Lado A Lado - O Amor E O Tempo

39 Capítulo 39 - Visita inesperada


Notas iniciais
Oi meninas, desculpem demorar tanto a postar. Espero que gostem do capítulo e não queiram me matar...rsrs...mas pretendo abordar o tamanho do preconceito sofrido por uma mulher na situação da Laura. Vou torcer para encontrar os comentários de vocês aqui para trocarmos figurinhas, ok? Beijos.

Capítulo 39 – A visita inesperada

Laura toma um susto. Ela olha para a menina em seus braços e encara a diretora da escola. Ela tenta raciocinar e entender o que D. Ana foi fazer em sua casa. Neste meio tempo, Edgar também se aproxima da porta. Ele percebe que a professora está com visitas e não gosta nem um pouco do tom de voz descortês da senhora à sua frente. É a vez de Laura falar. Ela está contrariada com os modos da diretora.

Laura: Bom dia, D. Ana! Em que posso ajudar? Imagino que veio falar comigo?

A mulher arregala os olhos e secamente responde.

D. Ana: Mas o que está acontecendo aqui?

Laura, muito a contragosto, oferece que a mulher entre em sua casa. Edgar ainda confuso com a visita inesperada, pega a menina nos braços e espera pela reação de sua ex-mulher. Ela faz as honras da casa e D. Ana, depois de uma passada de olhos por todos os cantos do aposento, como se estivesse procurando por algo impróprio, senta-se no sofá da sala. Edgar e Laura se olham e o rapaz percebe que o melhor a fazer, no momento, é deixar a sala. Ele pede licença e deixa as duas a sós. A velha senhora coloca a mão no rosto e resmunga baixinho.

D. Ana: Quem diabos é esse homem?

Laura pigarreia e no limite se sua paciência, pergunta.

Laura: Afinal, D. Ana... O que veio fazer em minha casa? Algum problema na escola?

A mulher gagueja.

D. Ana: Não... é... Estou aqui para ter uma conversinha com a senhorita sobre...

Laura realmente está perdendo a pouca paciência que lhe resta. Ela não estava fazendo nada de errado e o olhar recriminador daquela mulher a estava incomodando.

Laura: D. Ana, assim não chegaremos a nenhuma conversa. A Sra. pode me dizer o que veio fazer em minha casa?

A mulher respira fundo e, tal qual uma metralhadora, despeja todo veneno em cima da moça.

D. Ana: Pois bem, vou falar! Estou aqui porque soube por uma fonte fidedigna que a senhorita estava ontem à noite jantando com um homem em um restaurante. Um homem casado, senhorita Laura! Como a senhorita espera que eu deixe isso como está? A senhorita é uma professora e está cansada de conhecer as regras sociais.

Laura: D. Ana, não sei quem foi que lhe contou isso. Mas o que eu sei é que a senhora não pode entrar em minha casa e me insultar desta forma! Por favor, retire-se! A minha vida privada, diz respeito somente a mim, e a mais ninguém!

A velha ainda tenta argumentar.

D. Ana: E ainda tem mais. Esse homem casado deve ser este cavalheiro que acabei de ver aqui! Preciso ter uma conversa definitiva com Ricardo! Isso não pode ser!

Laura passa a mão sobre o cabelo. Ela segura as lágrimas. Não quer mostrar as emoções conflitantes na frente desta mulher. Emoções de indignação, de raiva. Ninguém pode ser tratado desta forma por causa de suas escolhas. Ela não era uma criminosa, mas uma mulher que optou pelo divórcio, para não viver uma vida de dor e sofrimento. Ela se assustou quando percebeu a presença de Edgar, que estava entrando na sala, já com as roupas formais que costumava usar. O advogado deixou sua filha aos cuidados de Matilde e, pediu que a empregada e Maria não os interrompesse. Ele se aproxima da mulher e toca em seu ombro, enquanto pergunta.

Edgar: Laura, essa senhora a está importunando?

A professora olha em direção ao rapaz e percebe a indignação da velha mulher à sua frente. A diretora parece se intimidar com a presença do homem. Ela limita-se a se aproximar da professora e num tom desafiador, pega um volume de papéis que são passados para as mãos de Laura. Ela fala.

D. Ana: Espero que a senhorita reflita bastante! Vou agora mesmo procurar por Ricardo. Acho melhor a senhorita não aparecer na segunda-feira na escola. Pelo bem daquelas inocentes crianças.

Edgar toma a frente e fala.

Edgar: D. Ana... É este seu nome, não é? Como advogado de D. Laura, devo adverti-la de que a senhora se excedeu. Pelo que sei a escola pertence à família do Sr. Ricardo e deste modo, somente ele ou algum parente podem dispensar os serviços de minha cliente.

A diretora da escola onde Laura leciona dá um passo a frente e avançando em direção à porta responde em tom áspero.

D. Ana: Passar bem...

Quando a diretora atravessou a porta e esta foi fechada por Edgar, Laura foi ao encontro do jovem e o abraçou. As lágrimas que há minutos atrás estavam represadas nos olhos da moça, agora ganharam novo curso, percorrendo a face delicada da professora. Ela ainda segurava em suas mãos, as folhas de papel deixadas pela velha senhora. Laura lamentou.

Laura: É muito descaso, Edgar... Como essa mulher acha que tem o direito de vir à minha casa me humilhar? Minha vocação profissional nada tem a ver com minha vida pessoal!

Edgar afagava os cabelos da moça. Ele pegou o rosto de Laura em suas mãos e beijou suavemente os lábios da moça. Depois trouxe o rosto da moça para perto de seu rosto e fechou os olhos quando disse.

Edgar: Eu sinto muito, meu amor! Ela realmente não tem esse direito... Ninguém tem! Mas afinal... O que ela veio fazer aqui, Laura?

A professora afrouxa os braços e se afasta de Edgar. Ela anda de um lado para o outro da sala e conta o ocorrido para o rapaz.

Laura: Alguém contou a ela que eu estava jantando com um homem casado ontem! Ela veio tomar satisfações...

O advogado ficou irado. Ele falou tentando controlar o nervosismo.

Edgar: Mas que absurdo! É só você confirmar que estava jantando comigo, Laura! Eu sou o seu marido!

A moça ficou olhando para o rapaz. Ele estava transtornado e quando ficava assim, passava as mãos pelos cabelos loiros.

Laura: Edgar... Nós reatamos, mas... para todos os efeitos eu estava jantando com um homem casado, a sua aliança.... Esqueceu? Eu não estava usando a minha... então...

Edgar: ... Então julgaram e condenaram você... Meu Deus, Laura e você de roupa de dormir, com a Melissa nos braços...

A moça balança a cabeça e coça o pescoço... um evidente sinal do grau de desconforto da professora. Ela sorri de lado.

Laura: D. Ana com certeza imaginou que você veio me fazer uma visita e trouxe sua filha! Meu Deus... Chega a ser engraçado!

Os dois riem... Edgar se aproxima de Laura e enxuga uma lágrima que ainda adornava a face de sua amada. Ele pergunta.

Edgar: O que vai fazer agora?

A moça coça a ponta do nariz.

Laura: Bem... Preciso procurar o Ricardo! Vou esclarecer a situação com ele, antes de D. Ana despejar todo o seu veneno!

O rapaz franze a testa.

Edgar: Você vai procurar aquele rapaz? Mas Laura? Ele tem interesse em você! Não acho razoável você procura-lo!

Ela sorri e percebe o jeito do rapaz. Ela acaricia a barba do advogado e aproxima seu corpo do dele. Ela beija suavemente os lábios do jovem.

Laura: O Dr. Advogado está com ciúmes, por acaso?

Ele diminui a distância entre os dois e beija o pescoço da moça causando arrepios.

Edgar: Estou! Você está cansada de saber que eu morro de ciúmes de você! Nunca escondi isso de ninguém, Sra. Laura Vieira!

Ela por alguns instantes se esquece do que ocorreu em sua sala há alguns minutos atrás e se entrega ao prazer de estar nos braços de seu amado.

Laura: Hum... Neste caso... o que você acha de estar presente quando o Ricardo falar comigo? O que me diz?

Ele sorri e pergunta em tom provocador. Ele novamente beija o pescoço da moça e chega até os lábios, beijando intensamente a mãe de seu futuro filho!

Edgar: Estou começando a achar bem interessante. Quer a minha presença como advogado ou como marido?

A professora dá uma gargalhada. Ela responde provocando ainda mais o rapaz.

Laura: Com certeza como advogado!

Os dois estão totalmente entregues um ao outro. Edgar faz cara de zangado quando escuta a resposta de Laura. Ele faz cara feia e empurra o corpo franzino de sua ex em direção ao sofá. Ele deita-se sobre o corpo dela e a desafia.

Edgar: Então... Prefere o advogado ao seu lado, não é?

Laura: Edgar... Alguém pode entrar...

Ela tenta trazer sensatez ao rapaz, mas dá uma gargalhada e acaba perdendo as forças de argumentar com ele. Os dois trocam um beijo apaixonado.

Ele faz cócegas na moça. Olha para ela com um olhar de decepção e pergunta.

Edgar: Tem certeza que a presença do advogado é melhor?

A moça sorri, puxa o rapaz pela gravata recém-colocada e diz.

Laura: O advogado é melhor... Mas o marido... Esse combina muito mais em outro lugar, sabe?

É a vez de Edgar soltar uma grande risada.

Edgar: Bom... Neste caso... que tal subirmos um pouco e você me apresentar este outro lugar?

Ela beija os lábios do rapaz e é surpreendida quando o advogado a toma em seus braços. Ela acaricia o rosto dele e fala dengosa.

Laura: Acho uma ótima ideia!

Os dois sobem as escadas e entram no quarto de Laura ansiosos por estarem juntos. A presença daquela mulher logo pela manhã causou um stress grande no casal e alguns momentos de intimidade entre eles, daria forças ao casal para enfrentar as próximas horas do dia.