Lados e Escolhas

24 A Mansão Malfoy


Notas iniciais
Capítulozinho de transição! Espero que vocês gostem do rumo da fic, porque ele vai mudar um pouco agora, mais tarde até talvez encontrar o caminho do trio de ouro! Boa leitura, vejo vocês nas notas finais!

“So now, I see you in my nightmares
Or not at all
All by myself, drowning in my tears
It's just the cost”

Culpa era um frio que cortava por dentro, Grace descobriu nos meses seguintes.

Vergonha era mais um calor nas faces a cada vez que Fred sorria para ela.

Conte, dizia a si mesma, mas seguia em silêncio.

Do outro lado da rua larga do subúrbio de Londres, o seu pai abriu a porta da frente de casa, checando o relógio, e correu para a rua. Grace se inclinou para trás nos arbustos da casa vazia de frente para a sua; eles haviam crescido malcuidados pelo abandono de anos e agora serviam perfeitamente para escondê-la. O cabelo do pai estava mais grisalho do que Grace se lembrava; e ele olhou para a janela onde costumava ser o seu quarto por um segundo antes de sair na rua.

Logo em seguida, Eleanor, sua madrasta, saiu com Margaret para brincar do lado de fora. As duas sentaram na grama, onde Grace e sua própria mãe haviam se sentado anos atrás. Margaret tinha os cabelos escuros de seu pai e olhos claros; não se parecia em nada com ela. Mas havia algo no modo como ela pegou um lagarto da rua com suas pequenas mãozinhas gorduchas e o levou para o arbusto mais próximo que a fazia pensar em si mesma.

Grace fez o caminho de volta para casa como uma trouxa; pegou o ônibus na mesma parada que seu pai, meia-hora depois de ele ter saído, então desceu no centro de Londres, e andou até o bar A Fonte da Sorte, que abria passagem para o Beco Horizontal, e andou para o Beco Diagonal, passando pela entrada da Travessa do Tranco com o capuz de sua capa levantado sobre a cabeça. A loja das Gemialidades estava fechada com tapumes, mas não era a única; muitas lojas vinham fechando as portas, fazendo do Beco Diagonal um lugar cada vez mais sombrio.

Com um som de sino balançando, ela entrou no Apotecário da família de Melinda, onde a própria garota estava no balcão, um exemplar d’O Pasquim em mãos, que ela correu para esconder atrás das costas –algumas pessoas não gostariam de saber que aquele jornal era lido –antes de perceber que era Grace relaxar.

—Ei. –Melinda pareceu surpresa em vê-la. –Como você está? Eu vou Fred no.... –Aqui ela baixou a voz e olhou bem para o lado de fora, notando se tinha alguém na porta. –No Observatório Potter semana passada.

—É, ele tem se mantido ocupado. –Grace concordou, sem comentar que ela achava perigoso, muita exposição. Esses comentários ela guardava para Amy, que também era parte da Ordem, se é que o restante disperso de membros podia ser chamado de Ordem. Grace colocou a mão num bolso interno de sua calça de alfaiataria e buscou o papel que a havia sido entregue ainda ontem, por uma das corujas de Hogwarts, com o nome de Cordélia Bloxam na assinatura. Ela se perguntava se seu chefe, Arcturo, sabia que suas sobrinhas eram parte, respectivamente, da Ordem da Fênix e da Armada de Dumbledore. Achava que não.

Melinda recebeu o papel e deu uma lida rápida, depois levantou a cabeça alarmada para Grace.

—Você está grávida?

Grace revirou os olhos.

—Claro que não. Isso é para Ninfadora.

Aquilo explicava muita coisa. Por causa de sua gravidez de risco; ela estava grávida de um lobisomem e ninguém sabia ainda muito bem o que aquilo significaria para ela e para o bebê, Cordélia Bloxam e Greta Lestrange haviam receitado uma série de poções calmantes, poções para o útero, poções para o bebê, poções para a saúde de Tonks. Ninguém queria realmente confiar em uma Lestrange, especialmente no meio de uma guerra, mas Greta entendia mais de poções de cura do que Cordélia ou Viktor, e até agora nada havia feito mal à Tonks ou ao bebê.

—Ah, é. –Melinda se virou para procurar os ingredientes pedidos por Cordélia. Grace se sentia um pouco como uma coruja, passando para lá e para cá, mas era bom ser útil. Ela voltara a usar o vira-tempo consigo o tempo todo desde que Kingsley fora quase pego; não gostava da ideia do objeto longe dela, numa gaveta de sua cômoda. Fred havia perguntado do que se tratava, mas Grace mentira; dissera ser apenas decorativo. Como todos os vira-tempos do Ministério haviam sido quebrados dois anos antes por dois de seus irmãos, ele acreditara. –Como ela vai?

Grace pensou na enorme barriga que Tonks levava consigo para cima e para baixo agora.

—Cansada, eu acho. –Disse. –Vou descobrir mais hoje. É meu dia de ficar com ela. É lua cheia e Remus vai estar fora.

—Fred não se importa? –Melinda perguntou, abrindo um frasco e fazendo uma careta antes de separá-lo no balcão com o resto dos pedidos.

—Acho que não. –Grace ponderou. –Fred anda ocupado.

Na verdade, Fred andava evitando-a, então provavelmente achava bom quando ela passava a noite fora. Ele vira o presente que ela recebera de Draco no natal, e agora sabia que os dois haviam se visto pelo menos uma vez desde que a guerra estourara. Grace achara que receberia um grande discurso sobre a irresponsabilidade de se encontrar com Comensais suspeitos quando todos sabiam que ela se relacionava com membros da Ordem, mas nem isso ele fizera, o que a deixou preocupada.

Grace, por outro lado, andava de fato ocupada. Seu trabalho no Gringotts exigia cada vez mais dela. Um daqueles dias, dois duendes haviam sido expulsos, e agora estavam sendo procurados, por se recusarem a levar a espada de Gryffindor para o cofre dos Lestrange sob o olhar dos novos guardas do Gringotts. Grace assistira enquanto Arcturo se adiantava para intervir –ele era mais diplomático do que os Comensais mandados para manter a ordem entre os duendes, que andavam cada vez mais insatisfeitos.

Melinda colocou todo o pedido dentro de um papel tarde que mais tarde Grace levaria até a casa dos Tonks, onde Ninfadora estava ficando com a mãe. Grace agradeceu, pagou e acenou para a amiga enquanto fazia seu caminho para o turno da tarde no Gringotts.

Na grande entrada de mármore, após os degraus, prestes a entrar no grande hall com balcões dos dois lados e lustres de cristal, sua varinha foi pedida pelo guarda da entrada. Uma vez que a peça foi analisada, Grace teve permissão para entrar e se dirigir à sala de Arthur, que estava vazia. Ela se sentou na mesa menor, que ele havia providenciado para que ela trabalhasse, que já estava cheia de papéis assinados e permissões, para que ela começasse a organizar tudo em pilhas antes de levar os requerimentos aos cofres.

Uma hora depois de ela ter chegado, entrou Arcturo, afobado.

—Malditos Lestrange. –Ele murmurou, um segundo antes de nota-la. Grace estava fazendo como se não o ouvisse, continuando seu trabalho. Arcturo sorriu; achando graça na discrição da menina. –Olá, Grace.

—Olá, sr. Bloxam, como vai o senhor? –Grace perguntou, sorrindo docemente.

—Estressado. Bella agora quer adicionar uma taça ao cofre dela, ainda hoje, como se eu não tivesse nada melhor para fazer.

—A sra. Lestrange é uma cliente importante. –Grace ignorou o arrepio que sentia na espinha ao ouvir o nome da bruxa mais perigosa da atualidade saindo da boca de seu chefe com tanta intimidade, mas sabia que eram primos.

—Bella sempre foi apressada. –Ele murmurou, então colocou a taça em cima da mesa de Grace. Era uma taça dourada, com duas asas, e tão polida que seu rosto estava perfeitamente refletido nela.

Grace encarou o reflexo curioso; e achou que a taça vibrava de leve. Ela sentia uma enorme vontade de tocar nela, como se o objeto dourado a atraísse de alguma forma. Observava tão atentamente que finalmente notou um padrão familiar no ouro.

—Tem o brasão da Lufa-Lufa aqui. –Observou em voz alta.

Arcturo, que mexia em alguns papéis de pé na frente dela, virou a cabeça.

—Na taça? Impossível. –Ele riu, nervoso. –Bella disse que é uma herança dos Lestrange. Os Lestrange são franceses e, de qualquer forma, desde que passaram a frequentar Hogwarts sempre foram sonserinos.

—Olhe. –Grace sugeriu, apontando a taça com a cabeça.

Arcturo a pegou e olho bem de perto, os olhos estreitos para os padrões intricados do metal dourado cheio de arabescos. Passou quase um minuto inteiro assim, os olhos verdes grudados no objeto, antes de finalmente franzir a testa.

Ele a colocou de volta na mesa, onde ele e Grace poderiam encarar o objeto de frente.

—A taça de Lufa-Lufa está perdida há uns sessenta anos. –Murmurou.

Grace se animou.

—Você acha que essa é a Taça de Helga Lufa-Lufa? –Perguntou, olhando-a com ainda mais admiração agora. Mesmo ela, nascida-trouxa, sabia da existência da taça, que era uma relíquia da casa de Lufa-Lufa há algum tempo perdida.

Arcturo balançou a cabeça.

—Não pode ser. –Decidiu. –A taça estava em posse da família Smith há alguns anos, antes de a sua última dona morrer. Provavelmente a mulher a escondeu, e nunca contou a ninguém onde. O Medalhão de Slytherin também foi perdido com a taça.

—Por que os dois estavam juntos? –Perguntou Grace. –Não são os mesmos descendentes.

—Não. –Ele ponderou. –Mas dizem que os objetos se atraem, porque supostamente Helga e Salazar tinham um caso. É claro que os descendentes de Helga, no caso os Smith, não são os descendentes de Salazar, que se perderam nos Gaunt, exceto pela linhagem feminina, que ainda corre em algumas famílias, como os Bloxam.

—Lufa-Lufa e Sonserina tinham um caso? –Grace achou graça. –Que inusitado.

—Você acha? –Arcturo já estava distraído de novo. –Sonserinos e Lufanos sempre flertaram, até na minha época. É claro, meu irmão casou-se com uma Corvina, mas a filha dele namorou um lufano.

—Cordélia. –Grace notou. Arcturo a olhou com surpresa, mas depois calculou que as meninas deviam ter estado em Hogwarts juntas em algum momento.

—Você mesma é uma Lufana. –Arcturo apontou. –Nunca houve um Sonserino em sua vida?

Grace não respondeu, e Bloxam não estava interessado o suficiente para insistir, mas ela sentiu suas bochechas ficando vermelhas porque, é claro, havia sim um sonserino que nem por um segundo deixava seus pensamentos ao longo do dia. Observou enquanto Arcturo pegava a taça em mãos e saia mais uma vez da sala, provavelmente indo deixa-la no cofre dos Lestrange.

No espelho que havia na sala, atrás da cadeira de Arcturo, seu reflexo a encarou. Não era o mesmo reflexo da Taça, onde o metal dourado a fazia parecer mais suave e gentil. O reflexo da Taça parecia bom, e justo. Ela queria ser aquela garota; ela provavelmente não mentiria para Fred sobre como se sentia, achava.

Grace chegou ao chalé dos Tonks ao entardecer, do outro lado de Ottery St. Catchpole, onde os montes se abriam num vale à beira de um riacho raso e a casa dos Tonks, uma pequena construção de dois andares mais sótão em madeira, com uma aconchegante varanda na frente, se erguia contra as árvores.

Andrômeda Tonks, uma mulher alta de nariz aristocrático e pálpebras pesadas, estava na varanda, olhando o monte. Grace já havia se acostumado com ela estar ali; sabia que esperava que Ted, eu marido, retornasse da fuga em que se encontrava. Eram, Grace pensou, um exemplo de Lufa-Lufa e Sonserina, e como ficavam bem juntos.

Andrômeda mal nota sua presença quando Grace a cumprimenta e entra na casa.

Ao contrário do que ela esperava, Tonks não estava sozinha. Ao invés disso, fazendo-a companhia estão Fleur e Mary Selwyn. As duas meninas louras levantam a cabeça quando Grace entra; Fleur abre um grande sorriso, Mary acena. Tonks tenta se virar, mas é impedida pela enormidade da sua barriga.

—Grace, é você? –Pergunta, e a garota anda para dentro do campo de visão da outra, que abre um grande sorriso. –Claro que é. Acredita que não vão me deixar comer chocolate essa páscoa porque, sendo o bebê um meio-lobisomem, pode fazer mal?

Grace sabia daquilo; na verdade, havia sido avisada para permanecer firme e não ceder às chantagens da grávida.

—É mesmo? –Se fez de desentendida, então sentou-se numa cadeira vazia junto às meninas, enquanto Tonks deitava-se no sofá, e sobre a mesa de centro colocou a encomenda parda com as poções que Cordélia mandara. –Como você está se sentindo?

—Inchada. –Tonks pegou uma das poções na mão, a desenrolhou e fez careta para o cheiro forte. –Hiper-Medicada também. Nem quando eu era capitã do time da Lufa-Lufa e quebrava o braço a cada partida tomei tantas poções.

—Isso não é Esquelesce. –Concordou Mary, cheirando a mesma poção que Tonks e imediatamente após, a levando para longe do rosto.

Tonks se ajeitou no sofá, uma mão protetoramente sobre a barriga, e as duas garotas mais próximas se inclinaram para ajudá-la a ficar sentada.

—Então, vocês têm visto Gina? –Perguntou olhando de Fleur pra Grace. –Eu queria mandar para ela uns discos d’As Esquisitonas que eu prometi. Acho que ela anda chateada por não poder voltar a Hogwarts, e ouvir Do The Hippogriff no máximo pode ajudar.

Grace e Fleur evitaram olhar uma para a outra, para que culpa não transparecesse. A verdade é que fazia algum tempo que nenhuma das duas ia visitar Molly, por diferentes motivos. Grace se sentia envergonhada de seu comportamento com Draco na casa dos Weasley no natal, e achava que Fleur simplesmente não se dava muito bem com a sogra.

—Não tenho ido à casa de Molly. –Grace assumiu. Fleur concordou com a cabeça, dando de ombros, parecendo menos culpada do que Grace se sentia; afinal, imaginava que os sogros não estavam bem com apenas uma filha me casa, um filho desaparecido. –Na verdade, por que você não chama Gina para vir aqui? Ela ficaria feliz.

—Talvez. –Tonks ponderou.

Grace continuou.

—Bem, eu achei que iria ser a única aqui hoje.

—Houve um engane nos planes. –Fleur explicou. –Nós duas fomos colocades em mesme dia. Eu fique hoje. Gui está trabalhande até tarrrde. Por que você non vem amanhã?

Acenando em concordância, Grace pensou que Fred provavelmente seria pego de surpresa quando ela chegasse em casa. Poderia, aliás, ser uma oportunidade para que eles conversassem sobre o relacionamento; colocando algumas cartas na mesa.

De volta em casa, ela pegou o elevador, ao invés de aparatar direto em seu andar, apenas porque isso a fazia se sentir um pouco mais trouxa. Havia enfeitiçado sua chave para que apenas ela pudesse abrir a porta; que era protegida por uma série de feitiços. Quando entrou, estava tudo escuro do lado de dentro, então, num primeiro momento, pensou não haver ninguém em casa. Em seguida, notou um movimento no sofá, e acendeu a luz, culpada por acordar Fred no meio de um cochilo.

Não era Fred em seu sofá de tecido florido no meio de sua sala.

A figura masculina era familiar mesmo assim. Ela o conhecia, tanto de Hogwarts quanto dos jornais. Ele estava sentado em seu sofá, tranquilamente como um convidado, os cabelos raspados e o corpo grande e forte ocupando dois assentos do acolchoado. Ele olhou para Grace com seus olhos castanhos e Grace o olhou de volta. Havia uma varinha apontada para ela, mas sua mão estava vazia.

—Gostei da decoração. –Ele disse apontando os globos de neve na estante com a cabeça, mas sem tirar os olhos dela. –Grace Moore, não é? Eu estava me perguntando se seria você ou Weasley a chegar primeiro.

Fred sempre dissera que ela devia negar se um Comensal a acusasse de se relacionar com ele, mas, em seu apartamento, onde as fotos estavam em toda parte, não havia forma de negar. Grace simplesmente não respondeu, e ele não pareceu se importar.

—Bem. –Ele continuou. –Como vai ser? Você vem comigo voluntariamente ou nós duelamos e eu levo você?

—Eu lembro de você. –Grace decidiu finalmente. –Cassius Warrington. Você colocou seu nome no Cálice de Fogo quando eu estava no quinto ano. Já pensou que se você houvesse sido escolhido, teria morrido ao invés de Cedrico? Que Você-Sabe-Quem teria matado você?

Ele piscou, como se o rumo da conversa fosse inesperado.

—Não fui eu. –Ele respondeu, não parecendo preocupado. Grace não esperava afetá-lo, era apenas um fato que acabara de ocorrer a ela. –Tire a sua varinha e me entregue.

Grace tirou a varinha do bolso.

—Se não se importar, prefiro duelar. –Disse. Principalmente porque assim talvez quebrasse um par de coisas e Fred ficaria avisado de que ela fora levada. –Qual a acusação? Do Ministério.

—Ah. –Ele sorriu cruelmente. –Não estou aqui em nome do Ministério, mas do Lorde das Trevas. Você vê; ele está cansado dos Weasley se movendo por debaixo dos panos. O melhor seria levar o garoto, mas você vai servir.

—Eu não se nada disso. –Ela mentiu, e achava que ele sabia que era mentira, mas não custava tentar. –Fred não está envolvido com nada, nem nenhum Weasley.

—Claro. –Ele sorriu cínico, depois se levantou. –Expelliarmus!

Grace se jogou de lado contra a parede para evitar o feitiço.

—Impedimenta! –Gritou de volta.

Ela ouviu vidro se quebrando quando metade de seus globos de neve foram jogados ao chão e soube que errara o alvo.

—Estupore!

—Incarcerous!

Ela sentiu mais do que viu cordas grossas se enrolando ao redor de suas pernas e braços, fazendo-a perder o equilíbrio e ir ao chão, sua varinha caindo no piso quando ela abriu as mãos para aparar a queda. Cassius se aproximou dela, tirando um caco de vidro molhado de sua mão; sangue escorreu e pingou no piso que ela limpara ainda ontem.

Eles aparataram numa estradinha rural. Cassius afrouxou as cordas para que pegassem apenas suas mãos, de forma que ela conseguia acompanhar os passos dele pela estrada de terra, ela viu portões com grades de ferro forjado à frente do que lhe pareceu uma longa aleia. Chegando ao portão, Cassius levantou o braço esquerdo, e eles passaram pelo ferro torcido e curvo como se este fosse feito de fumaça.

Os dois andaram entre as altas sebes, que abafavam seus passos. Grace sabia onde estava àquela altura; tudo era como Draco descrevera. Se perguntou se ele estaria ali, mas tinha pouca esperança disso. Grace viu uma forma branca e fantasmagórica no alto, e percebeu que era um pavão albino. Eles subiram por escadas de pedra e adentraram o hall cheio de retratos. Gerações de Malfoys e esposas olharam para ela de cima, como se fosse sujeira no carpete. Grace nunca havia se sentido tão pequena.

A sala de visitas ofuscou-a depois da escuridão externa; mesmo com os olhos quase fechados, Grace percebeu as enormes dimensões do cômodo. Havia um lustre de cristal no teto, mais retratos nas escuras paredes roxas. Duas figuras se ergueram das poltronas junto à ornamentada lareira de mármore, uma delas era toda pálida, e a outra tinha cabelos escuros familiares; Grace percebeu que se parecia com Andrômeda Tonks. Se parecia tanto, que Grace quase a chamou assim, mas não podia ser. Andrômeda não tinha aquela fome nos olhos.

—Quem é essa? –Perguntou aquela que Grace sabia ser a sra. Malfoy.

—Grace Moore. –Respondeu Cassius. –A achei no apartamento de Fred Weasley.

Os olhos da outra mulher brilharam perigosamente.

—Mas nós pedimos por Weasley, Warrington. –Ela sussurrou. –Não pela namorada mestiça! Você sabe bem o que aconteceu com Rowle e Dolohov por serem incompetentes!

Houve um segundo de enorme silêncio que, após a voz aguda da mulher, ecoou sinistramente nos ouvidos de Grace.

—Ela é uma sangue-ruim. –Disse Cassius. –Não foi pega pela Comissão porque teve ajuda da Ordem da Fênix.

—Leve-a para o porão. –Disse a mulher, depois de deliberar. –Podemos tirar alguma coisa dela, afinal.

Notas finais
E ai, o que será de Grace agora?? Digam o que acham nos comentários! Aliás, vocês são TeamFred ou TeamDraco? Vejo vocês no próximo capítulo! XOXO