Lady and the Tramp

4 IV – 35 Belgrave Square


Notas iniciais
Back to home, que surpresa os aguarda?

Ele está na biblioteca sentado no sofá com um grande bico, ela se segura para não rir da atitude infantil do marido.

—O que foi Harold? -Ela pergunta sentando-se ao seu lado, ela sabe muito bem o motivo.

—Você está de brincadeira não é Rosamund? Por que você os convidou para sua casa!? -Ele parece desesperado e ela até sentiria pena dele, mas acontece que Rosamund raramente sente pena das pessoas.

—Porque eles estava indo para Londres e a situação exigia que eu fosse educada. Eu não sei você, mas eu fui educada com bons modos.

Ele geme em frustração e fecha os olhos, no instante em que a Condessa viúva adentra o local.

Rosamund vê ele se ajeitar no assento, ela espera os comentários maliciosos de sua mãe, mas aparentemente ela está muito feliz para faze-los.

—Ainda bem que você está levando os americanos para sua casa Rosamund. -Ela cometeu o erro de subestimar sua mãe, mas ela viu o olhar da velha Violet se iluminar ao perceber o descontentamento de Harold ao ser lembrando que os pais iriam voltar com ele, Violet Crawley era uma mulher má de fato.

Após uma viagem com ela e Martha sendo as únicas a fazerem a conversa, ela finalmente chegou em casa. Após se acomodarem, o sogro disse que teria que sair e praticamente intimou o filho a ir junto, ela viu a expressão resignada de Harold ao se aproximar e dar um breve beijo em sua testa, ela sabia que o ato era apenas para manter as aparências, mas por breves segundos ela se permitiu pensar que ele buscava força através de tal ato.

Após tomar chá e ouvindo Martha por toda a tarde finalmente ambos os senhores Levinson’s chegaram. O jantar foi excepcionalmente calado, até mesmo Martha parecia com medo de iniciar uma conversa.

Alguns minutos após estar pronta para dormir, ela ouve uma batida na porta que liga seu quarto ao de Harold, ela franze o cenho com a ocorrência incomum:

—Entre. -Ela o vê entrar usando suas roupas noturnas, algo no modo como ele caminha, diz a ela que o passeio com o pai não foi bom.

—Sente-se. -Ela diz apontando para um lado da cama, ele claro ainda era o imprevisível Harold quando se deitou ao seu lado na cama, ela que estava com um livro em mãos, o colocou no colo e olhou para ele erguendo a sobrancelha. -Presumo que o passeio não tenha ido bem.

Ao ouvir a declaração da esposa, ele mexeu nos cabelos, ele não sabia ao certo se poderia compartilhar com ela, suspirando ele começou:

—Bem? Aquilo foi tudo menos isso. Passeio o caminho todo ouvindo sobre o erro que foi casar-me com uma britânica.

Ela suspirou:

—Acho que ele não gosta de mim.

Ela fez uma breve observação com um sorriso de canto, mas nem mesmo seu comentário foi capaz de anima-lo.

—Não ele não gosta, embora tenha ficado muito interessado em sua fortuna.

Ela tentou ser otimista:

—Isso deve ser um começo.

Ele a olhou frustrado:

—Ele já estava fazendo planos de como tomar a maior parte em um divórcio. -Ela o olhou horrorizada. -Não se preocupe Rose, eu não faria isso. Eu prometi.

A declaração dele foi tão sincera, que ela nem percebeu estar sorrindo, ela pensou em fazer algum comentário sobre seu status de playboy, mas votou contra, não era o momento para brincadeiras, quando seu marido parecia tão... vulnerável? Era difícil ver o arrogante Harold Levinson sendo diminuído a uma criança pelo pai.

Eles conversaram por um tempo, até que ela começou a contar sobre sua infância, foi só quando ele parou de fazer comentários que ela percebeu que ele havia adormecido ao seu lado. Ela pensou seriamente em acorda-lo e manda-lo para seu próprio quarto, mas algo na maneira serena que ele dormiu a impediu de fazer tal ato sem coração. Colocando o livro no criado ao lado da cama e apagando a luz, ela jogou as cobertas em cima dele e se deitou murmurando um:

—Boa noite Harold. -E então encontrou uma posição adequada para dormir.

Na manhã seguinte ela acordou a tempo de ver sua empregada suspirar de surpresa ao entrar no quarto e a vê dormindo com o marido. Ela tentou levantar, mas percebeu que braços fortes a agarravam pela cintura, homens. Saindo dos braços dele com cuidado para não acorda-lo ela preparou-se para o dia. Quando desceu ela percebeu que havia alguém em sua biblioteca e foi ver o intruso, talvez ela não devesse ter feito isso, pois quem encontrou era pior do que a sogra: Isidore Levinson analisava seu acervo literário.

—É uma bela biblioteca Rosamund. -Algo no modo como ele dizia seu nome a deixava incomodada, se antes ela já suspeitava agora ela tem certeza que o homem não gosta dela.

—Obrigada senhor Levinson.

O velho a olhou como se olhasse para uma criança:

—Não há necessidade de formalidade Rosamund, sua família está mais ligada a minha do que eu pensei que faria. -Ele tinha um tom levemente de desprezo ao falar de sua família, Rosamund não gostou disso.

—Creio que o senhor não gostará se eu chama-lo por seu primeiro nome senhor Levinson. -Ela disse, ela ainda era Lady Rosamund e não deixaria se intimidar por ninguém, o velho riu uma risada seca.

—Tem razão, mas o que eu posso fazer? Você já se casou com meu filho mesmo.

Ela morde o lábio antes de fazer uma observação:

—Tenho a impressão de que o senhor não gosta de mim.

—Por mais que não seja um grande amigo de sua família, nunca tive nada contra você, até o momento em que estragou meus planos.

Ela franziu o cenho, que planos eram esses?

—Que planos?

O velho olhou pela janela e novamente para ela:

—Casar Harold com alguma herdeira americana, coloca-lo no comando da minha empresa e ver meus netos crescerem.

Ela respirou fundo antes de responder, esse homem tratava o filho como uma marionete e ela não gostava disso.

—Não sou americana senhor Levinson, mas tenho minha fortuna, não sei o porquê Harold não quer assumir sua empresa, mas ele tem seus negócios aqui em Londres e eu apoio ele independente do que decida e se depender de mim, você não verá seus netos. -Ela disse em um tom baixo e ao mesmo tempo ameaçador, ela se sentia extremamente afrontada com a ousadia desse homem e sentiu a necessidade de causar os mesmos danos ao velho, mesmo que fosse com ameaças vazias de nunca deixa-lo ver os netos, que provavelmente nunca viriam dela.

O homem ficou calado por um tempo, ela pensou se teria ido longe demais, mas de qualquer forma ele mereceu. Harold com um time perfeito entrou na biblioteca e notou a tensão evidente, ele se aproxima dela e passa a mão em sua cintura.

—Posso saber qual o assunto tão interessante que parece ter feito minha esposa esquecer-se do café da manhã?

Algo no modo como ele colocou suas mãos possesivamente nela e o tom de voz que ele falou a fez se sentir protegida, pela primeira vez em muito tempo.

—Ah nada de mais querido. -Ela forçou um sorriso, mas ele havia analisado seus sorrisos há muito tempo para perceber que esse era falso.

Como se percebesse que estava sobrando naquele cômodo, Isidore saiu do cômodo, mas não antes de dizer ao filho:

—Agora entendo sua escolha Harold.

Quando ele saiu Rosamund finalmente soltou o ar que nem sabia estar segurando.

—Você está bem Rose? Ele disse ou fez algo que a incomodou? Se ele tiver feito qualquer coisa....

Ela viu suas mãos fecharem em um punho, embora talvez sua expressão não demonstrassem no momento, ela apreciava esse lado dele. Colocando a mão em seu antebraço ela disse:

—Está tudo bem Harry. -Ela lhe dirigiu um sorriso garantindo que tudo ficaria bem, nem percebendo que usara o apelido escolhido apenas para momentos de provocações, mas nesse momento em especial Harold sabia que não era uma provocação, a maneira como ela disse a frase, o tom doce que usou, ela parecia quase inconsciente de usar tal apelido, e se apegando aquele sorriso ele tinha certeza que as coisas ficariam bem.

Notas finais
O que acharam da defesa de Rosamund? Bjss e até a próxima :)