Lago dos cisnes
34 Última chance
Odette que estava segurando um copo deixou o copo cair, arrasada, ela se desesperou e começou a chorar.
—O-Odette, mas... — Siegfried acordou do encanto confuso e viu Gisele pelada ao seu lado.
Odette fugiu correndo e chorando como nunca.
—ODETTE! ESPERE! — gritou o príncipe se vestindo, confuso e magoado.
—Você fez isso? — perguntou Siegfried pra mãe.
—Eu sinto muito meu filho, eu não queria, mas você não me deu opções, um dia você vai entender que só fiz isso pro seu bem — explicou Adelaine IV.
—VOCÊ ME DÁ NOJO! — gritou ele pra mãe e saiu correndo atrás de Odette.
Siegfried correu o mais rápido que pode pelos corredores e saiu depressa arrumando um cavalo e esbarrando em algumas barracas porém sem se importar, ele tinha que encontrar Odette não importa o que acontecesse.
O príncipe disparou com seu cavalo até a floresta, havia perdido o alcance da amada, mas continuaria procurando até achar.
No outro dia, Luna entrou no quarto da jovem rainha Odile que lhe esperava olhando pra janela.
—Me chamou? — perguntou ela.
—Sim, eu mandei soltar o seu noivo, você está livre, pode ir embora — falou Odile.
—Isso é maravilhoso! Mas, mas eu não posso ir embora — Luna disse se aproximando da rainha e olhando pros seus olhos escuros.
—Como não? Não era isso que você queria desde o início? — perguntou Odile.
Luna refletiu sobre o fato, era realmente o que ela queria, porém os últimos acontecimentos em sua vida viraram uma enorme distração na qual ela não pôde escapar, o fato é que quando estava com Odile, e apenas com ela esquecia sobre toda a vida que tinha.
—Porque quer me mandar com tanta pressa? — perguntou a arqueira.
—E porque você não quer ir embora com pressa? — perguntou ela pra Luna.
—Ainda tenho uma missão pra cumprir — Luna respondeu.
—Sua missão era seduzir aqueles homens e você conseguiu, ou melhor, eu consegui, agora está livre, vá embora, Luna — disse Odile.
Luna olhou magoada pra rainha.
—Onde está o Phillipe? — perguntou ela.
—Seu marido, ou noivo sei lá, chegará amanhã, eu pedi pra trazerem ele pra cá e você vai aguarda-ló lá embaixo quando ele estiver chegando e assim os dois irão se reunir e serão felizes para sempre, lindo não acha? — perguntou Odile irônica.
—E você? Eu só quero que fique bem, Odile, você tá sofrendo, eu vejo isso — Luna disse.
—Em toda minha vida, tudo o que eu tive foi sofrimento, pode ter demorado, mas eu aceitei que tenho que conviver com ele até meus últimos dias longe do inferno, e você tem que aceitar também — a rainha falou.
—Deixe-me te ajudar, por favor, eu só quero que isso pare, quero que você fique bem — Luna implorou com água nos olhos.
—Isso não é possível, mas é possível você ficar bem, contanto que esteja longe de mim — Odile explicou.
Luna não falou nada e decidiu se retirar.
Passou duas horas e ela finalmente encontrou Julian.
—Julian, eu preciso que me ajude, eu preciso saber o que aconteceu com a Odile — Luna pediu.
—Luna, isso é impossível, ok? Tem coisas que aconteceram que você nem imagina, e é melhor você nem saber — falou Julian.
—Por favor Julian, por favor, Julian, eu me importo com ela tanto quanto você, eu não queria, mas foi além do meu controle, eu preciso ajuda-lá, senão eu sinto que ela vai acabar...
—Acredite, Luna, se ela pudesse ela já teria feito — Julian interrompeu.
Luna não aguentou e derramou uma lágrima.
—Então você entende, não é? Entende porque eu preciso ajudar ela? — perguntou Luna.
—Você me lembra muito alguém que eu conheci, sabia? Um garoto, ele também estava disposto a tudo pra salvar a Odile — disse Julian.
—Como? — perguntou a arqueira.
—Droga...escuta, Luna, eu vou te contar uma coisa e você vai me prometer que não vai contar pra ninguém, muito menos pra Odile que você sabe disso, ela nunca iria me perdoar, mas eu vou contar mesmo assim, acho importante você entender — Julian contou.
—O que foi? — ela perguntou.
—Venha comigo — ele pediu e os dois desceram as enormes escadas do enorme castelo.
—Você não faz ideia do que ela já passou, já passou por todas as dores possíveis que você pode imaginar, ela passou a vida inteira presa e houve uma época em que ela havia esperança de ser alguém livre ao invés de uma escrava, a escrava do pai dela, Rothbart, desde pequena ele ensinava ela a ser como ele, a abraçar a escuridão ao invés de evita-lá, a acabar com todos que estiverem no seu caminho, a fazer o que for preciso pra conseguir o que quer não importa o que fosse, pra isso ele sempre torturou ela, ele dava puxões de cabelo, tapas na cara, jogava ela contra a parede, trancava ela no escuro por dias deixando ela com fome e sozinha, jogava pedra nela e falava coisas horríveis pra ela, abuso emocional e psicológico eu diria...além de físico é claro — Julian foi contando.
Luna ficou horrorizada e ferida com cada palavra que ele falava.
—Ele também matava animais, caso ela se apegasse a eles, fazia isso na frente dela, quando ela tinha apenas 15 anos, ele mandou ela casar com um rei bem mais velho que ela, um rei que a atormentava e ela perdeu a esperança, mas então ela conheceu um garoto de 16 anos — Julian falou.
Eles chegaram no jardim até uma árvore aonde estava escrito em um coração "OR + PB"
—OR + PB — Luna disse em voz alta.
—Peter Brun era um garoto humilde, bondoso, inteligente, respeitoso, simpático, justo, que assim como ela, havia sido obrigado a parar naquele castelo como um guarda, eles se apaixonaram, viveram algo extremamente forte, algo que ninguém entenderia, nem mesmo eu e derrepente era como se não conseguissem mais viver um longe do outro, ele sabia da história dela e fez de tudo pra acabar com a dor dela, e conseguiu, ela se entregou à paixão, viveu os momentos mais felizes com o amor da vida dele, até que os dois decidiram fugir, mas não conseguiram... — ele foi contando.
—Rothbart — Luna chegou à decisão, ela imediatamente se lembrou de uma visão que teve na casa de Raif de um lindo garoto com um cabelo liso e escuro e duas mechas caindo sobre a franja, uma expressão desesperada e triste e olhos claros, ele havia pedido pra acabar com Rothbart, aquele deveria ser o tal Peter Brun e ele queria salvar a amada...Odile é claro.
—Exatamente, ele o matou na frente dela, fez ela pensar que a culpa era dela, acabou com o último fio de esperança e felicidade que havia dentro dela, em outras palavras acabou com ela...o coração dela morreu com ele, Luna e depois disso as coisas apenas pioraram — Julian explicou com uma expressão culpada no rosto.
—Eu...eu não podia imaginar — Luna disse sem palavras, apenas sentindo angústia no seu coração.
—Agora você entende? Isso foi apenas uma sinopse de um enorme livro de 22 anos de sofrimento, pode crer — contou ele.
—E então, é por isso que ela me afasta? Não é só por medo de não conseguir se controlar caso nós duas...enfim, ela tem medo que algo de ruim aconteça comigo? — perguntou a arqueira.
—Em parte sim, mas também porque ela quer evitar esse sentimento a todo custo, ela sabe que não nasceu pra ser feliz, ou pelo menos é o que ela acha e ela também acha que não merece isso — explicou Julian.
Luna ficou um tempo pensando, ela já havia percebido isso, mas se recusava a acreditar que ela não tinha salvação, e talvez ela realmente não pudesse desistir agora.
—E quanto às relações sexuais? Isso traz um momento de felicidade nela? E por isso que ela faz tanto? — Luna perguntou.
—Isso sempre foi um fetiche da rainha, ela se diverte com isso é claro, mas a única vez que ela fez isso com amor foi com o Peter,pelo menos até agora, com o resto é só por puro prazer, ela gosta disso, tem um lado sexual muito forte, porém nunca havia se importado com o que aconteceria se perdesse o controle desde...você sabe, até você chegar, você a enlouquece como nunca, Luna e ela se importa com você, não quer te ver machucada, talvez no fundo você esteja certa, talvez ainda haja um pouco de humanidade nela, eu espero que sim, eu quero isso mais que tudo — explicou Julian.
—Obrigada por me explicar, Julian — Luna falou
—De nada, pelo bem de todos, espero que você consiga fazer o que até hoje apenas uma pessoa conseguiu...ou melhor quase conseguiu — Julian disse.
Luna resolveu sair de lá, era sua última chance...ela tinha que conseguir
Fale com o autor