Lady and the Tramp
7 VII – Viva a américa!
Notas iniciais
Ele não ficou surpreso dela conseguir que a viajem ocorresse na noite daquele mesmo dia. O que o surpreendeu foi o fato dela o acompanhar para os Estados Unidos, ele nunca pensou que ela iria para América, mas de novo Rosamund estava sempre disposta a surpreender.
Durante a longa viagem ela esteve ao lado dele sempre que ele permitia, as vezes conversando ou apenas em silêncio, ele não sabia como expressar sua gratidão por isso, ele esperava que o modo como ele a segurava tão forte nos braços demonstrasse isso.
Funeral era o evento social que ela odiava. Todos usando preto, o ar de perda que irradiava por todos os lados, isso a fazia lembrar de seu pai e Marmaduke, ela definitivamente não gostava de lembrar da dor da perda. Ela agarrou a mão de Harold fortemente para lhe dar apoio e buscar também um pouco de sua força, ela tinha que admitir ele parecia tão estoico, seu rosto era desprovido de qualquer tipo de emoções, ela se lembrou do funeral do pai, até mesmo Robert havia deixado algumas lágrimas escaparem, mas Harold não.... No entanto ela precisava se lembrar que a relação de Harold com o pai era diferente.
A estadia na América foi prorrogada mais alguns dias depois do funeral, na verdade ela já esperava isso. Por um minuto ela pensou no medo que sua mãe estava sentindo em de repente perder sua filha para a América, ela rolou os olhos, provavelmente Violet já havia feito esse comentário a essa altura, afinal já completava dez dias que ela pisava em solo americano e não demonstrava a vontade de retornar.
Em uma noite após jantarem com Martha, eles conversam no quarto, o que era uma ocorrência rara desde que chegaram a América, pois desde que pisaram em solo americano era raro que Harold e ela tinham as conversas que costumavam a ter, sozinhos no quarto ele optou pelo sexo, embora não fosse ruim, era diferente do que ela havia experimentado em Londres, era como se ele estivesse se fechando. Então quando ele começou a falar naquela noite, ela era grata que seu Harold finalmente estivesse mostrando-se novamente.
“Estou assumindo o comando da empresa aqui nos Estados Unidos” Ela sabia que ele assumiria a empresa, ela estava lá na leitura do testamento, mas ela não pensou que ele ficaria nos Estados Unidos, ele deve ter percebido seus pensamentos, “Embora eu seja o herdeiro legitimo, será mais fácil para o conselho questionar minhas decisões se eu estiver em Londres” Ele justificou, ela se aproximou dele e agarrou sua mão e lhe dirigiu um pequeno sorriso antes de dizer “Eu não me importaria em estender minha estadia em Nova York”. Ele suspirou e deu um beijo em sua testa “Não posso fazer isso com você Rose, não posso arrancar você de sua casa, sua família, de tudo o que você conhece sem uma data de retorno” Ela então o olhou indignada “Eu sou bem grandinha para saber o que eu quero Harold” Ele lhe dirigiu um olhar tranquilizador “Eu sei. Mas e quanto ao banco? O conselho irá dar uma festa quando descobrir que você está do outro lado do oceano” Não demorou para que ela respondesse “Robert pode cuidar disso” Ele sorriu para ela “Uma hora você iria se cansar da América Rose e de mim, você iria embora odiando os americanos” Ele suspirou e rolou os olhos “Eu nunca odiaria você Harry” Ele deu um breve beijo em seus lábios, adorava quando ela o chamava por esse apelido. Percebendo que seria uma batalha difícil, ele decidiu descansar para o que estava por vir e aproveitar a presença de sua esposa em seus braços.
Dois dias haviam se passado desde a conversa que eles tiveram e Rosamund decidiu fazer uma surpresa a ele. Ela foi até a empresa para contar a ele sua decisão, entrou no escritório dele sem ser questionada por ninguém, mas quando adentrou o local ela preferia que não tivesse feito, em um sofá estava seu querido marido aos amassos com uma loira. Ela estava chocada com a visão, quando ela deu meia volta para sair ele notou sua presença, mas ela saiu o mais rápido que pode dali.
Ele não sabe como aconteceu, em um minuto ele estava bebendo com Heather uma namorada da juventude e no outro ela o estava beijando, mas o pior foi que Rosamund chegou a tempo de ver a cena e ele não foi rápido o suficiente para alcança-la. Ele chegou em casa e foi correndo para o quarto, mas duas empregadas a ajudavam a descer as malas “O que isso significa Rosamund?” Ele perguntou exasperado e ela o respondeu em um tom baixo e mortal “Exatamente o que é, você tinha razão: eu odeio americanos” Ela disse saindo do quarto e ele demorou alguns segundos para segui-la através da escada “Você não pode estar falando sério Rosamund” Ela nem se deu ao trabalho de olha-lo nos olhos “Eu não estou falando Harold, eu estou indo embora para minha casa” Ela disse cruzando a grande sala e saindo para fora da casa, ele a agarrou pelo braço fazendo com que ela o encarasse, ele sabia estar fazendo uma cena para a criadagem, mas não se importava “Você não pode me deixar Rosamund” Ela bufou “Pois é exatamente o que estou fazendo” e então o olhou ameaçadoramente “Espero que se lembre da promessa de atender aos meus desejos? Pois bem, não me siga, não ouse pisar em minha casa, eu não quero mais vê-lo e agora me solte” Ele viu o fogo em seu olhar, ele não queria deixar ela ir, ele queria arrasta-la para dentro implorar seu perdão e fazer amor com sua esposa, mas embora ele fosse um playboy as vezes, ele mantinha suas palavras, dessa forma ele soltou seu braço e a viu entrar no carro, mas antes que ela pudesse entrar ele gritou “E nosso casamento?” Ela não virou para gritar de volta “Será da maneira que deveria ter sido”. Ele ficou parado naquela posição enquanto ainda podia ver o carro levando a mulher que tinha carregado seu coração.
Quando já era impossível olhar o nada ele entrou, só para dar de cara com sua mãe na sala. Ele então entrou na biblioteca e começou a jogar as coisas, quando parecia não ter mais nada para quebrar, ele sentou-se no chão e pela primeira vez em anos Harold Levinson chorou.
Durante o passeio de carro ela fechou os olhos para não deixar as lagrimas escaparem. Ela só veio a finalmente desabar quando estava em segurança sozinha, as lágrimas desciam sem controle, os soluços não eram diferentes. Ela havia dado seu coração a ele e ele o havia quebrado em milhões de pedaços, ela se repreendeu por ter sido tão burra. Ela estava pronta para abrir mão de tudo por ele, mas a voz de sua mãe veio agora em sua mente, alta e clara a voz de Violet diz “Americanos são encrenca”, ótimo! Viva a América que ferrou seu casamento!

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