Lado A Lado - O Amor E O Tempo
19 Capítulo 19 - A visita de Melissa
Notas iniciais
A visita de Melissa
Matilde preparou as bandejas e elas estavam arrumadas com todo capricho. Edgar pensou em tudo! Colocou a fruta preferida de Laura, a torrada mais tostada, os biscoitinhos de nata da Colonial e o seu suco. Além de seu café com um pouquinho de leite. A bandeja de Edgar estava com esses alimentos e só diferenciava porque o seu café era puro e as torradas menos tostadas. Ele subiu as escadas e abriu a porta do quarto. Laura ainda dormia e estava abraçada aos travesseiros. Em seu rosto um lindo sorriso dava mais graça ainda a mulher que conquistou seu coração definitivamente. Ele apoiou as bandejas no sofá atrás da cama e se deitou ao lado de Laura. Ele beijou suavemente o ombro da ex-mulher, o que acabou por acordá-la.
Edgar: Perdão, meu amor! Bom dia!
Laura: Bom dia!
Ela olhou para o lado e viu que ele já havia providenciado o café da manhã dos dois.
Laura: Edgar, meu amor! O nosso café! Você não esqueceu?
Ele beija os lábios de Laura quando diz.
Edgar: Nunca...
Edgar não sabia como poderia iniciar o assunto. Mas exatamente naquele dia, ele precisava ficar com a filha. Catarina tinha um compromisso com um antigo empresário. Apesar de ter um bebê em casa, Catarina parecia não se importar em ser uma boa mãe para Melissa. Laura pega a xícara de café com leite e após sorver um gole, fala.
Laura: E então, meu amor! Vai à fábrica hoje?
Edgar: Não! Hoje é feriado!
A professora estranha.
Laura: Feriado? De que?
O advogado levanta uma sobrancelha com autoridade e fala sério.
Edgar: Acabei de decretá-lo! Dia de ficar em casa com a mulher que amo!
Ela não resiste ao charme de seu ex-marido e sorri.
Laura: Bobo! Falo sério!
Edgar: Não, agora também falo sério! Vou ficar aqui com você! Meu amor!...Posso te perguntar uma coisa?
Laura: Claro! Você está com uma cara estranha! O que aconteceu?
Edgar gagueja um pouco, pois não sabe qual vai ser a reação de Laura. Ele procura as palavras para não magoá-la.
Edgar: Sabe o que é?...Se fosse em outra situação, com certeza, desmarcaria...mas...
Laura começa a ficar apreensiva.
Laura: Edgar...fala!
Edgar: Tudo bem! A mãe da Melissa tem um compromisso de trabalho. Geralmente a Matilde busca a menina para ficar comigo! Hoje é dia de Melissa vir para cá...mas...se você se incomodar...eu posso...não sabia que você me faria essa surpresa tão linda! Não sei o que fazer!
Laura se sentiu respeitada e valorizada pela atitude de Edgar. Ela não tem nada contra a menina, e sim contra aquela mulher! Laura largou a xícara de café que estava em sua mão, pegou na mão do ex-marido e ternamente respondeu.
Laura: Edgar, meu amor! Eu não tenho nada contra a sua filha! Ela é uma vítima do que aconteceu! Inocente! Eu agradeço muito por você ter me consultado! Por querer saber a minha opinião! Por me escutar! Você não sabia que eu estaria aqui hoje e não é justo mudar seus planos. Pode pedir a Matilde para trazê-la.
Edgar: Meu amor! Você tem certeza? Não quero ferir seus sentimentos!
Laura: Vai ser um pouco estranho para mim, mas ela é sua filha! Não podemos mudar isso! Eu te amo e não quero ficar longe de você!
Edgar: Laura, meu amor! Eu te amo demais! Você é a mulher mais incrível que já conheci! Tão generosa! Tão correta! Como eu queria que tudo tivesse sido diferente!
Ele fala e se aproxima de Laura! Os dois se entregam a um beijo suave, terno, de um casal que se ama e que quer ficar junto independente dos problemas que precisarão enfrentar.
Edgar vai até lá a cozinha avisar Matilde que ela pode ir buscar sua filha. Ele pede um coche de aluguel e entrega o dinheiro à empregada da casa. Quando ele sobe e vai até o quarto, estranha a ausência de Laura. Ele chama pelo seu nome e escuta Laura responder. A voz vem do quarto de banho. Edgar dá um sorriso e segue em direção ao quarto, onde Laura se refresca na banheira. Ele não reparou, mas enquanto tomava o café e conversava com Laura, Matilde subiu e deixou a água morna para Laura, pois se lembrava de que sua patroa gostava de banhar-se logo que acordasse. Ele entrou e viu que Laura estava se refrescando de olhos fechados. Ele se aproximou da banheira e beijou seus lábios. Laura abriu os olhos e sorriu.
Laura: Falou com a Matilde?
Edgar: Falei! Ela foi busca-la!
Ele olhou o relógio e disse sorrindo.
Edgar: Mas ainda temos bastante tempo!...Até Matilde chegar à casa de Melissa e retornar para cá...Temos mais de 1h...
Laura ri do jeito de Edgar.
Laura: Ah, é? E o que o Dr. Advogado sugere?
Ele franze a testa.
Edgar: Não sei...mas estou achando essa banheira tão grande para você aí sozinha! Sinto-me na obrigação de resolver isso!
Laura: Vem aqui então!...Ela realmente é muito grande!
Os dois riem e Edgar tranca a porta do local onde estão e começa a retirar suas peças de roupa e entra na banheira para acompanhar sua amada neste banho. Eles se amam e depois de um tempo resolvem que chegou a hora de sair da banheira. Edgar ajuda Laura a se vestir e se arruma também! Logo, sua filha estará entrando por aquela porta e Edgar vai poder fazer uma coisa que queria a muito ter feito. Os dois estão prontos e acabam descendo, juntos a escada. Eles aproveitam que estão sozinhos e resolvem sentar no sofá que protagonizou muitos encontros entre os dois. O casal senta-se um de frente para o outro. Edgar começa a acariciar o rosto de Laura. Ele está tão feliz com a presença dela ali, que muitas vezes ele pensa estar sonhando. Falando em sonho, Edgar se lembra de um sonho que teve.
Edgar: Laura, como está a Isabel? Você teve alguma notícia dela?
A professora estranha esta pergunta de Edgar e coça seu braço enquanto responde.
Laura: A Isabel? Claro! Nós nos correspondemos por cartas! Mas porque a pergunta?
Edgar: Pois é! Em uma dessas noites, sonhei com a Isabel! Não entendi direito, mas parece que ela falava que o seu bebê não estava morto!
Laura ficou ainda mais assustada. Agora foi a vez de Edgar coçar o seu braço. Os dois tinham tantas afinidades que até seus gestos se confundiam e eram iguais. Não dava para saber quem fazia o mesmo gesto de quem. Ele respondeu intrigado.
Edgar: Pois é, meu amor! Eu me recordo muito bem o quanto todos nós sofremos no enterro do nosso afilhado, mas eu sonhei!
Um arrepio percorreu o corpo de Laura. Antes de seu divórcio com Edgar, Isabel, que estava grávida de Albertinho, perdeu seu bebê no parto! Ele nasceu morto! Ela fala com o marido e gesticula muito.
Laura: Nem sei o que dizer meu amor! Estou toda arrepiada com essa história!
De repente Laura se lembra de uma coisa importante.
Laura: Sabe o que podemos fazer? Claro! Edgar, podemos procurar a Tia Jurema! Ela joga búzios! Mas tem também a Maria. Quando você foi embora lá de casa aquele dia, eu fiquei arrasada, com medo de nunca mais te ver! A Maria é da religião evangélica e ela me disse que Deus pode mostrar as coisas que vão acontecer nos sonhos!
Edgar: Laura, meu amor! Mas isso já aconteceu! O bebê da Isabel já morreu! Não vai acontecer!
A professora ficou desanimada.
Laura: É...pode ser! Talvez você tenha razão! De qualquer maneira vou escrever uma carta para Isabel!
O advogado aprova a decisão de Laura.
Edgar: Isso mesmo, assim você se tranquiliza.
Quando eles param de falar, Matilde finalmente chega com Melissa. Ela trouxe a menina no carrinho, porque bastou ela entrar no coche já caiu no sono! Edgar se aproxima da menina e pegando nas mãos de Laura chama a moça. Ela se aproxima do carrinho.
Edgar: Olha meu amor! Ela é muito boazinha! Quase não chora!
Laura fica um pouco emocionada. Afinal, poderia muito bem ser seu filho, ou filha com Edgar que morreu ainda no início da gestação. Edgar percebeu que Laura se emocionou.
Edgar: Você está bem, meu amor?
Laura sorri: Estou! Ela é tão pequenininha, não é?
Edgar abaixou a cabeça! Estar ali com Laura e Melissa!...As lembranças dolorosas do divórcio!...A solidão sem a sua esposa!...Tudo o que passou pela doença da filha!
Edgar: Apesar de ainda não ter um aninho, Melissa já teve quatro pneumonias! Minha abelhinha é muito frágil, meu amor! É por isso que...você entende? Ela precisa de mim!
Quando termina de falar uma lágrima escorre dos olhos de Edgar e outra dos de Laura. Os dois estavam um pouco agachados olhando a menina que dormia tranquilamente no berço. Laura se ergue e vira Edgar para si.
Laura: Ei! Não quero ver nunca mais essa dor no seu olhar! Eu te amo! Não vou deixar que esse olhar de sofrimento apareça em seu rosto nunca mais, entendeu?
Edgar abraça fortemente Laura neste momento! Um sentimento imenso de culpa invade o coração de Edgar. A mulher que está na sua frente é uma mulher muito especial. Sofreu sozinha a perda de um bebê, distante de seu marido, porque quando noivos ele se aventurou com uma mulher qualquer que lhe deu uma filha. Ela não merecia ter passado todo aquele sofrimento. Edgar se sentiu mal consigo mesmo!
Edgar: Laura! Eu te amo tanto meu amor! Por favor, não me deixe nunca mais! Eu sei que eu não te mereço por tudo que fiz você passar, mas eu prometo te fazer feliz daqui pra frente!
Os dois se beijam e se abraçam. Melissa ainda está dormindo e Laura começa a estranhar. Com um aninho o bebê fica menos tempo dormindo. Edgar teve que ir até o escritório da casa deles buscar uns papéis para entregar ao contínuo que os levaria à fábrica de seu pai. Laura ficou lendo no sofá e o carrinho de Melissa ficou ao seu lado! De tempo em tempo a professora observava sua enteada. Ela era uma bebê pequenina, mas muito fofinha. Num desses momentos em que Laura reparava na menina, percebeu que ela havia acordado. Melissa era bem quietinha, ela acordou e não chorou. Ela olhou para a menina e a menina retribuiu o olhar. Laura chamou pelo marido que prontamente veio ao encontro das duas. Ele agachou ao lado do berço e pegou sua filha no colo. Quando Melissa viu o pai, logo abriu um sorriso. Edgar beijou o rosto da menina. Ele virou a bebê para a direção de Laura e fez as devidas apresentações nestes termos e bem baixinho.
Edgar: Oi abelhinha do papai! Esta moça linda aqui é a Laura. Lembra que o papai falou que você, quando a conhecesse, ia entender porque o papai é tão apaixonado por ela? Viu? Enquanto o papai estava lá pra dentro a Laura cuidou de você.
A menina ainda estava um pouco sonolenta, mas se espreguiçou e deu um meio sorriso para Laura. Laura por sua vez, pegou na mãozinha pequena da menina e se apresentou.
Laura: Oi, Melissa! Tudo bem? Você tem sorte de ter um pai assim! Ele te ama muito e vai sempre cuidar de você, viu?
Edgar viu a emoção de Laura e ofereceu.
Edgar: Você quer pegá-la no colo?
A professora aceitou e pegou a bebê que ficou quietinha em seu colo. Laura pôde sentir o cheirinho de Melissa e se emocionou. Ela aproximou a cabeça de Melissa em seu rosto! Edgar por sua vez, ficou muito emocionado em ver a mulher que ele tanto ama e a sua filha juntas. Afinal, Laura e Melissa eram a sua verdadeira família!
E assim os três ficaram aquele dia. Mas a sonolência de Melissa não saia da cabeça de Laura.
Notas finais
P:S Pessoal não é berço, e sim carrinho, ok?
Grande beijo!
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