Lady Death I - Desires

3 Lembranças Indesejáveis


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Sei que deveria ter postado esse capítulo ontem, mas não pude por causa de alguns imprevistos...Algumas visitas vieram aqui em casa, e revisar um capítulo com pessoas perguntando: "Foi você que escreveu?", "Posso ler?", "Desde quando você escreve?", não é a coisa mais recomendável do mundo. De qualquer forma, aqui está o capitulo, com um Flashback que vai ser bem importante para toda a história, então prestem atenção. Boa Leitura! P.S.: Recomendo lerem o Flashback ouvindo a música "Summertime Sadness", da Lana Del Rey. Revisei ouvindo essa música e...Lágrimas.

– Nada de realmente importante... — ela disse, e em menos tempo do que se precisa para que um segundo se passe, eu soube que ela estava mentindo.

– Por favor, Jenn...Eu sei que você está mentindo. Te conheço muito bem, e sei o que esse olhar significa. — minha voz era quase tentadora, e eu pude sentir um pouco de vergonha e medo tomar conta da loira à minha frente.

– Parece que você realmente se lembra de mim... — ela contra-atacou, parecendo estar intimidada.

– Abaixe à guarda, Jennifer. Somos amigas, certo? — abri um sorriso que oscilava entre a curiosidade e o afeto — Não nos víamos à muito tempo...Está bem claro que você tem um ótimo motivo para ter vindo aqui.

– Tudo bem. — ela suspirou, se dando por vencida — Olha... Eu sei que não nos falamos à muito tempo, e eu realmente pensei que você nem ao menos se lembrasse de quem eu sou, e...Nossa! Olha pra quem você é agora...Eu sei que não é como se fôssemos nos falar por cinco minutos e automaticamente virarmos melhores amigas de novo, mas...Eu vim aqui para te pedir um favor... — seu olhar demonstrava nervosismo e ansiedade.

– Um favor? — questionei, com um sorriso fraco, porém maldoso sendo esboçado em meus lábios rubros — Vir aqui sem mais nem menos e me pedir um favor é um ato corajoso, Jennifer...Deve ser algo no mínimo de suma importância para você. Prossiga...

– Eu não sei se você se lembra, mas...Na época da escola, eu era colunista do jornal, você até me ajudava com algumas matérias e eu tinha o grande sonho de publicar algo no The New York Times, e meio que esse ainda é meu sonho, e eu trabalho em um jornal não muito conhecido, e meu chefe está à ponto de me degolar.

– E onde exatamente eu entraria nessa história?

– Bem...Digamos que talvez eu tenha dito à ele que eu te conhecia, que éramos amigas e que você tinha concordado em dar uma entrevista para o jornal...- sua voz era apelativa, o que deixava bem claro que ela imploraria por aquilo se necessário.

– O que te fez pensar que eu faria isso? — minha pergunta foi dita em um tom mais frio do que eu gostaria, o que fez Jennifer estremecer sobre a poltrona cinza.

– Por favor, Emy! Eu sei que foi a coisa mais estúpida que eu poderia ter dito, mas você não faz ideia do quanto isso é importante pra mim! Eu faço qualquer coisa que você quiser por um mês se você concordar em dar a entrevista, por favor! — ela falava como uma garotinha pedindo aos pais para dormir na casa da melhor amiga, e seus olhos azuis-acinzentados demonstravam um pouco de desespero.

– Bem... — comecei, de forma enigmática — Talvez se você se ajoelhar e implorar eu possa pensar um pouco no assunto.

Ao contrário do que eu pensei, ela não ficou tão chocada com o que eu disse. Simplesmente se levantou da poltrona, deixando sua bolsa sobre ela e se ajoelhou, juntando as mãos e olhando diretamente para mim.

– Por favor, Emy, por favor!

Minha reação foi automática: joguei a cabeça para trás e comecei a rir, quase incrédula com o desespero de Jennifer perante ao pedido que estava me fazendo.

– O que foi? — perguntou, confusa. A essa altura ela já estava se reerguendo do chão, voltando a sentar-se sobre a poltrona na frente de minha mesa.

– Eu não acredito que você fez isso... — meu rosto ainda apresentava um sorriso divertido — Melhor, eu não acredito que você achou que eu estava falando sério!

– Acredita no meu desespero agora? Eu realmente preciso disso! E então, topa?

– Sim. — respondi, suspirando logo em seguida — Amanhã, às nove e meia, combinado?

– Claro! — ela sorriu, parecendo aliviada por eu finalmente ter concordado com seu pedido.

– Então...Quer o número do meu celular?

– Isso é sério? — ela parecia mais incrédula do que qualquer pessoa que eu já havia visto na vida.

– Desde que você não o espalhe na internet...- brinquei, anotando os números em um papel e dando à ela.

– Como posso te agradecer? — seus olhos agora demonstravam um grande alívio, quase como se uma bomba prestes a explodir do seu lado tivesse sido desativada.

– Não colocando o número do meu celular na internet seria uma boa ideia. — disse novamente, mas com tanta convicção que isso soou sério de mais.

– Porque eu faria isso? — ela questionou, esboçando um sorriso brincalhão.

– Eu não sei... — admiti, dando de ombros — Mas, se alguém fizesse, seria um inferno.

– Então, eu...Eu tenho que ir. Não quero tomar mais seu tempo, e quanto mais cedo eu chegar no trabalho, melhor. Meu chefe me deu a manhã de folga, mas acho que no meu estado de quase demissão algumas horas de antecedência cairiam muito bem.

– Entendo perfeitamente. — sorri de forma simpática, embora a frase dita fosse uma completa mentira.

Me levantei para acompanhá-la até a porta, mas antes que pudéssemos nos despedir de verdade uma fala me pegou de surpresa:

– Você ainda usa... — Jennifer indagou vagamente, observando meu tornozelo direito, que era adornado por uma delicada tornozeleira dourada, que tinha pouco menos de dez anos.

– Acreditaria se eu dissesse que o fecho da tornozeleira quebrou enquanto eu a usava e por isso eu nunca mais consegui tirá-la? — perguntei, com um fraco e sincero sorriso no rosto.

– Não. — ela respondeu, sorrindo logo em seguida.

– Pensei que diria isso...

– Eu ainda guardo a minha...Ela arrebentou à bastante tempo atrás, mas eu nunca tive coragem de jogar fora. — a loira deu de ombros, parecendo um tanto incomodada em falar sobre aquilo.

Aquela tornozeleira significava bastante coisa pra mim, e eu tinha certeza que pra ela também. Havíamos comprado tornozeleiras iguais quando tínhamos quinze anos, e eu me lembro daquele dia como se tivesse acontecido à poucas semanas atrás. Estávamos no shopping, mais especificamente em uma loja de joias e bijuterias, e uma tornozeleira chamou atenção das duas. Como não conseguíamos entrar em um acordo sobre qual das duas deveria comprá-la, acabamos levando tornozeleiras iguais, quase como um símbolo de amizade.

– Eu acabei me acostumando com ela... — comentei vagamente, afastando as lembranças para um lugar bem no fundo do meu cérebro. Eu não tinha tempo para esse tipo de baboseira agora.

– Então...Até amanhã. — Jennifer exclamou de forma tímida e envergonhada.

– Claro que sim. — respondi com um sorriso, vendo a loira se afastar com passos apressados e entrar no elevador.

Poucos minutos depois de Jennifer sair do escritório, Henry o adentrou.

– Então...O que a Jennifer queria? — ele perguntou, jogando-se em uma das poltronas à frente da mesa.

– Hmm...Isso significa que alguém por aqui ainda lembra o nome dos meus antigos amigos? — questionei, usando meu velho e bom tom provocante, que sempre era útil se tratando de Henry.

– Você passava quase vinte e quatro horas por dia com ela...Convivendo com você desde sempre não é difícil lembrar de todas as vezes que você começava a falar sobre ela, e sobre uma das mil coisas que vocês faziam juntas.

– Por favor, Henry, não haja como se eu tenha passado a minha vida inteira com você atrás de mim.

– Relate um dia de sua vida onde você não me viu, Emy. — ele exibiu um sorriso debochado, sabendo que se um dia como esse existisse, seria algo extremamente difícil de ser lembrado.

Henry era filho de um dos homens do meu pai, que foi nobremente morto quando seu filho tinha oito anos, durante um tiroteio entre alguns de seus homens e organizações criminosas rivais. Tudo isso aconteceu antes mesmo de eu nascer.

Como o pai de Henry era um grande homem para os planos do meu pai, ele acabou criando-o como seu filho e o treinando, já que a mãe de meu querido segurança particular foi sequestrada antes mesmo que ele pudesse aprender a falar.

Quando eu nasci, dois anos depois do meu pai ter adotado Henry, o grande Lord Death o mandou tomar conta de mim, acontecesse o que acontecesse. Exatamente por isso, embora eu já tivesse tido meus dias românticos com Henry, ele era um verdadeiro irmão mais velho pra mim. Olhando por esse lado, eu realmente não podia contar com dias sem ele na minha vida até o momento...

– Teve uma vez em que não nos vimos por dois dias, Henry... — me lembrei subitamente — Eu tinha doze anos e passei dois dias inteiros na casa da Jennifer...

Henry revirou os olhos.

– Essa foi uma circunstância injusta, Lady...E não finja que não sabe disso.

Dei um sorriso fraco, afastando discussões idiotas da mente e focando no que era importante de verdade naquele momento.

– Vamos falar do que interessa. Mais cedo você me falou sobre um grupo que queria irmandade com a HCH, do que exatamente se trata? — perguntei, com os olhos fixos em Henry, pronta para prestar atenção em cada sílaba que saísse de sua boca.

– É uma máfia antiga, renovada por várias gerações... Negócios de família, talvez. HOM; e não me pergunte o que a sigla significa. Entraram em contato através do site secundário da HCH, e dizem que querem uma irmandade com benefícios duplos. Segundo uma breve pesquisa é uma facção de renome, que embora ande decaindo nas últimas décadas, existe à séculos e já foi coordenada por grandes nomes do crime organizado.

– Convoque os doze discípulos para uma reunião em... — olhei para o relógio na parede – Uma hora. Diga a eles que preciso que consigam todas as informações possíveis sobre essa organização.

– Perfeitamente. — Henry respondeu, se levantando com agilidade da poltrona e saindo da sala.

– — -

Assim que Henry se retirou, não perdi tempo e fui para a sala de reuniões. Um lugar amplo, com uma enorme janela feita completamente de vidro, paredes em um tom cinza claro, uma enorme mesa feita de vidro perto e treze cadeiras dispostas sobre ela. Doze feitas do mesmo material, e uma cadeira giratória, assim como o meu escritório, sendo disposta em uma das pontas da mesa.

Com uma máfia onde centenas de agentes trabalham, você não pode se dar ao luxo de saber o nome de todos eles, muito menos chamar à todos para as reuniões. Exatamente como o próprio nome diz, a HCH é um Hierarquia, com a Elite constituída obviamente por mim, e mais doze homens, chamados por aqui de "doze discípulos". O nome surgiu devido ao fato desses agentes serem os únicos em contato direto comigo, considerada a grande ''Deusa'' da máfia. Não me lembro ao certo como o nome passou a ser usado, porém, se adequou facilmente.

Exatamente na hora combinada, doze homens entraram na sala, entre eles Henry — o primeiro da hierarquia depois de mim -, e sentaram-se em seus lugares, me cumprimentando em sua maioria com um leve aceno de cabeça.

Os homens eram dispostos em uma determinada ordem, indo obviamente do um ao doze, sentando-se em volta da mesa da direita para a esquerda, de forma que Henry sempre ficava ao meu lado. Lancei um olhar significativo para ele, que entendeu perfeitamente e começou a falar.

– Sei que a maioria de vocês interrompeu afazeres dentro da revista ou até mesmo para a HCH com essa reunião repentina, mas o motivo realmente é importante. Uma facção chamada HOM fez uma proposta de irmandade, e como sempre, isso há de ser discutido entre nós antes de qualquer decisão ser tomada.

– De acordo com as informações que o Henry me concedeu... — comecei a falar — A máfia em questão é uma facção existente desde séculos passados, que talvez seja ou não um negócio de família, mas que já foi comandada por grandes profissionais do crime organizado. Perante as recentes pesquisas feitas, a organização andou perdendo um pouco de popularidade, embora ainda carregue um grande legado e renome. A questão para a convocação dessa reunião é: do que essa irmandade realmente se trata, e quais os benefícios isso pode trazer ou não para a HCH? Temos vários parceiros em todo o mundo, mas é algo raro uma irmandade com benefícios para os dois lados ser mantida por muito tempo, e isso é o que foi sugerido. Vamos analisar o e-mail, ver um pouco as hipóteses... Quero exatamente todas as informações que descobriram sobre essa facção; só assim decidirei se a proposta será aceita, ou não.

– Perfeitamente. — respondeu Kevin, o terceiro homem da hierarquia. Alto, com cabelos castanhos claros, pele levemente bronzeada, e que aparentava ter por volta de seus quarenta anos.

– Então...- Henry pegou o controle da enorme TV que ficava ao lado oposto da grande janela, e ligou-a — Aqui está o e-mail.

Todos automaticamente voltaram sua atenção para a tela, que exibia o e-mail enviado pela HOM. Sem pestanejar, comecei a lê-lo em voz alta:

Prezados agentes da incrível Hades Criminal Hierarquy, e especialmente sua maravilhosa e estonteante chefe, Lady Death.

"Eu, como líder da popular HOM, mando este e-mail fazendo-lhes uma proposta de irmandade. Como duas máfias muito influentes não só em Nova York ou nesse país, mas também no resto do mundo, creio que a HCH e a HOM poderiam conseguir lucros extraordinários se entrassem em uma parceria. Duas facções tão influentes, e que por pura coincidência se iniciam com a mesma letra deveriam se unir e provar para o resto do mundo que estamos completamente no topo. Uma irmandade entre as duas seria algo de grande impacto para todos os outros mafiosos existentes, e sem dúvidas, creio que conseguiríamos eliminar muitos concorrentes, que se me permitem dizer, não importam tanto, já que, sem nenhuma sombra de dúvida, comandamos o mundo dos crimes.

Minha proposta é bem simples de ser realizada, embora exija um grande grau de confiança: nossos homens trabalhariam juntos, além dos serviços prestados exclusivamente por cada uma de nossas máfias, faríamos trabalhos conjuntos, sendo estes pagos por nossos clientes, ou até mesmo remunerados por seu próprio sucesso. Obviamente, nesse meio haveria todo um juramento de fidelidade, que creio que deva existir em qualquer companhia de crime organizado que se preze: caso alguém for pego, o que, por favor, é algo completamente improvável, o sigilo será mantido. Segredo absoluto sobre a localização de outros agentes, ou sobre novos planos.

Aguardo ansiosamente por uma resposta, principalmente se esta vir de nossa sedutora rainha da máfia, Lady Death."

– Ele aparenta ter segurança com as palavras...Isso é um bom sinal. — comentou Kevin.

– Pelo o que eu pude analisar, ele tem confiança o bastante em si próprio para tocar em meu nome como se fôssemos velhos amigos...Ou inimigos. — indaguei, um tanto pensativa — Isso pode ser tanto positivo, quanto negativo. Somente através de suas palavras, sua confiança em si mesmo prova de que ele espera receber um sim, como se a palavra "não" fosse algo completamente inválido. Segurança com suas próprias ações é um dos primeiros passos para se conseguir chegar perfeitamente onde quer...Pelo o e-mail, ele já conseguiu conquistar grandes negócios, e provavelmente lida muito bem com isso.

– Todas as informações que conseguimos já foram arquivadas em nosso sistema. — Henry comentou, desviando um pouco a atenção dos doze discípulos, que até então estava completamente voltada a mim; o que era algo com o que eu estava completamente habituada à muito tempo.

– Então, mostre-me. Parece ser uma boa proposta, mas nenhuma decisão será tomada antes que eu tenha plena certeza de que realmente não há nenhum risco recorrente nessa proposta. — minha voz era calma e ao mesmo tempo autoritária.

Henry assentiu e apertou novamente um dos botões do controle, fazendo a TV mostrar um grande texto sobre a HOM.

Era incrível a forma como Henry poderia ser um homem completamente diferente quando não estávamos a sós. Quando estávamos sozinhos, ele agia como um verdadeiro idiota provocante e ao mesmo tempo super protetor, me questionava em qualquer palavra que eu dissesse, já quando estávamos em público, ele simplesmente obedecia todas as minhas ordens, sejam lá quais elas fossem. Não posso negar que já passou pela minha cabeça a ideia de mandá-lo se jogar de um penhasco, somente para ver se ele continuaria obedecendo.

– Segundo um levantamento com todas as pesquisas que fizemos, a HOM é uma máfia popular em todo o país, que se deu inicio na década de 1920, pelo famoso Robert Harwood, criador de um famoso cassino em Las Vegas, que na verdade era contrabandista de armas e explorava ao máximo possível todos os seus clientes, fazendo-os disputar jogos de azar com seus homens, que eram completamente treinados em todas as táticas de jogo, fazendo com que os clientes perdessem fortunas em seu cassino.. — Samuel, que ocupava o sétimo lugar na hierarquia começou a falar, sem nem ao menos se dar ao trabalho de olhar para a TV; já que provavelmente havia feito seu dever de casa direitinho — A facção foi evoluindo rapidamente, já que a notícia de que muito dinheiro era apostado dentro do cassino foi espalhada por todo o país. A partir daí, vários homens se interessaram na máfia, que começou a crescer cada vez mais, montando filiais em vários outros estados. As filiais eram e ainda são disfarçadas de vários modos... Escondem-se por trás de boates, bares, lojas de diversos tipos, e até mesmo super mercados. Atualmente, os maiores negócios da HOM são: assaltos à bancos nacionais e internacionais, seja isso diretamente ou através da internet; sequestros de autoridades, que exigem fortunas para que as vítimas sejam soltas, e obviamente, assassinatos de aluguel. A facção não gosta tanto de ser alvo da mídia. Embora vários dos crimes que são divulgados em todo o mundo sejam realizados pela HOM, poucos são os que são verdadeiramente divulgados como obra da companhia. De acordo com informações do site da própria máfia, suas principais filiais espalhadas pelo mundo estão em países como: Rússia, Espanha e Itália. Quanto à sigla...Ninguém nunca soube realmente o que ela quer dizer.

– Amo quando vocês fazem o dever de casa... — disse divertidamente, com um sorriso fraco se esboçando em meu rosto — Parece que a HOM é realmente poderosa...Nada que se compare ao meu grande império...E que isso não tenha soado tão narcisista quanto pareceu na minha cabeça. – alguns dos homens presentes na sala deram risadas fracas e esboçaram leves sorrisos — Antes de tomar uma decisão verídica, embora as informações demonstrem que a máfia realmente é de confiança e definitivamente muito bem constituída e remunerada, preciso saber de uma coisa...Quem é o atual chefe da HOM?

– Bem... — dessa vez foi Kevin quem resolveu me conceder essa informação — O nome do cara é Damien Kleeman, e ele tem quarenta e seis anos.

Damien Kleeman. Eu sabia que conhecia aquele nome de algum lugar, apenas não conseguia me lembrar exatamente de onde. De alguma forma, aquele nome me parecia completamente familiar, como se a qualquer momento pudesse atrair uma lembrança distante...E foi o que aconteceu.

Eu era apenas uma criança, tinha somente cinco anos, e descia animadamente as escadas, indo mostrar ao meu pai minha mais nova boneca.

Inocência. Era essa a palavra em que qualquer um pensaria ao ver aquela linda garotinha de cabelos negros, olhos claros, pele branca e um sorriso de felicidade no rosto. Mal eu sabia que toda aquela inocência se esvairia naquela noite.

Lord Death, que naquela época ainda me deixava chamá-lo de "pai", andava de um lado para o outro na ampla sala de estar, parecendo estar pensativo. Mesmo estando dezenove anos mais velho atualmente, qualquer um ainda o reconheceria: os mesmos olhos azuis vibrantes, o mesmo cabelo preto bem penteado e o mesmo capricho com seu terno impecavelmente passado.

Assim que me viu correndo alegremente até ele, com uma boneca em mãos, sua expressão preocupada se suavizou e ele me pegou no colo, abrindo um sorriso.

– Papai! Minha boneca nova não é linda? Eu comprei com a mamãe ontem, e ela disse que vai me dar uma nova no Natal!

– É uma linda boneca, Emy... — ele indagou, sem nem ao menos olhar para o brinquedo em minha mão — Mas, sem dúvidas, não tanto quanto você.

– Curta seus momentos familiares felizes enquanto pode, Lord. — uma voz masculina cheia de mistério soou, fazendo meu pai virar-se e encarar o homem de cabelos claros e olhos verdes, aparentando ter também por volta de seus vinte anos, que encarava-nos com um olhar carregado de raiva.

– O que você está fazendo aqui, Damien? — meu pai questionou, ainda me carregando no colo.

– Por favor, me chame de Kleeman, não creio que você seja digno de me chamar pelo meu primeiro nome. — o homem disse, em um tom frio, mas sua expressão logo mudou quando direcionou seu olhar a mim — Você é a Emilly, certo?

– Sim! — respondi, de forma animada e inocente — Você gostou da minha boneca nova? — meus braços se estenderam, mostrando à Damien o brinquedo.

– É claro que sim...Como não gostar de uma boneca tão linda? — o tom dele era amável, embora um olhar mortal ainda fosse direcionado ao meu pai.

– Você é amigo do papai? — perguntei, em pura inocência.

– Digamos que sim, Emilly, digamos que sim...

– Emy. — meu pai me chamou, fazendo-me olhar em direção à ele — Eu e o Kleeman vamos conversar um pouco...Vá lá pra cima e diga para sua mãe que eu adorei a boneca que ela te deu, ok? — assim que terminou de falar, ele me colocou no chão, e eu subi as escadas de forma saltitante, porém, ao invés de ir para o quarto falar com minha mãe, me escondi, continuando a ouvir toda a conversa.

– Você tem uma bela filha, Lord Death...É uma pena que não cumpra suas promessas.

– Eu não tenho nada a ver com o que um traidor prometeu à você, Kleeman. — meu pai indagou, de forma completamente ríspida — Nathaniel disse que eu trabalharia para você, e ele era um traidor. Nenhuma dessas palavras saiu diretamente de minha boca, portanto, não tenho que cumprí-las. E a propósito, como você entrou aqui? Há vários de meus homens lá fora.

– Digamos que você irá precisar de novos seguranças...E você não sairá imune por não honrar com o que Nathaniel disse, Lord.

– Não bastou matar um de meus melhores homens?! — meu pai berrou, com a raiva sendo demonstrada em sua voz. Lembrei-me que ele falava do pai de Henry. — Sabe muito bem que eu não me recusaria a me encontrar com você se simplesmente tivesse me telefonado.

– Métodos usuais não fazem parte de minhas estratégias, Lord...E seus seguranças mortos são só o começo.

– O que quer dizer com isso? — agora, os olhos azuis que eu tanto conhecia pareciam preocupados, exibindo um brilho sombrio.

– Sua filha, ou sua mulher...Mate uma delas, ou eu mesmo o farei. Você tem até à meia noite de amanhã para fazê-lo e espalhar a notícia por aí, Lord...- Damien disse, se retirando rapidamente da casa.

* * *

Na noite daquele mesmo dia, eu fiquei abraçada com minha mais nova boneca, ouvindo uma conversa de meus pais por uma porta entreaberta. Já era de madrugada, e os dois com certeza pensavam que eu estava dormindo.

– Faça-o logo, Edgar! Você sabe que Damien não brinca em serviço! Sabe que se você não o fizer, ele o fará, e sabe que não escolherá à mim, e sim à Emilly...- minha mãe, que possuía também olhos azuis, porém cabelos em um tom castanho médio e um corpo bem esculpido, disse, com a voz mais calma que poderia existir em um momento daqueles.

– Como pode pedir que eu faça algo do tipo, Helena?! Você é minha esposa, sabe que eu a amo... Não seria capaz de matá-la! — meu pai falava em um tom baixo, porém, eu tinha a plena certeza de que aquelas palavras sairiam em gritos se eu não estivesse supostamente dormindo.

– Não faça isso porque Damien o pediu, Edgar...Faça isso pela Emilly. Sabe que não suportaríamos perdê-la, sabe que prefiro morrer do que ter que passar pela dor de perdê-la! Por favor, faça-o logo...

– Você como sempre está certa...- ele falou em voz baixa, suspirando e chegando cada vez mais perto dela, observando-a fixamente, tentando guardar a imagem dela em sua mente — Desculpe por ser quem eu sou, Helena...Desculpe por fazê-la ter que passar por isso.

– Não se desculpe, Edgar...Eu sabia sobre absolutamente tudo quando aceitei me casar com você, sabia dos riscos que corria. Simplesmente o faça.

Os lábios dos dois se tocaram em um último beijo, que apresentava a delicadeza e a suavidade de um primeiro. Quando seus lábios se desencostaram, meu pai acariciou levemente o rosto de minha mãe, sussurrando as últimas palavras que ela ouviria.

– Eu te amo, Helena Rose Le Blanc, agora e sempre, e prometo que a Emilly sempre irá amá-la também. Prometo que irá se orgulhar dela.

Rapidamente, ele pegou a arma que carregava e colou nela o silenciador, mirando diretamente no peito de minha mãe apertando o gatilho.

Damien Kleeman. Ele havia sido o responsável pela morte de minha mãe.

Notas finais
Reviews? Quero saber a opinião de vocês, principalmente sobre o flashback e sobre Damien Kleeman. O que ele quer com nossa querida Lady Death? Alguém aí tem um palpite? Até a próxima sexta, e Feliz Ano Novo!