Notas iniciais
Continuando para você verem que estou falando sério! É mais esse capítulo e outro, gente, a reta final está aqui! Obrigada aos que apareceram capítulo passado! Vocês são anjos pacientes. Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

“There's a possibility
There's a possibility
All that I had was all I'm gon' get

There's a possibility
There's a possibility
All I gon' get is gon' be yours then
All I gon' get is gon' be yours still”

Nem em seus piores pesadelos Hogwarts havia se parecido com o que ela via. Foi como mergulhar em um oceano negro à noite, um oceano cheio de tubarões e criaturas marinhas com dentes vis colidindo umas contra as outras. Todas as estátuas deixaram seus pedestais, a correria de um lado ao outro era ensurdecedora; ela mal conseguia reconhecer seus colegas na multidão. Ela estava acompanhada de Cho, a quem ela encontrara na Sala Precisa, local de entrada do castelo. Passaram retrato após retrato, e as imagens pintadas corriam acompanhando-os, bruxos e bruxas em rufos e calções, em armaduras e capas, comprimiam-se nas telas uns dos outros, gritando as notícias das outras partes do castelo

Grace pensava que era uma veterana de batalhas agora; afinal, havia estado na Batalha da Torre de Astronomia, duelara com Cassius Warrington, estivera no porão dos Malfoy. Isso não era nada como aquilo.

Isso era o caos, uma luta de gritos e movimentos, e a paisagem não era plana, mas uma massa de pessoas e sangue agitado em um espesso e instável grude. Grace tinha imaginado que ela veria a batalha a uma distância primeiro e seria capaz de observar enquanto os dois lados iam ao encontro de um contra o outro. Mas não houve saudação, e não haviam lados. A batalha se agigantava fora da escuridão como se ele tivesse se desviado por acidente de um lado deserto da rua em um tumulto no meio da Oxford Street – subitamente haviam multidões agitando-se ao redor dela, feitiços brilhando por cima de suas cabeças, corpos no chão; ela se quer tinha tempo para decidir se estavam vivos ou mortos.

E haviam os Comensais da Morte –por todos os lados, lançados feitiços que faziam todo o castelo reverberar com sua força. Eram coisas mais sombrias do que Grace jamais imaginara em sua vida. Ela tropeçou sobre um corpo deitado metade dentro e metade fora da lama, virou para ver se ajuda era necessária, e viu que o bruxo aos seus pés estava partido dos ombros para cima. Osso branco fulgiu contra a terra escura, e Grace se sentiu nauseada.

Um bruxo surgiu acima dela, e precisou apenas de um segundo para que Grace soubesse de que lado estava.

—Escória. –Ele cuspiu nela. A varinha apontada em seu rosto. –Você deveria...

Grace nunca soubera o que ele iria dizer, porque um feitiço o acertou em cheio no rosto e a cabeça dele virou para trás, não como se houvesse morrido, mas como se olhasse para cima. Então seu corpo tomou no chão, sem vida. Ela olhou ao redor, mas seu salvador não estava em lugar algum que ela reconhecesse, então levantou-se do chão, a varinha mais ou menos firme na mão direita, e prosseguiu.

Perdera Cho, e não lançara um feitiço se quer ainda. Fred tivera razão em mantê-la longe da briga por tanto tempo; faltava algo em sua constituição para aguentar aquela cena. Ela olhou ao redor, desesperada, se perguntando aonde Fred estava agora; por que não estava com ela? Eles haviam se separado na sala precisa, tudo havia sido muito corrido. Ela se levantou e se pôs a andar.

De alguma forma, ela conseguiu fazer o seu caminho para longe da confusão; nem tudo em Hogwarts eram gritos e sangue, alguns corredores eram santuários; mas o silêncio apenas esticava seus nervos e a deixava nervosa para qualquer ruído. Ela percebeu subitamente que seus pés estavam fazendo o caminho familiar em direção ao corredor do salão comunal da Lufa-Lufa.

Quando um som de porta se fez no corredor, ela virou a varinha imediatamente naquela direção, o coração palpitando. Estava escuro, como se a própria Hogwarts houvesse se desligado por inteira. Outra coisa palpitava no corredor, e a levou um segundo para perceber que eram passos; um sem-número deles, vindo na sua direção.

A mão suada de Grace mal podia segurar sua varinha. Ela a apontou para o escuro, com um feitiço na ponta da língua, quando notou uma criatura vindo.

O elfo mal batia em seus joelhos, e andava devagar por conta da idade. Ainda assim, olhou para ela por debaixo dos olhos muito redondos.

—Não é inimiga. –Anunciou para o escuro, e Grace notou que haviam uma centena de elfos atrás do primeiro. –O mestre de monstro precisa de nós, vamos, vamos!

E, sem o silêncio anterior, eles continuaram pelo corredor, agitados, as orelhas de morcego se agitando para cima, as mãos mágicas preparadas para lutar.

Grace ainda estava petrificada quando eles sumiram de sua vista, o coração incapaz de sossegar. Então ela sentiu; o pulso familiar na altura de seu coração que indicava que Malfoy estava em algum lugar por perto.

Ela não hesitou; se pôs a correr. Os Comensais ainda estavam chegando aos andares superiores de Hogwarts, e os que já estavam lá encontravam-se ocupados demais com seus oponentes (ela viu Tonks correndo na direção de Bellatrix) para se importar com Grace em seu caminho. O castelo tremia, uivava e havia poeira por toda parte agora; ela passou por debaixo de uma coluna caída no corredor do quarto andar, subindo.

Ao invés de Draco, ela encontrou outra figura familiar no corredor do sétimo andar. Os olhos quase negros do clamor da batalha, Fred e Percy estavam duelando com uma figura encapuzada, e Grace chegou bem a tempo de ver o capuz cair e revelar seu rosto.

Percy, a quem ela nunca fora formalmente apresentada, mas que podia reconhecer pelas fotos na Toca, abriu um grande sorriso.

– Olá, Ministro! –Berrou Percy, lançando um feitiço certeiro contra Thicknesse, que deixou cair a varinha e agarrou a frente das vestes, aparentando extremo embaraço. – Cheguei a mencionar que estou me demitindo?

— Você está brincando, Perce! –Gritou Fred, quando o Comensal da Morte a quem ele dava combate desmontou sob o efeito de três Feitiços Estuporantes distintos. Thicknesse tinha caído no chão com espículos brotando por todo o corpo; pelo visto, estava se transformando em alguma forma de ouriço-do-mar. Fred olhou para Percy com prazer.

Nesse momento, o ruivo viu Grace, sua expressão ficou séria, e ele correu em sua direção.

—Achei que ia evacuar com os mais novos! –Ele teve que gritar sobre o som das explosões por todo o castelo.

Grace não havia decidido lutar, ela apenas se encontrara caminhando na direção das pessoas que amava; e elas estavam todas lutando. Ia responder isso, quando uma explosão muito perto se fez ouvir.

O ar explodiu. Eles estavam agrupados, Harry, Rony, Hermione, Fred, Grace e Percy, os dois Comensais da Morte a seus pés, um estuporado, o outro transfigurado: e, naquela fração de instante, quando o perigo parecia temporariamente contido, o mundo se cindiu. Grace sentiu que voava pelo ar e tudo que conseguiu fazer foi agarrar com todas as forças aquele fino pedaço de madeira que era a sua única arma, e proteger a cabeça com os braços: ela ouviu berros e gritos de seus companheiros, sem esperança de saber o que acontecera com eles. Então, tudo se resumiu em dor e penumbra: ela estava quase soterrada pelos destroços do corredor que sofrera um terrível ataque: o ar frio a fez perceber que aquele lado do castelo explodira e a sensação pegajosa na face lhe informava que estava sangrando profusamente.

Olhou ao redor, tonta. Fred havia caído bem ao seu lado, um lado do rosto sangrando, mas a olhou de volta, respirando. Uma vez que viu que ela estava bem, ele se levantou rapidamente; Percy ajudava Hermione a se mover por entre os destroços, de paus e pedra, e Rony e Harry apoiavam-se um no outro. Percy olhou sombrio para Fred.

—Se você estivesse onde estava...

De fato, bem onde Fred estivera antes de andar até Grace, havia caído uma coluna pesada, larga como a de um templo grego. Quando parecia que o horror não poderia continuar, um cadáver passou voando pela abertura que a explosão fizera para o lado de fora do castelo; em seguida, aranhas, por todos os lados, subiam pelas paredes; enormes como automóveis.

—Vamos sair daqui. –Sugeriu Fred, e fez um gesto para que os outros os seguissem.

—Onde está Draco? –Perguntou Rony.

As orelhas de Grace se aguçaram por um segundo; Potter olhou ao redor com uma expressão de profundo desgosto, mas também outra coisa.

—Foi-se embora. –Anunciou, enquanto voltava a andar, lançando feitiços estuporantes na direção das aranhas. –Vamos também.

Eles desceram. Em algum momento, se separaram do trio de amigos, e Percy ficou para combater Rookwood. Ela não sabia bem para onde estava indo, ou qual o seu objetivo. Toda vez que topavam com um comensal, lançavam feitiços. Um dos feitiços de Grace fez com que um comensal virasse pedra, mas ela não sabia bem o que eles estavam fazendo. Deveriam lutar até que parasse? Então o quê? Ela se quer sabia dizer se Você-Sabe-Quem estava no castelo, para ser derrotado por Potter.

Eles desceram a escada seguinte e toparam com um corredor repleto de combatentes. Os quadros de cada lado estavam cheios de figuras que gritavam conselhos e incentivos, enquanto os Comensais da Morte, tanto os mascarados quanto os sem máscara, duelavam com estudantes e professores. Dino conquistara uma varinha porque estava cara a cara com Dolohov, Parvati enfrentava Travers. Pirraça sobrevoava a cena, jogando vargens de arapucos nos Comensais.

Havia mais gente duelando por toda a escada e o saguão, havia Comensais da Morte para qualquer lugar que Grace olhasse: Yaxley, próximo às portas de entrada, dava combate a Flitwick, um Comensal da Morte mascarado duelava com Kingsley. Estudantes corriam em todas as direções, alguns carregando ou arrastando amigos feridos. Fred mirou um Feitiço Estuporante em um Comensal mascarado, falhou, mas quase acertou Neville, que surgira de algum lugar brandindo uma braçada de Tentáculos Venenosos, dos quais um espécime se enganchou feliz no Comensal mais próximo e começou a puxá-lo para si.

Então ela viu, junto às portas de entrada, quase encurralado contra o mármore da parede; Draco lutava contra um comensal mascarado. “Lutar” não era bem a palavra; ele se desviava dos feitiços e se defendia, mas não parecia haver espaço para o ataque. Então, daquele corredor, sugiram Cordélia Bloxam e Greta Lestrange, que, juntas, decapitaram o comensal, lançando sangue vermelho por todos os lados no chão empoeirado, formando uma lama escarlate.

Uma bola de cristal foi jogada contra o comensal lançando feitiços em Neville. A professora Trelawney se empoleirava na galeria acima, acertando os inimigos. Bloxam correu para o corpo quase sem vida de Lilá Brown, que caíra do andar acima.

E com um movimento que lembrava um serviço de tênis, Trelawney ergueu outra enorme bola de cristal da bolsa, acenou com a varinha no ar e fez a bola disparar pelo saguão e atravessar uma janela, destroçando-a. No mesmo momento, as pesadas portas de madeira da entrada se escancararam, e mais aranhas gigantes forçaram a entrada no saguão. Berros de terror cortaram o ar: os combatentes se dispersaram, tanto Comensais da Morte quanto Hogwartianos, e jatos de luz vermelha e verde foram lançados no meio dos monstros atacantes, que estremeciam e se empinavam, mais pavorosos que nunca.

Eles se viraram para fugir, mas não antes de Grace ver uma figura toda de negro saindo do castelo. O negro de suas vestes não era o dos comensais, era a roupa de um pocionista. Sua impressão foi agravada quando ela viu Cordélia Bloxam se jogar nas aranhas para seguir a figura, e ser detida por Greta Lestrange e, ressurgido da poeira, Viktor Krum.

Não viu nada mais, ela e Fred estavam voltando por um corredor adjacente. Tudo era caos; em dado momento ela mal podia reconhecer os corredores pelos quais passava, embora houvesse andado por eles anos a fio. Fred a guiava, nada mais. Ela apertava a mão dele forte. Havia sido um erro, estar ali. Queria usar o vira-tempo, como uma covarde, apenas para ir embora. Mas não era o momento ainda.

Ela sentia que eles haviam andado, e lançado feitiços por horas, quando as paredes tremeram mais uma vez. Fred parou, e ela quase bateu em suas costas, quando a voz fria se alastrou como fogomaldito pelo salão.

“Vocês lutaram”, disse a voz, “valorosamente. Lorde Voldemort sabe valorizar a bravura. Vocês sofreram pesadas baixas. Se continuarem a resistir a mim, todos morrerão, um a um. Não quero que isto aconteça. Cada gota de sangue mágico derramado é uma perda e um desperdício. Lorde Voldemort é misericordioso. Ordeno que as minhas forças se retirem imediatamente. Vocês têm uma hora. Deem um destino digno aos seus mortos. Cuidem dos seus feridos. “

Ao redor deles, comensais da morte começaram a evaporar na fumaça preta usual.

“Eu me dirijo agora diretamente a você, Harry Potter. Você permitiu que os seus amigos morressem por você em lugar de me enfrentar pessoalmente. Esperarei uma hora na Floresta Proibida. Se ao fim desse prazo, você não tiver vindo ao meu encontro, não tiver se entregado, então a batalha recomeçará. Desta vez eu participarei da luta, Harry Potter, e o encontrarei, e castigarei até o último homem, mulher e criança que tentou escondê-lo de mim. Uma hora. ”

Grace estava congelada, mas Fred não.

—Temos que achar o Harry.

O castelo estava anormalmente silencioso. Não havia clarões agora, nem estampidos, nem gritaria. As lages do deserto saguão de entrada estavam manchadas de sangue. As esmeraldas continuavam espalhadas pelo piso ao lado de pedaços de mármore e lascas de madeira. Parte do balaústre fora destruído.

As mesas das Casas tinham sido retiradas, e o salão estava lotado. Os sobreviventes formavam grupos, abraçando uns aos outros. Na plataforma, os feridos recebiam atendimento de Madame Pomfrey e seu auxiliar, Marlon Beauvale. Firenze estava entre os feridos; seu flanco sangrava e ele se agitava deitado, incapaz de se levantar.

Os mortos estavam enfileirados no salão. Lupin, Tonks. Charlotte Millefeuille. Claire Bellefleur. Lilá Brown.

Cordélia Bloxam e Mary Selwyn se inclinavam sobre o corpo pálido de Lana Burke. Fleur chorava sobre as suas francesas. A visão dos vivos era pior do que a dos mortos. Cordélia deixou a amiga sob os cuidados de Mary e se dirigiu, o rosto lívido, ao fim dos corpos, onde jaziam Marilyn e Alastair Bloxam, sob os cuidados de Arcturo e Lucy. O seu chefe levantou os olhos vermelhos para ela, sem reconhecimento. Grace não disse nada; não havia o que dizer.

Então lá estava. O último cadáver era familiar demais.

Grace caiu aos joelhos, mas não os sentiu.

Draco Malfoy estava morto.

“So tell me when you hear my heart stop
You're the only one that knows
Tell me when you hear my silence
There's a possibility I wouldn't know”

Notas finais
E então, o que Grace há de fazer agora??? O que acharam do capítulo? Ainda estou recuperando o ritmo de escrita... O próximo capítulo será postado na próxima semana, prometo! Estamos resolvendo essa fic! Beijão! Até lá!