Lado a Lado

7 Anos Rebeldes


Notas iniciais
Hmm já faz um bom tempo certo? Eu acho que não adianta muito ficar explicando, então vamos ao capítulo!! O título é inspirado em uma das séries mais brilhantes que eu já assisti! Aliás, é em 'Anos Rebeldes' que eu me inspirei para escrever esse capítulo. Espero que gostem!! Agradecimentos a Dennis Carvalho e Gilberto Braga. E lembrete: o trecho da música que vai aparecer aqui é de Can't Buy Me Love, dos The Beatles, então obrigada a eles também!! Divirtam-se!!!

"Carpe diem, quam minimum credula postero."

–"Aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã." Expressão em latim de Horácio Flaco (65 a.C.- 8 a.C.), poeta e filósofo da Roma Antiga.

*___*___*___*

Ano de 1979.

Estava sendo tão difícil.

Porque aquela guerra se arrastava e devorava cada gota de esperança.

Estava sendo tão difícil.

Porque o céu parecia injustamente azul enquanto o mundo mergulhava na escuridão.

Estava sendo tão difícil

Porque mesmo tudo que faziam, não era suficiente para impedir o cataclisma devastador daquela era de sombras.

Estava sendo tão difícil.

Tão difícil.

Tão difícil...

XXXXX

Começou cedo, o movimento.

Era difícil definir a Ordem da Fênix, em alguma palavra. Exército? Não, pequeno demais. Revolucionários? Vago demais. Uma resistência? Vá, uma resitência. Eles resistiam, o máximo que podiam.

Se iniciou em 1978. Comensais cada vez mais poderosos, destruição e caos por todo lado, o Ministério completamente perdido, Aurores sem saber o que mais fazer.

Dumbledore chamou Frank e Alice em sua sala, quando ainda estavam em Hogwarts. Contou dos planos de formar uma equipe para lutar contra Voldemort. Como o casal já havia se inscrito no programa de Aurores, achou que seria bom começar por eles. A notícia se espalhou entre os mais próximos dos dois. Marlene deu seu nome primeiro, e Grace foi logo depois. James se juntou (mais por Grace do que pela causa), e Sirius também (mesmo que o motivo tenha ficado subliminar), Lily, Remus, até Peter, Dorcas, Edgar, Caradoc...

Ótimo, já tinham equipe de campo. Quando percebeu que poderia dar certo, Dumbledore chamou três velhos amigos, o auror Benjamin Fenwick e os gêmeos Fabian e Gildeon Prewett, que lhes arranjou uma base secreta no norte da Inglaterra. Amelia Bones se juntou a eles também, contra a vontade de seu irmão Edgar e do namorado Caradoc – eles estavam juntos desde o natal de 77 – e servia como uma analista para o grupo. Rastreava, organizava equipes, porque às vezes, eles não precisavam de todos os membros numa missão, chefiava, líderava, fazia a conexão entre a Ordem e o Ministério.

Ordem da Fênix, um nome escolhido por votação, é verdade. Tinham outras opções, como Sociedade Rebelde e Associação Revolucionária, mas nada era tão parecido com eles do que o primeiro.

Marcante.

A base era bastante simples. Um chalé aparentemente abandonado, em estilo Vitoriano, mas com um bem colocado feitiço de expansão dentro. No andar de cima, ficava a enfermaria improvisada, e dois quartos com algumas camas de colçhão duro, que só usavam quando tinham ir cedo para algum trabalho no outro dia ou era tarde e eles evitavam sair de noite. Uma sala, no andar debaixo, era destinada somente para guardar documentos que precisavam de proteção especial. A mesa que Amelia usava quando estava lá ficava em um canto da sala de estar, cuja essa tivera todos os móveis retirado e ganhara cadeiras e uma grande mesa retangular para as reuniões. Dumbledore se sentava em uma ponta, Benjamin em outra, e os membros em volta.

A notícia de uma resistência completamente civil feita por estudantes logo se espalhou na comunidade bruxa. Remus Lupin, um gênio, criou uma frequência de rádio para que os bruxos que tivessem o aparelho pudessem receber notícias sobre a Guerra, e tudo era passado à plenos códigos. As pessoas começaram a treinar seus familiares para a luta, caso fosse necessário; Alastor Moody e August McKinnon criaram a Polícia Secreta Bruxa, que contava com ex-aurores, como eles mesmos, para lutar com o Ministério; a Ordem recebeu os reforços de Annabeth Bones, irmã de Edgar e Amélia, Charles, irmão de Marlene, e uma amiga de Alice, Emelinne Vance, que não eram exatamente membros, mas lutavam com eles, lado a lado. As coisas finalmente pareciam estar dando certo.

Mas quando aqueles garotos nem mais tão jovens assim sofreram suas primeiras perdas, nada tinha os preparado para aquilo.

XXXXX

“Uma guerra borra o mundo de cinza. Mas nós não podemos perder a vontade de lutar, pois é essa vontade que vai nos guiar, nesses tempos sombrios...”

Sirius achava uma completa perda de tempo ficar se embebedando com as palavras bonitas de Dumbledore, quando deveriam estar lá fora, livrando o mundo daquela mancha escura para que pudessem pelo menos tentar viver um pouco sem o terror de uma guerra pairando sobre suas cabeças.

Ele não expressaria aquilo em voz alta, é claro; James diria que era pessimismo. Espirituoso James, ele podia acreditar. Ele tinha Lily, iam se casar. Ele devia acreditar.

E o que Sirius tinha?

Bem, tinha Marlene. Mas Marlene... Não era exatamente dele. Era sua amiga, companheira de porre e cigarro, era quem ouvia seus discos do Elvis e dos Beatles, quem dançava com ele às dez e meia da noite de uma quinta-feira, quem pilotava sua moto quando ele estava bêbado demais para se manter em pé sozinho, inútil! Ah, foco Sirius.

Marlene não era ela. Não era Grace e nem poderia ser.

Quem olhasse de fora poderia não ver muitas diferenças entre elas. Era mais o físico mesmo. As duas tinham cabelos escuros, mas os de Marlene tinham cor de chocolate, enquanto os de Grace eram negros como a cerveja mais escura. Lene tinha olhos da cor do cabelo, e os da outra eram castanho-esverdeados. Peles bronzeadas, embora a de Marlene fosse mais.

Tirando isso, eram iguais. Mesma devoção à causa, mesma lealdade à Ordem e a Dumbledore.

Marlene não era irmã de seu melhor amigo superprotetor e ciúmento, não era dois anos mais nova, nem o fazia sentir aquele calor no peito que Frank chamava de amor e ele nunca notava se Grace não estava por perto.

Talvez por ela repetir tantas vezes que seria capaz de amar um cachorro como ele, às vezes para irrita-lo, às vezes para irritar James, ele acabou acreditando.

Ela iluminava todo o caminho.

Black sempre precisou de luz no caminho.

“Para Amélinha o baque foi maior, não foi?” O sussurro melancólico de Remus, sentado ao seu lado, o tirou de seu pensamento. “O irmão, a cunhada e o namorado, de uma vez.”

“Foi sim.” Sirius repondeu olhando para Amélia Bones, que estava de frente para eles, com o nariz vermelho e o olhar perdido no nada. “Mas eu a admiro. Ela é forte. Só que agora vai precisar de um bom motivo para continuar agradecendo por estar viva.”

“Ora, Pads!” Remus exclamou, recostando-se na cadeira e cruzando os braços, olhando para ele agora. “Ela já tem um bom motivo.”

“Qual?”

“Ela está viva, afinal.” Remus deu um meio sorriso e voltou a sua atenção para Dumbledore. Sirius olhou novamente para Amélia.

Estranho. Apenas existir se tornou tão demodé.

“Nas últimas semanas, tivemos perdas imensas.” Dumbledore continuou falando. “Dorcas Caroline Mealdowes, nossa querida Dora,” Remus se moveu desconfortável na cadeira, olhando para os pés, Lily fungou baixinho, Marlene e Alice olhavam a chuva bater na janela. “Edgar Jean Bones e Caradoc Jude Dearborn, revolucionários, Mary Maia McDonald, a doce Mary.” Amélia transformou seus lábios numa linha fina, seus olhos fixos na foto que tinha em suas mãos: ela e Caradoc, Ed e Mary, os quatro juntos no Lago de Hogwarts, sorrindo, o Castelo como fundo e o sol iluminando os jardins. Grace, ao lado dela, esfregou os olhos com as mãos, cansada.

“Em momentos como este, nos perguntamos o motivo pelo qual estamos lutando por um mundo que só nos tira as pessoas importantes que temos. Olhem em volta, Ordem da Fênix! Olhem para seus companheiros, seus irmãos, seus amigos! Eles são o motivo!” Uma pausa aqui, “Vamos continuar tentanto, vamos continuar lutando. Nas alegrias exageradas existe força para seguir em frente. Ninguém vai nos parar!”

Dumbledore fez um floreio com a varinha e se levantou da mesa. Pouco a pouco os outros foram levantando também, e seguindo cada um para um lado da Sede.

XXXXX

Grace viu Remus indo para o andar de cima da casa, sózinho. Ela olhou para Amélia e notou que a amiga também tinha visto. Com a cabeça, a Bones acenou para que ela fosse atrás do mais velho. Grace assentiu e subiu as escadas também.

Ela o encontrou próximo a uma janela. A chuva havia parado e Remus tinha um cigarro aceso entre os dedos finos, os olhos âmbar perdidos no céu nublado. Ele quase não movia os lábios, mas tinha uma melodia lenta na boca.

“Money can't buy me love, can't buy me love, everybody tells me so, can't buy me love, no no no, no”*

Se aproximou devagar, e encostou na janela. O único sinal que Remus deu de ter percebido sua presença foi oferecer um cigarro à ela, que aceitou. Acendeu com um isqueiro que ganhou de James e passou a observar o céu também, de vez em quando dando uma olhada de canto de olho para Remus. A mente da Potter maquinava o melhor jeito para fazer a pergunta que a rodeava muito tempo.

“Por que você terminou com ela?” A voz um tanto arrastada de Grace quebrou o silêncio. Remus não respondeu de imediato; apenas estreitou os olhos. Ela não insistiu, deu uma tragada esperando a resposta.

“Ela não me amava.”

Os olhos de Grace se arregalaram e ela virou-se para ele.

“O que?! De onde tirou isso, Moony?”

“Ora, Grace! Do jeito que ela olhava para Caradoc! Não finja que não via tambem! Eu sei que você notava tanto quanto eu!”

Ela abriu a boca para falar algo, mas desistiu e voltou a ohar para o céu. Ela notava sim. O carinho nos olhos azuis marinho da loira Dorcas em direção a Caradoc sempre foi algo que lhe chamou a atenção. O jeito como as mãos dela passeavam nos cabelos castanhos dele, o sorriso forçado quando ele e Amélia anunciaram que estavam juntos... Impressionava ninguem ter visto aquilo.

“Ela nunca o esqueceu, desde aquele pequeno affair deles de alguns anos atrás.” Remus deu uma risada sem humor. “Bem, nem tão pequeno assim. E quando ele assumiu que estava com Amélia, ela deve ter percebido que o amava. E que eu não era ele, nem poderia ser.”

“Não tem como ter certeza, Remus.” Grace murmurou sem se virar para ele. “Eles eram melhores amigos.”

“Ah, Grace! Por que vamos continuar negando? Nenhum dos dois está mais aqui.” Ele disse friamente. “E o que isso tem a ver? Lene e James são melhores amigos, e eu não vejo ela olhando para ele daquele jeito.” Deu uma tragada no cigarro e Grace fez o mesmo.

“Mas Marlene é a melhor amiga de Lily também. E ela só não é mais irmã de James do que eu. Sem falar de Sirius...” Ela parou no meio da frase e olhou para seus pés, transformando seus lábios numa linha fina. Remus olhou para ela pela primeira vez.

“Se te serve de consolo, eles não estão juntos.”

“Oque?! C-como assim?” Ela gaguejou. “Eu não tenho nada a ver com eles!”

Remus deu uma pequena risada. “Grace Di, você pode até conseguir enganar James. Mas acho que eu sou esperto o suficiente para notar o penhasco que você tem por ele desde... Desde sempre!”

Grace pensou em negar, mas sabia que para Remus isso seria inútil. Então, ea apenas deu uma leve risada. “Você se parece com minha mãe falando assim.”

“Ah, considero isso um elogio. Dona Dórea era demais!” Os dois riram por um tempo, mas depois ficaram sérios de novo, olhando para o céu. “Acontece, Grace, que nós não estamos em condições de perder nosso tempo com quem não nos trás felicidade.” Ele deu mais uma tragada. “Tempo é a coisa mais preciosa que temos agora. Você deveria saber disso.”

Grace olhou para ele confusa. “O que você quer-”

“Grace, Remus, venham aqui!” James chamou do andar de baixo. Os dois amigos se olharam por um instante e desceram em seguida.

Todos os membros da Ordem estavam reunidos na sala, e o burbulho de conversa era alto. James, com seus cabelos bagunçados e capa preta, estava de mãos dadas com Lily, um pouco menor que ele, com os cabelos ruivos espalhados pelos ombros cobertos com a capa verde brilhante, que combinava com seus olhos. Os dois tinham um sorriso ao mesmo tempo iluminado e vacilante no rosto.

Grace e Remus foram para onde Amélia, Marlene e Sirius estavam. Antes de chegar a eles, ela ouviu o murmúrio do amigo no seu ouvido.

“Você vai entender porque tempo é a coisa mais preciosa que temos agora.”

“Atenção!” James chamou. “Um minuto, por favor.”

As conversas cessaram e um silêncio agradável se instalou na sala. James olhou para Lily, e ela aumentou seu sorriso.

“Nós temos um anuncio a fazer.” Ela disse e James agarrou sua mão firme. Os olhos brilhantes dele fixaram-se nos de Grace.

“Nós vamos ser pais!”

A sala explodiu em comemorações, mas tudo que James via era o enorme sorriso no rosto da sua irmãzinha.

Notas finais
* "Dinheiro não pode me comprar o amor Não pode me comprar amor, todo mundo diz o mesmo Não pode me comprar amor, não, não, não, não" Obrigada por lerem e até a próxima !! Biscoitos e beijos..
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.