Ladrões de Coroas Interativa
9 Santanna, Leon, Cora, Willian, Ellah
Notas iniciais
Reino Elementar/ Oeste
Aldeia dos curandeiros
Santanna Thorne
11h e 15m
O cheiro de ervas, gosmas e seiva preenchiam o olfato apurado da feérica que resmungava mentalmente a cada movimento ao girar aquela manivela velha. Santanna tinha completado dezessete anos, uma imortal nova se considerada com a idade da realeza feérica que já tinha um milênio de existência.
Sua tia, rainha menor do reino elementar era a mais velha, havia comandado legiões de guerreiros em épocas que os seres deveriam se preocupar com os dragões de fogo e de gelo que dizimava os vilarejos.
Seu pai tinha presenciado inúmeras revoltas bárbaras, conhecia a terra desde a época em que os feéricos eram considerados deuses, ela sonhava com esse tempo às vezes. Imaginava as outras espécies de joelhos para si.
— Se continuar sorrindo assim vai acabar engolindo um mosquito, Saint. — Uma fada d’água zombou, como se tivessem intimidade pra tais comentários. Santanna apenas acenou corando um pouco as bochechas. A Feérica sabia parecer frágil e ingênua.
Ela estava realizando um dos seus muitos serviços voluntários para a cidade, na aldeia dos curandeiros. Santanna não se importava em ajudar alguém, mas devia manter uma boa reputação se queria ser aclamada como uma boa possibilidade ao trono.
—Estão tendo bastante dificuldade em responder a todas as cartas no correio. — A fada avisou sem pretensões. — Você não é capaz de realizar mais do que serviços simples ainda, eu posso cuidar dessa ala se quiser ir ajudar a responder as cartas.
— Eu não fui convidada para tal função. — Saint resmungou imaginando ficar o dia inteiro escrevendo instruções. Seus pelos se eriçaram ao imaginar o tédio.
— Eu lhe autorizo Saint. — Santanna olhou para baixo, contou até cinco antes de encarar a fada que sentia vontade de matar.
— Se achas que serei mais útil lá, então tudo bem. — A feérica se despediu com um alegre aceno de mão, mas a vontade era de enforcar a fada d’água.
Ao chegar ao correio ainda na aldeia, se deparou com inúmeros caldeirões cheios de envelopes com selos de todos os reinos, o cheiro de ácaros a fez espirrar. O ambiente era fechado, tinha inúmeras mesas feitas de madeira e livros por todas as partes com os tipos mais esquisitos de doenças e suas respectivas curas.
No centro da sala havia um pedestal com uma placa de ouro, pedras preciosas o adornavam. Ele era chamado de Erey-bulu, um equipamento de pesquisa, basta colocar a mão no centro e pedir qualquer informação, se estiver presente nos livros ele indicará.
A feérica caminhou até a mesa maior onde o chefe do correio monitorava o serviço, o mesmo desempenhava o papel de ler e responder as cartas, ali a patente não significava mudança de trabalho, principalmente quando havia acumulo de serviço.
—Poço auxiliar aqui no correio? — Santanna não transmitiu o desanimo que sentia. — Não estão precisando de mim nas alas.
— Seria uma honra termos sua ajuda doce Saint. — O duende respondeu agradecido pelo serviço voluntario. — Como pode observar estamos com muitas cartas esse mês.
A feérica não precisou ser ensinada, ela já conhecia o que deveria fazer. Santanna reivindicou uma mesa mais ao fundo onde o barulho era menor. O caldeirão que estava sobre a mesa tinha cartas de todas as regiões.
As três primeiras cartas se tratavam de simples casos de resfriados, que um chá de ervas Thymus vulgaris, conhecida por tomilho resolveria. Ela recomendou que caso a dor de garganta permanecesse o paciente deveria ingerir Sálvia.
Enquanto ela escrevia as respostas, sua mente vagava sobre o castelo, logo haveria o aniversário de seu primo, a princesa de Parlak viria para o festejo, Santanna não gostava da presença de membros da realeza maior, mas era uma possibilidade a ser explorada.
Após muitas outras cartas, com casos de disenteria, intoxicação e outras doenças mais graves que ela acabou passando adiante por não ter o conhecimento necessário para dar um parecer, uma despertou-lhe a atenção.
De: Dagna Elizabeth Barbiero
Prezados curandeiros, venho por meio desta, pedir-lhes ajuda para um caso anormal, tenho conhecimento e domínio excelente sobre as plantas e suas propriedades, trabalho nesta área há muitos anos, já curei feridas expostas, traumas psicológicos, porém nunca vi nada parecido.
Tenho uma paciente que parece ter sido aprisionada no próprio corpo. Utilizei minha magia para visualizar além da pele, ela é humana, jovem. A garota foi vitima de um vampiro, os soldados a encontrou quase morta.
Eu pensei a principio que ela estivesse apenas fraca e que ao ser tratada acordaria. Mas então sua pele voltou as cores normais, ela ganhou peso novamente, mas nada de acordar.
Todas as vezes que toco em sua pele sou transferida para sua mente e aprisionada em uma visão esquisita.
Ps: Ela tem dois cortes irregulares nas costas que não cicatrizam.
Santanna releu a carta inúmera vezes antes de decidir que aquilo poderia ser algo grandioso. Seus instintos diziam para ela ignorar, fingir que não tinha a encontrado no caldeirão, havia algo errado, estranho, místico e foi exatamente por estar receosa quanto ao paciente que ela escondeu o envelope com o papel no bolso e alegou que precisava retornar ao palácio antes do anoitecer.
Parlak/ Centro
Mansão dos patrões do Leon
Leon Quartz
13h e 15m
—“Em uma pesquisa elaborada pela universidade de mestres comprova-se que noventa por cento dos que seguem as comunidades são pessoas que já sofreram, ou sofrem, algum trauma psicológico e procuram nestes ideais absolutistas e autoritários a solução para os seus problemas”. —Leon concluiu a leitura.
O quarto de Ana estava bem arejado, não tinha resquícios de vomito, e toda poeira havia sido removida para não agravar o quadro da menina. A lareira era limpa todas as tardes e a temperatura mantinha-se agradável devido aos esforços de Leon, todos da família tentavam ao máximo impedir que ela contraísse algum resfriado inclusive os funcionários.
— Eu não entendo porque eu tenho que estudar isso. — Ana resmungou para o faxineiro que sempre a ajudava com os deveres. — As garotas não são obrigadas a estudarem e todos sabem que eu nunca poderei sair de casa mesmo.
Leon pegou uma folha em branco indicando onde ela deveria fazer as anotações mais relevantes. Ele se lembrava da época em que era forçado a apreender os conteúdos no orfanato, ele detestava ler, mas tudo se tornou tão relevante que hoje não conseguiria definir o que seria sem a literatura.
— O conhecimento, Ana, pode ser a sua maior arma contra o mundo. — Ele disse gentilmente lembrando-se que deveria estender as roupas antes da senhora retornar do templo. —Para pessoa como nós, pobres como eu ou doentes com você, não há muita saída a não ser se sobressair.
—Mas eu sou péssima nisso. —Ela apontou para os livros. —Você gosta de ler, compreende o que as palavras difíceis significam, gosta de relíquias e sabe fazer cálculos, Leon, eu por outro lado sou apenas a filha doente de um senhor que mal pode andar pela casa.
— Você é mais esperta que a maioria, e sãos das grandes dificuldades que saem os maiores mestres.
—Eu detesto o conhecimento! — Ela esbravejou irritada, Leon chegou a cogitar se o tônico matinal havia perdido o efeito.
O metamorfo encolheu-se diante da voz irritada da criança. Ele percebeu que não deveria ficar ali por mais tempo, Ana precisava ficar sozinha e ele tinha que estender as roupas antes que um dos empregados o delatasse para o patriarca da família.
— Conclua os deveres. —Ele fechou a porta atrás de si.
Normalmente ele não interferia na vida de seus senhores, sempre se mantinha isolado realizando funções como escovar cavalos, lavar roupas, auxiliar na cozinha, limpar a poeira, mas quando se tratava da educação de Ana ele não conseguia manter distancia.
Leon a principio só começou a trabalhar ali porque precisava de dinheiro para sobreviver, mas então descobriu inúmeros objetos mágicos que o senhor, seu patrão, havia adquirido nas inúmeras viagens.
O metamorfo adorou todo aquele conhecimento místico sobre os objetos. O patriarca da família, pai de Ana, sempre seguia os mapas até encontrar os tesouros. Leon só despertou o verdadeiro interesse pela causa quando encontrou um mapa na casa dos patrões que tinha a localização de um templo perdido na floresta mágica. O metamorfo o roubou e desde então a sua maior meta é encontrar o tal templo. Motivado ele começou a trabalhar como caçador de recompensa na intenção de levantar dinheiro para a expedição.
Leon terminou o turno na mansão pouco antes do anoitecer. Normalmente ele se reduziria até ser apenas um rato circulando o esgoto, ou se transformava em um feérico para se embriagar nas ruas enquanto escutava historias.
As possibilidades eram infinitas para um metamorfo como ele, de classe um. Poderia se transformar no que desejasse, não havia limites. Mas ele reduzia a possibilidade aos que já estava habituado, por ser mais fácil, era complicado idealizar um corpo e depois retornar para a forma original.
Houve vezes que ele havia se esquecido de alterar as orelhas, ou esquecia os dentes, tudo era complicado. As cores do cabelo sempre mudavam um pouco. Hora ficava gordo, hora magro.
Leon encontrou Ryan Mors, seu melhor amigo e parceiro de trabalho em uma das ruas de Parlak que dava acesso ao porto. Ambos caminharam juntos conversando sobre as funções diárias. Leon adorava catalogar os arque-fatos que o patrão adquiria ao longo das viagens. Já Ryan costumava falar sobre armas e estratégicas.
O porto fedia a peixe podre e a sangue. Os cargueiros encostavam com suas remessas de peixe. Outro com barris de petróleo. Aquele lugar era uma zona.
— Beatrice pediu para encontrá-la naquela plataforma. —Leon apontou para uma passarela de madeira que dava acesso a região que ligava as cavernas subterrâneas.
— Eu não estou a fim de andar caro amigo. — Ryan disse já vislumbrando a costa do amigo ficar áspera e asas pretas surgirem, ele lembrava um morcego imenso. Uma forma inexistentes, fruto de sua imaginação.
Leon voou pelo céu segurando o amigo, seus olhos estavam estreitos adaptado para a noite. Beatrice contemplou aquela forma com admiração.
— Gosto mais de você assim do que como um rato Leon. — Ela disse dando um tapinha na costa dos garotos. — Fica mais interessante.
Beatrice era prestativa, reconhecia a humildade e gentileza no coração dos seres. Por esse motivo ela ajudava à dupla. Conseguia ver os sonhos brilharem dentro deles.
— O que tem para nós? — Ryan perguntou encostado no ombro de Leon enquanto senti as asas negras do amigo encostar-se a si próprio.
— Eu tenho um serviço para vocês, mas esse é longe. — Ela suspirou um pouco receosa. Estava cansada de se teletransportar. — Vale muito dinheiro devo admitir.
Leon percebeu que Beatrice estava fazendo rodeios antes de dizer a localização e o que requereria deles.
— Trata-se de uma injustiça cometida. — Ela encostou as mãos no ombro de Leon deixando que aqueles olhos estreitos a avaliasse, assim ele o fez. Olhou a pele macia que brilhava no luar, os olhos atentos e gentis, a fina linha que delineava os lábios pequenos e delicados, o cabelo castanho com mechas lilás e rosa.
— Qual é o serviço? — Ryan chamou a atenção.
— Uma amiga foi roubada pelos próprios familiares, ela precisa de seus serviços. — A mulher fez uma pausa. — Mas ela está no leste e é uma sereia.
—Isso significa que o que foi roubado está no oceano? — Ryan especulou com a voz mais estridente.
— Sim, mas ela não sabe aonde. —Beatrice olhou novamente pare Leon. — Precisa ser você afinal é o único capaz de sobreviver debaixo d’água por ser um metamorfo.
—Pode levar meses. Nós temos trabalho aqui. — Resmungou Ryan.
Beatrice sabia do sonho de Leon em encontrar o templo recoberto de ouro perdido na floresta mágica.
— Lá no leste á piratas com tripulações, mapas de tesouros, conhecimento. —Leon percebeu o que ela estava insinuando. — Vocês podem ajudar a minha amiga e ainda encontrar um meio de navegar até o templo.
O metamorfo encarou Ryan avaliando as possibilidades. Ele teria que abandonar o trabalho na mansão e isso incluiria deixar Ana, mas poderia estar mais próximo do templo do que jamais estivera antes.
Alali/ Leste
No acampamento de uma trupe.
Cora Qaraty
Cora caminhava a passos ágeis por entre as carroças e tendas. Seu rosto era um misto de impaciência e nojo constante. O suor respingava de sua pele quando ela se afastou do homem tocha o mais rápido possível decidida a agir.
Fazia um mês que ela já andava sem tropeçar nos pés. Mas o desejo de mergulhar na água e nadar com a imensa calda laranjada, com escamas que pendiam em um degrade de amarelo ao vermelho gerava em si uma tristeza profunda.
— Estão te aguardando no palco. — Uma mulher conhecida pela trupe como madame Charlote, a vidente, bradou eufórica ao encontrar Cora.
A sereia encarou os pés, depois arqueou as sobrancelhas. Detestava o povo da terra firme, eram um bando de mentirosos, traidores, pragas que deviam ser exterminada.
Cora se direcionou ao palco com o vestido azul que lembrava o oceano, as fendas abertas pelo jeito do recorte no traje faziam os homens delirar. Ela sorriu olhando a todos como se fosse uma musa que devia ser idolatrada.
Mas o que fez todos caírem de joelhos e a glorificar foi à voz. O som era como o canto das gaivotas. Os humanos choraram em sua presença.
“Oh doce oceano, aonde me levará.
O céu, a terra, não me encantam, como as tuas águas, doce lar.
Diga-me, diga-me o que devo fazer?
Com, com as vidas banais que não servem a você”.
Ela pausou só para que as palavras fizessem sentidos, trabalhassem na mente dos controlados.
“Eles são apenas soldados banais,
Nada mais valem que o sol matinal,
Para nós no oceano, a luz não passa de ilusão que cria reflexos.
Deixando os peixes perplexos.
Preferimos a escuridão, que tão bem vinda,
Completa o nosso coração
Peças de um tabuleiro, na guerra da traição,
Vocês agora são os meus peão, meus peão”.
Cora sorriu satisfeita com o resultado, já tinha uma trupe inteira como aliado. Ela sabia que aqueles humanos seriam inúteis contra os exércitos de sereia, mas era um começo. Afinal saber da existência do cajado d’água e onde ele estava era uma grande vantagem.
Por sorte ser banida de Atlântida só a fez perder a calda, o canto prevalecia o mesmo, capaz de controlar multidões.
A trupe jamais respiraria na água, mas ter soldados sobre a terra seria uma segurança necessária, afinal ela estava apenas começando a construir a vingança.
Qaraty era uma guerreira da guarda real, protegia o rei e a rainha dos mares com a sua própria vida. Ela os admirava como deuses, os serviriam até o fim dos tempos, porque acreditavam que o povo aquático era superior, melhor do que o terrestre.
Mas depois de descobrir que o rei e a rainha estavam negociando com realeza maior, ela não poderia aceitar. Seu plano era proteger o povo aquático do mal maior. Mas acabou sendo banida. Um dia deplorável a seu ver, mas pagariam por cada humilhação que a fizeram passar.
Por esse motivo ela estava criando um exercito. Cora havia ordenado a trupe que continuassem com os espetáculos durante os próximos dias para não levantar suspeitas, mas ela fariam daquelas vidas guerreiros sanguinários.
Parlak/ capital do império
Cabana
Willian Bloodstone
Willian acordou em colchão ensopado de suor. A luz da cabana era provinda do sol, sobre si havia recipientes enormes presos em hastes pendurados no teto. Em seu braço esquerdo havia uma tubulação transparente que estava ligada a uma bacia no chão. E o braço direito recebia sangue de variadas espécies.
O vampiro tentou se movimentar, mas estava amarrado com correntes cintilantes. Ele encarou as tubulações. A que ligava o braço esquerdo a uma bacia escorria um liquido branco reluzente.
Ele fechou os olhos e tentou recordar. A dor era de ser atropelado por mil cavalos, ou ser lançado sobre uma montanha de agulhas. O liquido branco reluzente parecia zombar dele.
“Tome-me Willian e deixe o monstro morrer”.
O vampiro abriu os olhos novamente, outro pingo de suor escorreu. Ele olhou para os recipientes novamente.
Foi depois de uma hora prostrado sobre na cama enquanto o liquido branco saía vagarosamente que ele recordou de Fanny a vampira que havia o encontrado caído na floresta do canto.
—Nunca ingira sangue de anjo novamente. — Foi o que ela havia lhe dito enquanto o carregava até essa cabana. — Ele é o nosso maior inimigo, por mais que as outras espécies não saibam disso.
O vampiro fechou os olhos novamente, estava cansado. Seu corpo estava fraco, queria dormir.
— Não saia da cabana até um mercenário te procurar Willian. — A voz de Fanny ressoava em sua cabeça como trombetas. Mas dessa vez não era uma memória, ela o havia hipnotizado para se lembrar disso apenas quando estivesse recuperando. — Ele vai te entregar um amuleto. Preciso que entregue o objeto a outro vampiro chamado Ariel.
Willian tentou se recordar, mas era apenas uma voz dando instruções. Uma ordem que ele sabia no intima que deveria seguir.
— Esse vampiro terá respostas sobre a morte de seus pais. — A voz de Fanny estava mais doce. — Proteja o amuleto dos vilões, Willian, e será recompensado. Eu ordeno que o entregue a Arial, somente a ele.
O vampiro tinha total ciência de que havia sido hipnotizado por alguém mais velho do que ele. E previsivelmente não poderia sair da cabana até o maldito mercenário aparecer com o amuleto.
Cidade da Prata
Bar /Norte
Ellah Strange
Lucinda Palmer servia bebidas quando Ellah adentrou ao estabelecimento carregando uma trouxa de roupas que escondia a carcaça de um lobo.
— Eu não quero saber o que é isso, não é mesmo? — A amiga perguntou divertidamente encarando Ellah de forma avaliadora procurando quaisquer resquícios de machucado.
—Melhor não. — A mercenária respondeu pedindo uma bebida. — Sigilo de trabalho.
— O que você anda fazendo com o meu irmão também se aplica nesse sigilo de trabalho? —Lucinda perguntou ciumenta. Faziam dias que Ellah e Noah ficavam se encontrando as escondidas.
— O que eu faço com o Noah é completamente profissional. — Ellah mencionou a amiga dando um gole na bebida. — Ele está me instruindo a respeito de algumas coisas.
— O lance dos viajantes que vocês não me contam. — Lucinda resmungou.
—Você sabe que os ladrões são reais? — Ellah perguntou em um tom baixo.
—Lógico que sei, existem inúmeros casos de roubos e assassinatos envolvendo eles. Todos os mestres nos alertam sobre eles. — Lucinda olhou para a porta temendo que alguém escutasse o que era dito. — Mas ninguém sabe nada sobre os viajantes. Eu até acho que seja historia do meu irmão.
—Não é. — Ellah afirmou. — Eu já vi um, eles andam com bastões nas costas e parecem anjos, são raros e muito discretos, como devem ser, afinal, são os únicos que pretendem lutar contra os ladrões de coroa. E inacreditavelmente o seu irmão é um e vai me ajudar a entrar na comunidade.
—Eu não acredito.
— Pois deveria. — Ellah afirmou terminando a bebida e saindo para entregar a encomenda.
A verdade sobre os viajantes é que são ainda mais raros que os ladrões, ninguém conta historia sobre eles, são invisíveis aos seres. Mas Ellah precisava deles.
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