Lake Forest Academy
25 Capítulo 25
No outro dia me levantei um pouco mais tarde, fui pro quarto de Karla e entrei sem
bater pra não acordá-la, ela deveria ter passado mal a noite toda por ter bebido, não custava a deixar dormir. Sentei-me na poltrona perto da janela e a observei dormindo, um braço tava pra fora da cama, em seu pulso havia uma cicatriz aparentemente de queimadura. Ela não se mexeu muito no tempo que estive ali, quando deu dez horas eu vi sua mão levantando pegando o celular.
– Puta merda. – Ela tentou levantar, mas ficou deitada, provavelmente tava com dor de cabeça.
– Acordou. – Disse a olhando
Ela se virou e me olhou.
– São dez da manha porque não me acordou?
– Porque você esta suspensa. – Respondi.
– Ótimo dia de folga. – Ela abriu a gaveta pegando um comprimido e tomando no seco.
– Katharine quer ver vocês às três.
– Vocês?
– Você e o resto que estavam bebendo ontem. – Respirei fundo.
– Ah. – Ela se levantou com a mão na cabeça. – Preciso comer alguma coisa.
– Quer ir ao refeitório? Sempre tem comida lá. – Ela me olhou estranho, provavelmente se perguntando
porque eu não gritei com ela.
– Eu quero.
Ela se tranco no banheiro como todas as manhas, e saiu com short, meia calça preta, e com uma blusa de frio, e pela primeira vez eu a vi com outra cor nos olhos ao invés de preto era azul que deixava seus olhos mais penetrantes do que costumavam ser, ela colocou o all star e fomos pro refeitório.
Não demorou muito pros outros alunos chegarem ao refeitório também, a maioria como se tivesse ocorrido uma guerra no dia anterior.
– Hey. – Ananda e Sara se sentaram a mesma mesa. – Curtindo a ressaca?
– Que ressaca? – Karla perguntou com meio sorriso
– Não tá com dor de cabeça? – Ananda perguntou.
– Não.
– Katharine proibiu as enfermeiras de nós dar comprimidos pra dor de cabeça, só porque bebemos. –Sara tinha as mãos na cabeça, Karla tirou uma cartela de comprimidos e entregou a ela. – Da onde tirou isso?
– Tenho varias no meu quarto. – Ela disse tomando um gole do chá que tinha pego.
– E ai Rapunzel. – Tomas se sentou ao lado de Karla passando o braço por cima dos seus ombros.
– Não sei como, mas ele passa mal de tanto beber e nunca esta de ressaca. – Jhonatam
pegou uma cadeira e se sentou ao lado de Sara.
– É porque eu não tenho ressaca. – Tomas piscou.
– Você tem é comprimidos pra dor de cabeça no seu quarto isso sim. – Karla disse o olhando.
– É também. – Ele concordou.
– Tomas, e você nem pra me arrumar um. – Jhonatam o encarou desapontado.
Sara entregou a cartela de comprimidos a ele que ficou quieto tomando um dos comprimidos.
– Rapunzel. – Tomas se aproximou de seu ouvido e disse algo a ela.
Ela disse algo e deu meio sorriso, Tomas continuou a falar, Karla olhou pra mim e Ananda que prestávamos atenção neles.
– Tá. – Ela concordou com algo e Tomas virou seu rosto e a beijou, nesse exato momento minha vontade era de dar um soco na cara de Tomas, meu dia tinha começado bem agora ia passar o resto dia mal humorado.
– WOW. – Jhonatam soltou uma gargalhada. – Sério achei que esses dois só iam se pegar
ontem e fim... – Tomas mostrou o dedo do meio a ele. — Olha esse dedo Tomas, isso é muito feio.
– Te fode Jhonatam. – Tomas se separou de Karla e encarou Jhonatam.
– E ai povinho. – Jhon e o outro garoto Chad entraram no refeitório.
– Com ressaca? – Jhonatam perguntou.
– Muita. – Os dois responderam juntos.
– Segura John. – Jhonatam jogou a cartela de comprimidos.
– Na onde arrumaram, achei que Katharine tinha proibido...
– Não saiu da enfermaria. – Tomas apontou pra Karla. – Saiu da gaveta da mesa do quarto da Karla.
– Minha farmácia particular. – Ela curvou a boca.
– Isso prova o quanto você é cachaceira. – Jhonatam tinha meio sorriso.
– Mas nunca me proibiram de pegar analgésicos por causa disso. – Ela escondeu o riso. – Porque nunca me pegaram bebendo... Essa foi à primeira vez.
– Então né sempre tem a primeira vez Rapunzel. – Tomas mexeu na orelha dela.
– É impressão minha ou tá um clima estranho desse lado. – John apontou pra Karla e Tomas.
– Eles estavam se pegando até agora. – Sara ria.
– Achei que era só ontem. – Chad deu de ombros.
– Que isso cara se não fez nada, nem pra mandar os dois pra diretoria por estarem se
pegando em local publico? – John me perguntou.
– Só sou o segurança, não posso fazer nada a vida é dela. – Respondi mal humorado.
– Toma. – Karla riu.
Meu celular começou a tocar e era Charles eu não podia atender na frente de Karla
– Isso não é bom. – Me levantei. – Se aconteceu alguma coisa ou se Katharine chamar vocês antes me avisa.
– Tá. – Karla concordou.
Sai do refeitório e atendi.
– O que foi que aconteceu Allan? – Charles perguntou irritado.
– Sobre? – Perguntei.
– Tem mais coisa Alem da minha filha ter saído do quarto e enchido a cara? – Ele perguntou.
– Não era só pra ter certeza. – Respondi. – Bem foi o seguinte, ontem depois do jogo ela pediu pra ficar sozinha no quarto, ela merece um pouco de privacidade né, eu não achei que ela ia sair do quarto e ir beber com os amigos, eu realmente achei que ela fosse ficar no quarto pensando na vida ou quem quer que seja.
– Então agora você vai lá conversar com a Katharine sobre o castigo que eles vão levar. – Ele disse sério.
– Ok. – Concordei e Charles desligou o telefone.
Foi pra sala de Katharine que me esperava.
– Sério que eu tenho que participar da escolha do castigo? – Perguntei.
– Não julgaria como castigo e sim aprendizado...
– Então os coloca pra estudar até as sete da noite, isso me da mais tempo pra dormir. – Disse a olhando.
– Como se eles ficassem na sala, já tentei e não funcionou. – Ela apontou a cadeira em sua frente pra eu sentar. — Minha ideia é colocar eles pra limpar o ginásio principal...
– Só? – Perguntei. – São dez alunos, eles terminam uma faxina em menos de hora.
– Então Stewart...
– Quantos ginásios e quadras têm aqui?
– Ginásio principal, quadra de vôlei, a de tênis e o ginásio de jogos de inverno. – Katharine respondeu.
– Mais a academia cinco, ótimo. – Disse me largando na cadeira.
– E mais três dias suspensos. — Katharine sorriu satisfeita. — Agora vou chamá-los a minha sala.
Não demorou muito até que todos os professores e monitores que estavam no dia anterior aparecerem na sala de Katharine, os alunos chegaram em seguida e adivinha quem não apareceu? Karla e Tomas, qualquer dia eu iria torcer o pescoço daquela garota. Era pra eles estarem todos justos eles estavam fazendo o que pra não chegarem na hora?
Pergunta idiota Allan, você sabe o que eles tão fazendo. Bufei e sai da sala peguei o celular e disquei seu numero.
– Alô...
– Karla a Katharine quer te ver vocês agora. – Disse sério.
– Ok, eu tô indo lá. – Ela desligou apressada.
Não demorou muito pra ela e Tomas aparecerem na sala da diretora, os dois olharam todos que ali estavam sem dizer nada.
– Já que estão todos aqui. — Katharine estava séria. – Três dias suspensos, e quero que limpem o ginásio, a
academia, o campo de vôlei, o de tênis e o ginásio a onde tem os jogos de inverno.
– Fudeu. – Chad jogou as mãos pra cima desesperado.
– E se acontecer de novo vocês vão ter que limpar a escola toda. – Katharine os ameaçou. – Entenderam?
– Sim. – Todos disseram juntos.
– Vocês começam amanha depois das aulas...
– Por onde? – Ananda perguntou.
– Por onde decidirem. – Katharine respondeu.
– Tudo bem se a gente se dividir? – Karla perguntou fazendo todos olharem pra ela. – São cinco lugares para ser limpo e nós somos em dez, se mandarem dois para cada lugar com muita sorte limparemos no mesmo dia, mas acho que vai levar uns dois.
– Ficou boa assim do nada em matemática? – Tomas perguntou surpreso.
– Se mandarem todos juntos pra um lugar só vamos um atrapalhar o outro. – Ela respondeu olhando Tomas.
– Os lugares são muito grandes pra duas pessoas, acho melhor cinco pra cada lugar e nós podemos revezar as equipes. – Uma garota disse prestando atenção.
– Ótimo vocês decidem o resto, mas começam amanha. Podem ir. – Katharine apontou a porta.
Eu ainda achava que isso seria fácil de mais pra eles.
No outro dia após as aulas, que por acaso aqueles alunos não tiveram eles se dividiram entre o ginásio principal e a quadra de tênis.
Entrei no ginásio principal pra ver o que a boneca tava fazendo e ela tava brincando com uma enceradeira, indo de um lado para outro escorregando.
– Eu jurava que isso era pra ser um castigo. – A olhei brincando.
– Eu sou infantil lembra? Então me deixe ser feliz. – Ela continuava a escorregar.
– E se a gente usar uma dessas na arquibancada? – Ananda perguntou pensativa.
– Você provavelmente ira cair. – Respondi a olhando.
– Que droga. – Ananda bateu o pano na arquibancada brava.
– Vai fica ai só olhando? – Karla me perguntou quase caindo no chão escorregadio.
– É não tinha nada pra fazer. – Me sentei na arquibancada.
Chad era tão criança quanto Karla, os dois ficaram escorregando de um lado para o outro enquanto deveriam estar limpando ao invés de escorregar. Revirei os olhos pela infantilidade dos dois.
– Será que conseguimos fazer corrida com isso? – Chad perguntou analisando a maquina que encerava.
– Quer tentar? – Karla perguntou indo pro começo da quadra.
– Quero. – Chad parou ao seu lado.
– No já. – John disse rindo. – Já.
Karla saiu igual uma louca pela quadra, mas parou no meio do caminho logo depois que Tomas puxou a o cabo da tomada.
– Parou. – Ela fez bico sem saber o porquê da maquina ter parado no meio do caminho.
– É porque eu desliguei. – Tomas disse com a tomada na mão.
– Coloca na tomada de novo. – Karla estava com o bico igual criança. – Eu estava ganhando.
– Não tava não. – Chad gritou.
– Tava sim, só não ganhei porque o Tomas tirou da tomada.
– Tá legal, de novo. – Chad voltou pro lado de Karla e Tomas colocou a enceradeira na tomada novamente.
Como eu suspeitei nem com a enceradeira na tomada Karla conseguiu chegar na frente, à garota deu uma volta de 360º graus e acabou ficando pra trás.
– Que merda Chad, nem ligada na tomada consegui chegar. – Ela fez bico indo em direção de Tomas. – Ele é mal.
– Chad, ela é uma garota você deveria ter a deixado vencer. – Tomas disse bravo.
– Tá chega. – Ela ficou séria pegou alguns panos e foi limpar a arquibancada, eu ainda acho que ela é bipolar. – O que tá fazendo aqui Tomas?
– Terminamos a quadra de Tênis e eu vim ver você. – Ele sorriu pra ela.
– Que lindo. – Karla mandou um beijo pra ele, e eu revirei os olhos.
– Adolescentes.
– Tá então ajuda. — Ela jogou um pano pra Tomas.
– Deveria ter ficado lá. – Ele a encarava. – Imagina o cara que casar com você.
– Se é que eu vou me casar um dia. – Karla disse séria.
– Vai Rapunzel, um dia você acha o cara certo. – Tomas se sentou na arquibancada limpando os bancos da frente.
Todos no ginásio estavam olhando os dois com aquele papo estranho inclusive eu.
– Que foi? – Os dois perguntaram juntos.
– Nada. – Respondi.
Eu não tava entendo esse relacionamentos deles, Karla jurava de pé juntos que eles eram amigos, Tomas diz não gostar dela que são só amigos, só que s dois vivem se pegando.
Logo que eles terminaram de limpar o ginásio eles voltaram pro seus quartos. Karla se jogou na cama, quase morrendo de cansaço.
Eu a olhava de um jeito que me pegou de surpresa. Era como se só ela existisse naquele instante
– Que? – Ela perguntou me olhando.
– Não entendo seu relacionamento com Tomas. – Disse dando de ombros.
– Eu também não. – Ela fez uma careta. – Nós somos amigos...
– Amigos pra mim não ficam se beijando. – Arqueei a sobrancelha.
– Isso se chama carência. – Ela tinha meio sorriso. – Quando você precisa de alguém e não tem.
– Eu sei o que é carência...
– Mas não entendeu o que eu disse. – Karla ficou séria. – Er... Na comemoração eu estava mal, e ele levou um fora, então um mata a carência do outro, mas depois tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.
– Isso nunca atrapalhou vocês? — Geralmente a amizade ficava abalada depois de um ocorrido desses.
– Não, nunca entramos nesse assunto, é meio que ele morre quando estamos em sã consciência. – Ela curvou a boca.
– E nem te incomoda? – Perguntei.
– Na verdade não, ele é meu amigo só, a gente só fica juntos pra não ficarmos sozinhos, eu não tenho outro sentimento por ele e nem ele por mim...
– Certeza? – Arqueei a sobrancelha novamente.
Isso era estranho.
– Tomas é muito sincero se ele gostasse de mim ele me diria como disse quando namoramos, e como disse na comemoração que gostava de Ananda. – Ela se levantou e entrou no banheiro.
Eu não fiz, mas perguntas, mas isso não significava que não achava tudo aquilo estranho.
Como que duas pessoas que se consideram melhores amigos, se pegam porque estavam com carência?
Notas finais
Não revisei o capítulo então peço como sempre que se encontrarem erros na postagem avisem assim eu posso arruma-los =}
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