Lady So Divine
16 XVI. Odeio você
Notas iniciais

Ela olhou para ele mais uma vez, os olhos repletos de lágrimas e o coração apertado pela dor sufocante. Os punhos estavam cerrados com tanta força, que os nós dos seus dedos estavam esbranquiçados.
Não era justo, não era justo.
— Desculpe, Zoe. Eu tenho que fazer isso, não chore. Eu tenho que fazer isso — ele repetiu, contendo a vontade de abraçá-la.
— Você não tem... — ela sussurrou em resposta, os lábios tremendo. Erwin era um homem que tinha abandonado os próprios limites, sendo capaz de sujar as próprias mãos de sangue, sangue que não importava o quanto tentasse lavar, o quanto tentasse esquecer, permaneceria ali, como um fantasma cruel. E agora, ele se sacrificaria por um bem maior. Hanji sabia que era o certo, mas ainda assim... Ainda assim. O amor era egoísta, amava-o. Como poderia lidar com isso? — Não saia por essa porta, Erwin. Não se atreva a sair!
Erwin andou devagar até ela e quando percebeu que ela não o afastaria, segurou o rosto feminino entre as mãos e deu um beijo em seu cabelo, demorando-se no ato. Inspirou o cheiro dela uma última vez... Uma última vez.
— Adeus, Hanji. Eu... — As palavras morreram em seus lábios antes de sequer saírem e ele balançou a cabeça.
Ficou parada, vendo-o atravessar a porta e com um último fôlego, ela gritou:
— Eu odeio você! — Queria pedir que ele não a deixasse, ela queria dizer que o amava mais do que poderia explicar, mas Hanji não fez isso. Caiu no chão de joelhos aos prontos e gritou mais uma vez: — Eu odeio você!
Mas ninguém a escutou, porque não tinha restado mais nada além dela e de sua própria solidão.
Fale com o autor