pro chão e acho que havia lagrimas em seus olhos. – É triste saber que minha melhor amiga morreu dessa forma e ainda por cima... Espera... Então eu fui ao enterro de quem?

— O caixão provavelmente estava lacrado...

- É, estava. – Ela concordou.

- Então não havia nada, foi só algo pra ela ter um tumulo digno com seu nome e não ser esquecida. – Respondi.

— E como um corpo some do nada e deixa um rastro?

— Karla quando alguém tenta arrastar outro alguém que mais pesado ou do mesmo peso deixa rastros, porque não tem força pra levantar o corpo, eu consigo te levantar certo? – Ela concordou. – Sou maior e tenho mais força que você, ok! E se fosse ao contrario, provavelmente você só conseguiria me arrastar, é isso que aconteceu, alguém que não tem muita força tirou o corpo da garota naquela noite, mas ao chegar a certo ponto da floresta outra pessoa a levou apagando todos os rastros de pegadas que poderia haver em uma floresta, e depois disso Katharine proibiu a entrada dos agentes na escola. – A encarei.

— Isso é muita informação pra minha cabeça. – Ela fechou os olhos e respirou fundo. – E se ela se arrastou?

- Se alguém cai daquela altura e sobrevivesse o que seria um milagre chamaria por socorro e não sairia se arrastando pra floresta... Ela não estava respirando. – Karla me olhou com os olhos tristes. – Sei que ainda quer que ela esteja viva, mas eu não vou te dar esperanças.

— Esperança é a ultima coisa que você fornece a alguém Allan. – Ela se levantou e saiu da academia.

Mentira o que ela disse não era, eu não costumava dar muita esperança as pessoas.

Notas finais
oii gente
Tenho noticias as vocês, bem acho que começarei a postar mais cedo já que minha internet resolveu querer brincar de queda livre todos os dias ao anoitecer.
E eu acho que é só. '-'
~*~
Petite Marie
Tenho uma vontade inexplicável de matar a maioria dos meus personagens G_G Não sei porque
~*~
Fraan-Salvatore
Desde o primeiro momento eu achei que ia ter coisa com aqueles dois kkkk' ele muito foda shaushuahs
~*~
Kira
assim um é ruim e o outro é pior então fica um mando o outro fazer as coisas kkkkk'
Eu conheço esses olhares porque a mina que eu me inspirei e realmente são engraçados, mas a maioria deles dão medo.
~*~
Evve
Imagina o Allan beijando todo mundo da cidade G_G
Alguém morreria hsuahsuahs
~*~
bitterends
"os pressentimentos do Allan não costumam falhar '~'"
Toda vez que ele acha que algo não vai da certo ele tem razão.
Eu acho meio chato pedi essas coisas sabe G_G então eu acabo deixando quieto. porque sei lá né shuahsuah
~*~
Então negada se pá amanha eu posto bem mais cedo
beijos da tia Keller e até *-*