Ladies's Brotherhood
17 Capítulo 13 - Parte II
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Marie e a Primeira Dama Francesa, Claudia, se mantiveram presas na Sala de Arquivos Secretos da França graças a uma garota desconhecida que tinha uma magia similar a de Marie, mas ao contrário de Espíritos Arcanos, a garota invocava demônios em uma quantidade e rapidez absurda.
Após chamar um de seus Arcanos mais poderosos, A Estrela, Marie acredita ter derrotado a garota e seus demônios. Porém a invocadora ainda está viva a espera de seu oponente.
Capítulo 13 – Parte II
Após uma batalha rápida, porém árdua, Marie subiu as escadas para fora daquele lugar. Ela sentia seu corpo super pesado e se apoiava nas paredes para poder subir, mas não podia descansar agora. Mesmo achando que havia derrotado aquela “Invocadora”, sentia que aquilo ainda não havia acabado. Além do mais, ela precisava saber se Claudia estava bem.
Quase chegando à saída, ela já podia ouvir Claudia e a Imperatriz conversando, fazendo a sentir um grande alivio em seu peito. Ao passar pela passagem, ela viu as duas do lado de fora, e não demorou muito para elas notarem que Marie havia voltado.
– Marie, graças a Deus! – Claudia se jogou nos braços da amiga ao vê-la retornar. – Você está bem? Parece exausta. – ela reparou a aparência fraca de Marie.
– Eu estou bem, isso não é nada. – ela respondeu tentando parecer convincente.
– Invocar dois Espíritos Arcanos ao mesmo tempo não é fácil, Marie. – interviu a Imperatriz. – Nem mesmo pra você.
– Já disse que estou bem! – retrucou Marie de volta.
– O importante é que tudo isto acabou. – disse Claudia aliviada.
Mas assim que disse estas palavras, o céu se tornou escuro de repente. As três olharam para cima e viram centenas de vultos negros voando, rodando-as acima no céu. De repente as centenas de vultos se juntaram e formaram um só, formando uma grande massa de fumaça negra que despencou para cima delas.
Marie abraçou Claudia para protegê-la, e mesmo sem ordenar, a Imperatriz levantou seu cetro e criou um campo de força formado por uma energia dourada, repelindo toda aquela avalanche.
Mesmo sem uma ordem, um Espírito Arcano deve proteger seu mestre a todo custo.
– Eu preciso tirar Claudia daqui... – sussurrou Marie.
Sem que ninguém visse, ela retirou mais uma carta dentro de seu pentagrama e invocou outro Espírito.
– Eu lhe ordeno: Venha! Espírito alado! O Carro! – ela invocou, e assim sua carta se transformou em penas e logo em seguido se transformou no belo pegasus branco.
O esforço de Marie foi muito grande, e isso fez com que ela caísse de joelhos novamente, mas desta vez ela cuspiu sangue, ensanguentando sua mão ao tentar cobrir a boca.
– Marie! Eu te disse pra não se esforçar de mais! – advertiu a Imperatriz.
Mas Marie apenas a ignorou e voltou sua atenção para o pegasus que acabou de surgir.
– Leve Claudia para um lugar seguro, agora! – Marie ordenou. – E volte o mais rápido possível.
Mesmo preocupada com a amiga e querendo ficar, Claudia não questionou, e apenas subiu no animal alado, sumindo das vistas de todos em poucos segundos. Porém Marie estranhou nenhum demônio tentar segui-la.
– Finalmente ela se foi. Estava nos atrapalhando. – disse a pequena garota satisfeita, que estava flutuando acima delas cavalgando um cavalo demoníaco.
Marie estranhou ainda mais o que ela havia acabado de dizer.
– Pensei que seu alvo era a Primeira Dama. – disse Marie para a garota.
– Ah, era no começo. – ela respondeu. – Mas você se tornou um alvo mais interessante.
“Que ótimo...” Pensou Marie irônica.
Mesmo flutuando distante, a garota conseguia ver perfeitamente como Marie havia se desgastado.
– Já perdeu suas forças, Madame? – perguntou irônica. – Não acredita apenas três Espíritos te deixaram assim. – ela riu.
Mesmo se sentindo acabada, Marie não deixaria aquilo acabar assim. Então ela forçou um grande sorriso convincente.
– Eu ainda nem comecei. – ela respondeu.
Marie esticou seu braço e trouxe a Imperatriz de volta a forma de carta, a guardando-a em seu devido lugar. Logo em seguida, já invocava uma nova carta.
– Eu lhe ordeno: Venha... Espírito flamejante... O Sol!
Assim que conjurado, a carta voou das mãos de Marie, se tornando a chama mais bela e brilhante já vista. Então as chamas se transformaram em um belo leão de pelos flamejantes. As chamas da maior parte de seu corpo eram alaranjadas, mas as da juba e da calda eram amareladas, lhe causando uma imagem que fazia lembrar o próprio Sol.
– Pegue-a. – Marie ordenou.
Em um piscar de olhos, o leão flamejante saltou e correu pelo céu, deixando um rastro de fogo pelo ar onde passava, mas que se apagava rapidamente logo depois.
Segundos depois, o pegasus retornou após deixar Claudia em um lugar seguro e correu até Marie. Sem pensar duas vezes, Marie o montou e seguiu o leão flamejante que ainda perseguia a garota invocadora de demônios.
***
Uma perseguição pelos céus havia começado. O leão perseguia a garota misteriosa, enquanto Marie o seguia para não os perdê-los de vista.
Enquanto os seguia, Marie não perdia a atenção do sol que estava se pondo. Se sol se posse completamente, o leão voltaria para a forma de carta e ela não teria condições de conjurar outro Arcano. Assim como a carta da Lua só podia ser conjurada a noite, a carta do Sol só podia ser conjurada de dia.
O leão estava quase alcançando a garota, mas ela conjurava cada vez mais demônios para atrapalhar o trabalho do felino.
De repente o leão a alcança e morde uma das pernas do cavalo demoníaco que ela montava. As chamas causadas pela mordida se espalharam pelo corpo do demônio e o desintegrou, fazendo a garota despencar do céu. Porém ela foi rápida e invocou outro demônio voador e pousou sobre ele, escapando novamente.
Vendo como aquilo estava sendo em vão e vendo também como o sol estava se pondo rápido, Marie não teve outra opção além de dar uma nova ordem ao leão.
– Sol! – ela o chamou. – Faça aquilo.
O leão parou bruscamente no meio do ar. Ele inspirou fortemente o ar e então lançou uma brilhante chama, como um dragão. O que parecia apenas uma simples chama se alastrou como uma onda gigantesca feita de fogo.
Vendo que o impacto era eminente, sem chances de escapar, a garota invocou uma quantidade absurda de demônios, usando-os como uma espécie de barreira. Porém essa abarreira foi facilmente desintegrada, e as chamas atingiram a garota num piscar de olhos.
Quando as chamas se dissiparam, Marie avistou de longe a pequena garota caída em uma clareira não muito longe dali.
Ao pousar lá em baixo, Marie desceu de seu pegasus e o transformou de volta em carta junto com o leão flamejante. O céu já estava arroxeado e o sol já não estava mais visível.
Ela se aproximou da garota que estava caída no chão. A túnica que a garota vestia antes estava toda queimada, junto com parte de sua roupa, e sua pele estava levemente chamuscada. Se ela não tivesse usada à barreira de demônios ela provavelmente estaria desintegrada agora.
Marie se agachou e arrancou o resto de túnica de cima da garota, revelando sua verdadeira face. O que Marie viu realmente a surpreendeu. A garota era realmente uma criança, não era um disfarce como ela havia imaginado antes, e o pior de tudo, Marie a conhecia.
A pequena garota loira de cabelo curto era uma Lady de Rosalie, a líder da Irmandade Britânica. Pelo o que lembrava, seu nome era Rebecca. Ela estava lá quando as cinco líderes se reuniram.
A garota tinha dezenas de tatuagens espalhadas pelos braços, que só ficaram visíveis agora, com símbolos bastante diferentes, e Marie imaginava que era com elas que ela invocava seus demônios.
– Parece... Que você descobriu meu segredo... – disse a garota ainda deitada e com a voz fraca. – Mas eu não me importo.
– Como uma garotinha como você conseguiu tanto poder? – Marie perguntou enquanto Rebecca tentava se sentar.
– Nós, com poderes espirituais, temos nossos segredos. – a garota riu ironicamente. – Não é mesmo, Marie?
Rebecca abriu os olhos e olhou fixamente para Marie, revelando seu segredo. Espantada, Marie se levantou e se afastou o mais rápido possível dela. Seus olhos não estavam com uma cor azul normal, estavam cintilantes, como gliter.
– Você... Foi Corrompida... – Marie murmurou de olhos arregalados.
Ao ver a reação da mulher, Rebecca gargalhou.
– Pode acreditar que eu fui! – a garota continuou a rir. – Fico imaginando quando isto acontecerá com sua jovem Paola.
Num piscar de olhos, Marie pegou sua lança e mirou no pescoço de Rebecca. Ela ficou furiosa com aquele comentário. A garota se calou, mas não tirou o sorriso maligno do rosto.
– Não se atreva a falar da minha filha. – Marie resmungou entre os dentes.
– Porque está negando isto, Marie? – Rebecca perguntou ainda sorrindo. – Este é o destino de todos nós que usamos magia espiritual. Você passou por isto também, acha mesmo que Paola irá escapar?
As mãos de Marie estavam tremulas. Ela queria decapitar a cabeça daquela garota e fazê-la calar a boca. Mas ela sabia que aquilo era verdade.
– Minha filha é muito forte e inteligente. – Marie ficou mais calma e abaixou a lança. – Tenho certeza que ela não irá acabar como você.
– Veremos então... – sussurrou a garota.
– Chega de papo. Vamos indo, vou levar você até a mansão. – Marie ordenou. – Lá podemos te interrogar melhor.
– Eu acho que não. – a garota negou.
– Como assim não?
Marie tinha certeza que a garota estava sem forças para escapar ou realizar um contra-ataque, então o que ela estava falando?
Sem que a mulher tivesse tempo de reagir, Rebecca esticou um dos braços rapidamente e lançou um demônio para cima de Marie. Era um demônio pequeno, mas forte o suficiente para arremessar Marie contra uma árvore.
Rebecca se levantava lentamente, ainda fraca com o último ataque, enquanto Marie ainda estava ajoelhada no chão com muita dor.
– Eu disse a você que tinha uma paixão por demônios, não disse? – perguntou a garota, enquanto tirava algo guardado em seu vestido. – Então seria idiotice minha se eu não tivesse o rei de todos eles, não é mesmo?
Rebecca então revelou em suas mãos uma carta de tarô, iguais as de Marie. Aquele era um Espírito Arcano, e um dos mais fortes.
– Não faça isso! – Marie gritou, mas era tarde de mais, a garota já dizia as palavras certas.
– Eu lhe ordeno! Venha! Lorde e Deus do submundo! O Diabo!
De repente, o chão tremeu bruscamente uma única vez. Então uma fenda grande começou a se abrir no chão. Segundos depois, uma fera gigantesca vermelha, coberta de lava, e de chifres negros enormes saía da fenda. E a pequena Rebecca estava em pé em um dos chifres.
Marie estava petrificada. Não sabia o que fazer. Ela não tinha mais forças para invocar mais um Espírito Arcano para derrotar aquilo. Nem sabia se tinha o espírito certo para derrotar aquilo.
– Já que não me livrei da Primeira Dama, acho que minha Madame ficaria feliz em saber que acabei com a líder da Irmandade Francesa! – Rebecca gritou do topo do chifre do demônio.
Quando uma das mãos gigantescas do demônio estava prestes a esmagar Marie, uma dor insuportável começou a roer a cabeça de Rebecca.
– M-Mas o quê?! Não me atrapalhe agora! – a garota gemia de dor, enquanto falava sozinha.
Parecia que junto com a dor em sua cabeça, alguém lhe enviava uma mensagem.
– Parar?! Como assim parar?! – ela resmungava. – Entendido... – relutante, Rebecca aceitou as ordens que ela havia recebido. – Parece que você teve sorte, Madame Marie. Mas não se preocupe, não acabamos aqui! – ela gritou para Marie novamente.
Então o demônio começou imergir para dentro da fenda novamente, junto com Rebecca, sumindo das vistas de Marie.
A fenda se fechou, e Marie estava na clareira sozinha. O poder daquele simples garotinha era surpreendente. Muito maior do que Marie imaginava.
Antes que percebesse, sua visão ficou turva e ela apagou.
***
Ela abriu os olhos novamente. Mesmo com a visão um pouco embaçada, Marie percebeu que estava em seu quarto, deitada em sua cama. Ela notou duas vozes familiares conversando me voz baixa. Eram Soulier e Claudia.
Marie tentou se sentar na cama, mas ao fazer isso sentiu sua cabeça pesada e seu corpo dolorido.
– Não se levante ainda Marie. – ordenou Soulier, fazendo-a se deitar novamente.
– Por quanto eu dormi? – ela perguntou se ajeitando na cama.
– Por uma hora, mais ou menos. – respondeu Claudia indo até ela.
– Isso que dá conjurar tantos Arcanos de uma vez em um só dia. – repreendeu Soulier.
– Eu desmaio conjurando apenas quatro espíritos. – Marie riu sem graça de si mesma. – Que grande Madame eu sou.
– Então, o que aconteceu lá depois que eu parti? – perguntou Claudia.
Antes de explicar, Marie tentou novamente se sentar na cama, mesmo com Soulier e Claudia tentando impedi-la. Ao se ajeitar, ela começou a explicar o que aconteceu e quem era a garota que perseguia Claudia. Porém não contou a parte em que as duas debateram sobre o provável destino de sua filha, Paola. Aquilo era um assunto somente entre pessoas com magia espiritual.
– Então Rosalie estava realmente escondendo alguma coisa. – murmurou Soulier, colocando os pensamentos em ordem.
– Então quer dizer que a Inglaterra está por trás da minha... Tentativa de assassinato? – perguntou Claudia.
– Não temos certeza ainda. – respondeu Marie. – A única coisa que sabemos é que a Irmandade Britânica está por trás de algo, e nada mais. É por isso que você não pode dizer nada ao seu marido, Claudia. – ela pediu. — O que quer que seja que Rosalie esteja planejando é um assunto entre as Irmandades. Não queremos criar uma confusão.
Claudia estava relutante quanto aquilo. Ela era o alvo da assassina, e era o seu país que estava em risco. Ela deveria contar ao seu marido. Mas Marie estava certa em um ponto. Se a assassina pertencia a uma Irmandade, então a Irmandade deveria cuidar desse assunto.
– Está bem. – Claudia concordou.
– Mudando de assunto, que barulho é este lá em baixo? – perguntou Marie finalmente percebendo o barulho abafado de música vindo do andar de baixo.
– Ah sim, as garotas estão comemorando. – Soulier respondeu. – Afinal, para elas a missão foi muito bem sucedida.
***
Era uma tradição muito antiga da Ladies’s Brotherhood. Toda vez que se realizava um trabalho muito grande, como o último feito, havia uma grande celebração no salão principal.
A música alta e animada era tocada por um grupo de Ladies, uma mesa cheia de comida estava montada e todas as garotas dançavam e se divertiam. Pelo menos a maioria delas estava.
Paola estava finalmente fora da sua cama e de seu quarto. Ela estava quieta em um canto, e várias outras garotas iam até ela perguntando se ela já estava bem, e ela dizia que sim.
Ela se sentia bem fisicamente, mas psicologicamente nem tanto. A voz desconhecida ainda a importunava.
– Hmm... Todas as garotas parecem estar se divertindo. – comentou aquela mesma voz. – Exceto você.
– E de quem será que é a culpa? – Paola resmungou discretamente, irritada com a voz.
A voz riu em sua cabeça.
– Ora, querida, eu não tenho culpa de nada. – ela respondeu. – Seu corpo está livre para fazer o que quiser.
– Será que dá pra calar a boca?! – Paola se irritou mais ainda, mas manteve a discrição. Não queria chamar a atenção das outras e fazê-las pensarem que estava conversando sozinha.
– Você pode ficar irritada o quanto quiser comigo. – a voz provocou novamente. – Mas não pode negar não está só brava comigo.
– Hã? Do que você está falando? – Paola perguntou intrigada.
– Você está com inveja das outras garotas. – a voz respondeu.
– Agora você está inventando coisas. – Paola bufou incrédula. – Por que eu estaria com inveja?
– Porque todas as 10 melhores da casa realizaram um trabalho grandioso hoje, e você ficou de fora. – a voz explicava. – Todas elas têm um motivo para comemorar, menos você. Você não fez nada.
– Quanta besteira. – Paola negou.
– Não adianta negar, querida. – a voz riu novamente. – Eu estou na sua cabeça, esqueceu?
Paola se irritou. Sentia que aquilo era verdade, e estava preso em seu subconsciente. Ela saiu daquele canto e começou a andar para fora do salão principal.
– Para onde está indo? – perguntou a voz.
– Você não disse que está na minha cabeça? Deveria saber para onde estou indo. – Paola debochou.
Naquele mesmo salão, Victória estava como Paola, quieta em um canto e não se divertia com as outras. Ela estava cabisbaixa, segurando uma taça de vinho, vendo seu reflexo sobre a água avermelhada.
Ela estava pensativa. Pensava sobre Christofer. Sobre ter se esbarrado com ele mais cedo. Estava ficando cansada de mentir para ele, de se esconder dele. Ele era um detetive, e apesar de ela ter treinado a vida toda para esconder a verdade, uma hora ele desconfiaria de suas mentiras. Além do mais, quanto tempo isto iria durar? Era extremamente proibido uma Lady ter relacionamentos. Ela largaria tudo e ficaria ao lado dele, ou ela o esqueceria e se manteria fiel a Irmandade? Todas aquelas duvidas ao mesmo tempo estavam a matando por dentro.
Victória estava tão concentrada em seus pensamentos que nem percebeu que alguém havia se aproximado.
– Você deveria parar de vê-lo. – disse à garota que se aproximou.
Surpreendida, Victória ergueu o rosto novamente e viu que era Brieta que estava em sua frente. Fria e inexpressiva como sempre.
– O quê? – Victória perguntou confusa.
– O rapaz. Christofer Hardy. Você deveria parar de vê-lo. – Brieta afirmou novamente. – Não é seguro.
Victória estava perplexa. Não esperava aquilo de Brieta. Como ela sabia sobre ele? E por que justo ela estava lhe aconselhando?
– V-Você... Está preocupada comigo? – essa foi à primeira pergunta que Victória conseguiu expressar.
– Não é só por você, é por ele também. Não vê o quão isso é perigoso? – Brieta perguntou. Ela continuava inexpressiva, mesmo tendo confessado estar preocupada.
– E por que seria tão perigoso? E porque está preocupada com isto? – Victória ainda estava confusa com todo esse alerta.
Brieta não disse mais nada, e Victória também não. Ela esperava uma resposta de Brieta, mas nada aconteceu. Brieta apenas suspirou.
– Esqueça... – Brieta suspirou e se virou.
Subitamente, Victória agarrou um dos pulsos de Brieta antes que ela fosse embora.
– Espere ai! – Victória apertou o pulso dela. – Você nunca fala comigo e acha que pode chegar assim do nada e me mandar fazer algo?!
Victória ficou furiosa, o que era muito raro, e isso chamou a atenção das outras que estavam perto e ouviram Victória.
De repente o chão estremeceu como um terremoto, e a taça que estava na mão de Victória explodiu em mil pedaços. Isto assustou todas as garotas presentes, inclusive Victória. Ela havia feito aquilo, mas não sabia como e nem por que.
– Está vendo agora? – Brieta perguntou.
– Epa, epa! – Marietta chegou de repente. – O que está havendo aqui?!
A ruiva ficou entre as duas, mas nenhum delas disse nada no momento. Victória ainda estava perplexa com o que havia feito, enquanto Brieta não reagiu.
– Não tem nada acontecendo. – Brieta finalmente respondeu. Aproveitando que Victória tinha afrouxado seu braço, ela se soltou. – A propósito, aquilo não foi uma ordem, foi apenas um conselho.
A garota partiu, deixando as duas sozinhas naquele canto. Victória continuou pasma. Ela olhou suas mãos e notou que elas estavam tremulas, e a mão que ela segurou a taça antes estava suja de vinho e cheia de cacos de vidro.
– Ei, Vic. Você está bem? O que ela te disse? – a ruiva perguntava, mas estava sendo em vão. Ela não respondia
Victória havia perdido o controle de seus poderes e aquilo havia a assustado.
***
Em um canto remoto da Inglaterra, a sede da Irmandade Britânica era escondida a beira de um precipício, com gigantescos muros de pedra cinzenta e altas torres. Um castelo seria a melhor de descrever este enorme refugiu.
Enquanto na Irmandade Francesa, Madame Marie, tinha apenas um simples escritório em sua mansão, Madame Beauford, líder da Irmandade Britânica, tinha um enorme salão só para ela, junto com um majestoso altar. E lá estava ela, sentada no topo do altar, batendo os dedos sobre o apoio de seu trono, enquanto sua outra mão apoiava seu rosto. Pela sua expressão de agora, ela não parecia feliz.
Abaixo de seu altar estava a pequena Rebecca, a garota que havia atacado a Primeira Dama da França e a Madame Marie mais cedo. Ela estava ajoelhada e de cabeça baixa, e suas roupas ainda estava chamuscadas e sujas da batalha anterior.
– Deixe-me ver se entendi... – dizia Rosalie, a Madame, nada contente. – Você deixou a Primeira Dama da França escapar ilesa, enfrentou a Madame Van de Hout sem minha permissão e ainda a deixou descobrir sua identidade?
– E-Eu sinto muito, Minha Senhora. – a garota gaguejou ainda ajoelhada e de cabeça baixa, tentando não olhar diretamente para Rosalie.
– Hmm... – ela murmurou. – Pode me dizer por quê?
– E-Eu achei que seria uma boa ideia tirar a Madame Francesa do seu caminho, Minha Senhora. – Rebecca tentou se explicar.
– Entendo. – Rosalie se levantou de seu trono. – Quer dizer que você achou que me desobedecer era uma boa ideia?
Rebecca levantou o resto e viu Madame Beauford descendo de seu altar. Então sentiu um calafrio subir pela sua espinha.
– E-Eu sinto muito, Minha Senhora! – Rebecca implorava. – I-Isso nunca mais vai acontecer de novo! P-Por favor! E-Eu só queria lhe ajudar!
Quando a Madame se aproximou dela, Rebecca se encolheu, apertando fortemente as pálpebras dos olhos fechados, esperando agoniada o que quer que fosse acontecer.
– Shhh... – Rosalie se agachou e passou a mão suavemente sobre o rosto de Rebecca. – Está tudo bem... Você só queria ajudar a mim e a Irmandade Britânica, não é mesmo? Eu entendo. Você é uma das minhas melhores garotas, Rebecca, seria um desperdício perdê-la.
– O-Obrigada... – Rebecca respondeu com leve sorriso de alivio.
– Mas... – então a mesma mão que a acariciava antes apertou sua mandíbula. – Se você fazer uma burrice desta novamente, arrependimento será pouco o que você irá sentir. – Rosalie a ameaçou friamente, apertando ainda mais. – Lembre-se que eu lhe ajudei a ter poder. Posso muito bem tira-lo de você.
Rosalie soltou a mandíbula da garota e se levantou, deixando Rebecca ainda agachada naquele chão.
– Agora vá. – ela ordenou. – Depois de invocar tantos demônios em um só dia, acho que é necessário pagar seu tributo o mais cedo possível, não é mesmo?
Depois de toda aquela ameaça de Rosalie e de toda submissão da pequena Rebecca, a mesma esboçou um grande sorriso tenebroso antes de se levantar.
– Sim, Minha Senhora. – Rebecca se levantou e se curvou diante de sua Madame, antes de sair daquele salão.
Assim que partiu, outra Lady apareceu no grande salão de Rosalie.
– Minha Senhora, o seu convidado acaba de chegar. – informou a jovem que acabara de entrar.
– Ah, sim, ótimo. Mande-o subir. – respondeu Rosalie.
Antes que o convidado chegasse, Rosalie andou até a varanda daquele salão. Ela se aproximou da beirada, apoiando suas mãos no parapeito, observando de longe suas garotas treinando arduamente num gigantesco pátio.
Céu estava coberto por nuvens escuras, parecendo que cairia uma forte tempestade a qualquer momento. Mas as garotas não paravam o que faziam. Cada uma mais forte que outra, usando técnicas diferentes e magias diferentes. Rosalie as assistia com orgulho.
– Garota tola... – murmurou Rosalie para si mesma, se referindo a Rebecca. – Se fosse para derrotar a Irmandade Francesa eu não atacaria somente a abelha rainha... É necessário destruir a comeia inteira.
– Minha Senhora. – chamou a Lady anterior. – O convidado está aqui.
– Antes de qualquer coisa, quero que saiba que o senhor é o primeiro homem a pisar na sede Irmandade Britânica em séculos. – Rosalie virou-se para vê-lo. – Senhor Thomas Hardy.
Aquele homem era o general do exercito Britânico, Thomas Hardy, pai de Christofer. Ele vestia sua farda verde escura do exercito, e seu rosto estava sério, como sempre era.
– Fico honrado, Senhorita Beauford. – ele respondeu. – Devo dizer que nunca esperava chegar a conhecer estar Irmandade pessoalmente um dia.
– Hmm... É um homem educado, e especialmente sincero. – Rosalie se aproximou dele. – Gosto de homens sinceros. – ela colocou as mãos sobre o peito dele.
– Sou um homem casado, senhorita Beauford. – ele afirmou. – E com todo o respeito, a senhorita é muito jovem para um homem como eu.
Rosalie riu suavemente e se afastou dele. Tecnicamente o que ele dizia era verdade. Ela tinha a aparência de uma jovem de 20 anos, enquanto Thomas aparentava passar dos 40.
– Não sou tão jovem quanto aparento ser, senhor Hardy. – ela se virou de costas para ele novamente, voltando a observar suas garotas. Ela olhou para cima e viu as nuvens ficando cada vez mais pesadas. – É melhor conversarmos lá dentro. Logo cairá uma tempestade, e nossa conversa ainda será muito longa.
– Antes de começarmos esta reunião, permite-me lhe perguntar uma coisa? – ele propôs.
– Vá em frente. – ela permitiu.
– Vocês da Ladies’s Brotherhood fizeram coisas grandiosas no anonimato por séculos. Por que só envolver alguém de fora agora?
Rosalie sorriu. Era uma pergunta sensata.
– Como eu te disse antes, você foi o primeiro homem a pisar na Irmandade antes. – ela repetiu. – Está na hora das coisas mudarem por aqui. Nossa era do anonimato está chegando ao fim. Deve chegar ao fim.
Fale com o autor