Lady?

1 Prólogo - Veneno infantil.


O vestido esvoaçante de cor carmim que o pequeno vestia escondia totalmente seu corpo, seus cabelos cor de carmelo presos num coque alto o deixavam mais feminino, os olhos azuis ganhavam um realce incrível quando seus falsos cílios ganhavam volume. Seus lábios ganhavam um tom rubro, e suas bochechas, rosadas. Seus sapatos de salto alto, igualmente carmins, faziam um delicado “tic” conforme o pequeno caminhava pelas ruas frias da cidade, travestido da forma mais convincente possível, a procura de uma companhia para esta noite.

O pequeno avistou um homem aparentemente solitário, sentado no meio-fio, observando-o com os pequenos olhos maliciosos. Olhar curioso, que obviamente foi percebido pelo garoto. Naturalmente, isso fez brotar um sutil sorriso em seu rosto.

O moreno aproximou-se lentamente do tal homem, que lhe dirigiu um sorriso, — diga-se de passagem, convidativo – e lhe lançou logo uma pergunta:

- O que uma mocinha como você faz na rua tão tarde da noite?

O garotinho apenas soltou uma risadinha, feliz por ser chamado de “mocinha”, porém, não respondeu a pergunta do senhor.

O homem agachou-se, ficando assim, da altura do pequenino, olhando-o nos olhos. Foi assim que o menino percebeu, que o tal homem, possuía olhos pequenos, castanhos e cansados. Já haviam perdido o brilho, talvez, houvessem perdido as esperanças e sonhos também. A barba do homem era mal feita, e seus cabelos negros mal penteados. Por sorte, — ou azar, dependendo do ponto de vista – ele não cheirava a álcool, sendo assim, estava aparentemente sóbrio.

- Qual é seu nome, pequena? – Indagou o senhor dos olhos cansados.

- Chibi – Respondeu o menino – Chibi Akuma.

Realmente ele não fazia idéia do motivo de seus falecidos pais, darem-lhe um nome tão repulsivo, cujo significado era “Pequeno Demônio”. Chibi sabia apenas que, este nome, nunca lhe trouxera sorte, nem alegria... Muito pelo contrário.

- Um nome realmente incomum – Observou o senhor coçando o queixo – Bem incomum.

Chibi ignorou a observação mais do que obvia do homem, e se aproximou deste, acariciando com dificuldade seus ombros.

- Estou com frio – Reclamou – Porque você não me leva para um lugar mais quente?

O homem soltou uma gargalhada, entendendo o que o menino quis dizer.

- Quanto isso vai me custar? – Perguntou irritado.

- Nada. – Respondeu Chibi com toda a calmaria do mundo.

- Nada? – Indagou o senhor – Como assim, nada?

O menor fuzilou-o com os olhos, mudando repentinamente de humor, e irritado, disse:

- É de graça, eu não vou cobrar-lhe nada, agora vamos antes que eu mude de idéia, seu velho escroto.

O homem assustou-se com a repentina mudança de humor da criança, que a hora parecia doce e gentil, porém, em questão de segundos, havia tornado-se, como propriamente dito... Um pequeno demônio.