Lados Opostos
1 Capítulo Único
(POV Ino)
Via nela um amor
Via nele muita dor.
Nela, carinho.
Nele, descaminho.
Duas almas tão distintas
Que se amaram tão sucinta.
Mal sabiam que seus caminhos
Logo se separariam.
É triste pensar na dor
que sentiram ao brigar
Ainda assim, contrariando tudo aquilo
Continuavam a se amar.
Um amor doentio, se parar para pensar.
Onde já se viu amor de verdade
Ser movido com tanta maldade?
Ela sofria,
Ele sorria.
Imagino eu que, num amor,
não há espaço para se opor.
Mas ali estavam eles,
Tentando e tentando,
Como se, de alguma forma,
A tentativa de fato fosse resposta.
Poderiam eles se amarem de forma tão oposta?
Não cabe à minha pessoa responder.
Cada coração carrega em si o poder de saber.
Saber sobre aquilo que sente,
Sobre aquilo que suporta.
Além disso, nada mais importa.
Ledo engano.
Hidan e Ino, mundos distintos.
Nada semelhante, além do instinto.
Instinto esse que os trazia para perto.
Talvez o destino não fosse assim tão incerto.
De que adianta lutar contra aquilo que está predestinado?
Mesmo que esse fosse um amor discriminado?
Pudera Ino fugir dessa prisão,
Só ela não o via como vilão.
Já Hidan se considerava um sujeito de sorte,
Mal sabia que, para sustentar um amor,
Era preciso muito mais que mero suporte.
Hidan não era capaz de se equivaler em pureza,
Sua maldade já muito enraizada
Trazia para Ino muita dureza.
Como aquele amor terminaria?
Com certeza, não em harmonia.
O dia nublado era condizente com seu coração. Ino olhava pela janela incerta demais para tomar qualquer decisão. Por um lado, o sentimento tão real, tão ardente. Por outro a razão que só faltava gritar como tudo aquilo era decadente.
Tinha medo.
Muito medo de se arrepender ao escolher.
Mas era preciso. Não podia mais viver naquela corda bamba, naquele limbo sem ter sequer uma ideia do que o futuro lhe reservava.
A loira olhou para os dedos inquietos.
— Por que terminar é tão difícil? — Ela se fazia a mesma pergunta inúmeras vezes. Um suspiro pesado saiu de seus lábios. O cansaço pelas noites mal dormidas era evidente no rosto da jovem.
Com relutância Ino se dirigiu até a velha escrivaninha alisou o papel a sua frente uma, duas, três vezes antes de tomar coragem e deslizar a caneta pelas linhas.
“Meu amado Hidan.
Os meus sentimentos por você desde o início foram puros e verdadeiros. Eu o amo. Sempre deixei claro e disso jamais me arrependerei.
Já os seus sentimentos são nebulosos demais para eu enxergar. Você é inconstante e até agora, eu realmente achei que conseguiria te acompanhar. Nos altos e baixos eu estive ali ao seu lado, mas quando mais precisei onde estava você?
Sei que disse deixar isso de lado, que seria mais razoável. No começo eu achei mesmo que estava cobrando demais, impondo demais. Só que finalmente percebi que o que eu pedia era apenas o mínimo. E se não há o mínimo, como posso permanecer?
Não sei o que você realmente espera de mim. O que espera de nós. Se é que nós seja algo verdadeiro para você.
Se você pelo menos deixasse claro...
Mas talvez a sua falta de resposta, seja a resposta que tanto espero.
O mais engraçado disso tudo é que a minha maior mágoa não é descobrir que para você eu nada sou. É descobrir que para mim isso não importava desde que você estivesse ao meu lado.
Mas eu não posso mais aceitar tanta falta de amor próprio. Porque no final você não vai estar lá, apenas eu.
É por isso que te escrevo.
Sei que não é do meu feitio, mas também sei que se você me pedisse para ficar eu acabaria por ceder. E não seria justo. Por isso não quero saber como se sente a respeito, não quero mais saber o que sente por mim. Simplesmente não quero mais saber nada sobre você.
Daqui em diante seguirei minha vida da forma como devo. Sem incertezas. E espero do fundo do meu coração que você siga a sua e descubra o que de fato deseja.
Com todo o amor que tenho por você, até nunca mais. Ino”
Os profundos olhos azuis se encontravam agora banhados em lágrimas de despedida. O aperto no peito por abandonar aquele que amava era desolador, mas não podia negar que o alívio que sentia por dar um basta em tudo aquilo era ainda maior.
Deixou a carta sobre a mesa e deu uma última olhada naquela que tinha sido sua casa nos últimos anos. A mão sobre a maçaneta não tremia como esperava que fosse acontecer, era firme mostrando mais uma vez que não havia espaço para dúvidas. Ino sairia por aquela porta e teria seu merecido recomeço.
Um recomeço de amor, um recomeço de esperança.
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